As explicações tradicionais dos fenómenos do mercado de trabalho e, em geral, da economia, não são suficientes para fundamentarem novas teorias na gestão do sistema social capazes de o levarem a cumprir os seus objectivos básicos, despoletando-se novas direcções de pesquisa. Salientam-se de entre elas: teoria(s) da segmentação42, a segmentação pode ser entendida em várias vertentes. Liga-se à perspectiva de modernização através da ascendência da racionalidade do mercado sobre as instituições e as estruturas sociais: diferentes indivíduos, associam-se em torno de diferentes conjuntos de regras, processos e instituições produzindo-se diferentes incentivos e desincentivos às reacções do seu comportamento.
40 HUDSON, J. (1988). Unemployment after Keynes. New York: Ed. St. Martin’s Press. 41 MALINVAUD, E. (1980).Reexamen de la Théorie du Chômage. Paris : Ed. Calman Lévi.
42 BERGER, S.; PIORE, M. (1980). Dualism and Discontinuity in Industrial Societies. Cambridge: Ed.
Cambridge University Press.
DOERINGER, P.; PIORE, M. (1971). Internal Labor Markets and Manpower Analisys. Ed. Health Lexigton Books.
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Numa das versões, a teoria da segmentação, com antecedentes na teoria marxista das classes sociais, divide o mercado de trabalho em primário e secundário. No primeiro situam-se empregos bem pagos, com autonomia, boas condições de trabalho e remuneração e de importância estratégica para as empresas e, no segundo, um conjunto mais alargado de trabalhadores em postos de trabalho com características inversas.
Numa outra abordagem da segmentação, depende de uma estratificação, realizada por vários critérios, isolando mercados por profissão, por empresa, por sector... constituem- se mercados internos, mais ou menos isolados e mais ou menos interdependentes que realizam, por si, a afectação de recursos e as formas de fixação dos salários, deste modo, institucionalizadas.
Em termos evolutivos a segmentação pode decorrer de uma estratégia empresarial para externalizar os custos com o tipo de trabalhadores mais abundante e para motivar o empenho dos mais necessários.
A teoria da segmentação possui conotações neoclássicas, na medida em que se atribui a desajustamentos do mercado, e conotações marxistas porque o segmento secundário se torna dependente da lógica da acumulação capitalista. A natureza selectiva da política de emprego resulta, de alguma forma, de diferentes posturas dos indivíduos face ao trabalho e face à vida activa.
A reacção convencional às teorias da segmentação afirma-se, sobretudo, pela teoria da “job competition” que estabelece que as diferenças de produtividade se devem sobretudo às características dos postos de trabalho e, não tanto, dos trabalhadores; o mercado institucional43, particularmente o mercado de trabalho é, na actualidade, influenciado por um conjunto de normas (regras ou convenções) que se projectam tanto nos mercados internos como externos.
Favereau (1988) constata que, em especial ao longo dos anos setenta, ao conceito de indivíduo (família e empresa) se junta o conceito de organização que recobre uma gama variada de fenómenos que vão desde as simples regras de comportamento individual,
43 SCHOTTER, A. (1986). The Evolution of Rules in Langlois R.N. (dir) - Economics as a Process. New
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até aos sistemas de regras que são as instituições colectivas, com ou sem restrição de viabilidade financeira. O modo de coordenação de actividades baseia-se em regras em vez ou ao lado dos mecanismos do mercado.
Outros autores, como Shotter (1986), identifica as regras sociais, como instituições em duas perspectivas diferentes. A primeira consiste num conjunto de regras que condiciona o comportamento individual e define os resultados sociais que daí derivam. A segunda, com origem na Escola Austríaca (Menger Hayer), aponta as regras não como um conjunto pré-instituído, mas antes, com efeitos inesperados do comportamento social, sem resultarem da acção individual.
Uma visão externa do papel das regras integra-as como padrão de comportamento, com a finalidade de evitar a confrontação e o conforto permanentes.
A possibilidade de concertar estas regras abre a porta ao processo de criação da realidade social; teoria de desequilíbrio44, Malinvaud (1980) e Benassy são os seus mais conhecidos representantes. Nesta teoria, os preços, no curto prazo, são rígidos, pelo que a procura de trabalho se encontra racionada, dando-se os ajustamentos pelas quantidades.
Na origem dos desequilíbrios estão problemas de informação que levam à realização de transacções sem que os planos micro dos agentes sejam compatíveis entre eles. O desemprego resulta do facto de a procura de emprego estar limitada pela oferta e pelos desajustamentos no tempo. A procura de moeda por parte dos trabalhadores, dissocia os seus desejos, em termos de mercadorias, da respectiva produção.
Associam-se à teoria do desequilíbrio as ideias de articulação entre os desequilíbrios de curto prazo com o equilíbrio de médio prazo, da necessidade de uma análise dinâmica de causa-efeito na explicação dos equilíbrios e da constatação de que os equilíbrios macros são o resultado de uma diversa variedade de desequilíbrios microeconómicos.
44 MALINVAUD, E. (1980). Reexamen de la Théorie du Chômage. Paris: Ed. Calman Lévi.
PHELPS. E.S. e outros (1971). Microeconomic Foundations of Employ and Inflation Theory. Redings- London: Ed. Mcmillan.
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A actual lógica das políticas de manipulação da procura deverá ser ultrapassada pela possibilidade de avaliar os seus efeitos no médio prazo. Contudo não deverão ser abandonados os conceitos de equilíbrios estabilizadores, sem alternativa de gestão dos mercados. Segundo Dias (2000), Simon, propõe o conceito de racionalidade limitada (bounded racionality) segundo o qual a racionalidade de procedimento avalia as decisões pela forma e pelo contexto em que são tomadas, nomeadamente no que respeita às restrições sobre a informação. Neste aspecto a teoria do desequilíbrio aproxima-se das teorias comportamentalistas.
A questão da racionalidade tem como objectivo a interrogação sobre se a evolução económica é um processo de equilíbrio ou desequilíbrio tendo em consideração os comportamentos, a tecnologia e os mercados.
Nos processos de desequilíbrio existe a consciência da separação entre os planos e acções e os choques externos. A resistência à ruptura resultaria da não separação entre as actividades de informação, planeamento e controlo; da determinação das acções e transacções de forma compatível com as relações entre stock`s e fluxos e, por último, da definição de regras de ajustamentos de preços que permitam a continuidade das relações de troca, independentemente da flexibilidade reversível e adaptável dos referidos preços.
Este processo de evolução é permeável à correcção interactiva permanente, quer através das margens de flexibilidade existente, quer através de uma prática de avaliação permanente orientada para a proposta de regras de organização e de estratégias para os sistemas sociais.