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Para principiar a descrever a sua experiência profissional no ensino, foi necessário efetuar uma ponto de situação relativamente às influências sofridas em ambiente familiar relativamente ao ensino e o gosto pela modalidade que abraçou desde cedo. Pretende-se responder às seguintes questões: Porque será que foi para a ensino? Como chegou à modalidade?

Desde que começou a dar os seus primeiros passos o ainda jovem Ricardo Oliveira, ainda sem saber o que seria a sua carreira profissional, já vivenciava o “ensino” através do percurso académico da sua irmã Ana Margarida Oliveira já que esta envergou pelo curso de educadora de infância, beneficiou ainda dos ensinamentos da sua mãe Maria Luísa Oliveira também ela reformada do ensino pré- escolar. Não imaginava seguir as pisadas da família, mas a influência era tanta que seria inevitável. Uma palavra ainda para o seu pai Fernando Oliveira pela educação, honestidade, amizade, rigor e pelo exemplo profissional que sempre demonstrou na sua profissão de bancário.

Antes de iniciar a sua atividade profissional, o docente esteve desde muito cedo ligado ao Voleibol, primeiro como atleta e depois mais tarde como professor e técnico. O gosto e paixão por este jogo vieram através de um primo, o Philip Lima, que já jogava no Volei Clube de São Miguel (VCSM), este resolveu convidá-lo a ir experimentar um treino de iniciados, na altura ainda com idade de infantil. Foi um treino diferente dado na altura pelo Sr. Mário Andrade no Natal de 1993. Gostou, ainda apareceu a mais alguns treinos, mas verificou que a equipa já estava montada e que o treinador de época e o diretor do clube, Sr. José Mansinho e o Sr. Paulo Furtado não iriam perder tempo com um rapaz acabado de chegar à modalidade e sem os fundamentos adquiridos. Como gostou, não desistiu, e na época seguinte iniciou definitivamente o seu percurso desportivo federado, impulsionado por alguns amigos da sua turma, o João Braga e o Nuno Campos, pertencentes à equipa “rival” do VCSM, nomeadamente os Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada (BVPD). Recorda com alegria as idas dolorosas, a pé, da sua escola, Escola Secundária das Laranjeiras para o antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, cerca de dois a três quilómetros de distância duas a três vezes por semana. No ano seguinte conseguiu, com os dois amigos, transporte através de um funcionário da escola, o Sr. Carlos Roque que na altura fazia um “extra” após as aulas, noutra escola EBI Canto da Maia perto dos BVPD, que viria a ser também um local de treinos. Desde essa

altura notava-se o espírito de sacrifício, a disciplina e dedicação em prol do voleibol e do desporto em geral. Paralelamente a isso, a nível do seu percurso escolar participou em alguns treinos para os Jogos Desportivos Escolares daquele ano, mas acabou por não ser selecionado, lembra ainda os jogos em que participou de voleibol escolar no ensino secundário (Super Taça Escolar- o único evento de algum destaque para o ensino secundário) entre as três escolas secundárias do concelho de Ponta Delgada, onde se registavam emocionantes jogos de voleibol, com o pavilhão da escola a receber sempre as maiores enchentes em detrimento, de outras modalidades de pavilhão.

Foi atleta federado na modalidade, desde a época 94/95, contabilizando cerca de 8 anos de prática regular. Representando os Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada (Iniciados), a Associação dos Antigos Alunos (AAA) de Juvenis a Seniores, a Sociedade F. Gualdim Pais na cidade de Tomar (Seniores), a Academia dos Antigos Alunos (Seniores) e o Clube Ana de Santa Maria (Seniores). Destaca-se a passagem pela antiga Segunda Divisão do Campeonato Nacional de Voleibol ao serviço dos AAA, onde também já teve a designação A2. Através do desporto conseguiu conhecer diversas localidades do país, especialmente a zona norte de centro, já que a zona do Alentejo e Algarve não possuem qualquer equipa nos diversos campeonatos nacionais.

Figura nº 16 – Equipa Juvenil dos AAA em 1995 (4º lugar do Campeonato Nacional). Em cima: Sr. Óscar Furtado, Gualberto Martins nº4, Pedro Rodrigues nº8, Luís Carvalho nº9, Miguel Pacheco nº11, Nuno Campos nº 2, Ricardo Oliveira nº 12, Steven Feijó, Sr. Humberto Melo. Em baixo: João Braga nº10, “Paulinho” nº5, André Tavares nº3, Rodrigo Esteves nº7, Paulo Pacheco nº6, Valdemar Ferreira nº1 e Prof. Luís Magalhães.

