CHAPITRE II LE SÉNAT, REPRÉSENTANT CONSTITUTIONNEL DES
A. LE CONSTAT : UNE « ASSEMBLÉE DE PROXIMITÉ » À L’ÉCOUTE DES ÉLUS
Nesta parte serão descritos e analisados os resultados isotópicos do testemunho: Datações
14
C, Variações do Nitrogênio: N-total (%), 15N (%o) e o Carbono; C-total (%), 13C (δ/pdb).
4.3.1. Datações 14C
A cronologia é baseada em 8 idades de radiocarbono do testemunho (Tabela 3) 3 datações do laboratório do 14C-AMS Beta Analytic (Miami, USA) nas profundidades: 42-44 cm, 90-92 cm e 174-176 cm, e 5 datações no laboratório de 14C AMS -Universidade de Geórgia nas profundidades: 20, 50,60,70 e 80 cm. As idades 14C foram calibradas com o Software CLAM 2.2 (Blaauw,2010; versão 2.2) utilizando a curva de calibração SHCal13 para o hemisfério sul atmosférico (Hogg et al., 2013),(Figura 8) obtendo o resultado em base a uma probabilidade de 95% 2 δ (Figura 3). Em função as idades calibradas se elaborou um modelo temporal idade-profundidade de interpolação linear com base as idades 14C AP, com intervalos de confiança de 95% mostrando o hiato de sedimentação. (Figura 9).
(IAC). Os resultados apresentados em idades 14C encontram em anos antes do presente (AP), sendo presente o ano de 1950.
Amostra/Profundida de (cm) Idade 14C (Anos AP) 13 C/12C Laboratório
20 cm 5263+/- -18,19‰ 14C AMS -Universidade de Geórgia. 42-44 cm 2890 +/- 30 -19,9 ‰ 14C-AMS Beta Analytic (Miami,
USA)
50 cm 3479+/-27 -19,25 ‰ 14C AMS-Universidade de Geórgia 60 cm 11065+/-31 -15,76 ‰ 14C AMS-Universidade de Geórgia 70 cm 12277+/-32 -16,63 ‰ 14C AMS-Universidade de Geórgia 80 cm 7330+/-23 -18,37 ‰ 14C AMS -Universidade de Geórgia 90-92 cm 14910 +/- 60 -19,8 ‰ 14C-AMS Beta Analytic (Miami,
USA) 174-176 cm
.
20850 +/- 100 -16,9 ‰ 14C-AMS Beta Analytic (Miami, USA)
Figura. 8 Calibração das idades 14C com o Software CLAM 2.2 (Blaauw,2010; versão 2.2) utilizando a curva de calibração SHCal13 para o hemisfério sul atmosférico (Hogg et al., 2013). Rangos de probabilidades de distribuição a) 5910-6022 (85.5 %) 6060 -6060 (0.1 %), 6079 -6112 (6.3%) e 6155 -6173 anos cal AP. (3.1%). b) 2863-3066 anos cal AP. (95%) c) 3607 -3734 (70.2%), 3736 -3779 (10.1 %) e 3787-3827 anos cal AP (14.6%). d) 12755- 13007 anos cal AP (95%). e) 15026 -15315 anos cal AP (95%). f) 8023- 8170 anos cal AP (95%). g) 17893- 18278 anos cal AP (95%) e h) 24657- 25424 anos cal AP (95%).
Figura 9. Modelo de idade-profundidade de interpolação linear com base as idades 14C AP sim inversões, amostrando o hiato de sedimentação, com intervalos de confiança de 95% que
(δ/pdb) em relação a profundidade.
