Com o presente trabalho pretendeu-se fornecer um contributo para o estudo do problema da patologia da construção. No entanto, existe ainda um vasto campo de investigação neste domínio pelo que seria interessante desenvolver alguns aspectos relacionados com os catálogos de patologia, nomeadamente:
Tendo em atenção que os catálogos de patologia existentes não apresentam uma divulgação adequada e se encontram dispersos, sugere-se a criação de uma plataforma na Internet que reú- na toda a informação disponível sobre patologia da construção. Uma ferramenta deste tipo poderia ser desenvolvida em parceria com o CIB – W086 conforme se exemplifica no esque- ma apresentado na Figura 67;
O catálogo do Grupo de Estudos da Patologia da Construção – PATORREB inclui apenas fichas de patologia referentes a problemas de caractér higrotérmico. Seria importante introdu- zir novas fichas que abordam problemas estruturais, bem como desenvolver fichas temáticas em colaboração com empresas ou instituições da área (por exemplo, a patologia da madeira seria um tema interessante a desenvolver).
Figura 67 – Possível ligação dos catálogos de patologia disponíveis através de uma plataforma do CIB – W086 Agence Qualité Construction Maintainability of Buildings PATORREB Imparare dagli Errori
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Elemento Construtivo – Fenómeno Físico TÍTULO DA FICHA
DESCRIÇÃO DA PATOLOGIA SONDAGENS E MEDIDAS
Apresentação, de forma sintética, da patologia em análise, sendo indicados os principais sinais observados e caracterizando-se sumariamente o elemento em que se manifestou o problema.
Notas importantes:
− Não alterar o tamanho das colunas e linhas;
− Não alterar a formatação do texto (tamanho, estilo, etc.);
− No caso de usar “marcas e numeração”, usar de forma idênti-
ca a este exemplo;
− As imagens e esquemas ilustrativos são opcionais. Quando
não pretender introduzir imagens e/ou esquemas, poderá uti- lizar esse espaço para texto.
Indicação das acções que foram necessárias para um exame detalhado da patologia, tais como a realização de sondagens e de medidas em laboratório ou “in situ”.
Imagens e/ou esquemas ilustrativos Imagens e/ou esquemas ilustrativos
CAUSAS DA PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES
Descrição do fenómeno que esteve na origem da patologia, tendo como base o estudo de diagnóstico elaborado.
Descrição sintética das possíveis soluções de reparação, propos- tas com base no estudo diagnóstico realizado e na definição das causas do problema.
Imagens e/ou esquemas ilustrativos Imagens e/ou esquemas ilustrativos
PALAVRAS-CHAVE Elemento, Causa Principal, Patologia, Solução de Tratamento, etc.
Parede Exterior – Produto de Colagem
DESCOLAMENTO DO REVESTIMENTO EM LADRILHOS CERÂMICOS APLICADO EM FACHADAS
DESCRIÇÃO DA PATOLOGIA SONDAGENS E MEDIDAS
O revestimento cerâmico aplicado na fachada de um edifício de habitação apresentava-se descolado, tendo-se observado o
destacamento muito significativo dos ladrilhos cerâmicos.
Trata-se de uma patologia, generalizada, que apresenta uma maior incidência nas zonas da fachada mais expostas à radiação e à humidade. O descolamento foi progressivo ao longo do tem- po.
A observação cuidada da fachada permitiu verificar a ausência de fissuração do suporte nas zonas degradadas.
Realizaram-se sondagens para analisar a configuração da fachada,
tendo-se verificado que a alvenaria de suporte do revestimento se
encontrava confinada. Os estudos sobre a deformabilidade do suporte evidenciaram uma reduzida deformação.
O cimento-cola utilizado foi do tipo C1. As juntas entre ladrilhos cerâmicos tinham cerca de 2 mm, não sendo conhecidas as
características do material de preenchimento. Não existiam jun-
tas de fraccionamento.