Atividade Profissional

De 1999 a 2003 frequenta a Escola Superior de Educação de Santarém do Instituto Politécnico de Santarém, obtendo a licenciatura em Professores do 2º Ciclo do Ensino Básico, variante Educação Física com a média final de 15 valores. Em termos de experiência profissional trabalha há cerca de onze anos letivos consecutivos nas seguintes Unidades Orgânicas (UO).

Quadro nº 8- Atividade Profissional- A nomenclatura do desempenho de avaliação até 2008 era de Satisfaz e Não Satisfaz.

Ano Letivo

Escola Nível de Ensino Avaliação de

Desempenho 2004/2005 EBI da Ribeira Grande 1º Ciclo do Ensino Básico (110) Satisfaz 2005/2006 EBI da Povoação 2º Ciclo do Ensino Básico (260) Satisfaz 2006/2007 EBS de Santa Maria 2º Ciclo do Ensino Básico (260) Satisfaz 2007/2008 EBI de Arrifes 1º Ciclo do Ensino Básico (110) a) 2008/2009 EBI Roberto Ivens 2º Ciclo do Ensino Básico (260) Bom 2009/2010 EBI Roberto Ivens 2º Ciclo do Ensino Básico (260) Bom 2010/2011 EBI Roberto Ivens 2º Ciclo do Ensino Básico (260) Bom 2011/2012 EBI Água de Pau 2º Ciclo do Ensino Básico (260) Bom 2012/2013 EBS Vila Franca do Campo 2º Ciclo do Ensino Básico (260) Bom 2013/2014 EBI Ponta Garça 1º Ciclo do Ensino Básico (110) Bom 2014/2015 EBS Tomás de Borba 1º Ciclo do Ensino Básico (110) b)

Fonte: DRE Açores

a) Sem comprovativo por parte da DRE Açores.

b) Entrada em regime de QND (Quadro de Nomeação Definitiva).

Como qualquer professor em regime de contrato, foi adquirindo contato com diferentes realidades escolares, o seu processo foi sempre indefinido de um ano letivo para o seguinte. Foi aprendendo com os alunos, colegas e escolas por onde passou, de cada UO, levou sempre uma experiência enriquecedora. No seu primeiro ano ficou responsável por uma turma “Op” designada por Projeto Oportunidade, era Diretor de Turma, nesse ano, recorda como difícil foi lecionar aulas. Objetivo primordial foi impor a disciplina e o respeito, depois tentou motivar os seus alunos para a aprendizagem, já que todos eles estavam a usufruir de uma nova oportunidade de concluir o 1ºCEB mas já com uma idade avançada (média de catorze, quinze anos de idade) infelizmente nesse ano, em termos de resultados apresentados pelos alunos foram baixos não conseguiram transitar para uma turma de 2º CEB. Sobressai neste ano a dificuldade em estabelecer regras em jogos coletivos, procurou mais atividades individuais e de caráter mais prático como o apoio dos computadores.

Figura nº 17 – A primeira sala de aula que trabalhou em 2004/2005 na EBI da Ribeira Grande.

Do segundo ano ao quarto ano de lecionação, já se sentiu verdadeiramente um professor de educação física, lecionando no 1ºCEB já que este nos Açores é tutelado pela DRE. Foi colocado no 1ºCEB, pois os horários de 2ºCEB geralmente eram preenchidos por docentes dos quadros das Unidades Orgânicas. Quer na EBI da Povoação, quer na EB/S da ilha de Santa Maria desenvolveu um trabalho assente no programa escolar de EF do 1ºCEB, recorda esse período com saudades, de alunos com forte gosto e aptidão para o desporto, jovens que praticavam bem várias modalidades desportivas, talvez possa-se concluir que seria uma forma de ocuparem o seu tempo livre. Em junho de 2006 estimula todo o departamento do 1ºCEB da EBI de Povoação a participar numa atividade diferente junto a umas das zonas mais belas da ilha, a Lagoa das Furnas. Proporcionou-se atividade física à natureza aos alunos de diferentes lugares e freguesias do concelho. Inicialmente com muita reticência do corpo docente do Pré-Escolar e 1º Ciclo mas que após a realização das diversas atividades aprovaram a iniciativa e avaliaram-na de forma muito positiva.

