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Confrontation des dépenses et des recettes pour la construction d'un plan mensuel

Dans le document Agence pour la création d entreprises (Page 35-46)

EXCÉDENT

Année 1 Année 2 Année 3 Ventes de marchandises

2) Confrontation des dépenses et des recettes pour la construction d'un plan mensuel

Estudar a mídia é estar em um amplo espectro de relacionamentos com outros discursos. Como mencionado no capítulo anterior, Charaudeau (2005) afirma ser a mídia inerentemente contraditória por situar-se entre a sua independência e a necessidade de fontes de informação advindas de vários lugares. A mídia é, segundo o autor (2005), aquilo que regulamenta a circulação da informação e o meio pelo qual se permite a criação de opiniões. Há efetivamente um relacionamento entre a mídia e seu público leitor, como também há uma relação da própria mídia com seus meios técnicos e ideológicos. A esse conjunto de relações dá-se o nome de valor.

Golding e Eliot (2009) analisam, em um primeiro momento, o que é chamado de valor das notícias. Segundo os autores, o conceito de valor pode ser usado de duas formas distintas: uma, referindo-se à seleção do material, dentro de um conjunto disponível, que se transformará em produto final; a outra, que se relaciona às ênfases, às omissões e às prioridades na preparação das notícias.

Os autores (2009) afirmam que há pressupostos implícitos na atribuição de valor à notícia. Em primeiro lugar, há o pressuposto do público, cujo fundamento é a notícia ser interessante, relevante e entendida. Em segundo, o da acessibilidade, pois

a notícia deve ter proeminência e facilidade de cobertura. Por último, o pressuposto da adaptação da notícia às rotinas pragmáticas de produção. Em resumo, os autores atribuem o valor da mídia em consonância com o público e com os meios jornalísticos. Golding e Elliott (2009) atribuem ao jornalismo os mesmos valores das histórias. Histórias jornalísticas são ao mesmo tempo histórias e notícias. As boas histórias possuem raízes nas estruturas narrativas do drama humano: têm começo, meio e fim e provocam, nas palavras de Reuven Frank, ex-presidente da NBC, alegria, tristeza, choque e medo.

Pensando em jornalismo como uma narrativa, a estrutura dramática, segundo Golding e Elliott (2009) é alcançada por meio da apresentação de um conflito, normalmente opondo pontos de vista e cobertura pelos jornalistas dos dois lados da questão. Sendo assim, o público, a quem é apresentado um interessante confronto de pontos de vista, tem a impressão de estar em contato com toda a história.

Além da estrutura dramática, não podemos esquecer que a história possui o caráter de entretenimento. Como entretenimento, a notícia serve, segundo os autores, ao prazer do público, que não procura apenas aquilo que é feliz. O interesse humano se manifesta também no bizarro, nas tragédias, na guerra e no frívolo. Esse ponto é crucial para o entendimento de que o jornalismo se estabelece entre seu papel de informar e o desejo público de diversão. Os autores enxergam o entretenimento, amplamente compreendido, como a prioridade do jornalismo, sendo ele mesmo um objetivo ou um meio de alcançar outras ideias.

Na produção da noticia, três fatores são essenciais. Primeiramente, a importância do que é publicado, uma vez que, de acordo com os autores (2009), ela se baseia no interesse do maior número de pessoas, levando ao público aquilo que as pessoas querem e precisam saber. Nesse sentido, Golding e Elliot (2009) ressaltam que o papel social do jornalismo é ser uma espécie de tribuna do povo, valoração que também pode ser estendida à notícia já que o tamanho e a frequência dela seguem o mesmo critério de importância e relevância.

Em segundo lugar, Golding e Elliott (2009) explicam que a importância do que é publicado deriva também do publico e do critério de acessibilidade, conforme anteriormente citado. Sendo assim, o evento, não necessariamente uma história doméstica, é partilhado entre a experiência do jornalista e a do leitor, constituindo, portanto, um universo cultural compartilhado, e não apenas geográfico.

Notícias carregadas de fatos tendem a ser mais breves e, assim, mais relacionadas ao papel mais informativo e menos explicativo do jornalismo.

Quanto à seleção, Golding e Elliott (2009) afirmam que as notícias estão relacionadas a rupturas no curso normal dos eventos, por isso o caráter negativo delas. Dessa forma, a mídia torna-se uma espécie de vigilância social que aponta rupturas no sistema seja político, seja econômico, seja ainda social.

A questão do valor está também relacionada a outro aspecto: a personalização, uma vez que as notícias tendem a ser sobre indivíduos. Visando a mais compreensão, os processos complexos usados nas notícias são substituídos por processos mais simples, como a substituição de instituições ou países por indivíduos. Ao colocar o foco no indivíduo, a ação torna-se mais concreta, e não abstrata como seria no caso de uma instituição.