Para medir a aderência dos ladrilhos cerâmicos ao suporte proce-
deu-se à realização de ensaios de arrancamento por tracção “in
situ”. A resistência ao arrancamento foi obtida através da colagem de uma peça metálica à superfície das plaquetas que foi depois sujeita a uma força perpendicular ao seu plano. Verificou-se, na maioria dos ensaios, que a interface de rotura se localizava entre o
revestimento cerâmico e a argamassa de colagem (rotura adesi- va). Os valores obtidos para a tensão de rotura encontram-se listados no quadro anexo.
Amostra Tensão de
rotura [MPa] Média [MPa]
Desvio Padrão [MPa] 1 0,133 2 0,131 3 0,318 4 0,466 5 0,100 0,230 0,141
CAUSAS DA PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES
O descolamento do revestimento em ladrilhos cerâmicos da
fachada deveu-se ao uso de um produto de colagem inadequado (C1) e à perda de propriedades mecânicas ao longo do tempo. Nos ensaios de arrancamento por tracção, os valores não deve- riam ser inferiores a 0,5 MPa de modo a garantir um correcto
desempenho do revestimento. A ausência de juntas de fracciona-
mento e o incorrecto dimensionamento das juntas de assenta-
mento poderão ter contribuído para este fenómeno.
Estudos experimentais realizados no Laboratório de Física das Construções – LFC, com o objectivo de avaliar o desempenho de
diferentes tipos de cimento-cola ao longo da sua vida útil, permiti-
ram concluir que o desempenho face à tensão de aderência dimi- nui muito significativamente ao fim de alguns ciclos de envelheci- mento acelerado. A título de exemplo, mostram-se os resultados obtidos para a variação da tensão de aderência de 3 tipos de
ladrilhos colados com um cimento-cola do tipo C2 em função do
número de ciclos de envelhecimento acelerado.
A correcção do problema implicaria a substituição do revestimen-
to em ladrilhos cerâmicos, tendo em atenção os seguintes aspec- tos na aplicação dos novos ladrilhos:
− O cimento-cola deve ser criteriosamente escolhido em função
das características do revestimento e do suporte (ver quadro
anexo);
− O fabricante deve fornecer resultados sobre a variação das
propriedades mecânicas do cimento-cola com o envelheci-
mento;
− As juntas de assentamento devem ser preenchidas por um
produto cujo módulo de elasticidade seja inferior a 8000 MPa;
− Devem ser criadas juntas de fraccionamento (> 6 mm) e
juntas em correspondência com as juntas de dilatação, bem
como devem ser previstas juntas nas zonas de contacto do
revestimento cerâmico com os pontos singulares da fachada
(por exemplo, peitoris, caixilharias, etc.) e nos ângulos
salientes ou reentrantes da fachada.
PALAVRAS-CHAVE Parede Exterior, Ladrilhos Cerâmicos, Cimento-cola, Descolamento, Durabilidade
REF. BIBLIOGRÁFICAS: 41, 42, 55, 63, 116, 117 e 127 S ≤ 2000 (40 × 40) S ≤ 231 Plaquetas murais em terracota S ≤ 300 (15 × 15) Azulejos em terracota - C2S 2000 < S ≤ 3600 (60 × 60) Ladrilhos extrudidos ou prensados, excepto os plenamente vitrificados C2 ou C2S ALTURA DA FACHADA REVESTIMENTO H≤6 m 6 m<H≤28 m ÁREA (cm²) S ≤ 2000 (40 × 40) S ≤ 50 C2S Ladrilhos plenamente vitrificados C2S Mosaico em pasta de vidro ou porcelâmico NATUREZA
Parede Exterior – Deficiente Aplicação
DESCOLAMENTO DO REVESTIMENTO EM PLACAS DE PEDRA APLICADO EM FACHADAS
DESCRIÇÃO DA PATOLOGIA SONDAGENS E MEDIDAS
O revestimento em placas de pedra aplicado na fachada de um
edifício de habitação apresentava-se descolado, tendo-se obser- vado o destacamento de placas em áreas localizadas da fachada. Nas zonas de destacamento das pedras, verificou-se que a cola- gem das placas não abrangia a totalidade do respectivo tardoz, existindo áreas significativas sem contacto entre as placas e a
argamassa de colagem.
Refira-se que o edifício era composto por rés-do-chão mais sete
pisos elevados.