Os dados nacionais demonstram que a ilha de Santa Maria tem uma das mais altas taxas de prática desportiva por habitante. Foi uma experiência diferente depois de ter andado em Santarém a tirar a sua licenciatura, viria agora a viver noutra ilha com uma aposta forte no desporto, aproveitou aqui para desenvolver um projeto de Escolinhas do Desporto, do Clube Desportivo Escolar (CDE) e de jogar na equipa sénior do Clube ANA. Foi o local por onde trabalhou onde os jovens mais gostavam de realizar as aulas de educação física e onde os níveis de assiduidade e interesse foram muito altos. Valida-se o sentido de que o volume e quantidade de atividade física realizada pelos alunos acabaram por ser determinantes no aumento de competências no voleibol e restantes modalidades.

Figura nº 19 – Minivoleibol Clube Desportivo Escolar da Escola EBS da ilha de Santa Maria.

No ano letivo seguinte regressa ao 1ºCEB na sua ilha de residência, num ano de difícil perspetiva em termos de colocação de pessoal docente, com um reduzido número de vagas na RAA em Educação Física. Acaba colocado como docente de Apoio e Substituição nos Arrifes, correndo os vários edifícios do 1º Ciclo da Unidade Orgânica dos Arrifes, como qualquer professor acaba o respetivo ano mais em substituição de colegas do que a apoiar pequenos grupos com dificuldades.

De 2008 a 2011, é colocado na EBI Roberto Ivens, no centro de Ponta Delgada, por esse facto conseguiu pela primeira vez ter trabalho de continuidade dentro da mesma unidade orgânica, conseguiu criar rotinas de aprendizagens nas diversas turmas e os resultados foram surgindo, no âmbito do desporto escolar conseguiu que alguns dos seus alunos obtivessem classificações de destaque no

corta-mato, mega salto e sprinter na fase de escola e consequentemente obterem lugar para participarem na fase de ilha. Nestes três anos letivos conseguiu ensinar alguns procedimentos de base para o voleibol, essencialmente com o objetivo de existir a sustentação de bola em todas as suas turmas de 1ºciclo. Corrobora dos pressupostos de Mesquita & Araújo (2002) e assim começou com um projeto com a utilização de balões em que a gravidade foi menor favorecendo a circulação do balão (especialmente para 1º e 2º anos), e depois migrou para as bolas do “Gira-Volei” próprias para essas idades, apesar de discordar da obrigatoriedade de apenas se utilizar o Passe. Já que estamos a limitar as crianças de utilizar gestos técnicos que irão aprender posteriormente. Sempre acreditando que a tática e a competição têm que estar presentes nas aulas, criação de alvos no campo adversário, ensino das diferentes trajetórias da bola e porque se deve utilizar. Criou ainda uma dinâmica do “melhor” aluno do mês das diversas escolas onde trabalhou. Finalmente nestes anos letivos conseguiu dar continuidade das suas turmas de 1ºCiclo.

Na EBI de Água de Pau, depara-se pela primeira vez com a experiência de trabalhar com alunos com necessidades educativas especiais (NEE), quer um grupo de Unidade de Apoio Especializada com Currículo Adaptado (UNECA) Socioeducativa, quer com um grupo de três alunos de uma UNECA Ocupacional, com paralisia cerebral, e atrasos no desenvolvimento global dos restantes alunos. Se no primeiro grupo os alunos socializavam e comunicavam nas sessões de educação física e compreendiam as atividades propostas, no segundo grupo realizavam atividades individualmente numa sala Snoezelen, com base em pequenos estímulos. Foram delineadas em ambos os casos estratégias para tentar obter o maior sucesso destes alunos, tentar prepará-los para a vida ativa fora da escola. Infelizmente neste ano letivo não existiu uma grande evolução em termos físicos do grupo da UNECA Ocupacional. O trabalho em equipa foi uma realidade constante durante o referido ano letivo (equipa do NEE, Serviços de Psicologia, e Serviços da Comunidade).

