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Le conseil en évolution professionnelle : une belle idée encore

Os participantes com baixa visão que fizeram parte do presente estudo são os que indicaram precisar de estratégias e/ou recursos e apoio para aquisição da aprendizagem. Esse apoio ocorre por meio do uso de lupa, cópia ou uso de transparência com a fonte ampliada e uso de programas de computador,

Apesar de ser indicado na literatura, percebeu-se, pela fala dos estudantes, que o xerox ampliado não é um bom recurso, pois: 1) a quantidade de impressão é grande; 2) para alguns, dificulta a leitura; 3) o seu custo é muito alto; 4) é necessário usar a lupa para ler. Um outro problema apresentado em relação ao xerox, agora o de tamanho normal, refere-se à qualidade da impressão. Segundo os estudantes, os textos não são originais, mas sim cópias, o que prejudica a qualidade da fotocópia. Portanto, eles levam um tempo maior para ler.

Quando você amplia o texto dá uma quantidade de folhas...isto tem que vir em arquivo...para tirar xerox a folha fica gigante [...] (E2- B.V.)

Quando a cópia é feita a partir dessa cópia, a qualidade não é mais boa. [...] já vem com uma dificuldade tal para leitura de qualquer um. Daí para mim é mais difícil que dos outros. Então este é mais um problema [...] este tipo de coisa parece (entonação de voz alta) não fazer diferença, mas faz (entonação de voz alta) porque você gasta um tempo a mais ali tentando. Você tem de parar para pensar que letra é aquela. (E3- B.V)

Resultados e discussão 86 Uma outra questão apresentada pelos participantes de baixa visão se refere ao uso de programas do computador. Percebe-se que esses participantes encontram maior dificuldade, uma vez que: 1) não têm um computador em casa e 2) falta-lhes informação sobre os de programas, ou seja, sobre os recursos tecnológicos utilizados.

[...] como eu voltei ao Instituto de Cegos, voltei a fazer aula. Voltei justamente para aprender o programa, faz duas semanas que começou a aula. O programa é ótimo porque você trabalha com Windows...(E1-B.V) Não uso não. Eu sei que tem programas que facilitam muito, como eu não tenho computador, deixo para lá (E 4 – B.V.)

O uso da informática na educação pode ser amplo e dinâmico. Seu leque de aplicação nas diversas áreas do conhecimento, por meio do desenvolvimento de software e hardware, possibilita a inserção da pessoa com deficiência no mundo globalizado. Um exemplo disso é o sistema Dosvox, que permite a igualdade de condições com outros candidatos no vestibular. Nesse sentido, Borges (1997) reforça que o uso do computador auxilia no processo de aprendizagem por meio de ofertas de recursos de leitura, escrita e informação.

Outro estudo realizado por Mazzoni e Torres (2000) no contexto universitário constatou a discrepância quanto ao conhecimento e o uso da tecnologia, entre os professores e estudantes com necessidades especiais. Em relação aos professores verificou que 2/3 utilizam o computador, entretanto, boa parte não incorporou o uso dessa ferramenta para auxiliar nas atividades docentes. Em relação ao estudante com necessidades especiais 2/3 utilizam a Internet e seguem a evolução tecnológica o que permite recuperar algumas das habilidades. Os autores concluem que a instituição universidade não incorporou essas tecnologias para o processo de ensino.

Resultados e discussão 87 As pessoas que utilizam a Internet, principalmente nas salas de conversação, ressaltaram a falta de preconceito, pois as pessoas são valorizadas pela inteligência e pelas suas qualidades pessoais e não pela aparência.

Dessa maneira, pode-se entender que a informática será uma grande aliada em prol das pessoas com deficiência, que por meio da acessibilidade digital poderão ter uma melhor qualidade de vida e exercer a sua cidadania.

Para três participantes com baixa visão, o uso de lupa, enquanto recurso, é uma alternativa que melhora o desempenho visual para leituras e o desenvolvimento das atividades práticas de laboratório, como pode ser ilustrado nas falas abaixo:

A fonte 20...com a lupa dar para ler [...]...a minha dificuldade é a leitura...mas eu com a lupa...leio bem... (E 1-B.V)

[...] eu carregava no bolso uma pequena lupa... onde eu tentava enxergar uma estrutura macroscópica para fazer algum aumento, às vezes, também, não ajudava muito...então variável... meio difícil de você medir (E 2 – B.V.)

Atualmente, existem diferentes tipos de lupas, disponíveis, geralmente, nos Institutos de Cegos. Para os estudantes com deficiência visual, os recursos educacionais ópticos e tecnológicos são instrumentos essenciais e importantes que facilitam a aprendizagem.

Quanto ao gravador, para os participantes E2 e E11, ele se constitui num recurso a mais, embora reforcem a questão do custo.

Eu pensei em gravar as aulas. Talvez o semestre que vem eu leve um gravador para aula do professor.(E11- D.F.)

Em relação à técnica de carbono, somente o participante E5 avaliou- a positivamente para o registro de matéria. Os demais a consideraram negativa,

Resultados e discussão 88 ressaltando que suja o caderno do outro e reforça a dependência. Portanto, percebe-se que os mesmos querem autonomia em todos os sentidos, ou seja, buscam sua emancipação e não querem ser invadidos em sua privacidade.

[...] acabei deixando de lado não sei porque. Eu não gosto de ficar pegando no pé dos outros todos os dias. Aí pega para mim, escreve isto para mim. Carbono suja o caderno, aquele negócio preto e sujo [...] eu acho muito complicado ficar abrindo a privacidade do outro [...] (uso do gravador) isto seria ótimo. Eu não usei por falta de dinheiro para comprar um gravador porque é muito caro, mas seria uma maravilha (E 2- Bv.)

A partir das informações apresentadas nos relatos, é possível inferir que as Instituições de Ensino Superiores - IES - devem respaldar o estudante com necessidades educacionais especiais. Devem encontrar respostas que atendam as suas especificidades seja no plano físico, pedagógico, digital e tecnológico. Os dados revelam que a inserção social é um longo percurso que realmente envolve todos os segmentos que compõem a universidade: os professores, os estudantes, os funcionários e, principalmente, a administração superior. Para tanto, se faz necessário que durante todo o processo de formação profissional o estudante com deficiência na universidade seja respeitado em suas diferença e estimulado e valorizado em suas potencialidades.

O ensino de qualidade envolve estratégias para identificar as demandas e interesses desse segmento considerando as características de cada curso e a singularidade de cada estudante com deficiência. Indicam que, além de atender as diferentes necessidades educacionais especiais é essencial que o professor avalie suas atitudes no processo de ensino- aprendizagem- avaliação está proporcionando uma formação de qualidade e a inserção do estudante no contexto universitário.

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