Verificou-se que as placas de pedra que revestiam a fachada do
edifício em estudo eram constituídas por pedra calcária de cor clara, com 2 cm de espessura e superfície rectangular de 60x40
cm2. A face exterior das placas apresentava um aspecto rugoso
(“bujardado”), enquanto que o tardoz tinha um aspecto liso. As juntas entre as placas encontravam-se abertas, não existindo
qualquer junta complementar de fraccionamento do revestimento.
Efectuaram-se sondagens para analisar a configuração do suporte,
tendo-se verificado que era constituído por paredes em alvenaria
de tijolo vazado, sobre as quais foi realizada um regularização em
argamassa, com cerca de 1 cm de espessura, seguida de reboco à
base de cimento e cal hidráulica, com 2 cm de espessura.
A fixação das placas foi efectuada por colagem, tendo sido utiliza- do o método da colagem simples, espalhando o produto de cola- gem sobre o suporte.
Não foi possível obter resultados para os ensaios de arrancamento
por tracção “in situ” uma vez que as placas de pedra se destaca- vam sistematicamente ao efectuar os cortes para obter provetes quadrados com 5 cm de lado.
O destacamento ocorreu sempre na interface entre a placa e o
cimento-cola.
CAUSAS DA PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES
Este tipo de patologia é grave atendendo ao facto de pôr em risco a segurança das pessoas que transitam na via pública.
Recomenda-se a remoção integral das pedras e a sua substitui-
ção por um novo revestimento, respeitando os princípios constru-
tivos descritos no campo “causas da patologia”.
Em alternativa poder-se-ia equacionar a realização de uma fixa- ção mecânica complementar das placas. Essa fixação deveria ser realizada através de buchas químicas, associadas a camisas metálicas e pernos roscados em aço inox (ver fotografias). Atendendo às dimensões das placas de pedra, admite-se que apenas seriam necessárias duas buchas por placa, aplicadas a uma distância de 20 cm de cada bordo.
A resistência das buchas deveria ser de, pelo menos, 1,0 kN a esforços de tracção.
O problema em questão resultou de algumas deficiências cons- trutivas, nomeadamente:
− A superfície das placas não deveria ultrapassar os 1100 cm2
(30x30), admitindo-se os 2000 cm2 (40x40) mas apenas para
pedras de porosidade superior a 5 % e em fachadas com altu-
ra máxima de 6 m em relação ao solo, o que não era o caso;
− Atendendo às dimensões das placas, a sua fixação deveria ter
sido realizada por dupla colagem, isto é, a cola deveria ser aplicada no suporte e no tardoz da placa;
− O tempo aberto do cimento-cola terá provavelmente sido ultrapassado, devido à aplicação de áreas demasiado extensas de cimento-cola e/ou à existência de condições climáticas adversas durante a aplicação (temperaturas superiores a 30ºC ou inferiores a 5ºC, humidades relativas inadequadas ou ocor- rência de ventos fortes).
A opção de não preencher as juntas de assentamento acelera o
processo de envelhecimento do produto de colagem do revesti-
mento.
PALAVRAS-CHAVE Parede Exterior, Placas de Pedra, Deficiente Aplicação, Dupla colagem, Tempo Aberto,
Cimento-cola
Parede Exterior – Deformação do Suporte
DESCOLAMENTO DO REVESTIMENTO EM “PASTILHA” CERÂMICA DA FACHADA DE UM EDIFÍCIO
DESCRIÇÃO DA PATOLOGIA SONDAGENS E MEDIDAS
O revestimento em “pastilha” cerâmica da fachada de um edifício
de habitação apresentava-se fissurado, tendo ocorrido o empo-
lamento e o descolamento pontual da “pastilha”.
A patologia ocorreu principalmente junto às zonas de maior rigidez da viga de bordadura, que se encontrava parcialmente em consola e tinha um desenvolvimento curvo.
Realizaram-se sondagens para analisar a configuração da fachada, tendo-se verificado que:
− Era constituída por parede dupla em alvenaria de tijolo vaza-
do (0,20 m+ 0,11 m), com isolamento térmico na caixa-de- ar;
− No topo das lajes foram aplicados painéis de aparas de
madeira (0,025 m);
− A parede encontrava-se apoiada numa viga de bordadura
parcialmente em consola e com um desenvolvimento curvo;
− O revestimento foi colado ao suporte com argamassa de colagem;
− Não foram executadas juntas de fraccionamento.