Em 2012 é colocado na EBS de Vila Franca do Campo, com horário misto de 1º e 2º Ciclo. Volta a vivenciar com um público-alvo diferente, já que pela primeira vez leciona 2º CEB, nomeadamente um 5º Ano e uma turma Oportunidade. Neste local depara-se pela primeira com a rotação de espaços tão comum nos níveis de ensino superiores, e que acaba por dificultar o cumprimento do programa escolar, acentua-se o espírito crítico para com o modo como é apresentado o ensino do Voleibol na escola, as suas lacunas e virtudes. Considera-se importante a implementação do Modelo de Abordagem Progressiva ao Jogo (MAPJ) já referido anteriormente noutro ponto do relatório, considera que as crianças nestas idades já começam a ter uma visão melhor

do jogo e as suas várias dimensões. Mesquita & Graça (2004). Garantir a todos os alunos, sem exceção, oportunidades de aprendizagem. A igualdade deverá estar sempre presente no desempenho do professor, no seu tratamento didático e consequentemente nas suas etapas de aprendizagem. Recordemos que os alunos na sua maioria não têm contato com a modalidade além da escola. Recomenda-se grupos heterogéneos nas turmas, envolvimento em tarefas de apoio, coordenação e cooperação entre todos os alunos.

No ano letivo seguinte regressa a uma realidade que já não ministrava há alguns anos nomeadamente, o contacto com o 1ºCEB na EBI de Ponta Garça, através de uma turma de 2º ano inserida no “Projeto Fénix” em busca de mais sucesso. Surgiu no Agrupamento Campo Aberto, Beiriz, resultante de uma forte motivação em proporcionar condições para que os alunos tenham a oportunidade de efetuar aprendizagens e consolidar saberes. Exigiu determinação, rigor e trabalho de equipa, no qual os alunos, os professores e os pais se comprometem para o sucesso. Assenta num modelo organizacional de escola que permite dar um apoio mais personalizado aos alunos que evidenciam dificuldades de aprendizagem nas disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática, ou outra identificada pela escola de acordo com os resultados. Com o regresso à Monodocência, volta também a ministrar a disciplina de EF em par pedagógico e sozinho, cria uma forte implementação de desporto na turma e perceção de que só se consegue resultados com muito esforço e dedicação, criando uma analogia permanente com os atletas de alta competição. Esta UO beneficia de excelentes condições para a prática desportiva já que contempla no mesmo edifício novo os vários níveis de ensino e todos têm acesso a equipamentos desportivos. Volta a implementar as ideias do projeto do Gira-Volei nas suas aulas de modo ser veículo de vivências e experiências motoras, sendo no seu entender um pilar inicial no desenvolvimento da modalidade.

Neste momento o docente Ricardo Oliveira leciona na ilha Terceira na escola EBS Tomás de Borba em regime QND. Se a nível de estabilidade de emprego ficou mais estável após dez anos a contrato a termo, por outro lado, a sua vida pessoal sofreu um grande golpe pois encontra-se longe da sua família. Lecionou na escola EB1/JI de Doze Ribeiras, zona rural e com alguns problemas de fixação de população, reforça a ideia que num futuro próximo a escola irá fechar tendo em conta o pequeno número de alunos 34 alunos. Analisou os seus oito alunos de 2º e 3º ano de escolaridade, principal dificuldade introduzir competição com colegas diferentes. Foram reforçados os jogos de 1x1 e 2x2 e reforço do domínio da técnica basilar para cuidar a ocorrência de fluxo de jogo.

Uma das principais dificuldades ao longo destes onze anos letivos enquanto docente prendem-se com a mudança permanente de escolas não sendo possível concretizar projetos escolares com maior equilíbrio e continuidade. Poderá agora na escola atual perspetivar melhor as capacidades físicas dos seus alunos para que no futuro exista melhor voleibol no seio desta escola, melhor qualidade a médio e longo prazo.

Ao longo do seu processo de formação não poderia deixar de mencionar o seu “grande mestre” Prof. Luís Magalhães pelos ensinamentos enquanto atleta mas também como técnico da modalidade, pela sua visão sempre na vanguarda do desenvolvimento desportivo. Graças ao trabalho desenvolvimento, o voleibol na ilha de São Miguel subiu a elevados patamares qualitativos com destaque para o renascimento dos “centros de treino” com o propósito de desenvolver a formação de jovens, melhoria nos planos de organização, processos de treino e nas suas diversas vertentes (tático, técnico, físico, pedagógico e psicológico) criando em paralelo um espaço de formação de treinadores, no sentido de melhorar a sua intervenção. Os resultados nas Seleções Regionais refletem o que o Prof. Luís Magalhães idealizava, pois nunca antes conquistámos tão bons resultados nos Açores ao nível da formação.

