As questões 3 e 4, aplicadas no questionário da presente pesquisa, indagam os participantes sobre: Como a disciplina de Ensino Religioso deveria ser desenvolvida nas escolas e qual seria a contribuição da referida disciplina na formação do ser humano?
Gráfico 10 – A visão dos participantes sobre como o ER deveria ser desenvolvido (questão 3)
Fonte: KOLTERMANN (2013).
O Gráfico 10 demonstra a opinião dos entrevistados sobre como o ER deveria ser desenvolvido nas escolas. A ideia de que a disciplina deveria ser trabalhada de forma criativa, com técnicas e assuntos diversos para envolver os educandos, na visão dos alunos, ficou em 35,20%, e para os pais e/ou responsáveis este item alcançou 21,20% dos entrevistados. A ilustração do Aluno “F” demonstra, na Figura 1, como era desenvolvida a disciplina nos anos anteriores, reportando-se a uma aula de 2009, quando a atividade posta aos alunos era: “1 – Leitura da Bíblia; 2 – Formar grupos e falar sobre a leitura; 3 – dinâmica; 4 – apresentação das ideias”. Nesta aula fica explícita a maneira tradicional de “dar aula”, quando a professora é a transmissora do conhecimento e o aluno, na sua mesa, recebe as informações. Mesmo oportunizando espaço para que o aluno exponha as ideias, estas ficam restritas à leitura realizada, focando exclusivamente uma visão sobre Religião. Na Figura 2 o aluno demonstra como está sendo a prática da aula atualmente. A partir dos trabalhos pesquisados percebe-se que os educandos são os protagonistas, ficam em primeiro plano, e a professora, um pouco mais afastada, observa para, após, fazer as intermediações, se
0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00%
Disciplina voltada aos ensinamentos de Deus
Disciplina que fornece informações sobre a história das religiões
Disciplina que ajuda no desenvolvimento de valores
Deveria ser trabalhado como catequese Deveria ser trabalho com técnicas e
assuntos diversos 14,30% 19,80% 21,40% 9,30% 35,20% 28,20% 10% 24,40% 16,20% 21,20% Pais/Responsáveis Alunos
necessário. Na Figura 3, assim como na 2, o aluno demonstra que se pode trabalhar a questão da Fé e de Deus sob vários enfoques, como indicam as setas em diferentes posições. No momento em que propõe como alternativa de atividade “passeios e visitas de estudos”, sugere que as aulas de ER possibilitem ao aluno um novo olhar para outras culturas, outros conceitos e escolhas de vida, oportunizando a reflexão sobre uma única visão de mundo considerada verdadeira, posta aos alunos, como demonstra a Figura 1. Mediante as mensagens implícitas nas Figuras, percebemos que o jovem atual é observador, reflexivo, não quer ser somente um sujeito passivo à espera que lhe ofereçam o conhecimento; ele é atuante, ativo, perspicaz, sabe expor sua opinião e buscar ferramentas que auxiliem na construção do conhecimento, “na medida em que não é transferência de saber, mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados” (FREIRE, 2001, p. 65).
Aluno “F” – Figura 1
Aluno “F” – Figura 3
Fonte: KOLTERMANN (2013).
A concepção de que o ER deveria ser trabalhado como catequese é baixa. Somente 9,30% dos alunos e 16,20% do segmento pais e/ou responsáveis opinaram. Na Figura 1 o Aluno “G” expressa o desânimo do estudante em aula ao perceber, como afirma no desenho, que “Os ensinamentos da profe não são os que aprendi na igreja” e, na definição exposta no quadro sobre a disciplina, “Aula de Religião”. O desenho ainda sugere que a atividade será sobre a Bíblia, mas que estes ensinamentos não estão de acordo com a sua crença religiosa. Na Figura 2 o aluno expõe novamente o seu desânimo dizendo: “Agora nem Religião ensinam, são valores, então por que não trocam o nome?”, ao se deparar com uma aula voltada à ética, moral, valores e à Bíblia. Na visão do aluno a aula de ER primeiramente era praticada como catequese, ao retratar a aula como sendo “de Religião”, mas mesmo assim não contemplava a sua visão de Religião, sua crença, e sim a visão cristã vista como única e verdadeira, desprezando a formação familiar do aluno. Mesmo a aula deixando de ser catequética e passando a trabalhar voltada aos valores, a formação do sujeito também não contempla o querer do aluno, uma vez que este gostaria de ter em sala a continuidade dos ensinamentos recebidos na sua igreja. Na sequência de desenhos do Aluno “A” percebe-se também a vontade e a aceitação da aula como catequese, mas este aceita por ser a aula voltada aos ensinamentos da sua crença religiosa.
Aluno “G” – Figura 1
Aluno “G” – Figura 2
Fonte: KOLTERMANN (2013).
