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Consideracions sobre els estudis d’expressió

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ADDITIONAL INFORMATION

2. Consideracions sobre la metodologia emprada

2.5. Consideracions sobre els estudis d’expressió

Os recursos de captação de imagens, bastante limitados e dispendiosos nas ori- gens do jornalismo, inviabilizavam sua utilização em larga escala. Segundo Coutinho (2003, p. 65), repórter e cinegrafista não podiam errar, o que, consequentemente, redu- zia a margem para experimentação. Havia, ainda, um hiato demasiado entre gravação e

113 Na recomendação de Alcure (2011, p. 99) “de um modo geral [...] esqueça as formas de futuro

exibição, comprometendo o caráter atual da informação.114 A ruptura provocada com a introdução dos videotapes, ou VT’s, no jargão profissional, foi das mais significativas da história dessa mídia. O mecanismo, que começou a ser usado no Brasil após ser en- comendado para a cobertura da inauguração de Brasília (REZENDE, 2010a, p. 56), trouxe inúmeras transformações para a atividade jornalística em televisão. Por exemplo, tornou-se possível registrar os acontecimentos in loco e exibi-los ao telespectador, e de maneira mais ágil e barata do que outrora se fazia. E, igualmente, houve um salto de qualidade e de padrão estético, na medida em que se diminuiu o tempo de transmissões ao vivo e os improvisos habituais à época (COUTINHO, 2003, p.127).

Porém, de maior relevância para nossos objetivos foram o desenvolvimento de âmbitos enunciativos distintos – como o “do estúdio” ou “da rua” – e a criação de pos- sibilidades inovadoras de linguagem audiovisual. Montgomery caracteriza o domínio discursivo televisivo como aquele em que há clara demarcação de papéis (“repórter”, “apresentador”, “entrevistado”), utilização rotineira de gêneros específicos e que incor- pora “práticas influenciadas por pressões regulatórias e comerciais, sendo possibilitado por certos tipos de tecnologias” (2008, p.26). Este pesquisador fraciona o discurso noti- cioso eletrônico em três “lugares” de enunciação: a apresentação, a entrevista e a repor- tagem. Essa divisão corresponde a uma das etapas do processo de estreitamento dos horizontes analíticos que começou pela segmentação dos gêneros televisivos, passou pela observação de seus correlatos jornalísticos impressos e culminará na identificação dos gêneros textuais utilizados profissionalmente para veicular informações noticiosas no telejornalismo.

Combinados, esses elementos levam à elaboração de um telejornal, invenção norte-americana que se estabeleceu fortemente na cultura de massas e cristalizou suas convenções de tal modo que preserva sua estrutura básica em praticamente todo o pla- neta (MACHADO, 2003, p. 104). Exemplo disso é fornecido por Montgomery (2008, p. 38): “há uma clara expectativa de que as manchetes vão preceder a apresentação do es- túdio dos itens e que os relatos vão ser introduzidos do estúdio (e não vice-versa)”.115 Existe, portanto, um modelo canônico desse tipo de programa, que a rigor veicula as informações na sequência estúdio – matéria – entrevista ao vivo. Uma vez que esta pos-

114

Coutinho (2003, p.64) ilustra que, ironicamente, o primeiro telejornal brasileiro, Imagens do Dia, que foi ao ar junto com a inauguração da televisão no Brasil, em setembro de 1950, trazia imagens que, “a despeito de seu nome, quase nunca eram registros audiovisuais realizados no dia de sua veiculação”.

115 “[…] there is a clear expectation that headlines will precede studio presentation of items and that re-

sivelmente não represente, de maneira obrigatória, uma constante no contexto brasileiro, sendo empregada apenas esporadicamente, como complemento; e que as demais, por outro lado, são imprescindíveis aos noticiários, serão estas últimas a merecerem nossa atenção daqui por diante.

