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Consideracions sobre el temps

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3. Estat de la qüestió

3.6. Elements fonamentals per a la transmissió de la coreografia

3.6.1. Consideracions sobre el temps

Fávero e Tauchen (2012) apontam que Gadamer não pretendeu desenvolver uma teoria geral da interpretação, mas demonstrar que a compreensão não é uma ação subjetiva a respeito de um objeto, mas um comportamento do sujeito cognoscente frente à história daquilo que é dado; é um pertencimento àquilo que é compreendido (FÁVERO; TAUCHEN, 2012). Os autores explicam que:

A obra de arte, por exemplo, sempre ultrapassa o horizonte subjetivo de interpretação, tanto do artista como daquele que recebe a obra. O ‘acontecimento’ da obra de arte possibilita uma ‘experiência’ que não é alcançável única e

exclusivamente por meio da lógica reflexionante, pois nela se encontra ‘algo’ que vai além do mero objeto, submisso desde sempre ao cognoscente. (FÁVERO; TAUCHEN, 2012, p. 104).

A fim de estabelecer alguns pontos sobre a filosofia gadameriana, apropria-se das indicações de Hans-Georg Flickinger (2000) expostas em seu texto Da experiência da arte à hermenêutica filosófica.

O primeiro apontamento de Flickinger (2000, p.28-29) refere-se ao “fato da expressão hermenêutica filosófica” dizer respeito a uma experiência ontológica que se dá antes da atividade reflexionante (FAVERO; TAUCHEN, 2012). Assim, a reflexão humana é apontada como uma reação àquilo que nos acontece no mundo; “o acontecimento não é resultado da atividade reflexionante, pelo contrário, é um impulso primordial e subjacente à reflexão” (2012, p. 104). Dessa maneira, antes de qualquer saber há uma pré-reflexão. Complementam que, “com isso, modifica-se o próprio conceito de filosofia: na perspectiva da hermenêutica filosófica, a filosofia teria como papel denunciar e desvelar a falsa soberania do conceito” (FAVERO; TAUCHEN, 2012, p. 104).

O segundo aspecto apresentado por Flickinger (2000) aponta que “qualquer interpretação da abordagem gadameriana que a quisesse identificar com a teoria da ciência, a saber, pensando-a enquanto questionamento de cientificidade da ciência, no sentido iluminista da palavra, estaria equivocada”. A proposta gadameriana é oposta à submissão das experiências a uma lógica racional (FAVERO; TAUCHEN, 2012). Pelo contrário: o objetivo é compreender o processo da “instauração de sentido, nascido na teia de nosso relacionamento com o mundo” (FAVERO; TAUCHEN, 2012, p. 104).

A terceira pista de Flickinger (2002, p. 29), apresenta a noção de “inesgotabilidade da amplitude dos sentidos possíveis da experiência hermenêutica”. Segundo Favero e Tauchen (FAVERO; TAUCHEN, 2012, p. 104) tal apontamento apresenta a ideia de que a experiência hermenêutica não significa dizer que “não existe um sentido autêntico da pretensão de verdade da fala ou de um texto que se esgota na legitimação lógica, pois cada linguagem expressiva precisa ser exposta à interpretação e, com isso, a um processo de configuração de um ‘sentido possível’”. Dessa maneira, o que é dito ou escrito não é posto como verdade, mas como possibilidade de sentido.

O quarto e último item é expresso pelo próprio Gadamer quando pronunciou que “a hermenêutica é isto: o saber do quanto fica, sempre, de não dito quando se diz algo” (ALMEIDA; FLICKINGER; RODEN, 2000 apud FAVERO; TAUCHEN, 2012, p. 104). Lembram os autores que a filosofia hermenêutica – assinalando que não há como precisar

com assertividade o que é compreendido, justamente porque todos os pontos são analisados (inclusive o não dito) – contraria a filosofia iluminista, que se sacralizou no modelo técnico- científico que não aprovava tendências distintas às da época, a qual, por qualificar-se dessa forma, “acabou ‘decepando’ seu enraizamento próprio no processo de interpretação, tornando-se, dessa forma, ‘razão instrumental’” (FAVERO; TAUCHEN, 2012, p. 104). Em suma, a hermenêutica apresenta uma dura crítica às áreas de conhecimento que minimizam o saber fechando os caminhos que conduzem ao horizonte, incluindo a própria filosofia, especialmente, a moderna.

Pensar o horizonte é compreender a pluralidade e os paradoxos de nosso tempo (FAVERO; TAUCHEN, 2012). São inúmeros os conceitos dados a este momento histórico. Não se dará ênfase em localizar a tarefa da hermenêutica neste cenário ou afirmar que a trama da complexidade deste período pode ser desenrolada por ela. De forma mais simples, o que se pretende ao adotá-la é dar a ela o valor que merece, especialmente, por relacionar-se de forma tão eficaz com as Ciências Humanas, em especial, às práticas pedagógicas; por fazer do diálogo, da interpretação contextualizada, da linguagem, ferramentas no processo de descoberta e formação do ser humano, compreendido como histórico e sujeito de si e de seu tempo.

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Este capítulo teve o propósito de expor as razões que mobilizam esta pesquisa, bem como, a forma como ela será trabalhada. Educar para a cidadania é fundamental para que o sistema possa avançar garantindo os direitos ao seu povo. Defender apenas uma educação para a autonomia sem um fim social seria engessar o potencial humano de “ser mais”, de viver melhor; para tanto, é imprescindível pensar na coletividade, na comunidade. Portanto, a educação com vistas à autonomia de sua gente tem um propósito: atingir a cidadania ativa.

O capítulo seguinte traçará os rumos tomados pelas noções de autonomia e cidadania. Dessa maneira, pretende-se expor um panorama de como esses conceitos têm se desdobrado na história. Segue.

3 AUTONOMIA E CIDADANIA: SIGNIFICADOS E INFLUÊNCIAS

Acima de todas as liberdades, dê-me a de saber, de me expressar, de debater com autonomia, de acordo com a minha consciência.

JOHN MILTON

Para que as ideias expostas ao longo desta pesquisa se deem de maneira harmônica é necessário assinalar, neste momento, como as noções de autonomia e cidadania foram constituídas ao longo da história. Para tanto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica em autores como Carvalho (2008), Blackburn (1997), Covre-Manzini (1991), Lima (2009), Marshall (1967), Benincá (2011), Zatti (2007), entre outros. A autonomia está aqui exposta em sua origem e nas visões de filósofos como Platão e Aristóteles. No que se refere à cidadania, foram visitados o período antigo, médio, moderno e contemporâneo, da Grécia ao Brasil.

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