Os autores ainda analisam questões, como tendência, objetividade e ideologia. Eles apontam que a tendência está muito mais próxima do grupo do que do indivíduo. Já a imparcialidade e a objetividade também são vistas de formas diferentes: a imparcialidade está associada a uma seleção de material sem privilegiar um ponto de vista ou opinião; a objetividade está em um patamar acima por relacionar- se a limitações inerentes ao processo. Essa visão leva à possível conclusão de que a imparcialidade existe, mas a objetividade é intangível. Outra visão, como a defendida por Carmagnani (1996), coloca os dois conceitos como impossíveis no jornalismo.

Com relação à questão ideológica, Golding e Elliot (2009) afirmam que o noticiário é ideológico em três perspectivas diferentes. Numa perspectiva, a notícia foca em instituições que são palcos políticos onde conflitos sociais são administrados e resolvidos. Outra perspectiva ideológica se revela na demanda da notícia por imparcialidade e neutralidade, qualidades que se aproximem da noção do senso comum, e isso é ideológico. A terceira, e última, perspectiva ideológica está no fato de a mídia mostrar um mundo fixo e estático nas notícias. Isso se dá, porque histórica e institucionalmente a mídia falha ao fornecer ou mostrar processos de mudanças sociais devido, principalmente, à sua preocupação com o presente.

Uma questão presente nos estudos da mídia é aquela que faz um fato virar notícia. Há infinitos acontecimentos no mundo que nos cerca, alguns dos quais viram notícias e outros, não. Uns se tornam tópicos de discussão nos jornais, nas televisões e nas mídias sociais; outros são completamente ignorados e não se tornam públicos. O fato em si não determina o estatuto de notícia, pois a característica de uma notícia

não está no acontecimento, mas sim fora dele. Golding e Elliot (2009) afirmam que notícias não são notícias por elas mesmas, isto é, não há uma propriedade intrínseca no fato que o faz notícia. Toda seleção é um movimento complexo que obedece a um conjunto de categorias socialmente construídas. Em todo momento, bilhões de eventos acontecem no mundo, e todos eles são notícias em potencial, mas poucos se tornam notícias. Tudo é uma questão de seleção.

Uma das primeiras evidências de que há seleção nas notícias é que os jornais estão vinculados a um tipo de público e de região. O valor informativo começa a estruturar o processo a partir da definição do que é notícia para um grupo de profissionais.

Outro aspecto relevante, segundo os autores (2009), é a construção da estória midiática. Ela envolve como um fato é apresentado para seu suposto público, pois todo evento só faz sentido se localizado dentro de um campo de identificações conhecidas e construídas socialmente.

As notícias são selecionadas, porque representam, como afirmamos anteriormente, uma imprevisibilidade e um conflito em certa natureza do mundo. Trazer um evento para uma realidade significa encaixá-lo em um mapa de sentidos conceituais de uma determinada cultura, processo esse que torna o evento inteligível.

O processo de significação social que a mídia produz e reproduz, segundo os autores (2009), é um construto social, como um “consenso”. Ao falar sobre cultura, observamos a crença, cada vez mais difundida e altamente ideológica, de que ela permeia uma ideia de sociedade, ou seja, ao pertencer à mesma cultura os indivíduos são parte da mesma sociedade. Nesse mundo, só existiria uma perspectiva dos eventos, aquela que condiz com os valores centrais da cultura e do interesse comum. Assim como a lei, que a todos protege igualmente, a mídia parece assumir a posição de mediadora cultural. Fatos e notícias são interpretados em uma estrutura que deriva dessa noção consensual.

Segundo Hall (2009), a mídia representa a fonte primária, e muitas vezes a única, de muitos eventos importantes. Por tratar daquilo que é novo e inesperado, ela lida com uma realidade problemática que abala a ordem e a rotina. Exatamente por estar fora da estrutura, esse abalo pode ser considerado de difícil compreensão, quando assume, então, a função de transformar o fato em algo inteligível. Isso dá ao leitor um poderoso instrumento, claramente orientado, de como o fato deve ser interpretado.

Mas, ainda conforme Hall (2009), existem fontes primárias e secundárias que definem as notícias. Em primeiro lugar, a mídia não está sozinha na atribuição de valores interpretativos, pois, não criando autonomamente as notícias, ela é estimulada por fontes (instituições) regulares e confiáveis. Em seguida, porque objetiva imparcialidade, objetividade e balanço nas informações, jornalistas buscam fontes delimitadas ideologicamente por suas instituições.

Na pressão e urgência de produzir notícias, a mídia tende a reproduzir fiel e “imparcialmente" as estruturas institucionais de poder. O resultado dessa tendência é a criação das fontes primárias, nos termos de Hall “definidores primários”, responsáveis pela interpretação primária dos fatos e dos eventos, chamados de

estrutura inferencial. Outro ponto ressaltado pelo autor é que o debate de um tópico

por várias instâncias é uma forma de dramatizar um evento para garantir seu valor de notícia.

Para Hall (2009), a mídia não é a única fonte em todo esse processo. A mídia não cria, em si mesma, as notícias por não ser o definidor primário das notícias. Ela se liga a fontes diversas, normalmente dominantes, e consequentemente transmite suas ideologias. Podemos dizer que por causa de sua relação estrutural com o poder, ocupa um lugar de reprodutor, desempenhando então um papel secundário.

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