4.1 Criblage génétique à la recherche des gènes essentiels affectant l’homéostasie
4.1.2 Confrontation des résultats avec les gènes TLM
Definir lugar no espaço delimitado pelo turismo talvez seja mais compreensível, caso se inicie pelo conceito oposto de “não lugar”, pois, para muitos autores, o turismo hoje é considerado uma prática típica da pós modernidade geradora desta espacialidade. Nesta direção, serão utilizadas as idéias de Marc Auge (1994), contidas no livro intitulado “Não – Lugares : introdução a uma antropologia da supermodernidade”. Na obra o autor define um novo conceito reconhecido como supermodernidade, entendido como o lado oposto da pós modernidade156.
O conceito é desvendado por meio de três figuras de excesso: a superabundância factual157, a superabundância espacial158e a individualização das referências159.
Para entendê lo melhor, inicialmente, é preciso reaprender a pensar o tempo e o espaço, ou seja, aquele que é o resultado da abundância. O que é novo hoje provém da tentativa de ressignificar o mundo, de dar um sentido ao presente, senão ao passado, seria o resgate da
156 Supermodernidade é reconhecida como “o lado “cara” de uma moeda, da qual a pós modernidade só nos
apresenta o lado “coroa” o positivo de um negativo”.
157Do ponto de vista da supermodernidade, a dificuldade de pensar o tempo tem a ver com a superabundância
factual do mundo contemporâneo, não a derrocada de uma idéia de progresso há tempos em mal estado, o tema da história iminente, aparece como uma prévia àquele do sentido ou do não sentido da história, pois é da nossa exigência de compreender todo o presente que decorre a dificuldade de dar um sentido ao passado próximo. Para ele o problema maior seria que a aceleração da história corresponde a uma multiplicação de acontecimentos não previstos pelos economistas, historiadores ou sociólogos, advindo da superabundância de nossas informações e, por outro lado, as interdependências inéditas do que se chama hoje de sistema mundo. Tal situação ameaçaria suprimir todo e qualquer significado. Cada indivíduo pensa ter o emprego desse tempo sobrecarregado de acontecimentos que atravancam tanto o presente como o passado próximo. O que pode levar o homem a buscar, ainda mais, o sentido das coisas.
158A vertente, o espaço, também figura do excesso da supermodernidade. Deste excesso o autor diria que ele é
correlativo ao encolhimento do planeta. Num certo sentido, os primeiros passos no espaço reduzem o nosso a um ponto ínfimo, cujas fotos de satélite fornecem a medida exata. O mundo ao mesmo tempo se abre para as pessoas. Entrou se na era das mudanças de escala, não só o que diz respeito à conquista do espaço, mas também em terra, representado pelos meios de transportes rápidos que ligam qualquer distância no máximo em algumas horas. Além disso, hoje recebe se, nas casas, as imagens televisivas, transmitidas por satélites que oferecem visão instantânea de acontecimentos do outro lado do mundo. Entretanto, estas imagens são manipuladas e influenciam, além de exercer o poder que excede de longe a informação objetiva das quais ela é portadora. Misturam se, ainda, nas telas das televisões às imagens da informação, da publicidade e da ficção cujos objetivos não são idêntico, mas compõem um universo relativamente homogêneo em sua diversidade.
159 Esta vertente diz respeito à individualização das referências, ou seja, a figura do ego do indivíduo. Nas
sociedades ocidentais o indivíduo quer pensar um mundo para ser o seu mundo, ele interpreta por e para si mesmo as informações que lhe são transmitidas.
superabundância factual, espacial, que corresponde a uma situação que poderia ser chamada de “supermodernidade”, para dar conta de sua modalidade essencial: o excesso.
Entretanto, Augé tenta passar uma visão da complexidade que representa a dinâmica do processo e, neste sentido, introduz, baseando se na antropologia, o conceito de “ não lugar” , em oposição ao “lugar”.