Profundidade (cm) N-total (%) 15N (%o) C-total (%) 13C (δ/pdb)
0 0,61 4,33 7 -24,42 10 0,36 6,13 4,28 -21,68 20 0,2 6,72 3,44 -18,19 30 0,16 7,53 2,64 -18,7 40 0,37 5,83 4,81 -22,1 50 0,24 5,55 4,03 19,25 60 0,17 5,55 4,28 -15,76 70 0,1 5,8 2,02 -16,63 80 0,1 5,58 1,67 -18,37 90 0,03 5,27 0,46 -19,69 100 0,02 7 0,36 -21,48 104 0,02 6,22 0,33 -21,53 110 0,02 8,14 0,32 -22,12 116 0,02 7,63 0,33 -22,11 120 0,02 9,36 0,32 -22,58 124 0,02 7,88 0,31 -22,64 130 0,07 4,59 1,32 -17,85 134 0,08 5,26 1,21 -18,3 140 0,02 9,21 0,31 -22,49 146 0,02 7,28 0,33 -22,26 150 0,02 7,49 0,32 -22,81 154 0,02 7,37 0,28 -21,77 160 0,02 5,49 0,25 -22,13 166 0,02 5,68 0,27 -21,03 170 0,01 7,21 0,23 -20,46 174 0,02 6,18 0,14 -17,44 178 0,02 6,15 0,31 -15,99
Na Figura 10 e na Tabela 4 é possível observar que a concentração de COT experimenta um empobrecimento com a profundidade, sendo este fato considerado como esperado devido à interação entre a reposição e decomposição do material orgânico. O valor máximo de COT de 7% observou-se na seção de 0-2 cm, e o valor mínimo de 0,14% na profundidade de 174 cm, com uma média de 1,53 %.
A concentração do Nitrogênio total (Figura 10, Tabela 4) exibe um valor mínimo de 0,02% em várias profundidades do testemunho, que vão de 178 a 140 cm e 124 a 100 cm, com um valor máximo de 0,63% no intervalo de 0-2 cm e uma média de 0,10 % O aporte de material vegetal justifica os maiores valores de N na superfície do testemunho. De forma geral as variações na concentração do Nitrogênio acompanham as variações do Carbono, como é possível apreciar nos intervalos de 30-60 cm e 125-40 cm com um aumento no conteúdo de COT e N-Total. Essa relação sugere um maior aporte de conteúdo da matéria orgânica. Apesar disso a tendência do COT e N-Total é de diminuição conforme aumenta a profundidade. Um padrão semelhante e esta tendência à diminuição das concentrações de COT com aumento da profundidade já foi observado em trabalhos publicados por Pessenda et al. (1996) em dados de isótopos de carbono medidos em três perfis de solo da região Salitre, Minas de Gerais, Brasil Central.
O baixo conteúdo de COT observado nos intervalos de 178-140 cm e 125-90 cm sugere a possível ausência ou redução de um corpo de água que favorecesse a expansão da floresta, já que os valores refletem um significativo empobrecimento do aporte de biomassa, pudendo estar associado a uma mistura de vegetação C3 e C4.
4.3.3. Relação C/N
A partir dos resultados da relação C/N (Figura 10, Tabela 4), foi constatada a presença de um valor mínimo de 7 na profundidade de 174 cm, e o máximo de 25 a 60 cm de profundidade, com uma média de 16
.
Uma interpretação das relações de C/N foi exposta por Meyers (1994, 2003), o autor descreveu que os valores maiores de C/N estão associados as plantas terrestres (valores de C/N superiores a 20) , já que possuem um conteúdo de celulose mais elevado com uma maior ocorrência de carbono, em relação aos valores do fitoplâncton, as algas, bactérias e fungos, com conteúdo de proteínas mais elevados, com maior ocorrência de Nitrogênio, expressando uma relação C/N de 4 a 10. Em função a isto a relação C/N parapossivelmente mistura de plantas C3 e C4. 4.3.4. δ15
N da matéria orgânica
Com relação aos valores de δ15N observou-se variações que vão de 4,33‰ a 9,36‰ com uma média de 6,5‰ (Figura 10, Tabela 4). Os valores enriquecidos de 15N no local de estudo podem ser associados ao escasso conteúdo de matéria orgânica presente no testemunho, a diferença dos valores empobrecidos de 15N que estão associados a uma maior quantidade de matéria orgânica
.
