A Revolução Industrial trouxe novas tecnologias para a inovação dos meios de produção e, ao mesmo tempo, ocasionou uma maciça exploração dos recursos minerais. Além disso, propiciou o progresso do modo de produção que, de início era artesanal, seguido pela etapa da manufatura até chegar na maquinofatura.
Nesse processo, ocorreu também a grande expansão do capitalismo que permitiu o desenvolvimento das corporações transnacionais, ampliando o programa de ações que visa controlar a matéria-prima e o mercado consumidor em escala mundial. A evolução das técnicas e os processos históricos modificaram profundamente as relações econômicas, políticas e sociais da sociedade.
O processo de industrialização mundial consistiu em três etapas que foram: a primeira Revolução Industrial, que surge na Inglaterra no século XVIII e se estende até o século XX, período marcado pela utilização de técnicas rudimentares de produção, com destaque para o setor têxtil, caracterizado pelo surgimento da máquina a vapor, tendo o carvão como principal gerador de energia, força de trabalho sem especialização, nem qualificação.
A segunda Revolução Industrial é marcada pelo surgimento da maquinofatura, no começo do século XX e se estende até meados da década de 1970, conhecido como Período Fordista, esse período visava à aceleração do modelo produtivo baseado numa produção em sequência e em larga escala para aceleração dos lucros, com destaque para os Estados Unidos da América que a partir desse momento surge como grande potencial econômica para o mundo. O
setor produtivo predominante nessa etapa foi o automobilismo, tendo como matéria-prima o petróleo e seus derivados.
A terceira Revolução Industrial é caracterizada pela presença forte de indústrias, surgiu mais, especificamente, na década de 1970, com a evolução e inovação da informática, avanços nas ciências e nas biotecnologias.
Dessa maneira, podemos afirmar que as etapas do processo de revolução da industrialização foram fundamentais para o surgimento e evolução das técnicas, proporcionando avanços no modo de produção, assim como bem assegura Marx (1985, p.482) “Na manufatura e no artesanato, o trabalhador utiliza a ferramenta; na fábrica, ele é um servo da máquina”, consequentemente, esses avanços geraram na sociedade, de modo geral, impactos como o aumento de desempregados em todo o mundo, uma vez que as tecnologias substituíram a mão de obra.
A industrialização desencadeia um modelo de produtividade e afirmação do meio de produção do capital, incentivando uma constante urbanização e o crescimento demográfico na região em que ocorre, sendo assim, responsável pelo grande aumento na divisão de trabalho, grandes avanços em produtividade industrial e agrícola e crescimento rápido da renda per capita, da classe média e do padrão de consumo.
O processo de industrialização consiste em um período onde houve a sistematização dos serviços, havendo a substituição das técnicas rudimentares de produção, pela manufatura e, subsequentemente, pela maquinofatura. Inicialmente esse processo ocorreu em alguns países isolados, sobretudo, em países europeus, acarretando um aumento significativo na produtividade e, ao mesmo tempo, a população passou a ter acesso a esses produtos aumentando o poder de compra e consequentemente a demanda. Segundo Vesertini (2008, p.50):
O processo de industrialização de uma nação representa um avanço singular no que diz respeito ao seu povo. Trata-se de um complexo processo onde há o desenvolvimento da atividade fabril baseada na relação de trabalho assalariado que passa a ativar como leme da economia e apura as relações capitalistas entre burguesia e proletariado, consistindo assim o capitalismo pleno ou industrial [...].
Dessa forma, entendemos que o capitalismo como modo de produção representa uma nova estruturação das atividades industriais, isso também ocasionou avanços no âmbito social, pois segundo Moreira (1979) a Revolução Industrial consistiu numa revolução social manifestada por transformações profundas na estrutura institucional, cultural, política e social. Assim, pode-se dizer que do ponto de vista econômico, suas características são fundamentadas no desenvolvimento e utilização de um tipo de bens que produz outros bens, ou seja, no incremento e emprego da técnica na aplicação dos princípios científicos e das atividades econômicas.
Como principal peça do setor econômico secundário, a industrialização dispõe de recursos próprios para a transformação da matéria-prima com mão de obra especializada, inicialmente abordando o trabalho braçal (Primeira Revolução Industrial), e posteriormente aderindo à mecanização que substitui o ser humano em algumas funções, contudo, a indústria ainda continua gerando emprego.
Outro ponto importante na Revolução Industrial foi o crescimento demográfico desordenado, uma forte urbanização, em consequência do êxodo rural, onde há transição de modo de vida econômica embasada na produção agrícola, substituída por um modo de vida fundamentado na indústria, isso desencadeou um crescimento desenfreado nas cidades. “Quanto mais intensa é a divisão do trabalho numa área, tanto mais cidades surgem e tanto mais diferentes são umas das outras” (SANTOS, 1998, p.52).
Esse crescimento ocasionou transformações tanto no aspecto físico quanto na estrutura social, a cidade deixa a produção artesanal e passa para a predominância da produção industrial, acarretando várias mudanças estruturais no papel das mesmas. Encorparam as cidades, um novo ritmo de produção, com o fortalecimento das relações entre os lugares, e a ampliação da capacidade produtiva com a divisão social do trabalho, aumentando as relações econômicas entre as mesmas, além da mudança na paisagem urbana. Segundo Sposito (1991, p.50):
A expressão da urbanização via industrialização não deve ser tomada apenas pelo elevado número de pessoas que passaram a viver em cidades, mas, sobretudo, porque o desenvolvimento do capitalismo industrial provocou fortes transformações nos moldes da urbanização, no
que se refere ao papel desempenhado pelas cidades, e na estrutura interna destas cidades.
Compreendemos que a industrialização trata-se de um processo socioeconômico que objetiva modificar uma região inicialmente retrógada tornando-a uma fonte de riqueza e lucro, isso se consolida, por meio dos avanços na automação do trabalho mecânico, o qual acaba por substituir o homem em algumas tarefas. Dessa forma, a indústria visa à produção prática e rápida de bens, sejam esses de consumo, de base, ou até mesmo de construção civil.