CAUSAS DA PATOLOGIA RECOMENDAÇÕES
O descolamento do revestimento em “pastilha” cerâmica da
fachada teve origem nos seguintes factores:
− Deformabilidade do suporte da alvenaria, nomeadamente na
excessiva deformabilidade das vigas de bordadura que supor-
tavam as alvenarias ao nível de cada piso (corpo em consola e
com desenvolvimento curvo);
− Escolha inadequada do produto de colagem. Deveriam ter sido
utilizadas colas de elevada resistência e deformabilidade, devido ao facto da fachada ter um desenvolvimento curvo;
− Heterogeneidade do suporte;
− Aplicação de painéis de aparas de madeira;
− Aderência insuficiente entre camadas do sistema de revesti-
mento;
− Inexistência de juntas de fraccionamento.
A intervenção a efectuar exige os seguintes procedimentos:
− Remoção dos painéis de aparas de madeira do topo das lajes;
− Reforço da estabilidade do suporte através da realização de tirantes passivos ou activos (corpo em consola);
− Aplicação de nova “pastilha” cerâmica, tendo em atenção os
seguintes aspectos:
· Deveria realizar-se a impermeabilização do suporte com
argamassa à base de polímeros, armada;
· As juntas deveriam ser preenchidas por um produto flexí-
vel (módulo de elasticidade < 8000 MPa);
· Deveriam ser criadas juntas de fraccionamento (> 6 mm)
e juntas em correspondência com as juntas de dilatação; O cimento-cola deveria ser criteriosamente escolhido em função
das características do revestimento e do suporte (ver quadro
seguinte).
PALAVRAS-CHAVE Parede Exterior, “Pastilha” Cerâmica, Cimento-cola, Descolamento, Deformação do Suporte
REF. BIBLIOGRÁFICAS: 30, 63, 116, 117 e 127 S ≤ 2000 (40 × 40) S ≤ 231 Plaquetas murais em terracota S ≤ 300 (15 × 15) Azulejos em terracota - C2S 2000 < S ≤ 3600 (60 × 60) Ladrilhos extrudidos ou prensados, excepto os plenamente vitrificados C2 ou C2S ALTURA DA FACHADA REVESTIMENTO H≤6 m 6 m<H≤28 m ÁREA (cm²) S ≤ 2000 (40 × 40) S ≤ 50 C2S Ladrilhos plenamente vitrificados C2S Mosaico em pasta de vidro ou porcelâmico NATUREZA Isolamento térmico Tijolo vazado Painéis de aparas de madeira “Pastilha” cerâmica
Parede Exterior – Expansão Higrotérmica
DESCOLAMENTO DO REVESTIMENTO EM “PASTILHA” CERÂMICA DA FACHADA DE UM EDIFÍCIO
DESCRIÇÃO DA PATOLOGIA SONDAGENS E MEDIDAS
O revestimento em ladrilhos cerâmicos da fachada de um edifício
apresentava-se descolado, tendo-se observado o empolamento e
o destacamento dos ladrilhos em extensas áreas da fachada, de uma forma aleatória. Verificou-se também que vários ladrilhos se encontravam delaminados nos seus topos, como se evidencia na figura seguinte.
O revestimento foi colado ao reboco com cimento-cola, não
existindo juntas verticais de assentamento entre os ladrilhos
cerâmicos.
Verificou-se após desmontagem de grandes áreas do revesti-
mento que o suporte não se encontrava fissurado.
Procedeu-se à caracterização dos ladrilhos cerâmicos aplicados,
através da realização de ensaios para determinação da “expansão
por humidade dos ladrilhos” (EN ISO 10545-10) e de “análise dilatométrica” (EN ISO 10545-8).
Foram obtidos valores de expansão máxima devida à humidade de cerca de 0,4 mm/m nos provetes ensaiados.
Para verificar a aderência ladrilho/produto de colagem, procedeu-