Para melhor compreensão do que seja um “não lugar” ele salienta que:
“a mudança de escala (referências energéticas e imaginarias a aceleração dos meios de transporte, entre outros parâmetros) resultam em “modificações físicas, reconhecidas como as aglomerações urbanas, transferência de populações e a multiplicação de “ não lugares” , por oposição a “noção de lugar”, associada por Mauss e por toda uma tradição etnológica àquela de cultura localizada no tempo e no espaço” (...) O mundo da supermodernidade não tem a dimensão exata daquele no qual pensamos viver, pois vivemos num mundo que ainda não aprendemos a olhar. Temos que reaprender a pensar o espaço.” (...) Além do peso maior dado, hoje, à referência individual, ou se preferirem, a individualição das referências, é aos fatos de singularidade que se deveria prestar atenção: singularidade dos objetos , singularidade dos grupos, ou das pertinências, recomposição de lugares, singularidades de toda ordem, que constituem o contraponto paradoxal dos processos de relacionamento, de aceleração e de deslocalização muito rapidamente reduzidas e resumidas, às vezes, por expressões como “homogeneização –ou mundialização da cultura” (Auge, 1994: 36,37)
As reflexões até aqui empreendidas levam à seguinte indagação: como se pensar o “lugar” no mundo da supermodernidade? Seria somente aquele representado por tribos, por guetos fechados à miscigenação de cultura? Hoje, no mundo ocidental da globalização, seria quase impossível. É importante pensar o lugar expresso pela sua identidade? Mais do que isto, como se pensar o lugar relacionado com o turismo.
Augé acredita que a organização do espaço e a construção dos lugares são, no interior de um mesmo grupo social, uma das motivações e formas das práticas coletivas e individuais160. O lugar para ele seria, então, aquela construção concreta e simbólica do espaço que não poderia dar conta, sozinha, das vicissitudes e contradições da vida social. É histórico a partir do momento em que, conjugando identidade e relação, ele se define por uma estabilidade mínima.161
O lugar do turismo na supermodernidade, ou na visão do lado negativo da moeda da pós modernidade, não é relacional. Ele pode até se aproveitar da cotidianidade, da história como um
160 As coletividades (ou aquelas que as dirigem), como os indivíduos que a elas se ligam, necessitam
simultaneamente pensar a identidade e a relação. Para isto precisam simbolizar os constituintes da identidade partilhada (pelo conjunto de um grupo) da identidade particular (de determinado grupo ou determinado indivíduo em relação aos outros) e da identidade singular ( do individuo ou do grupo de indivíduos como não semelhantes a nenhum outro). (Auge, 1994)
161 As pessoas que nestes lugares vivem podem aí reconhecer marcos que não têm que ser objetos de
“pano de fundo”, uma moldura, uma motivação para atrair o turista, mas é muito mais uma representação do que propriamente a realidade do cotidiano162.
Carlos (1996:25) nos fornece visão crítica a este respeito, quando afirma que cada vez mais “o espaço é produzido por novos setores de atividade econômica, como a do turismo, e desse modo, praias, montanhas e campos163 entram no circuito da troca, apropriadas, privativamente, como áreas de lazer para quem pode fazer uso delas. O lazer na contemporaneidade muda de sentido”, pois, de atividade espontânea, busca do original como parte do cotidiano, “passa a ser cooptado pelo desenvolvimento da sociedade de consumo que tudo que toca transforma em mercadoria, tornando o homem um elemento passivo”, assim como o turista um observador alienado.
Nesta ciranda, os municípios que se organizam para receber o turista se transformam em palcos de espetáculos, causando, nos que aí vivem, um sentimento de estranhamento ao perceberem a transformação da paisagem, a visão de uma cidade que era sua e que se desfigura, fatos que dificultam a identificação com o lugar da vida.
