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OF THE CONFERENCE OF MINISTERS

Podemos observar, através das datas dos áudios e publicações pesquisadas, que arranjos e adaptações envolvendo um único percussionista em obras de Steve Reich é algo recente no universo percussivo. Esta nova tendência demanda que o percussionista esteja familiarizado com o uso de recursos tecnológicos, tanto para conhecer as várias possibilidades de implementação, quanto para refletir sobre o fazer musical envolvendo novas tecnologias. Para Campos (2012, p. 137), a interação entre homem e máquina na música é resultado direto do barateamento e da ampla disseminação da tecnologia, fatores que vêm ocorrendo em grande escala a partir da década de 1980.

Embora seja algo relativamente novo no Brasil, o uso de aparatos tecnológicos envolvendo instrumentos de percussão em uma performance musical é uma realidade bastante presente entre a nova geração de percussionistas eruditos brasileiros. Nomes como Fernando Rocha (UFMG)39, Cesar Traldi (UFU)40 e Cleber Campos (UFRN)41, têm-se dedicado

efetivamente a divulgar o uso da tecnologia associado com instrumentos de percussão no Brasil, através de performances e composições.

Com relação à nossa experiência em Clapping Music, constatamos uma evidente evolução quando comparado à primeira adaptação realizada com blocos sonoros, e posteriormente introduzindo um recurso tecnológico que fosse capaz de gravar os sons em tempo real e reproduzir ciclicamente estes sons (pedaleira de loop). Com a possibilidade de uma reprodução cíclica dos sons escolhidos e acionados pelo intérprete, houve a criação de uma terceira camada ou padrão. Esta nova sonoridade resultou das notas que são tocadas juntas pelas duas vozes defasadas. Com a criação desta nova camada sonora, afirmamos o ineditismo de nossa versão, diferenciando dos exemplos citados durante o artigo.

Os objetivos alcançados trouxeram à tona novos desafios ao intérprete, tais como: a) Necessidade de um maior aprofundamento das funções que o dispositivo

eletrônico podia oferecer;

b) Precisão da ferramenta utilizada para que o loop ocorra de maneira exata; c) Sincronia do material gravado com a parte executada em tempo real pelo

intérprete;

d) Equilíbrio sonoro entre os instrumentos tocados em tempo real com o som gravado.

39 UFMG: Universidade Federal de Minas Gerais 40 UFU: Universidade Federal de Uberlândia

Com os resultados obtidos através desta pesquisa, damos a nossa parcela de contribuição para com o meio percussivo, divulgando o aprendizado adquirido em Clapping Music. Desta forma, acredita-se que futuros percussionistas possam reproduzir, experimentar e refletir sobre as implementações realizadas nesta pesquisa, obtendo suas próprias conclusões.

Com o aprendizado adquirido, surgiram novas reflexões sobre o assunto, resultando em uma continuidade da pesquisa. Partimos da ideia de desenvolver uma nova instrumentação para a peça Eight Lines (1983), de Steve Reich, realizando experimentos com instrumentos de percussão e suporte fixo. Esta peça foi composta originalmente para um octeto: dois pianos, dois clarinetes e um quarteto de cordas. Para a nossa versão, utilizamos como referência o conceito adotado por Kuniko Kato em Kuniko Plays Reich que consiste na adaptação para instrumentos melódicos de percussão com o auxílio de vozes pré-gravadas em estúdio, gravando as vozes separadamente do início ao fim, sem auxílio de loop ou recortes de áudio. Os primeiros testes de Eight Lines foram realizados pelo próprio autor, utilizando o software livre de gravação e edição de áudio Audacity. Os resultados não foram satisfatórios neste primeiro momento. Como perspectiva futura, realizaremos as gravações de Eight Lines com equipamentos e local adequado para uma boa qualidade de gravação.

Por fim, as experimentações relatadas neste artigo proporcionaram ao intérprete a oportunidade de explorar novas possibilidades sonoras/interpretativas em obras minimalistas escritas originalmente para diferentes formações instrumentais. Desta forma, os recursos tecnológicos utilizados permitiram que apenas um intérprete pudesse executar a obra de Reich, possibilitando novos resultados sonoros, relacionados à ampliação, capacidade interpretativa e exploração da independência rítmica entre as mãos, executando dois padrões iguais com pontos de partida diferentes. Além disso, o experimeto permitiu o envolvimento do intérprete percussionista com novas tecnologias, encorajando assim futuros percussionistas a conhecerem esta tendência presente no âmbito da percussão, bem como o conhecimento das técnicas composicionais empregadas por Reich.

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ANEXO A

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