CHAPITRE II : COMMENT CONSTRUIRE UNE ONTOLOGIE ?
I. Conception
1) Constituants d’une ontologie
No tocante a anulação da Mãe Terra como ser tríplice em favor da mulher-mãe e com- preendendo a importância da Era Pós-Moderna para o processo de identificação do homem com a anima e sua consequente projeção em forma de sombra sobre as mulheres, nota-se uma lacuna entre o entendimento dos direitos femininos, bem como a equidade entre os gêneros, e a prática perpetrada na cultura ocidental.
Dessa forma, carece-nos ver essa problemática sob o ângulo de um definhamento da esfera moral evidenciado no paradigma vivido pela mulher-mãe, cujas relações com o homem ocidental, infantilizado, são testadas pela sociedade, que supervaloriza o belo e o jovem, nos aprisionando à Mãe Terrível e nos impedindo de prosseguir a saga heróica, a qual toda criança deve enfrentar na busca pela individuação.
Portanto, considerando-se que este trabalho alcançou sua meta, devido ao enfoque dado pela Psicologia Analítica e pela contextualização sociocultural e histórica, foram expos- tas as implicações da violência contra a mulher e o feminicídio no Brasil.
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EDuCaçãO maTEmáTiCa E QuEsTõEs DE GênErO:
DifErEnCiaçõEs GEraDas POr PráTiCas DisCursivas
DE aGEnCiamEnTOs subjETivOs
1Lucas Alves Lima Barbosa2
Fabio Pinto Gonçalves dos Reis3
rEsumO
Diante da “evidência” de que meninos possuem um rendimento matemático superior, o presente tra- balho objetiva investigar as problematizações que podem ser feitas à Educação Matemática quando a relacionamos com questões de gênero, isto é, com as masculinidades, feminilidades e demais repre- sentações sociais. De fato, não é muito incomum depararmo-nos com afirmações do tipo “meninos tem mais facilidade para aprender matemática do que meninas” ou “a mulher é muito emotiva e pouco racional”, dentre outras, que podem trazer certas implicações para o ensino da Matemática, como por exemplo a legitimação e a reafirmação de certas desigualdades já materializadas no âmbito social. No intuito de se problematizar tais afirmações que, de certa forma, podem acabar exercendo um papel fundamental na fixação de determinados binarismos concernentes às identidades de gênero, este tra- balho apresenta uma discussão pós-estruturalista e investiga em que medida a diferenciação entre meninos e meninas no contexto da Matemática é construída, e não natural.
Palavras-ChavE
Educação Matemática; Gênero; Aprendizagens; Desnaturalização.
introdução
Emergem como necessárias pesquisas que mesclem os universos da Educação Mate- mática e o do gênero a fim de se problematizar algumas concepções comuns, como a clássica “afirmação” de que homens são, naturalmente, melhores em Matemática do que as mulhe- res, e buscar, em meio a estas intersecções, subsídios para aprendizagens mais abrangentes e críticas. São poucos os pesquisadores brasileiros que têm se engendrado na busca por re- lações entre Matemática e gênero. Souza e Fonseca (2010, p. 11) sublinham esta necessidade ao ponderarem que “discutir as relações entre gênero e matemática constitui, de certa forma, uma novidade no campo da Educação Matemática no Brasil”.
Diante da evidência estatística de que meninos têm um rendimento superior em Mate- mática, como mostram Corrêa, Sipraki e Soares (2012), não é muito incomum depararmo- nos com afirmações que associam esta diferenciação a uma dada natureza masculina mais centrada e racional ou a uma natureza feminina mais dispersa e emotiva. No entanto, será mesmo que as diferenças são advindas da natureza? Seriam os homens realmente dotados
1Trabalho apresentado no GT “Novas (e velhas) tecnologias do género: biopoder, micropolíticas e dispositivos” do
V Congresso Internacional em Estudos Culturais: Género, Direitos Humanos e Ativismos.
2Mestrando em Educação, Universidade Federal de Lavras, e membro do grupo de pesquisa “Relações entre
Filosofia e Educação para a Sexualidade na Contemporaneidade: a Problemática da Formação Docente (Fesex)”. E-mail: [email protected].
3Doutor em Educação, Universidade de São Paulo. Professor adjunto da Universidade Federal de Lavras e membro
do grupo de pesquisa “Relações entre Filosofia e Educação para a Sexualidade na Contemporaneidade: a Proble- mática da Formação Docente (Fesex)”. E-mail: [email protected].
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de uma capacidade cognitiva preparada para receber com mais conforto os elaborados co- nhecimentos matemáticos? O conceito de discurso desenvolvido por Michel Foucault e a performatividade de Judith Butler nos ajudarão a perceber que a resposta para estes ques- tionamentos é um grande e redondo não.