Chapitre IV Présentation de l’application
IV.6. Serveur SMS
IV.6.2. Configuration du module GSM
Os lingüistas não têm uma opinião unânime a respeito da origem do crioulo guineense. Antony Naro em “A Study on the origem of pidginization” 1978) apresenta uma afirmação bastante ousada quanto à pidginização: “no
pidginization developed in Africa as a result of the first trade contacts”
(ibidem, p.333). Para Naro, a formação se deu na Europa e, depois de formado, o pidgin foi levado à África.
“…é razoável concluir que a base para o pidgin português usado na África ao longo dos séculos X VI e XVII (o prim eiro a ser crioulizado) tinha sido substancialm ente, se não com pletam ente, form ada na Europa antes de se tornar corrente na África.”
(Naro,1978, p.334) Naro reconhece nos lançados e nos primeiros cativos a responsabilidade pela origem dos crioulos portugueses. Depois de ter suas bases estabelecidas na Europa, o pidgin foi levado à África pelos próprios africanos que retornavam à terra e também com os lançados. A captura e o ensinamento de cativos na costa africana era parte da política expansionista de Dom Henrique, que previa a utilização dos negros como seus futuros intérpretes na África. A visão de Naro, tem no pensamento europeizado sua idéia principal, pois, para o autor, qualquer contato lingüístico direto entre africanos e europeus “ocorreu somente na Europa, quando os africanos falavam alguma versão do português” (ibidem, p. 320). Naro baseia-se na teoria monogenética de formação dos crioulos, pois, conforme diz a monogênese, as semelhanças dos crioulos se explicam pela política lingüística do Dom Henrique, uma vez que foram os portugueses que ultrapassaram o Bojador e o Cabo Não e os primeiros a chegar à Costa da África. Naro elimina a expansão através dos mercadores portugueses itinerantes pelo fato de estes comerciantes utilizarem-se de intérpretes para a comunicação com os africanos durante as negociações. Mas aqueles que estabeleceram família e moradia na África têm sua parcela de difusão. A partir de 1508, quando da chegada de muitos lançados na Costa da Guiné, estes utilizavam cotidianamente a “linguagem de reconhecimento” que haviam aprendido na Europa como um “código adquirido de forma similar à telegrafia ou a sotaques estrangeiros” (ibidem) com os africanos. Naro
propôs em seu artigo “chamar esse sistema de Linguagem de
Reconhecimento” (ibidem, p. 320).
A hipótese de Naro tem sido objeto de contestação por parte de crioulistas. Morris Goodman (1987 e 1988), em “Jornal of Pidgin and Creole
Language”, por Rougé (1986) e Couto (1996):
“em prol de Naro deve ser dito que ele fez um a pesquisa intensa em arquivos de Portugal e alhures, o que justif ica a larga divulgação que seu trabalho teve em todo o m undo , no entanto, no que concerne ao lócus de f orm ação dessa linguagem , ele está com pletam ente errado.” Couto (1996, p. 193) Para Rougé, não se pode imaginar que homens rudes como eram os lançados freqüentassem as escolas da política de Dom Henrique para se prepararem profissionalmente antes de se “lançarem” nas novas terras.
António Carreira, em “O crioulo de Cabo Verde: surto e expansão” tem seu ponto de referência no período negro do comércio escravagista e na relação de formação social e lingüística entre Cabo Verde e Guiné-Bissau através de suas história. Para Carreira, a formação do crioulo se deu nas ilhas de Cabo-Verde tendo sido este transportado à Guiné por caboverdeanos. Por esta razão é chamado de “Hipótese Insular”. Seus argumentos são sustentados pela história conjunta de ambos os países. Conforme foi dito acima, as relações entre Guiné e Cabo-Verde começaram no séc. XV – após o “achamento”. O caboverdeano de hoje é o resultado da história da colonização, que tem nos negros guineenses capturados como escravos sua base principal de formação e no europeu a outra parte. A história política e administrativa de ambos ocorreu de forma conjunta, oficialmente, até o ano de 1879. Até mesmo o movimento de independência dos dois países se deu em um mesmo contexto, sob um mesmo idealismo, tendo o PAICG (Partido Africano para Independência da Guiné e Cabo Verde) como o responsável. As ilhas foram colonizadas pelo sistema de capitanias hereditárias e se encontravam inabitadas até a colonização. Esta, por sua vez, ocorreu mediante a posse dos donatários portugueses e a massa de guineenses oriundas de etnias diferentes para a escravidão. Para Carreira, o crioulo
“... corresponde à língua de com unicação verbal, baseada no português de Quinhentos, nascida no
arquipélago: e posteriorm ente levada para as Praças e
Presídios dos ‘rios da Guiné’ pelos m estiços, filhos de hom ens brancos e de m ulheres pretas (escravas ou livres) (Carreira,1983, p. 65 – negritos nossos) Com o comércio de escravos consolidado e este tendo as ilhas como “entreposto” do trafico, um fato chama atenção pela relevância argumentativa da Hipótese Insular, é a chamada “ladinização”, uma vez que “era toda uma acção educadora e de catequese necessária á ladinização;. E
isso só se considerava acabado quando eles se fizessem compreender através de um Pidgin baseado na língua portuguesa da época...” (ibidem,
p.51).
A expansão começou a partir do final do séc. XVIII com o começo de um período de fome e decadência deflagrado por longos períodos de secas e a proibição do comércio (oficial) de escravos. Para fugir da fome, que no ano de 1850 vitimou mais de 30 mil pessoas ou mesmo na busca de emprego, os caboverdeanos iniciam uma época de emigração para a Guiné, levando consigo sua língua. Os emigrantes letrados passaram a ocupar cargos públicos e administrativos, ingressando assim nas funções estatais. Outros se firmaram no comércio. É claro que a idéia da Hipótese Insular, vai ao encontro do pensamento dos portugueses, que davam ao arquipélago maior importância dado o seu fomento econômico e comercial em relação aos rios da Guiné, uma vez que nas ilhas aconteciam as grandes negociações comerciais. Os rios eram, em sua maioria, apenas os fornecedores das “mercadorias”.
Couto contesta a hipótese Insular mediante a falta de “dado concreto” que a corrobore. Em que condições o presumível crioulo caboverdiano se teria transportado para a Guiné?” (Couto, 1994 p. 31). Seu posicionamento em relação à origem do crioulo também está baseado na historicidade. Couto acredita que a gênese se deu simultaneamente nos dois países. Este pensamento ficou conhecido na literatura como a Hipótese da Ambigeneidade. Jean Louis Rougé (1986) já a mencionara, embora, para Rougé, “saber se o crioulo do Cabo Verde está na origem do crioulo da
Guiné-Bissau ou se o crioulo da Guiné-Bissau está na origem do de Cabo Verde” (Rougé, 1986, p.37) não é uma questão de extrema relevância do
ponto de vista científico. Segundo Couto, a relação mútua de tráfego de pessoas entre a Guiné e o arquipélago percorreu a história dos dois países. Outro fato importante para se refutar a Hipótese Insular é que, embora tenha desfrutado do privilégio de sediar a administração, este fato não torna o arquipélago importante o “suficiente para comprovar a hipótese de que o
crioulo formado nas ilhas teria se transplantado para o continente” (Couto,
1994, p. 32).