A autora saliente que este processo demonstra que, ao vender se o espaço, produz se a não identidade e, assim, o “não lugar”, pois longe de se criar uma identidade produz se a mercadoria para ser consumida em todos os momentos da vida. Assim como Auge, as reflexões da autora, referente à indústria do turismo, confirmam que o espaço produzido para o turista perde o sentido, é o presente sem espessura, quer dizer, sem história, sem identidade, é o espaço do vazio, ou seja:
(...) ausência, não lugares. Isto porque “o lugar é, em sua essência, produção humana, visto que se reproduz na relação entre espaço e sociedade, o que significa criação, estabelecimento de uma identidade entre comunidade e lugar (...) O lugar é produto das relações humanas, entre homem e natureza, tecido por relações sociais que se realizam no plano do vivido, o que garante a construção de uma rede de significados e sentidos que são tecidos pela história e cultura civilizadora produzindo a identidade. Aí o homem se reconhece porque aí vive (...) Cada sujeito se situa num espaço real onde se reconhece ou se perde, usufrui e modifica, posto que o lugar tem usos e sentidos em si. Tem a dimensão da vida, por isso o ato de produção revela o sujeito”. (Carlos,1996:25)
162O cotidiano é entendido, segundo Heller (1992:17), da seguinte forma: “todo o homem, cada um todo, vivem
na cotidianidade e é no cotidiano que estão todos os sentido, todas as suas capacidades intelectuais, suas habilidades manipulativas, seus sentimentos, paixões, idéias, ideologias”. Ainda é no cotidiano que se dá a reprodução dos homens particulares, os quais, por sua vez, criam a possibilidade da reprodução social.
163 O turismo na sua vertente de indústria transforma tudo o que toca em artificial, cria um mundo fictício,
ilusório, onde o espaço se transforma em cenário para o espetáculo, para uma multidão amorfa mediante a criação de muitas atividades que conduzem à passividade, produzindo apenas a ilusão de evasão. Desta forma, o real é metamorfoseado, transfigurado, para seduzir e fascinar. (Carlos, 1996).
Auge se refere ao turismo como um dos agentes modificadores do espaço devido ao seu dinamismo e voracidade ao consumir os territórios. Seria, também, notório os impactos ambientais negativos, assim como descaracterização das identidades comunitárias.
Os autores demonstram que o “não lugar” não guarda referência de identidade, relação ou história. Mas, ainda assim, ao se introduzir uma nova funcionalidade no espaço, no caso o turismo, o lugar não desaparece totalmente e o “não lugar” introduzido não se consolida indefinidamente, existe sim uma relação entre os dois, pois o último depende, indiscutivelmente, do primeiro.164
É necessário salientar que não somente, os espaços de lazer criam os entraves, estes, também, são produzidos na dinâmica diária, ao se construírem estradas, viadutos, shopping center, aeroportos, rodoviárias, antenas de telefonia celular, moradias, entre outros. Quer dizer que os novos cenários preexistem, paulatinamente se introduzem e começam a fazer parte da paisagem e do cotidiano da vida dos lugares, desprendendo se das características de identidade local e criando o sentimento de estranhamento reconhecido por Carlos.
Isto significa dizer que o “não lugar” não é somente a negação do “lugar”, mas sim a construção de um espaço novo, que, ao criar uma infra estrutura em substituição, ou agregação à anterior, produz uma desterritorialização seguida por uma reterritorialização.
O que preocupa na exploração turística do espaço não é somente a mudança, mas a forma como ela aí se instala, muitas vezes por imposição externa. Acredita se que o lugar é construído por relações horizontais para o interior da comunidade, e o outro é resultado do peso vertical do poder que participa da economia global e da lógica política vigente. Neste sentido, o lugar apropriado pelo turismo pode ser reconhecido como o território que, refuncionalizado, se reterritorializa , produzindo o “não lugar”.
Tendo em vista as reflexões aqui empreendidas, entende se que, atualmente, qualquer porção do espaço não pode ser entendido sem um aprofundamento teórico da noção de território e dos aspectos políticos que ali se engendram, resultantes na territorialização do espaço. Os lugares turístificados165da supermodernidade são na realidade a expressão do poder político exercido por meio do planejamento (que copia os modelos globais), ou seja, os territórios do turismo.
Na tentativa de estabelecer relações entre o planejamento, seus instrumentos, o lugar, o território e escala regional a ser trabalhada, no próximo capítulo tentar se á analisar todos os
164 Carlos chama a atenção para o fato de que a indústria do turismo não produz apenas os não lugares. Ela
através de seus “pacotes turísticos ! que programam, controlam, vigiam o uso que se impõe sobre um espaço pleno de sentido acaba por impossibilitar que o turista viva a identidade do lugar, sua história, sua cultura. Então, o modo de vida fica banalizado, pois este sistema produz a “não relação” o “ não conhecimento”, o distanciamento dado pelo olhar orientado e vigiado que predetermina, pré concebe. Neste sentido, o turista assume postura passiva, ele se deixa levar por um programa, pelas mãos seguras de um guia.
aspectos que envolvem o recorte, assim como criticar e exemplificar os modelos utilizados para a organização dos espaços turísticos.
