Com base nos resultados obtidos no teste de recipiente e método de semeadura, desinfestação e fertilização de substrato recomenda-se, para produzir mudas de bracatinga de boa qualidade, a semeadura (três sementes) em recipientes plásticos ou laminados de madeira de 7,0 cm de diâmetro por 14,0 cm de altura.
O substrato para preenchimento do recipiente deve constituir-se de uma mistura de terra argilosa e arenosa na proporção volumétrica de 2:1. Esse substrato deve apresentar bom padrão de fertilidade principalmente em relação ao elemento fósforo. Em substrato de baixo padrão de fertilidade deve-se incorporar 5,57 kg de fertilizante mineral NPK 6:15:6 por m3. Essa dosagem corresponde a três gramas do fertilizante NPK 6:15:6 por planta produzida em recipiente de 7,0 cm de diâmetro por 14,0 cm de altura.
Para desinfestação do substrato pode-se utilizar o brometo de metila na dosagem de 30 ml por 0,2 m3 de substrato ou 30 g de "basamid" por 0,2 m3 de substrato.
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COMPORTAMENTO DA BRACATINGA (Mimosa scabrella BENTH.) EM PLANTIOS EXPERIMENTAIS
PAULO ERNANI RAMALHO CARVALHO*
RESUMO
O presente trabalho relata o comportamento da bracatinga (Mimosa scabrella Benth.) em relação a outras 19 espécies indígenas e duas espécies exóticas, testadas em experimentos desenvolvidos pela URPFCS, no Estado do Paraná, nos municípios de Colombo, Guarapuava, Cascavel e Campo Mourão, respectivamente, aos oito, sete, sete e 21 meses após o plantio. Os resultados obtidos mostraram que, com excessão do guapuruvu (Schizolobium parahyba (Vell.) Blake.) em Campo Mourão, a bracatinga foi superior às demais espécies testadas, apresentando alturas médias de 1,82 m; 1,41 m; 2,76 m e 6,81 m, respectivamente, nos locais e idades assinalados, com sobrevivências respectivas de 92%, 84,8%, 99,2% e 97%. Já aos oito meses de idade, a espécie em solo ácido e pobre em P e Ca+Mg, em Colombo, PR, apresentou resposta positiva à fertilização com NPK, na formulação 10:30:10, com dosagem de 120 g por planta, com uma altura média de 2,11 m contra 1,53 m, obtidos sem fertilização. Em Campo Mourão, PR, aos 21 meses após o plantio, a espécie apresentou um diâmetro médio (DAP) de 7,5 cm e um volume cilíndrico em pé de 37,1 m3/ha, ou seja, 21,3 m3/ha ano, sendo suplantada apenas pelo guapuruvu, com 11,8 cm de diâmetro e 70,4 m3/ha de volume cilíndrico ou 40,2 m3/ha ano.
1. INTRODUÇÃO
A bracatinga (Mimosa scabrella Benth.) é uma espécie de rápido crescimento, heliófita e pouco exigente quanto às condições físicas dos solos (REITZ et al. 1978), que ocorre associada às matas de araucária, do sul do Estado de São Paulo ao Rio Grande do Sul. Por ser uma espécie pioneira, aparece principalmente nas matas secundárias onde por vezes forma agrupamentos densos e quase puros, caracterizando visivelmente a vegetação onde ocorre. Sua madeira é empregada na região metropolitana de Curitiba, PR, como lenha e matéria-prima para carvão vegetal, pois além de sua boa produtividade é uma espécie que possui extraordinária capacidade de regeneração natural. A sua madeira absolutamente seca apresenta um poder calorífico inferior de 4.566
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Engenheiro Florestal, M.Sc., Pesquisador da Unidade Regional de Pesquisa Florestal Centro-Sul – URPFCS (PNPF/EMBRAPA/IBDF).
KCal/kg (FARINHAQUE 1981).
Em escala industrial, a bracatinga tem sido utilizada na fabricação de aglomerados e celulose. Segundo BARRICHELLO & FOELKEL (1975) as propriedades da celulose de bracatinga produzida pelo processo sulfato são de razoável resistência à tração e ao estouro e baixa resistência ao rasgo, com rendimentos em celulose similares aos obtidos com os eucaliptos.
Pela rápida cobertura do solo, assim como pelo teor de nutrientes contidos nas folhas, a bracatinga é recomendada para a implantação de florestas em solos alterados pela mineração do xisto (SIMÕES et al. 1978) e na estabilização de áreas marginais a reservatórios de hidrelétricas (REICHMANN NETO 1979).
Devido a estas potencialidades, tanto silviculturais como de utilização de sua madeira, a bracatinga é uma das espécies consideradas prioritárias dentro da programação de pesquisas da URPFCS/EMBRAPA.
Este trabalho visa apresentar resultados preliminares do comportamento da bracatinga em relação a outras essências nativas, em ensaios de competição de espécies em quatro locais da rede de experimentação da URPFCS/EMBRAPA, no Estado do Paraná.
2. MATERIAL E MÉTODOS