Segundo Nadelhoffer et al. (1994) os ecossistemas que refletem transformações são tipicamente, mais enriquecidos em 15N.4.3.5. δ13
C da matéria orgânica sedimentar.
De acordo com as análises isotópicas da matéria orgânica (Figura 10, Tabela 4) do testemunho coletado em uma área de vegetação de Floresta Riparia do Bioma Cerrado, se pode observar nas profundidades de 178-140 valores δ13C com uma média de -20,7 %o. A partir desta profundidade os valores se mostram enriquecidos δ13C com -15,99%o com idade calibrada de 14C 20.850 +/- 100 anos AP. A seguir observe-se uma tendência de empobrecimento até os 140 cm com valores de -22,49%o. Estes valores de δ13C podem indicar que a base do testemunho foi caracterizada pela presença de uma vegetação mais aberta que na atual, com predominância de plantas C4, provavelmente associada a um clima
mais seco. O progressivo empobrecimento do δ13
C mostra uma mistura de plantas C3 e C4,
configurando possivelmente uma floresta menos densa que a atual.
Nas profundidades de 140-125 cm foi observado um enriquecimento de δ13C com valores de -18,3%o a -17,85%o, estes valores sugerem que a vegetação se apresentava distribuída de forma esparsa, com predomínio de plantas C4, associadas às condições mais secas.
Condições um pouco mais úmidas provavelmente retornaram no local, permitindo o desenvolvimento de plantas de tipo C3 nas profundidades de 125-100 cm, onde foi observado
um empobrecimento do δ13
C, com valores de -22,64%o a -21,48%o com uma média de -22 %o nas profundidades de 100-60 cm os valores isotópicos (-21,48%o a -15,76%o) com uma média de -18,38%o mostram um aumento na mistura de plantas C3 e C4, o que indica
condições climáticas mais secas nesse período. Nesta fase se tem uma idade calibrada de 14C aos 90 cm de 14910 +/- 60 anos AP.
que vão de -15,76 %o a -22,1%o o empobrecimento possivelmente está associado a um incremento de plantas de tipo C3 e um aumento da umidade por volta de 14C de 2890 +/- 30
anos AP.
A seguir no intervalo de 40 – 20 cm existe um enriquecimento do δ13C com valores de -- 21,1 %o a -18,19 %o) que indicaria o retorno as condições mais secas ou ao início da fase de desmatamento no local por causa das atividades antrópicas.
E por último entre 20-0 cm de profundidade se observa um empobrecimento δ13C, que pode representar uma expansão da floresta, com mistura das plantas C3 e C4, com predominou
de plantas C3.
Resultados similares que confirmam condições mais secas durante a transição do Pleistoceno e Holoceno para o estado de São Paulo foram apresentados por vários autores como Pessenda et al. (1998), Sheel et al. (2003), Mofatto (2005), Saia et al. (2008), Gouveia (2011) e Souza et al. (2013). Entre esses, os resultados isotópicos de Saia et al. (2008) e os aqui estudados apresentam grande semelhanças. Assim, Saia et al. (2008) estudaram um registro sedimentar que abarcou desde o UMG no domínio do Bioma Mata Atlântica, uma área localizada na região Sul do estado de São Paulo. Os autores mediante os analises isotópicos do δ 13
C da matéria orgânica do solo, explicaram que durante a transição do Pleistoceno- Holoceno a vegetação foi claramente mais aberta que na atual, com misturas de plantas C3 e C4 sugerindo um clima mais seco por volta dos 16000 a 14000 anos AP. A partir
dessa data existe um predomínio de plantas C4 até o presente. Esses resultados sugerem uma
notável expansão da floresta, associada a condições mais úmidas, evidenciando que durante o último ciclo glaciar a vegetação foi mais aberta.
