IV. DISCUSSION
5. Connaissances et pratiques des sages-femmes
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Ao realizar a pesquisa, um despertar surgiu, motivando-me ir à busca de novas respostas às premissas, as quais me incomodavam durante minha trajetória profissional.
Durante o desenvolvimento da pesquisa, em meio a estudos e investigações teóricas e práticas pude realizar realmente o que desejava, uma reflexão sobre o direito à educação para além dos modelos preconcebidos de aluno ideal. Uma reflexão sobre a diversidade de crianças e a insegurança demonstrada por parte da maioria dos professores do Colégio Consolata pelo fato de alegarem que “não sabiam como trabalhar com as dificuldades dos alunos”, causando resistência.
Sendo assim, percebi por um lado que a realidade educacional multifacetada poderia ser um campo de desenvolvimento do ser humano e em especial do educador como profissional, tornando assim a inclusão um conceito a ser trabalhado no dia-a-dia.
Porém, em meio a pensamentos e recordações, verifiquei que o educador não possibilitava ao aluno à reflexão, o discernimento, o pensar crítico os quais deveriam proporcionar a construção do conhecimento. Sendo também que os alunos com dificuldades nem sempre eram atendidos prontamente pelo professor, pela escola no todo, pois eram considerados e rotulados como “alunos problema”.
Como já havia comentado na introdução do presente trabalho, pregávamos o princípio da igualdade, mas de certa forma permanecia apenas no projeto pedagógico, a prática era diferente. Percebi, no entanto, que ocorriam mecanismos excludentes durante o processo de ensino-aprendizagem causando assim, o fracasso escolar.
Detectados os aspectos exclusivos, investimos na conscientização e formação do professor para saberem lidar com a questão, porém ainda não havia parado para refletir se os resultados desse trabalho realizado com os professores tinham sido eficazes para a sua conduta em sala de aula com os alunos com dificuldades de aprendizagem.
Foi, nesse sentido, ao realizar a pesquisa proporcionada pelo programa em Educação, Arte e História da Cultura que me fez descobrir e realizar considerações sobre meu propósito.
Em meio, então, às leituras de obras de autores-pesquisadores renomados da área em questão e à pesquisa de campo realizada com duas professoras da 3ª série do Colégio Consolata, cuja metodologia diz respeito à narrativa, à história de vida de cada uma durante sua trajetória profissional, que me proporcionaram responder à questão, que me inquietava sobre como elas foram construindo processos de inclusão em suas práticas educativas.
Enfim, diante disso aspectos relevantes surgiram, levando à possibilidade da construção de categorias que emergiram das entrevistas semi-estruturadas ao narrarem suas histórias de vida como professoras do Colégio Consolata.
Em relação aos depoimentos quanto às crianças com dificuldades de aprendizagem pude perceber que as professoras tinham vontade e paciência em construir estratégias diversificadas para possível melhora, porém essas dificuldades se davam não somente no aspecto conceitual, mas também no procedimental e atitudinal. Sendo assim, apresentaram significativa dificuldade ao lidar com essa questão, trazendo desajuste em sala de aula que por vezes se desarticulava gerando um estado de dispersão à proposta pedagógica.
Quanto à relação professor-aluno no processo de inclusão pude constatar que as duas professoras entrevistadas se preocupavam em acolher todos os alunos sem distinção, mas uma questão que sobressaiu da categoria foi a dificuldade que enfrentavam com o número superior de crianças em sala de aula, o tempo e o espaço que dificultavam uma maior aproximação e uma intervenção significativa individual.
O intuito da inclusão é precisamente aceitar as diferenças e conseqüentemente movimentar-se para respeitá-las e trabalhar de maneira diversificada. Quando a professora B realiza seu trabalho em sala de aula com competência e dedicação, no entanto se queixa das dificuldades encontradas. É possível que sua implicação entenda que o educando para estar incluído deva tornar-se igual aos outros, e assim trabalhar com a classe de maneira uniforme, isso seria entender a inclusão de modo equivocado. Parece haver uma ambigüidade na fala da professora, ela fez um trabalho muito bom de inclusão, e ao mesmo tempo parece desejar ficar com um grupo de iguais. É possível que falte a ela fundamentação teórica para trabalhar a inclusão, embora sua prática já demonstre estar no processo inclusivo. O que pode acontecer com alguns professores é quererem o aluno ideal com dificuldades em aceitar o aluno real.
As professoras A e B fazem com que as suas ações pedagógicas sejam um diferencial da inclusão efetiva, pois diante de seus relatos percebi a importância dada às construções de diferentes atividades, o uso de diversas estratégias que vêm se apropriando para incluir os alunos. Deu-se, enfim, para observar que estas concretizam suas ações, envolvendo os alunos em um ambiente em que todos possam aprender a ser, a fazer, a conviver juntos.
Diante de tudo o que pudemos observar revelou-se que a ação pedagógica para a inclusão não é balizada por conceitos pré estabelecidos, mas que se alicerça em bases teóricas e para além delas é construído diante das incertezas, daquilo que emerge dos alunos. Esse é um trabalho para profissionais bem qualificados, mas, sobretudo sensíveis às possibilidades múltiplas de sua própria ação.
Um fator em destaque observado nas professoras A e B é a abertura para a mudança, o desejo, a disponibilidade para o educando, a busca de novas estratégias para as dinâmicas da sala de aula, a crença no educando, o desejo de fazer acontecer mesmo que nas inúmeras dificuldades da sala de aula, a capacidade de transformar o medo em exercício para a busca do conhecimento, para o saber relacionar-se, a firmeza e o prazer em serem educadoras mesmo quando a realidade é dura e as possibilidades parecem mínimas.