Figura nº 20 – Professor Luís Magalhães em 2010.

(http://www.rtp.pt/acores/desporto/karting-e-escape-a-35-anos-de-voleibol_15790 ) O docente orgulha-se de fazer parte desta equipa de técnicos, mas não podia também deixar de mencionar todos os professores e técnicos com que trabalhou nas escolas por onde passou, com todos eles procurou levar os melhores ensinamentos para a sua prática pedagógica corrente que ao longo do seu processo de ensino/aprendizagem.

Outras Habilitações de âmbito Técnico Profissional

Relativamente a este ponto do trabalho, o docente Ricardo Oliveira poderia enumerar algumas participações e formações que exerceu ao longo do seu currículo profissional. Optou por destacar os dois momentos mais importante da sua carreira que contribuíram para um melhoramento no âmbito técnico e profissional.

Nestas duas ocasiões fica claro que o processo de reflexão não está cerrado e há ambição da modalidade em expandir-se na Escola com maior qualidade e prática desportiva regular, o Jogo no seu entender está interligado com aprendizagem do Voleibol, e para isso muito contribuiu a sua viagem ao continente sul-americano para vivenciar “in loco” os melhores na formação do voleibol do mundo.

Salienta ainda a importância de existir competição de forma regular entre as diferentes Unidades Orgânicas (jogo reduzido), só assim acredita que exista verdadeiramente Desporto Escolar na RAA e igualmente contribuir para um melhor desenvolvimento dos alunos. Este conjunto de sinergias fez-lhe despertar para um sentido crítico do ensino do voleibol em contexto escolar, e no seu entender este não deverá estar de costas voltas para as competências bases ensinadas em ambiente de treino, as suas etapas de desenvolvimento deverão ser aproveitadas e organizadas.

Estágio de Observação em Saquarema no Brasil

Um dos momentos mais altos da sua experiência enquanto formador de jovens, foi em agosto de 2008, quando desfrutou da oportunidade de contatar com as seleções de formação da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) no Centro de Desenvolvimento de Voleibol de Saquarema. O projeto teve como base a ida de 3 técnicos da RAA, nomeadamente Dr. António Gomes (DRD), Prof. Ricardo Oliveira (AVSM) e Sr. Francisco Oliveira (AVIT) com o objetivo de observar toda a metodologia de treino do Brasil. Posteriormente foi divulgada em palestras teórico-práticas pelas diferentes ilhas os resultados obtidos bem como a distribuição em vídeo de todos os treinos visualizados. Com essa viagem procurou-se estimular os treinadores açorianos a um maior investimento e progressão na carreira, contribuindo assim para a melhoria da qualidade de intervenção junto dos escalões de formação. Conhecer princípios e metodologias de deteção e predição de talentos visando a sua adaptação e operacionalização aos Açores. Compreender e aplicar princípios e metodologias de treino específicas do trabalho com os escalões de formação e conceber e aplicar projetos de desenvolvimento a médio prazo das seleções dos Açores, que permitam melhorar os desempenhos individuais dos intervenientes visando alcançar melhores

prestações nos Jogos das Ilhas1 e contribuir para a integração de atletas dos açores nas seleções nacionais. Estas competências obtiveram melhorias muito significativas nos trabalhos das seleções Açores, o volume de treino, a qualidade, intensidade e sobretudo a capacidade de trabalho de todos os intervenientes fez com que os Açores subissem na sua formação de voleibol para patamares muitos superiores, conseguindo nos últimos anos ombrear com as melhores ilhas nos Jogos das Ilhas (Sicília e Sardenha) bem como em todas as participações nos diversos Campeonatos Nacionais da FPV.

Figura nº 21 – Seleção Infanto-Juvenil Masculina de 2008 do técnico Percy Oncken. Foram promotores deste projeto o conjunto das Associações de Voleibol e de Desportos com prática da modalidade dos Açores sendo que a responsabilidade direta da sua execução e desenvolvimento coube à Associação de Voleibol da Ilha Terceira com o apoio técnico direto do seu gabinete técnico e demais técnicos envolvidos.

A celebração deste projeto teve um impacto direto na modalidade no arquipélago, mas infelizmente nem todos os objetivos foram devidamente alcançados nesta deslocação, designadamente, repercussão junto da comunidade de descendentes açorianos no Brasil, na área do desporto. Não se obteve, até à data, uma participação de uma seleção/representação de um estado brasileiro com