D: tenseur du comportement de flexion
9.8 Considérations finales
O conceito de hipermídia está relacionado a dois elementos muito comuns no meio digital: o hipertexto e a multimídia. O primeiro é entendido como um documento digital, em forma de texto, composto por diferentes trechos (blocos), interligados por elos associativos. Estes, conhecidos como links (ou hiperlinks), permitem aos usuários uma navegação não- linear, expandindo informações e ideias. A particularidade da não-linearidade da disposição das informações é defendida como sendo a principal característica de um hipertexto, diferenciando-o dos textos lineares contidos em livros, revistas e jornais impressos, por exemplo (BAIRON, 2017; LEÃO, 1999; MATOS, 2005). Dessa forma, para se enquadrar entre os hipertextos, não basta que um texto esteja hospedado em algum site da web, mas que sua estrutura contenha interligações (links) com outros textos, com outras páginas, dentro ou fora do mesmo site. É o caso tão usual da Wikipédia, a enciclopédia livre. Suas páginas digitais costumam ser recheadas de hiperlinks (normalmente grifados em azul), levando o usuário a inúmeras ligações com outros hipertextos, que por sua vez, levam a outras ligações, e assim por diante.
Tornou-se comum o uso de hiperlinks nos mais diversos sites da web, no entanto, o seu uso não se restringe apenas a websites. É possível adicioná-los a textos digitais fora da rede mundial de computadores, utilizando editores de texto como o Writer da LibreOffice e o Word da Microsoft, fazendo com que os documentos produzidos possuam ligações com páginas da internet. Além disso, ainda há a possibilidade de inserir links internos, possibilitando a navegação dentro dos mesmos documentos criados por esses editores, e até mesmo externos, ligando determinado arquivo a outros no mesmo computador.
A multimídia, por sua vez, refere-se aos múltiplos meios utilizados para a representação e divulgação de uma informação. Costumam integrar em uma única representação diversos meios, como vídeos, animações, textos, figuras, som, entre outros (LEÃO, 1999; REZENDE; BARROS, 2005). Num sistema multimídia, a integração entre esses elementos não precisa se dar de forma simultânea, unindo todos os tipos citados. Para
que seja considerado multimídia, basta que o sistema traga em si duas das formas de mídias, uma discreta e uma contínua (FLUCKIGER, 1995). Uma mídia discreta é aquela que se apresenta estática, suas informações não dependem do tempo, são exemplos desta os textos, gráficos e figuras. As contínuas, por outro lado, são dinâmicas, dependem do tempo, a exemplo dos vídeos, animações e áudios. Apesar disso, alguns recursos que utilizam apenas um desses tipos de mídia, podem ser considerados multimidiáticos, a exemplo das aplicações de videoconferência, que utilizam apenas as mídias dinâmicas (contínuas) de áudio e vídeo (WILLRICH, 2004). São exemplos comuns de ambientes multimidiáticos as Smart TVs, os smartphones, o Facebook, o YouTube, aplicativos como Whatsapp, entre outros.
Baseando-se nesses conceitos, a hipermídia é entendida como a intersecção desses dois elementos. Apresenta-se, como “a expressão não-linear da linguagem, que atua de forma multimidiática” (BAIRON, 2017, p. 4). Alguns autores compreendem o termo hipermídia como uma expansão (evolução) do termo hipertexto, sendo muitas vezes entendidas como expressões sinônimas. Esta afirmativa se baseia no fato de que, ao serem acrescentados elementos multimidiáticos nos hipertextos, estes se tornam um ambiente hipermidiático (LEÃO, 1999). O que os faz defini-la como uma aplicação hipertexto que, além da presença de textos e gráficos, é capaz de suportar outras formas de mídia (MATOS, 2005). Assim, em semelhança aos hipertextos, a existência dos hiperlinks e da não-linearidade em seus elementos, também caracteriza uma hipermídia.