Através deste parágrafo de Ivani Fazenda podemos reforçar a atitude das professoras cima citadas:
Atitude de busca de alternativas para conhecer mais e melhor; atitude de espera perante atos não-consumados; atitude de reciprocidade que impele à troca, ao dialogo com pares idênticos, com pares anônimos ou consigo mesmo; atitude de humildade diante da limitação do próprio saber; atitude de perplexidade ante a possibilidade de desvendar novos saberes; atitude de desafio diante do novo, desafio de redimensionar o velho; atitude de envolvimento e comprometimento com os projetos e as pessoas neles implicadas; atitude pois de compromisso de construir sempre da melhor forma possível; atitude de responsabilidade, mas sobretudo de alegria, de revelação, de encontro, enfim, de vida. (Fazenda, 2002, p. 13)
A observação da realidade, o contato direto com as professoras e com o todo do Colégio levou a identificação de possibilidades e desafios. O caminho a ser percorrido pela comunidade escolar é árduo e longo, essa passagem do educando pela escola deve ser feita de maneira que ele redescubra a sua potencialidade de admiração, a vontade sempre renovada de aprender, a expectativa e o sonho de tocar, de alcançar, de dizer eu cheguei, eu consegui.
Através das narrativas das professoras fica claro a preocupação e o investimento para que o educando não aprenda apenas a pensar, se torna muito importante que ele aprenda a conviver, a se relacionar, e a grande riqueza está nesse ponto, são diversos sim, mas em relação, convivendo, sabendo ir além do saber.
A partir das concepções das professaras parece ficar evidente que o trabalho é realizado através de um tripé onde elas se tornam facilitadoras do conteúdo e da integração dos educandos; participam como intermediárias entre o educando e a vida, o dia a dia, ajudando-o a fazer a releitura, assumindo e integrando os acontecimentos; no diálogo com os educandos ajudando-os a encontrar sinais que indiquem o caminho a ser percorrido.
Outro aspecto é a atenção das professoras, às peculiaridades de desenvolvimento e as próprias formas de aprender de cada educando. A atenção e cuidado em atender a diversidade de interesses, motivações e capacidades de cada um, respeitando os diversos ritmos. Tendo sempre presente o sujeito em processo de construção; sujeito que precisa aprender, aprender a aprender, a pensar e refletir e agir.
Na voz e práxis das professoras entende-se que o saber não se esgota na própria pessoa, e que somos eternos aprendizes. Mesmo que o sujeito pense saber muito sobre um assunto, ele sempre vai aprender é através das relações com os outros indivíduos ou situações e com a própria vida.
Observa-se que no todo do Colégio os educadores tem partilhado experiências, saberes e deparado com a diversidade pessoal e do grupo. Conclui-se que os professores têm concebido o educando ideal, e que no decorrer dos trabalhos vão se dando conta que o educando ideal e real convivem num mesmo individuo, e que não é possível trabalhar excluindo. É possível sim trabalhar partindo da situação concreta, a inclusão ideal será sempre uma busca, um caminho, dificilmente será realidade completa, atingida plenamente, estaremos sempre a caminho almejando o ideal.
Relendo a narrativa da professora A, quando fala de uma educanda: “essa semana uma das meninas quando eu oferecia a atividade eu chamei na minha mesa e falei, olha você ta um pouco insegura em alguns exercícios que eu do na classe, ai perguntei pra ela sobre o que você acha que fala essas atividades? Ah eu acho que é matemática porque na matemática eu to fraca, eu falei, não acho que você ta fraca, você ta insegura, você sabe o que é insegura? Quando você sabe, mas fica
com medo de arriscar, ai ela deu uma risadinha né, então ela foi e entregou antes do tempo”
Nesse contexto da narrativa da professora A, é possível parafrasear Fernando Pessoa quando escreveu que é preciso restaurar-nos das tintas que foram colocando em cima de nós, modificando nossos sentidos e redescobrir nossas emoções mais reais.
O caminho para a inclusão esta aberto, à 60 anos atrás quando as 3 primeiras irmãs chegaram no bairro Imirim o desejo delas era incluir, como já vimos no relato histórico. Tudo o que hoje é vivido no Colégio está intimamente ligado a aquele início histórico.
O trabalho realizado pelas professoras A e B, é reflexo de todo o trabalho realizado no Colégio, é um esforço e desejo de toda a comunidade educativa. Todos estão a caminho, cada um tem seu ritmo, mas abertos a acolher e trabalhar com o diferente, desenvolvendo a sensibilidade, a percepção, redescobrindo além das emoções os talentos soterrados, ocultados no ambiente das aulas, na convivência diária. Esse processo de redescoberta, de “retirar as tintas” pressupõe investimento e uma espera paciente e amorosa, humilde e confiante, respeitosa e comprometida consigo mesmo e com o outro. A comunidade educativa do Consolata está a caminho, a sessenta anos a caminho...
O caminho está sendo construído, não está para ser começado e nem para ser concluído, ele está sendo tecido no cotidiano do trabalho pedagógico. O momento presente é de assumir o desafio da inclusão, mesmo sem ter respostas, se as tivéssemos estaria tudo resolvido, por isso mesmo o desafio é seguir em frente.
Conforme Rosenthal (1980), em muitos casos apenas a atitude de esperança, de busca e o ato de acreditar na possibilidade da evolução do ser humano faz com que haja mudança, crescimento e melhora.