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¿CONDUCE EL REGIONALISMO AL SEPARATISMO?

Dans le document que Amor. (Page 22-32)

Quando falamos que o brincar é prazeroso, estamos nos referindo à uma atividade que proporciona uma sensação agradável, ligada a um contentamento, um júbilo, uma satisfação. Realmente, muitas vezes, ao observarmos o brincar das crianças ou ao recordarmos nossos momentos brincantes, as sensações que temos são de alegria e de diversão. Alguns teóricos do brincar vão reafirmar essa condição prazerosa, mas outros vão contestar o prazer como definidor da brincadeira, que pode ir um pouco além desse sentimento.

Em Rousseau, Freud e Piaget encontramos o prazer como consequência do brincar. Rousseau - que mesmo influenciado pelo romantismo e seu resgate no entendimento do homem como imanente à natureza, contribuiu com a abertura do conceito de racionalidade, expandindo seu entendimento e aglutinando com os sentidos e afetos humanos – ressalta a importância de favorecer o brincar da criança e consequentemente seus prazeres.

Já para Freud18 (1856-1939) - considerado o pai da psicanálise, criador do

método clínico e que publicou diversas obras importantes e influentes, marcando profundamente o século XX com seu pensamento - a questão do brincar como propulsor do prazer tem a ver com a própria teoria da psicanálise.

A teoria psicanalítica aborda inúmeros conceitos e podemos iniciar com a noção de inconsciente, localizado fora da consciência, onde se encontram os impulsos primitivos cujos aspectos são intoleráveis conscientemente. O inconsciente faz parte dos planos que se manifestam as atividades mentais, juntamente com o consciente e o pré-consciente. Por sua vez, o aparelho psíquico é constituído pelo id (porção herdada, voltado à satisfação das necessidades básicas), pelo ego (intermédio entre o id e o mundo externo, princípio da realidade) e o superego (desenvolvido, herança cultural) (D’ANDREA, 1994).

Como a parte mais “animalesca” do ser humano, o id age através do princípio

do prazer, que procura satisfazer nossos impulsos mais básicos. O prazer, para

18 Freud nasceu no seio de uma família judia, em Freiberg (Morávia – atual República Tcheca). Sempre

muito zelosos com os estudos do filho, a família de Freud dedicou-se ao máximo para que o menino tivesse uma boa educação, o que fazia do mesmo um aluno exemplar, que mais tarde seguiu carreira na medicina. Em 1881 torna-se médico pela Universidade de Viena e em 1885 vai à Paris trabalhar em um hospital com o psiquiatra francês Jean-Martin Charcot, que possibilitou o contato com a hipnose. Foi também criador do método clínico (JOLIBERT, 2010).

Freud, estaria relacionado a baixos níveis de tensão e o princípio do prazer é o que regula o aparato psíquico para que a excitação não provoque desprazer.

Outro conceito muito central na psicanálise é o Complexo de Édipo, vivido entre os três e cinco anos de idade. Essa noção possui dois lados: o positivo, onde existe o desejo de morte dirigido ao genitor do mesmo sexo em coexistência com um desejo sexual dirigido ao genitor de sexo oposto, e o negativo que é o contrário, ódio pelo progenitor de sexo oposto e amor pelo do mesmo sexo. Em função da evolução edipiana, as pulsões possuem destinações diversas, sendo uma delas a sublimação, responsável pelas grandes criações humanas, sociais, culturais e artísticas. Posteriormente, Freud divide a noção de pulsão em duas: pulsão de vida e de morte, cuja ação tende a levar o indivíduo às situações reais ou simbólicas de seu próprio aniquilamento (LANDMAN, 2007).

Segundo Freud (2006), o brincar infantil tem como fim a produção de prazer e nele está presente a repetição de tudo o que provocou impactos na vida real. A brincadeira e o brinquedo possibilitam representar psiquicamente os processos internos da criança. Freud também afirma que as pulsões sexuais da fase de latência são dirigidas para outros fins, sendo um deles a liberação de tensões recalcadas no contato com os brinquedos, ou seja, no processo de sublimação

Diante da sua concepção de que o desenvolvimento infantil também ocorre por assimilação19, Piaget constata que o jogo encontra uma finalidade em si mesmo, é

uma atividade espontânea, prazerosa e motivacional. “ Quase todos os comportamentos (...) são suscetíveis de se converter em jogo uma vez que se repitam por assimilação pura, isto é, por simples prazer. ” (PIAGET, 1971, p. 207).