Gouveira (2011), em função dos dados isotópicos de dois locais do Estado de São Paulo (Botucatu e Anhembi), indicou o predomínio de plantas C3 praticamente durante tudo o
Holoceno, sugerindo que a vegetação da região foi menos influenciada por eventuais mudanças climáticas ocorridas no Pleistoceno e Holoceno inferior. Por outro lado (Mofatto, 2005) através de dados isotópicos e palinológicos de solos e turfa no Parque Estadual da Serra do Mar núcleo Curucutu (SP) observou-se entre 28,000 e 13,000 anos AP presença de vegetação campestre provavelmente formada por mistura de plantas C3 e C4, e de ~13,000
observadas no local de estudo já foram observadas em vários locais do Estado de São Paulo por os autores acima mencionados, no caso especifico dos arredores da Cidade de Campinas as condições climáticas se tornaram mais úmidas a partir de ~2890anos AP até a atualidade, e isto devido a uma tendência clara de empobrecimento do δ 13
C a com a expansão da floresta sobre o campo, e uma possível mistura de plantas C3 e C4.
4.4. Resultados Palinológicos
O estudo palinológico foi de 0 a 90 cm de profundidade, com um total de 45 níveis analisados, registrando uma riqueza de 43 tipos polínicos pertencentes a 32 famílias. O estudo mostrou variações quantitativas e qualitativas dos tipos polínicos observados. Os resultados são apresentados em dois tipos de diagramas: o diagrama de agrupamento ecológico da Fig.12 (Arbóreos, Arbóreos/Arbustivos, Herbáceas, Lianas e Esporos), e o diagrama de porcentagem da Fig.11.
Os dados foram expressos em porcentagem de cada táxon em relação a soma total dos grãos de pólen de plantas arbóreas (PA), herbáceas (NPA) e pólen indeterminados. Foram excluídos os taxa de plantas aquáticas e grãos de esporos, os esporos geralmente são excluídos da soma total dos diagramas palinológicos por sua grande produção e significado local. As porcentagens dos esporos e plantas aquáticas foram calculadas em relação à soma total dos grãos de pólens.
O registro palinológico do testemunho após da análise dos diagramas apresentados nas Figuras (9 e 10) se podem dividir em quatro zonas. As zonas foram separadas em função da concentração de grãos de pólens e os resultados isotópicos do δ13
C e 15N. A descrição das quatro zonas é apresentada a seguir:
Zona I: (8 amostras, 90 e 78 cm de profundidade, idade de 14C 14,910+/-60 anos AP aos 90 cm)
Esta zona é caracterizada pela inexistência de palinomorfos, compreende um nível argiloso escuro com abundante matéria orgânica e restos vegetais. Os valores isotópicos do δ13
C variam de -19,69%o a -18,37 %o. Uma datação obtida nos 90 cm apresentou idade de 14910+/-60 anos AP. Embora que nesta zona não tem registro de palinomorfos, os resultados isotópicos do δ13
C amostram uma possível mistura de plantas C3 e C4, com predominância de
plantas C4, que permite inferir que as condições climáticas se tornaram mais secas nesse
Compreende uma pequena faixa que exibe uma baixa concentração de pólen, entre 86 e 230 grãos de pólen por grama de sedimento, o total de grãos de pólen contados foi de 214, dos quais 55% são representados por pólens Arbóreos, 30% pólen de herbáceas e 15% de pólen indeterminados. Os esporos representam (32 a 47 %) e os fungos (21 a 26%).
Os taxa arbórea com maiores porcentagens encontrados estão representados por Byrsonima (18 a 17%). Myrtaceae (8 a 13%). Chrysophyllum (11 a 8%). Melastomatácea /Combretaceae (9 a 8%). Euphorbia (2 a 4 %) e Arecaceae (4%). Os taxa não arbórea com maiores porcentagens encontrados estão representados por Cyperaceae (42 a 26%). Asteraceae (21%). Poaceae (7 a 9%).