Uma interpretação possível para compreendermos a lógica de formação da estru- tura de um telejornal é tomá-la como resultado de um esforço para contextualizar a in- formação levada ao telespectador, de acordo com Montgomery (2008, p.39). Mas tam- bém, por outro lado, essa sequência descrita acima pode ser vista como reflexo da “hie- rarquia do discurso noticioso – em que todas as vozes da notícia são subordinadas a sua voz institucional entregue do dêitico regular ponto zero de enunciação, o estúdio”.116 Assim, a figura do apresentador é a referência norteadora de todo o conjunto enunciati- vo desse tipo de programa, responsável pela condução e, simultaneamente, atualização do que se está apresentando, em razão do imediatismo de suas emissões ao vivo.

O espaço do estúdio é o lugar de onde a notícia é enunciada aqui e agora; em contraste a isso está o campo da notícia em si, de onde é apurada e relatada. Esses são pontos dêiticos, mais próximos e mais distantes, e são marcados como tais nos discursos de transição: nós agora ‘vamos’, por exemplo, ‘para nosso repórter em Bagdá’, de onde nós então seremos ‘mandados de volta ao estúdio’. Televisão, em particular, acentua a distinção entre esses dois tipos diferentes de espaço117 (MONTGOMERY, 2008, p. 76).

Esses dois eixos, o da apresentação e o da reportagem, esta gravada e editada, e aquela “ao vivo”, geram tipos diferentes de discursos. Do estúdio, a notícia “é apresen- tada do ponto dêitico zero para a audiência”, enquanto que “da rua” “o mundo é trazido para o estúdio – do campo para o ponto zero dêitico” (MONTGOMERY, 2008, p. 89).118 Como consequência disso, estabelece-se uma série de “sinalizações discursivas” que demarcam identidades e indicam ao telespectador quando há uma transição de um campo para outro, ainda que não se esteja vendo a imagem. Tal noção remete ao concei- to de “pistas de contextualização”, proposto por John Gumperz (1998, p. 100), que re-

116 “[...] as reflecting the hierarchy of news discourse – that all of the voices of the news are subordinate

to its institutional voice delivered from the regular deictic zero point of enunciation, the news studio”.

117 The space of the studio is the site from where the news is enunciated in the here and now; in contrast

to this is the space of the news field itself from where the news is gathered and reported. These are deictic points, proximate and distal, and are marked as such in the discourses of transition: we now ‘go’, for instance, ‘to our reporter in Baghdad’ from where we are then ‘handed back to the studio’. Television, in particular, accentuates the distinction between these two different kinds of space”.

118 [...] the axis of presentation – along which the news is presented from the deictic zero point to the

audience; and the axis of reporting, along which the world is brought to the studio – from the field to the deictic zero point”.

presentam “constelações de traços presentes na estrutura de superfície das mensagens que os falantes sinalizam e os ouvintes interpretam qual é a atividade que está ocorrendo com o conteúdo semântico deve ser entendido”.

Entre as pistas que se encontram mais fortemente relacionadas ao universo dis- cursivo da apresentação está, no nível textual, o emprego de verbos conjugados no pre- sente. Conforme Montgomery (2008), esse tempo verbal é uma peculiaridade dos enun- ciados oriundos do apresentador, embora também seja, eventualmente, encontrado no texto dos repórteres. Nestes, contudo, ocorre uma predominância do pretérito. O recurso ao presente, segundo Montgomery, visa produzir efeitos de sentido que tornem o relato mais próximo ao telespectador, em termos não apenas temporais, mas, igualmente, es- paciais. Com isso, intensifica-se o valor de atualidade da informação. Ademais, para Caldas-Couthard (1997), o tempo verbal em questão representa um modo de tornar o receptor indiretamente participante do discurso, aceitando-o como possivelmente verda- deiro – o que acrescenta, portanto, uma funcionalidade retórica.

Entretanto, as distinções mais significativas provavelmente encontram-se não no nível textual, e sim em como isso se manifesta na variedade de gêneros permitida pela evolução tecnológica e sua decorrente criação dos espaços discursivos da apresentação e da reportagem. Com o surgimento de instrumentos que tornaram o processo de gravação mais simples e disseminado entre as emissoras, as possibilidades enunciativas amplia- ram-se drasticamente, tornando mais bem definida a identidade discursiva e genérica do telejornalismo. É dessas categorias que trata a próxima seção.

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