2. Configuration d'une interface RNIS en mode rawip
2.3. La connexion directe en mode rawip
Fundamentado nas definições apresentadas anteriormente sobre Sistema, cumpre frisar que tais elucidações são oriundas da
Teoria Geral dos Sistemas, idealizada pelo biólogo alemão Ludwing
von Bertalanffy e oficializada em meados de 1960.
A Teoria Geral dos Sistemas, que teve seus primeiros estudos realizados nos primórdios dos anos de 1920, foi “intro-
uso extraordinariomente intenso e extensivo às mais diversas ciências, tecnologias e domínios da atividade humana e social” (SILVA, 2006, p. 161). Embora tal teoria tenha um sentido gene- ralista, ela se adequa às diferentes realidades, tornando possível a ação do “pensar de forma sistêmica”.
Face ao exposto, Bertalanffy (1977, p. 52) nas suas argu- mentações sobre a Teoria Geral dos Sistemas, faz um comentário introdutório sobre a evolução das ciências e as suas consequentes especializações, culminando em “inúmeras disciplinas que geram continuamente novas subdisciplinas”. Em decorrência disso, o referido autor aponta a falta de uma ponte que ligue tais disciplinas, ou seja, a inexistência de relação entre as rami- ficações da ciência, assim, tornando-se universos privados. Tal explicação é a base principal para o entendimento da Teoria Geral dos Sistemas, “seu conteúdo é a formulação e derivação dos princípios válidos para os ‘sistemas’ em geral” (BERTALANFFY, 1977, p. 55). Desse modo, Bertalanffy explica a sua teoria, de forma abrangente, da seguinte maneira:
[...] A física trata de sistemas de diferentes níveis de gene- ralidades. Estende-se dos sistemas muito especiais, como os aplicados pelo engenheiro na construção de uma ponte ou de uma máquina, às leis especiais das disciplinas físicas, a mecânica ou a óptica, às leis de grande generalidade, como os princípios da termodinâmica, que se aplicam a sistemas de natureza intrinsecamente diferente, mecânicos, térmicos, químicos ou outros. Nada obriga a por um termo aos sistemas tradicionalmente tratados em física.
Ao contrário, podemos aspirar a princípios aplicáveis aos sistemas em geral, quer sejam de natureza física, biológica quer de natureza sociológica. Se estabelecermos esta questão e definirmos de modo conveniente o conceito de sistema, verificaremos que existem modelos, princípios e leis que se aplicam aos sistemas generalizados qualquer que seja seu tipo particular e os elementos de ‘forças’ implicadas (BERTALANFFY, 1977, p. 55-56).
Em suma, embora Bertalanffy (1977) tenha idealizado a Teoria Geral dos Sistemas para entender aspectos relacionados com a classificação biológica, em essência, tal estudo pode ser aplicado a qualquer realidade, independente da área em que esta seja aproveitada.
Alicerçado nesse entendimento, Piero Mella (1997 apud SILVA, 2006, p. 30) aponta três principais características cons- titutivas dos sistemas, tais como:
1.ª – o sistema deve ser observável como uma unidade durável (visão sintética) com significado próprio (macro) a fim de, na conjugação dos seus elementos, parecer novo e emergente; 2.ª – todos os elementos do sistema (macro) compõem uma estrutura estruturante e estruturada, na qual cada elemento contribui para a existência da estrutura mais subordinada ao próprio estado da existência do sistema (visão analítica); 3.ª – há uma correlação permanente (feedback micro-macro) entre a unidade (totalidade) e os elementos (partes): por um lado, o sistema torna-se uma unidade na multiplicidade dos seus componentes; e, por outro, as partes perdem, no sistema, a sua individualidade, tornando-se igualmente essenciais na formação da unidade.
Tais características enunciadas por Mella (1997 apud SILVA, 2006) apontam o sistema como uma unidade durável constituída por elementos, organizada de forma hierarquizada (estruturante-estruturada, macro-micro), necessitando de constantes feedbacks entre o todo e suas partes (unidade e elementos). Neste suposto, ainda cumpre frisar que, por ser um sistema, as partes que compõem uma unidade perdem a sua individualidade, uma vez que a junção das peculiaridades de cada elemento (parte) é essencial para a construção/constituição da unidade (no todo).
Destarte, Mella (1997 apud SILVA, 2006, p. 31) ainda esque- matiza os sistemas em: Supersistemas, Subsistemas (Parciais) e Macrossistemas, classificados em Organizados/Operatórios e Não-organizados/Combinatórios.
No que diz respeito aos Supersistemas, eles podem ser compreendidos como sendo a formação de um sistema único (totalidade) constituído por sistemas específicos (partes); os
Subsistemas ou Sistemas Parciais são sistemas específicos (partes)
que trabalham de forma particular (individualizada), mantendo algumas relações com os demais sistemas específicos que com- põem um sistema único (totalidade). Por fim, os Macrossistemas, são sistemas que fundem-se com o ambiente externo. Neste sentido, deve-se “definir o que pertence à estrutura e o que lhe é estranho. Logo, o que estiver fora do sistema constitui o seu ambiente externo, contraposto ao ambiente interno configurado pela estrutura” (MELLA, 1997 apud SILVA, 2006, p. 31).
Dentro destes aspectos, Mella (1997) ainda diz que tal esquematização pode ser classificada como sistema Organizado/
Operacional, a partir do momento em que há uma organiza-
ção estrutural, em que uma unidade (todo) é constituída por elementos (partes), independente das suas especialidades, através de relações estáveis de suas funções. Neste caso, Silva (2006, p. 31) exemplifica os Sistemas Organizados/Operacionais como uma “estrutura formada por órgãos (exemplos: o corpo humano, o relógio, o automóvel)”, uma vez que cada parte constituinte do todo tem suas funções específicas e a junção deste resulta em um produto através de uma relação organi- zada. Tal argumentação pode ser ilustrada por meio do Corpo Humano, no qual cada órgão tem sua função específica (esôfago, fígado, pâncreas, bexiga, entre outros), que faz o corpo humano funcionar perfeitamente/imperfeitamente através da união de todos estes “Subsistemas”.
Já os sistemas Não organizados/Combinatórios, são macrouni- dades que derivam de uma unidade semelhante com a finalidade de aprimorar microcomportamentos observáveis (MELLA, 1997 apud SILVA, 2006). Neste sentido, Silva (2006, p. 31) esclarece que este sistema é “uma estrutura gerada por elementos análogos, pelos quais não se reconhecem relações organizativas (dois exemplos: os fluidos e a população”. Assim, os sistemas Não- organizados/Combinatórios reúnem elementos semelhantes (microcomportamentos), que em princípio não mantêm uma relação organizada entre si, para, posteriormente, formar uma unidade ampla (macrounidade), através de interações e feedback entre as partes constituintes, aqui visualizados pelo exemplo de uma população.
No que diz respeito ao foco desta investigação, ou seja, o fenômeno infocomunicacional, Silva (2006, p. 30) afirma que a Teoria dos Sistemas “congrega uma visão holística e se ajusta bem ao universo complexo e difuso da Informação, como se comprova por vários exemplos da sua aplicação teórico-prática”. Ou seja, a teoria proposta por Bertalanffy, por se adequar às diferentes realidades, se aplica perfeitamente nos ditos “servi- ços/instituições de informação” ou ao que consideramos como “Instituições Tradicionais de Memória”: os arquivos, bibliotecas e museus. Aplicações essas que atualmente ganham destaque através da perspectiva da Ciência da Informação.