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CHAPITRE V GOUVERNANCE SUR LES TERRES DE LA CATÉGORIE III

C. S TRUCTURE DE G OUVERNANCE

3. Conférence régionale des élus (CRÉ)

No século XIX, Champolion decodificou os hieróglifos egípcios. Em 1985, Thierry Gandiun publicou o seu revolucionário Secret Code of the Bible. O poeta norte-americano Edgar Alan Poe, que viveu de 1809-1849, deixou poemas em

taquigrafia que até hoje, depois de sua morte, não foram decifrados. E, com o segredo dos códigos da vida (Genoma) revelado no dia 12 de fevereiro de 2001, depois de 15 anos de estudos, a humanidade deu um grande passo para a resolução dos enigmas mais crucias.132

O Genoma refere-se ao conteúdo de material genético de um organismo, mas alguns cientistas acham muito cedo para fazer uma análise completa do que representa o que foi revelado ao mundo, até porque os pesquisadores ainda desconhecem o significado de boa parte das seqüências que descobriram. A sensação que a comunidade científica vive neste momento assemelha-se à de Champolion ao tentar decifrar os hieróglifos da Pedra da Roseta e do Dr. Victor Frankenstein133 de construir fora do ambiente natural, um novo ser.

É a Ciência que invade a ficção ou seria o contrário? O que já sabemos é que esses avanços trazem e ainda trarão à tona diversas questões e conflitos de ordem ética, moral, filosófica, cultural e religiosa. A clonagem é o grande exemplo dessas discussões, dos temores que suscita.

Além das questões éticas, jurídicas e morais que giram em torno da clonagem, há uma que remete a um longínquo embate: aquele que defronta ciência e religião. Certamente os confrontos entre essas duas visões de mundo não são novos, mas encontram uma especificidade ao relacionar-se com formas de reprodução artificial e clonagem, pois colocam em cena a possibilidade de

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Baseado no texto de RASKIN, Salmo. A conquista do Genoma. Disponível em: http://www.genetike.com.br/Genoma1.htm. Aceso em 23/04/2002.

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SHELLEY, Mary. Frankenstein ou o moderno Prometeu. Tradução de Everton Ralph. São Paulo: Publifolha, 1998.

dessacralização da vida pela ciência, em oposição à sacralidade afirmada pelas religiões.

Guardadas as devidas diferenças entre as religiões, as críticas à clonagem encontram pontos comuns, como o questionamento das relações de parentesco, que podem abalar o ideal de família, o questionamento da identidade do indivíduo clonado e a possibilidade de aprimoramento genético a partir de um ideal eugênico. Entre as críticas comuns destaca-se a pretensão do homem em comparar-se a Deus. Glória Perez nos conta exatamente a história conflitante de um ser que, sendo gerado fora das condições “aceitas por Deus”, sente-se solitário no imenso mundo ao seu redor e, através de sua narrativa, nos questiona quanto à importância da existência de Deus para explicar o surgimento do homem e sua vida sobre a terra.

Este conflito religioso foi explicitado por Glória Perez através do personagem Ali (Stenio Garcia), amigo de Albieri, que atuava como uma espécie de “consciência” do amigo cientista, alertando para os riscos de “brincar de ser Deus”, como fica claro no diálogo a seguir:

(Ali): Então você não está mexendo com essa coisa de clones?

(Albieri): Já falei pra você, Ali: só trabalho com animais. (Ali): O que salvou você foi a falta de coragem! Senão você estava aí, metido nessa equipe americana que anunciou a primeira clonagem de gente.

(Albieri): Ali!

(Ali): Eu sei que você preserva muito seu nome, tem sua fama de grande defensor da ética... Tem medo de ver sua

reputação arranhada. Conheço você antes de você ter barba, Albieri. Sei que essa idéia de clonagem de gente fascina você desde que a gente era estudante

(Albieri): Mas é fascinante mesmo! Ou não é?

(Ali): Me diga uma coisa, Albieri - Você acha que alguém já fez um clone humano? Que já existe algum clone solto aí pelo mundo

(Albieri): Bom... Você sabe que em 1978, 1978, hem, o Rorvik

(Ali): Quem é o Rorvik?

(Albieri): O Rorvik é um autor que já escreveu vários livros, livros sérios de divulgação cientifica. Em 1978 ele publicou um livro chamado À Sua Imagem, e nesse livro ele relata uma experiência financiada por um milionário que queria ter um filho exatamente igual a ele, um clone dele.

(Ali): Sei...

(Albieri): Esse milionário teria reunido uma equipe de pesquisadores, que montaram um laboratório no sudeste asiático e uma mulher do local serviu de mãe de aluguel... O livro foi publicado depois do nascimento da criança e tudo tinha corrido muito bem, segundo ele informa.

(Ali): Isso não é ficção?

(Albieri): Pelo menos foi publicado por uma editora reconhecidamente séria, a Lippincott, como obra de não- ficção! Se for verdade, e eu acredito que seja, esse clone teria agora 23 anos!

(Ali): No tempo dos gregos a gente sabe de homens que se perderam porque caíram na tentação de roubar o conhecimento dos deuses... Agora não são mais homens isolados... A gente vê uma civilização inteira querendo apagar deus e tomar o lugar dele! Onde é que o ocidente vai parar, Albieri? O Deus de vocês é a ciência!

(Albieri): Deus e a ciência não são tão incompatíveis assim: outro dia estava conversando com um amigo, o Alex, e ele me lembrou um pensamento de Nietzshe, que dizia: foi Deus que, terminado o seu trabalho, pôs-se ao pé da ciência e

descansou do cansaço de ser Deus.

(Ali): Ora, Albieri! Não me venha defender Deus com Nietzshe! Foi Nietzshe quem disse também que Deus está morto!

Albieri foi “condenado” pelas duas religiões presentes na trama de Glória Perez, tanto pela crença islâmica, defendida por Ali, quanto pela igreja católica, com a participação especial de Francisco Cuoco vivendo um padre, amigo de Albieri, que aparece na trama nos últimos meses de exibição, quando a clonagem passa a ser revelada às personagens.

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