Apesar disso, é possível que uma hipermídia possa proporcionar uma navegação linear, como se lê a seguir:
“Por outro lado, os sistemas hipermídia de aprendizagem também podem proporcionar a navegação linear e visitas guiadas, que são sequências de informações previamente estabelecidas pelo autor. Dentro de uma visita guiada, o usuário só pode avançar para o nó seguinte ou voltar para o anterior” (REZENDE; BARROS, 2005, p. 64).
O “nó” mencionado pelos autores refere-se aos vínculos (links) presentes numa hipermídia. Um exemplo desse tipo de ambiente hipermidiático são os sites nos quais a navegação por diferentes páginas se dá através de botões que, normalmente, indicam a próxima e a página anterior.
O ambiente de hipermídia que elaboramos, disponibilizado em um Blog, permite uma navegação não-linear. No entanto, durante aplicação do mesmo, as visitas pelas páginas foram guiadas, como menciona a citação acima. Isto porque os usuários (alunos) utilizaram-no de
acordo com as orientações em sala de aula. Fato que não os impediu de o explorarem segundo suas vontades.
Diante destas definições e considerações, é fácil perceber que, no contexto dos ambientes virtuais, as TICs e as hipermídias trabalham em conjunto, fato que nos motivou a combiná-las em nosso objeto de aprendizagem.
3.2.1 As hipermídias e o Ensino de Física
Numa revisão bibliográfica realizada entre os anos de 1997 a 2009, foram constatadas a presença de 22 trabalhos de Física que envolveram a temática da hipermídia. Dentre esses, nenhum abordou o conteúdo da Óptica (NUNES, 2011). A abordagem deste campo no âmbito das hipermídias é um acontecimento mais atual, fato que pode ser constatado nas datas de alguns dos trabalhos mencionados na seção 3.1.2.1.1.
No geral, o uso da hipermídia nessas produções está ligado ao uso de alguma plataforma virtual, seja ela um site, um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), um aplicativo para dispositivos móveis, um programa de computador, entre outros. Nesses ambientes digitais, são disponibilizados textos educativos, vídeos, animações, figuras, simulações, e diversos links que podem levar o usuário a outras mídias, tais quais estas citadas. Normalmente, o ambiente criado aborda um conteúdo da disciplina e, além das leituras habituais, são disponibilizados exercícios e atividades, que podem ser realizados virtualmente ou não.
Além dos exemplos de TICs que envolvem hipermídia citados anteriormente (ver final da subseção 3.1.2.1.1), no Ensino de Física, outros trabalhos se mostraram exitosos, nesse campo. É o caso da criação de um software voltado ao ensino da gravitação, no qual foi utilizada uma linguagem hipermídia não-linear, aliada ao Construtivismo Cognitivista. A aplicação e avaliação do mesmo foram ditas positivas pela maior parte dos professores e alunos que utilizaram-no (MACHADO; SANTOS, 2004). Em outro trabalho, o uso de uma hipermídia voltada ao ensino da Física moderna mostrou-se motivador para os estudantes que a utilizaram. Em semelhança ao caso anterior, um software foi criado tendo como base pedagógica a Aprendizagem Significativa de Ausubel (MACHADO; NARDI, 2007).
Nesses trabalhos, assim como em outros ligados à mesma temática, a produção e aplicabilidade do ambiente hipermídia tiveram seu êxito ligado ao planejamento e metodologias utilizadas na sua concepção e execução, de forma similar ao processo de elaboração e aplicação das TICs. Em ambos os casos, uma fundamentação teórica embasada
em uma Teoria da Aprendizagem é essencial para o seu funcionamento satisfatório. Além do mais, também é preciso idealizar uma metodologia de aplicação, coerente com as ferramentas utilizadas. Além disso, no quesito fabricação, se faz necessário o domínio sobre as ferramentas de elaboração (softwares, aplicativos, linguagens de computação, etc) dos objetos de aprendizagem (SILVA, 2012).