Os resultados isotópicos do δ13C nos 70 cm de profundidade são de -16,63%o o que estabelece um predomínio de plantas C4, representando uma vegetação mais aberta, porém os
resultados palinológicos mostram um predomínio de plantas C3 nesta zona, se deve considerar
a baixa concentração de grãos de pólen já que neste caso resulta insuficiente o conteúdo palinológico para estabelecer interpretações respeito a mudanças na vegetação.
Zona I-b: (5 amostras, 73-64 cm de profundidade)
Nesta zona não foram observados palinomorfos, embora foram observados abundantes restos vegetais ao igual que na Zona I. Os valores isotópicos do δ13
C variam de -16,63 ‰ a - 15,76‰ e indicam o predomínio de plantas C4, que habitavam num regime climático mais
Nesta zona a concentração de pólens foi de 65,7 a 487,9 com uma média de 312,4 grãos de pólens por grama de sedimento. Foram contados um total de 2406 grãos de pólens, dos quais 42% são representados por pólens arbóreos, 50% pólens de herbáceas, 8% de pólens indeterminados e 26% de pólens das plantas aquáticas. Os esporos representam (0 a 3%) e os fungos (29 a 15) %.
Os taxa arbóreos com maior porcentagem encontrados estão representados por Apocynaceae (20 a 6 %), Arecaceae (4 a 7 %). Melastomatácea/Combretaceae (7 a 7 %), Myrtaceae (2 a 5 %), Chrysophyllum (1 a 1%). Nesta zona aparecem pólens de Podocarpus (1%). Ilex (1%) Bombax (1%), Caryocar (1%), Curatella (1%), Byrsonima (1%) e pólens da Família Fabaceae (2%).
Os taxa não arbórea com maior porcentagem encontrar-se representados por Poaceae (30 a 36%), Cyperaceae (24 a 19 %) e Asteraceae (3 a 13%). Os resultados isotópicos do δ13
C mostram um empobrecimento do δ13
C de -15,76‰ a -22,1‰. Além, de um aumento significativo das plantas C3 a partir dos 50 cm até os 40 cm, possivelmente a consequência do
incremento progressivo da umidade.
Zona III: (10 amostras, 40 a 20 cm de profundidade)
A concentração de pólens foi de 487,9 a 855,6 com uma média de 442 grãos de pólens por grama de sedimento. O total de grãos contados foi de 1845, dos quais 43% são representados por pólens Arbóreos, 51% pólens de herbáceas, 6% pólens indeterminados e 24 % de pólens das plantas Aquáticas. Os esporos representam (7 a 8%) e os fungos (36 a 25) %.
Os taxa arbóreos com maior porcentagem encontrados estão representados por Arecaceae (11%), Apocynaceae (6 %), Fabaceae (6%), Melastomatácea/Combretaceae (2%), Myrtaceae (2%), Euphorbia (2%), Dilleniaceae (1%) Tapira (1%) e Podocarpus (1%). Nesta zona aparecem por vez primeiros pólens de Cecropia (1%) e Verbenaceae (1%). A ausência de pólens de Bombax, Caryocar, Curatella e Byrsonima que aparecem na fase II.
Os taxa não arbóreos com maior porcentagem são representados por Poaceae (36%), Cyperaceae (24 %) e Asteraceae (14%). Os resultados isotópicos do δ13C mostram um enriquecimento do 13C de -22,1‰ a -18,19‰, associado a condiciones, mas secas no local, permitindo uma mistura de plantas C3 e C4 com predomínio de plantas C4. A presença de
perturbação geralmente antrópica
Zona IV (10 amostras, 20 a 0 cm de profundidade)
É caracterizada por apresentar a maior concentração de pólens do testemunho entre 855,7 e 1787 grãos de pólens por grama de sedimento, o total de grãos contados foi de 3086. Desses 46% são pólens arbóreos, 50% pólens de herbáceas e 4% pólens indeterminados, os pólens das plantas aquáticas representam 17%. Os esporos de (5% a 6%) e os fungos (36% a 25%).
