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Conséquences de la prise en charge du cancer du sein pendant la grossesse

João Filgueiras Lima, mais conhecido como Lelé, nasceu no Rio de Janeiro, em 1932, no bairro do Encantado, e passou a maior parte da sua infância na Ilha do Governador. Formou-se em arquitetura pela Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), em 1955, bastante influenciado nessa época pelo arquiteto e pintor Aldari Toledo.

Lelé, ao falar de sua formação, afirma que:

No período em que estudei, a faculdade era muito técnica (...) Nossa formação era mais voltada para a técnica do que para a artística, o que se cobrava era o desenvolvimento técnico do estudante, com a parte artística correndo paralela: a gente tinha que se virar por conta própria (...) E Aldari Toledo me ajudou, felizmente, a começar a explorar essa outra parte, foi uma pessoa fundamental para que eu tenha podido entender a arquitetura nessa fase (MENEZES, 2004, p.30).

Apesar dessa deficiência na parte artística, a faculdade de arquitetura dava ao aluno a oportunidade de se informar a respeito de tudo. Era um momento de grande efervescência intelectual, onde a arquitetura brasileira vivia um momento glorioso, importante, de retomada. Le Corbusier tinha visitado o Brasil anos antes, a arquitetura moderna já surgira por aqui (MENEZES, 2004, p. 32).

Os arquitetos importantes então no Brasil eram: Vila Nova Artigas, Rino Levi, Affonso Reidy e os três irmãos Roberto Marcelo, Maurício e Milton. Oscar Niemeyer e Lucio Costa, naturalmente, e Carlos Leão. Mas os únicos a qual Lelé teve acesso na época da faculdade foram Aldari Toledo e um pouco, Jorge Morera.

Recém formado, em 1957, muda-se para Brasília, sob influência de Oscar Niemeyer e Nauro Esteves. Nessa época, o Brasil vivia uma fase de renovação e de ideias revolucionárias que estimulavam o espírito nacionalista. A construção de Brasília, por sua vez, foi um exemplo de ação com vistas ao desenvolvimento do pais e a abertura à novas oportunidades para jovens arquitetos, entre eles, o Lelé.

Guimarães (2003) relata o início da atuação de Lelé, naqueles anos que marcaram a história do Brasil, bem como a vida profissional do jovem arquiteto:

Pode-se dizer que a história da vida profissional do arquiteto Lelé foi sendo esboçada concomitantemente às primeiras edificações erigidas em Brasília. A oportunidade de participar de uma experiência de tal magnitude foi crucial para seu amadurecimento, pois a complexa realidade apresentada determinou que sua formação teórica seguisse empiricamente, em função do conhecimento prático apreendido durante a execução das obras (GUIMARÃES, 2003, p. 17).

E mais adiante:

Portanto, vale ressaltar que Brasília, para Lelé, tem uma conotação mais concisa que a de uma simples conquista nacional. (...) A construção de uma nova capital representou o ponto de partida, pois, ao participar dessa história, Lelé conseguiu incorporar os conceitos de pré-fabricação que orientaram os projetos executados durante a criação do CEPLAN e travar um diálogo com os grandes mestres cariocas- Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, aprendendo avidamente a desconfiar o tipo de linguagem e as ideias difundidas naquele dado momento (GUIMARÃES, 2003, p. 40).

Nesse período, construiu, projetou e colaborou com Oscar Niemeyer, atuando em sua equipe, inicialmente no desenvolvimento do projeto de urbanismo da UnB (Universidade de Brasília). Com pouca experiência e muita vontade, enfrentou todas as dificuldades com as quais se defrontou na construção da nova cidade.

Lúcio Cota, na apresentação do livro sobre a obra de Lelé afirma que ele chegou na hora certa para preencher uma lacuna no desenvolvimento da arquitetura brasileira, visto que ele enfrenta e resolve de forma racional, econômica e com apurado teor arquitetônico os mais variados e complexos desafios que a sociedade moderna programa e impõe.

O cargo de secretário executivo do CEPLAN, Centro de Planejamento dos Edifícios da UnB, por indicação de Oscar Niemeyer, foi fator relevante na carreira de Lelé. O arquiteto encarregou-se de obras como a própria sede do CEPLAN, utilizando elementos pré-fabricados, na época muito utilizado nos países desenvolvidos.