Diferentemente dos três autores citados, Vygotsky aponta que o princípio gerador da brincadeira não é o prazer. Em sua obra A formação social da mente, Vygotsky (2007) estrutura um capítulo exclusivo para elucidar o papel do brinquedo, como intermédio do brincar, no desenvolvimento da criança. A primeira constatação que o autor faz é de que o brinquedo não pode ser considerado como uma atividade que dá prazer, por duas razões: muitas atividades dão experiências de prazer mais intensas para a criança e segundo, alguns jogos não proporcionam uma atividade agradável. Para Vygotsky (2007) o prazer não pode ser característica definidora do brinquedo, mas o brinquedo deve ser entendido no fato de preencher as

necessidades da criança. Assim, é de grande relevância entender o caráter especial das necessidades, uma vez que as mesmas são eficazes para colocar a criança em ação e muitas são satisfeitas no próprio brinquedo.

A questão da satisfação das necessidades se altera ao longo do desenvolvimento da criança, pois quando muito pequena, sua tendência é satisfazer seus desejos de imediato, entretanto, quando chega a idade pré-escolar, surgem os desejos que não podem ser atendidos imediatamente, e para resolver essa tensão, a criança se envolve em um mundo ilusório e imaginário, que dá origem ao brinquedo. Desse modo, é a imaginação que se torna definidora do brinquedo. Contudo, nem todos os desejos não satisfeitos se tornam brinquedos e nem sempre as crianças entendem a motivação que deu origem ao jogo. São exatamente essas características que diferem o brinquedo do trabalho e de outras atividades humanas.

Assim, é no brinquedo que a criança cria uma situação imaginária, antes considerada apenas como subcategoria específica do brinquedo, mas agora entendida por Vygotsky como característica definidora. O autor também propõe que não existe brinquedo sem regra, pois toda situação imaginária pressupõe regras de comportamento, sendo essas significativas quando aceitas pelos jogadores e transformadas através de acordos. A criança que brinca de boneca, imagina-se como mãe e passa a obedecer às regras do comportamento maternal, por exemplo. Porém, do mesmo modo em que uma situação imaginária contém regras, um jogo de regras também contém uma situação imaginária. O jogo com regras - não pré-estabelecidas, mas as que têm origem na própria situação imaginária - surge no fim da idade pré- escolar e fica presente durante toda a idade escolar da criança (VYGOTSKY, 2007). Ao brincar, os objetos perdem seu caráter determinado e a criança passa a agir sobre ele de maneira distinta daquilo que vê pela percepção imediata. Dessa forma, a situação imaginária ensina o direcionamento do comportamento da criança pelo significado, o que é impossível para uma criança muito pequena. Portanto, no brinquedo, a ação surge das ideias e não das coisas materiais. Na criança pequena, o objeto é dominante e o significado está subordinado a ele, porém, no brinquedo, o significado é o central e os objetos são deslocados para uma posição subordinada. Assim:

No brinquedo, espontaneamente, a criança usa sua capacidade de separar significado do objeto sem saber o que está fazendo [...]. Dessa forma, através

do brinquedo, a criança atinge uma definição funcional de conceitos ou de objetos, e as palavras passam a se tornar parte de algo concreto (VYGOTSKY, 2007, p. 117).

A primeira manifestação da emancipação da criança se dá, justamente, na criação de uma situação imaginária. O maior autocontrole é alcançado quando a criança se esforça na renúncia - causada pelas regras do jogo - a uma atração imediata. “ Assim, o atributo essencial do brinquedo é que uma regra torna-se desejo.” (VYGOTSKY, 2007, p. 118). Brincar é um meio único de aquisições que serão bases de sua ação real e moral.

Nesse sentido, o brincar pode ser entendido como ação que gera prazer, mas também pode colocar a criança diante de sentimentos contrários à satisfação, como o medo e o conflito, por exemplo. O entendimento relacionado ao prazer vai depender da concepção teórica de cada autor.

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