Os taxa arbóreos com maior porcentagem pertencem a Fabaceae (10%), Anacardaceae (7%), Arecaceae (5%), Apocynaceae (3 %), Melastomatácea/Combretaceae (4%), Myrtaceae (2%), Euphorbia (2%), Alchornea (2%) Sapotaceae (2%) e Podocarpus (1%). Os taxa não arbórea com maior porcentagem estão representados por Poaceae (40%), Cyperaceae (17 %) e Asteraceae (7%). Os resultados isotópicos do δ13
C mostram um empobrecimento de -18,19‰ a -24,42‰, indicando uma significativa expansão da Floresta Ciliar até atualidade.
4.4.1. Interpretação dos resultados Palinológicos e Isotópicos do δ13C
Os resultados palinológicos e isotópicos do testemunho coletado na Floresta Riparia do Ribeirão do Quilombo, localizada na Fazenda Santa Elisa (Instituto Agronômico de Campinas - IAC), no município de Campinas SP, mostraram uma sequência de mudanças na vegetação e no clima nos últimos 20000 mil anos AP até o presente.
Na base do testemunho com idade calibrada de 14C 20.850 +/- 100, o sedimento é caracterizado por um nível franco argiloso, com evidencias de oxidação. Os dados isotópicos mostram um baixo conteúdo de COT e N-Total com valores enriquecidos δ13C -15,99, sugerindo a existência de uma vegetação mais aberta associada a condições climáticas mais secas que as atuais.
Na faixa de tempo de 20.850 +/- 100 até 12.880 anos cal. AP que representa a transição Pleistoceno-Holoceno, as condições secas se mantiveram no local de estúdio, sendo verificada com a ausência de palinimorfos entre os níveis de 90cm até os 60 cm de profundidade, além de os resultados do δ13C que amostram um enriquecimento com valores
fotossintético C4 associadas a condições climáticas mais secas.
Nas profundidades de 74 a 78 cm de profundidade (2 níveis) se observou uma baixa concentração de grãos de pólen menos de 300 grãos em ambos, com uma idade 14C de 8114 anos cal. AP, esta idade não responde na sequência cronológica. A inversão da idade permite inferir que tratasse de um retrabalhamento de materiais mais recente que foi erosionado, e posteriormente depositado possivelmente por processos de bioturbação típicos de processos de formação do solo. Outro aspecto a considerar neste caso es que a idade foi obtida de outro laboratório, o que pode aumentar a margem de erro nos cálculos. A sinal isotópica nesta parte arrojo valores de -16, 63.
No local foi verificado o hiato deposicional desde os 12.880anos cal. AP até 3693 anos cal. AP. Nesta zona a concentração de palinomorfos es baixa, os valores de δ13
C amostraram um rango de -16,63 a -15,76, com predomínio de plantas C4. O Hiato deposicional que
amostra ausência de boa parte do Holoceno (Holoceno inicial e médio) sugere condições mais secas que nas atuais, favorecendo a interrupção em na acumulação de sedimentos e possivelmente o dessecamento parcial o total do local de estudo. Por outro lado, se amostra um sinal do pólen pioneiro de Cecropia a partir dos 3693 anos cal.AP, o que pode corrobora o hiato de sedimentação antes exposto além de indicar também um clima mais seco.