O CEPLAN tinha por filosofia promover a pesquisa e procurar novas tecnologias como a do pré-fabricado, para aplicá-las na construção de Brasília. Com esse intuito, Lelé foi enviado à Europa e União Soviética, para conhecer mais sobre o assunto. Considera-se que essa viagem marcou o começo de sucessivas obras com características similares – coberturas com sheds, ventilação natural, jardins e outros dispositivos que se acredita sejam produto de um olhar arquitetônico

amadurecido, resultado de sua visita à países europeus (MONTERO, 2006, p. 31- 32).

Nesse contexto, na Europa, grandes mestres erguiam edifícios, tais como: Mies Van der Rohe, Le Corbusier, Frank Loyd Wright e Alvar Aalto, servindo de referencia e inspiração para Lelé. Mas Fernando Minho (2006), membro da equipe do CTRS (Centro de Tecnologia da Rede Sarah), acredita ser Alvar Aalto a sua principal influência e destaca a importância que Lelé dava ao desenho a mão e ao detalhamento como a principal similaridade com a obra de Alvar Aalto.

Ao descrever a sua experiência na Finlândia, um dos países em que visitou, Lelé fala sobre Alvar Aalto e da sua admiração pelas obras desse arquiteto:

É a preocupação com o detalhe. O que enriquece muito a arquitetura do Alvar Aalto é a preocupação com as funções em um prédio e com os detalhes. Eu acho que ninguém faz isso com mais propriedade do que ele. O detalhe é fundamental, isso você aprende com Aalto, com Chacowiski e vários arquitetos importantes dessa geração (LIMA, 2000, p. 30).

Depois do concreto pré-moldado, a partir de 1979 Lelé passa a trabalhar com argamassa armada, ou ferro-cimento- influência do estudo das obras do engenheiro italiano Pier Luigi Nervi – na urbanização e melhoria de algumas áreas de ocupação irregular nas encostas de Salvador. Assim, usando placas de argamassa armada (nata de cimento e malha de ferro) para desenvolver peças mais leves e flexíveis, que fossem fáceis de transportar e instalar, ele conseguiu elaborar obras públicas menos invasivas. Afastado dos projetos públicos nos anos 1970, Lelé voltou a fazer intervenções públicas com o projeto da FAEC (Fábrica de Equipamentos Comunitários) na década seguinte: desde bancos e contenções de jardim, passando pelas passarelas de pedestres até a construção de escolas e creches. Dentro da Faec, o arquiteto colaborou com o projeto de revitalização do Centro Histórico de Salvador, comandado por Lina Bo Bardi, e produziu obras de intervenção na Casa do Benin e na Ladeira da Misericórdia, também na capital baiana (BOTIN, 2008).

Sua atuação na arquitetura hospitalar começa quando conhece o então médico Aloysio Campos da Paz. Devido a um acidente automobilístico que teve com a sua mulher Alda Rebello Cunha, Lelé estabelece uma relação com o mesmo, o que profissionalmente abriu-lhe a oportunidade de trabalho na Rede Sarah,

considerada pelo mesmo como a melhor de sua vida. Dentre os amigos que conhece em Brasília, também, ganha destaque o artista Athos Bulcão, que se torna parceiro de Lelé nos seus trabalhos. São desse artista, a portas e painéis coloridos que compõem as suas obras.

Em depoimento à Cynara Menezes no livro O Que é Ser Arquiteto, 2004, Lelé fala sobre Aloysio Campos da Paz e justifica a sua relação com o médico:

Aloysio tem uma formação sólida, vê a medicina como um instrumento de cura de cada indivíduo (...). Essa generalização da medicina, de tratar todos de modo igual, é complicada. Às vezes, a cura para determinado sujeito não é a mesma para aquele outro, dependendo até da vida que leva. Principalmente na questão da recuperação motora. E ele tem essa visão de que o mais importante é o ser humano- daí esta identidade que se estabeleceu entre nós. Com essa visão, pude vir a trabalhar no Sarah: a de que o ser humano tem de ser tratado de uma forma geral abrangente, não como reflexo de uma aplicação tecnológica de última geração (MENEZES, 2004, p. 27-28).

Nesse depoimento Lelé já demonstrava a visão mais criteriosa com que pretendia tratar os estabelecimentos de saúde. É sob esse olhar que o arquiteto concebe os hospitais da Rede Sarah, sob um ponto de vista mais humanizado, tendo como foco acima de qualquer tecnologia, a valorização do ser humano.

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