Na ideia de que o Ensino Religioso deve ser trabalhado informando a história e a cultura das diferentes religiões, 19,80% dos alunos e 10% dos pais e/ou responsáveis pensam dessa forma. Essa visão está ampliando, como podemos observar na sequência de Figuras do aluno “H”. Na Figura 1 o educando expõe que o ER era trabalhado a partir de “Fatos Bíblicos”, e atualmente está sendo trabalhado com a questão da “Religião e Sociedade” como mostra a Figura 2, e na Figura 3 demonstra como gostaria que fosse trabalhado – “Comparando fatos religiosos com fatos sociais, no ponto de vista das religiões”. O jovem atual quer fazer parte do mundo global, quer se sentir sujeito participante, integrado, entender as diferentes culturas, a visão de cada uma delas ante os acontecimentos sociais, políticos e religiosos; não aceita mais a rigidez, o formalismo e a passividade da aula tradicional.
Aluno “H” – Figura 1
Aluno “H” – Figura 2
Aluno “H” – Figura 3
A concepção de que a disciplina deva trabalhar a partir dos ensinamentos de Deus para os alunos é de 14,30%, e para os pais e/ou responsáveis é de 28,20%. O Aluno “A”, nos desenhos 1 e 3, demonstra que a aula de ER pode ou deve ser voltada aos ensinamentos de Deus e ao estudo da Bíblia, sugerindo até mesmo uma aula em forma de catequese, mesmo salientando, na Figura 2, que atualmente a aula seja voltada aos valores.
Sobre a concepção de que a disciplina deva ser trabalhada como forma de desenvolver valores, a pesquisa mostra um maior equilíbrio entre a opinião dos participantes; 21,40% dos alunos e 24,40% dos pais e/ou responsáveis pensam dessa forma, como mostra a sequência dos desenhos do Aluno “I”, representando a aula de ER como uma construção de valores com a intervenção direta do próprio aluno e do coletivo da turma, a partir de temas da atualidade e/ou definidos pela turma. A Figura 1 demonstra o uso da Bíblia, mas também o trabalho sobre “Valores Humanos”, fazendo uma relação entre ambos. Na Figura 2 a atividade em aula solicita: “Trabalho coletivo ou em grupo visando a união entre as pessoas”. Na Figura 3, o aluno sugere a aula com “aprofundamento da pesquisa” usando a tecnologia como aliada do trabalho em aula, possibilitando o acesso às informações do mundo, tornando os conteúdos mais atrativos, atualizados, ressaltando novamente a busca e a construção pelo próprio aluno do conhecimento. Em relação ao ER, o uso da tecnologia oportuniza aos alunos buscar novos elementos para entender as Tradições Religiosas, suas festas, ritos, espaços sagrados e os princípios e tradições das diferentes culturas.
Aluno “I” – Figura 2
Aluno “I” – Figura 3
Gráfico 11 – A contribuição do Ensino Religioso na formação humana na visão dos participantes da pesquisa (Questão 4)
Fonte: KOLTERMANN (2013).
O Gráfico 11 demonstra a opinião dos participantes quanto à contribuição da disciplina ER na formação humana. A concepção de que a disciplina auxilia o fortalecimento da fé para os alunos é de 18,80% e para os pais e/ou responsáveis é de 28,60%.
A visão de que a disciplina favorece o entendimento sobre a história das religiões ainda é pequeno, posto que 12,90% dos alunos e somente 5,90% dos pais e/ou responsáveis entendem dessa forma.
A concepção de que o ER favorece a formação de valores foi citada por 66,80% dos alunos e 57,20% dos pais e/ou responsáveis. Os alunos confirmam essa opção conforme percebemos nos desenhos dos alunos: “B” por meio da Figura 3, demonstrando que o ER poderia ser trabalhado também sob a ótica dos valores, e na sequência de desenhos do aluno “E”, quando demonstra o ER como uma construção de valores para a formação humana.
A visão de que o ER favorece na formação como catequese é menor, e somente 1,50% dos alunos e 8,30% dos pais e/ou responsáveis opinaram dessa forma. Nessa visão também existe uma divisão de ideias, pois alguns (poucos) alunos concordam com 0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00% 50,00% 60,00% 70,00% Fortalece a fé do ser humano Favorece ao ser humano conhecer a história das religiões Favorece a formação de valores Favorece a formação da catequese 18,80% 12,90% 66,80% 1,50% 28,60% 5,90% 57,20% 8,30% Alunos Pais/Responsáveis
a aula em forma de catequese, mas quando esta está voltada aos ensinamentos da sua crença religiosa, desconsiderando o outro aluno que possui crença diferente à pregada em sala de aula, como confirmam os desenhos dos alunos “A” e “G”.