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O modelo de desenvolvimento praticado desde a década de 1950, no Brasil, baseava se na idéia de que o crescimento econômico e a modernização trariam como conseqüência a redução das desigualdades sociais e regionais. De fato, nos trinta anos que se seguiram, houve a emergência de uma complexa sociedade urbano industrial. Contudo o aumento dos problemas sociais urbanos e da segregação demonstram a derrota dessa concepção. (Gonçalves, 2005)
O desgaste do modelo baseado na combinação de crescimento e desigualdade, a crise do planejamento tradicional, presentes nas idéias tecnocráticas e autoritárias amplamente criticadas, conduziram a uma busca, tanto no meio acadêmico, como nos movimentos sociais e nos quadros técnicos, por atributos que dessem corpo a um padrão alternativo. Democracia, participação, descentralização e fortalecimento do poder local, competência e eficácia técnica estariam entre os parâmetros almejados e passam a ser palavras de ordem nos novos discursos e propostas que emergem.
Do mesmo modo, Haddad (1996) entende que, hoje, um outro aspecto se torna fundamental para o bom desempenho do planejamento. Será indispensável que se crie um novo estilo de sistema de planejamento, bem diferente do que prevaleceu na década de 1970. Ele deverá ser mais descentralizado, contar com maior participação privada e intensa mobilização comunitária, favorecer a introdução das novas técnicas de gestão da organização privada na administração pública, ser menos economicista e mais político institucional, incorporar os conceitos de sustentabilidade ambiental, equidade social e endógena na concepção e na implementação de suas políticas e projetos de desenvolvimento.
Mas, uma das tendências atuais diz respeito ao modelo de gestão empresarial adotada pelo Estado por imposição da globalização e a emergência do neo liberalismo. Este contexto propicia a competição internacional entre as nações e obriga as organizações privadas e públicas a se tornarem mais eficientes.166
166 A idéia da administração gerencial em substituição à burocrática só vem sendo bem sucedida no plano
cultural e institucional. Apesar de aprovada pelo congresso, não teve a força necessária para a sua implementação. O que não quer dizer que as idéias gerenciais não estejam avançando a passos lentos, pois mesmo enfrentando resistência a mudanças e o corporativismo dos velhos burocratas, os interesses eleitorais dos políticos, o interesse dos capitalistas em obter benéficos do Estado, elas ultrapassaram as fronteiras do Brasil e
Outra tendência que se verifica como reflexo de um novo modo de pensar a gestão do território seria a maior participação da sociedade civil nas decisões estatais, questão esta muito discutida dentro das teorias de planejamento e que consubstanciou a concepção de “Desenvolvimento Local”, ou endógeno, e no planejamento turístico , “Turismo como Base Local”, “Turismo Incersivo”.
Assistiu se, nos anos 1980, os processos participativos ganhando vulto, e o tema de participação da comunidade no planejamento começar a se destacar nos debates oficiais167. Esta década constituiu momento de questionamento das práticas de gestão e de construção de um novo ideário de políticas públicas no Brasil. A Constituição Federal promulgada em 1988 veio facilitar a descentralização da receita tributária nacional e incorpora, de forma limitada, os princípios que apontam para mudanças no quadro jurídico brasileiro. Ela incentiva uma nova relação entre o Estado e a sociedade, valoriza a cidadania e redefine a relação entre a atividade produtiva, o meio ambiente e a preservação do patrimônio. (Feldman, 2003)
Dentre as experiências em curso no país constatou se alguns aspectos relevantes, ou seja,: governos mais voltados para os interesses da maioria da população ( manifesto nas preocupações sociais dos projetos); surgimento de esferas públicas não estatais, de formas diversas, que procuram romper a prática clientelista por meio da condição de participação nos processos de planejamento; rompimento das barreiras burocráticas e administrativas, na medida em que os projetos se caracterizam pela interface setorial e governamental.168
No Brasil, nos anos de 1990, a política de planejamento compartilhado induziu à proliferação de conselhos, câmaras, agências, fóruns. Entretanto, acredita se que é necessário uma avaliação consistente para que se entenda quais são as atribuições de cada uma destas instâncias, como elas se articulam, quais suas contradições, qual seria o limite de atuação destas em relação ao poder público, quais são os projetos resultantes desta experiência e quais os interesses privilegiados.169 Feldman (2003)
estendem se pela América Latina a partir da aprovação pelo CLAD (Conselho Latino Americano de Administração para o desenvolvimento) do documento “ Uma nova gestão pública para a América Latina” .