No caso do Holoceno os distintos registros palinológicos existentes no Cerrado presentaram importantes variações no que respeita o patrão de precipitações e a duração da fase seca, trazendo como consequência que algumas localidades como por exemplo: Lagoa Confusão (Belling, 2002); Vereda de Águas Emendadas (Barberi et al., 2000), e Vereda Urbano (Lorene et al., 2010) apresentaram hiatos deposicional e escassa preservação de grãos de pólens durante a transição Pleistoceno–Holoceno. Esta condição não foi representada em tudo o bioma Cerrado, já que este apresenta um quadro de variações muito mais complexas. (Meyer et al., 2014)
Neste sentido Cruz et al., 2009 explica mediante os estudos isotópicos de oxigeno em espeleotemas de uma localidade de Rio Grande do Norte Brasil e a comparação com um modelo general de circulação, que a primeira metade do Holoceno foi mais seca em nas regiões amazônicas, central e sudeste do Brasil, em comparação as condições climáticas atuais, e condições mais úmidas no Nordeste brasileiro. Sendo este registro da fazenda Santa Elisa indicador de um clima, mas seco durante grande parte do Holoceno.
concentração dos grãos de pólen e esporos começaram a aumentar progressivamente, picos de Arecacea a partir dos 50 cm e o aumento na diversidade e concentração polínica sugerem que as condições climáticas se tornaram mais úmidas no local a partir deste período.
Mostrando a maior frequência de pólens foi por volta dos 2890+/-30 anos AP, até o presente, estando em concordância com as análises isotópicas onde os valores de δ13C se mostram um empobrecimento até na atualidade com a presença da atual cobertura vegetal da Fazenda Santa Elisa.
Na profundidade de 20 cm de apresenta uma idade de 14C de 5996 anos cal.AP, podendo estar associada a processos erosivos de estratos inferiores e reposição em estratos superior, sendo aspectos muito frequentes em ambientes fluviais.
4.5. Comparação dos resultados, com outras localidades do Brasil
No estado de São Paulo os câmbios na vegetação produto das mudanças climáticas ocorridas durante o Pleistoceno e na transição Pleistoceno-Holoceno tiveram manifestações diferentes por causa da diversidade da paisagem que apresenta o estado, De Oliveira et al. (2015) explicam que no Estado de São Paulo as zonas que apresentaram uma notável variação durante o Quaternário especificamente durante o UMG, foram os ecossistemas costeiros, e isto devido
a variações
do nível relativo do mar.Segundo Pessenda et al. (2009) durante o UMG o litoral paulista retrocedeu pelo menos 150 km para o leste. Após do UMG, Angulo et al. (2006) descrevem que durante o Holoceno médio o nível marinho da costa brasileira encontrava-se 5 metros por acima do nível atual, sendo referido na literatura como a Elevação Máxima do Holoceno (EMH), acompanhado de um descenso antes o início do período industrial. Estas variações ficaram reflexadas nos ecossistemas costeiros (p. ex. manguezais) sendo amplamente estudados desde o ponto de vista palinológico e isotópico.
Outra grande parcela dos estudos relativos aos registros palinológicos no Estado de São Paulo foram realizados no Bioma de Mata Atlântica e Florestas de Araucaria, o que impossibilita estabelecer comparações com as zonas aqui propostas. Uma vez que as últimas possuem composições diferentes de vegetação, solo, clima, relevo e geologia, entre outras
.
do UMG, o clima foi seco, como foi aqui interpretado por meio dos valores de δ13
C -15,99%o característicos de uma vegetação mais aberta composta principalmente por plantas C4.
Resultados similares foram descritos na Vereda da localidade de Cromínia no Estado de Goiás (Ferraz-Vicentini e Salgado-Labouriau, 1996) onde condições secas foram registradas entre 21000 anos AP e 11000 anos AP. Caracterizando uma fase seca prolongada. Na vereda de Aguas Emendadas, Barberi et al. (2000) registraram uma fase seca, que começou aproximadamente por volta de 21000 anos AP e se estendeu até 7200 anos AP, as condições secas interromperam a acumulação de turfa no local.
Por outro lado, Souza et al. (2013) descreveram que no local Jataí no Estado de São Paulo a presença de um clima mais seco por volta dos 10000 anos AP, com predomínio de