167Foi o planejamento voltado ao espaço urbano que, inicialmente, adota a prática participativa. Isto, em razão
de um movimento nacional pela reforma urbana que conseguiu incorporar suas reivindicações na Constituição de 1988.
168Desta forma, exigem a renovação de políticas e estratégias de atuação de órgãos dos vários níveis de governo
e questionam o tratamento setorializado das políticas públicas, que caracterizam a administração pública no Brasil.
169Feldman (2003) afirma que a tendência observada seria a gestão do desenvolvimento econômico e a gestão do
desenvolvimento físico, intrinsecamente indissociáveis, tratados em campos separados. Vêm sendo criadas instâncias responsáveis pelo desenvolvimento econômico que dialogam muito pouco com os órgãos municipais. Sendo que a primeira seria muito melhor articulada do que a segunda
No que diz respeito às representações, nos assuntos referentes ao setor de turismo, tentar se á mostrar que estas instâncias, na maioria das vezes, não conseguiram privilegiar os interesses da maioria, mas sim provocar conflitos, fragmentações e exclusão.
Sabe se que a Constituição delegou ao poder local o controle do uso do solo, decisões sobre projetos importantes no âmbito estadual e nacional, a Política Nacional de Turismo delegou o poder de planejamento territorial ao município, porém, tais ações depararam com municípios completamente despreparados, tanto financeira como tecnicamente para exercer tal poder. Despreparados, também, para concorrência resultante da reconfiguração da economia e da geopolítica mundial que induz à redistribuição das atividades produtivas e ao surgimento de novas hierarquias urbanas e territoriais. Incapazes, então, de agregarem as vantagens competitivas necessárias para manter relacionamento com o circuito global.
Estas observações podem ser adotadas quanto ao planejamento do turismo, que, ao tentar incluir a participação das comunidades locais, ou seja, na base onde o turismo acontece, não conseguiu alcançar os objetivos propostos de inclusão, pois, ao querer utilizar metodologias participativas e importadas de países mais desenvolvidos, encontrou comunidades totalmente apáticas, desinformadas e despreparadas tecnicamente para contribuir com o planejamento local do turismo. Mesmo com a implementação do PNMT, que vislumbrava treinar e capacitar as comunidades locais para exercer tal tarefa, não se obteve o resultado esperado170.
Em contrapartida ao local, o cenário mundial caracteriza se pela crescente competitividade entre as cidades e maior influência do setor privado. Observam se transformações no planejamento em razão da pressão de forças internacionais, nacionais e locais. 171. Predominam políticas voltadas para o mercado, embora haja variedade de estratégias de planejamento, tendo como causa as diferenças entre estruturas legais e administrativas, as diferenças entre políticas nacionais e locais, além de correlação de forças entre grupos de interesses.
Neste sentido não só o contexto mundial, mas, também, o nacional obriga que as cidades passem a ser vistas como plataformas produtivas e vetores econômicos e pensadas a partir da reprodução de vantagens competitivas e das estratégias de desenvolvimento local capazes de assegurar lhes uma posição de destaque no espaço da competição interurbana. Esta postura está diretamente ligada à relação do global com o local que levam as localidades a adotarem políticas e práticas que as possibilitem inserirem se no mundo globalizado. (Gonçalves, 2005).
Assim como o autor referido, percebe se que a visão de mundo imposta reveste se de uma racionalização econômica e a lógica do mercado passa a dominar as idéias e permear os novos
170A elaboração dos planos participativos de desenvolvimento do turismo nos 1500 municípios considerados de
potencial turístico no Brasil.