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4. The case of multiple eigenvalues

7.5. On the condensation index

As opiniões expressas pelos diversos entrevistados não são muito divergentes quanto a esta questão. Do ponto de vista de todos os entrevistados, os arrumadores eram vistos com desconfiança, gente a evitar, e eram considerados um incómodo para a restante população. Eram acusados de serem geradores de um clima de mal-estar social e vistos como uma ameaça à segurança urbana. Um dos entrevistados (Entrevistado E – Parceiro) considera mesmo que, no centro da cidade, a situação era uma “catástrofe”, uma “desgraça”, sentindo-se, como cidadão, “violentado” e “extorquido”. A ajuda que estes indivíduos prestam para estacionar, que na realidade não é considerada ajuda nenhuma, apenas permite o estender da mão para receber a moeda. Este gesto tem implícita uma “ameaça” de dar. A postura da população oscilava entre uma postura de medo e de pena. No geral, eram muito mal vistos e com uma enorme antipatia.

No entanto, a maioria dos entrevistados aponta um dedo acusador não tanto aos próprios arrumadores mas à própria sociedade que gerou este fenómeno, bem como às instituições que não conseguiram dar resposta ao problema. Dois entrevistados (Entrevistados C e D – respectivamente parceiro e Responsável PPF) consideram mesmo que há uma identificação desta população, nomeadamente os sem-abrigo, não tanto com o aumento da criminalidade, mas com o aumento da insegurança. Foi, aliás, reforçada esta perspectiva quando o entrevistado D nos alertou para o facto de que quando se fala de

desvios comportamentais e de crimes, muitas vezes, os arrumadores são mais vítimas do que agentes. Também são vítimas e ter essa leitura equidistante das coisas é fundamental.

Como se pode verificar os arrumadores não eram bem vistos nem bem aceites pela restante população, tornando-se um incómodo permanente para quem necessita de estacionar.

8.2. Após a implementação do Projecto Porto Feliz

No que respeita às opiniões dos entrevistados, a ideia que a maioria tem é que, após a implementação do PPF, a percepção do problema é diferente. Primeiro, estes excluídos de rua passaram a ser vistos como indivíduos doentes que precisam de ajuda. Segundo, há uma maior consciência do problema, mais meios e a vontade de encontrar uma solução para a inclusão destes indivíduos. O problema reside naqueles excluídos que não querem aderir ao PPF e que preferem manter-se na situação de excluídos, provavelmente pela facilidade que têm em conseguir o dinheiro de que precisam, nomeadamente para o consumo de drogas. Destacamos a posição assumida pelo Entrevistado E (Parceiro) que continua a pensar que se mantém o clima de mal-estar social e que a comunidade não tem conseguido resolver os problemas deste segmento de excluídos.

De salientar, ainda, que, dos entrevistados responsáveis pelo projecto, apenas um (Entrevistado A) reconheceu que lhe era difícil poder afirmar que houve alguma mudança na representação que a população em geral tem dos arrumadores. Os outros dois responsáveis (Entrevistados B e C) foram unânimes em considerar que houve uma mudança de percepção da população em relação a estes excluídos, afirmando mesmo que a população vê, hoje, este fenómeno de forma muito positiva (Entrevistado D), lamentando, no entanto, de forma muito crítica, o papel negativo da comunicação social na divulgação que tem feito do PPF, prejudicando, em seu entender, o trabalho que efectivamente está a ser efectuado no âmbito dos arrumadores, acusando-a mesmo de ser manipuladora da opinião pública. Esta questão parece-nos pertinente porque, como já foi referido, um projecto com esta dimensão e características necessita da colaboração e da conjugação de esforços por parte de toda a sociedade. É que, hoje em dia, os meios de comunicação social têm uma importância incontornável. Fazer passar uma mensagem sem recorrer a estes meios é condená-la ao fracasso. Assim, atribui-se também uma responsabilidade específica

aos profissionais da comunicação social e, como tal, seria bom que houvesse, por parte destes profissionais, uma maior atenção quanto ao modo de tratar as questões. Nem é tanto a questão dos arrumadores, o problema reside no tratamento das notícias de todos os dias.

Não nos parece, pelos testemunhos recolhidos, que efectivamente tenha havido uma alteração expressiva na percepção que a população em geral tem dos arrumadores.

8.3. Evolução do problema

Perante a análise efectuada no ponto anterior, encontramos, relativamente a esta questão, duas posições antagónicas, sendo que os entrevistados responsáveis pelo PPF (Entrevistados A, B e D) são unânimes em considerar que houve uma diminuição do problema, mas em contrapartida os parceiros (C e E) não partilham da mesma opinião.

Um dos responsáveis pelo PPF (Entrevistado A) considerou que se verificou uma evolução em dois níveis. Por um lado, diminuiu a frequência de pessoas que arrumam, afirmando haver menos arrumadores, actualmente, do que há três anos atrás. Os últimos dados de que dispunha apontavam para que existam menos na cidade, em toda a cidade, do que existiam só na Praça Francisco Sá Carneiro, no Verão de 2002 e, por outro lado, em especial, terá alterado o padrão com que as pessoas arrumam carros ou seja, em 2002, era frequente um estilo quase non-stop de exercício desta actividade e, actualmente, ela é mais intermitente ou seja, também diminuiu a intensidade com que se exerce a actividade. Um outro responsável (Entrevistado D) foi mesmo categórico ao afirmar que a evolução foi muito positiva e que os arrumadores que, actualmente, se encontram a exercer a actividade não são da cidade do Porto mas da área metropolitana. Mais comedido nas suas afirmações, foi o Entrevistado B, também ele responsável do PPF, que reconheceu ter havido uma evolução, uma vez que a percepção que a população em geral tem, hoje, do problema é muito diferente porque esta reconhece que os arrumadores são indivíduos doentes que estão a ser reabilitados.

No que concerne a opinião dos parceiros (Entrevistados C e E), a ideia que têm é que não só o problema não está controlado, do ponto de vista da sua expansão, como não tem diminuído (Entrevistado C), tendo mesmo a sensação de haver mais gente sem-abrigo na cidade. O outro parceiro (Entrevistado E), apesar de inicialmente ter tido a percepção de que o problema se tinha esbatido ligeiramente, tem algumas dúvidas, no presente, porque

reconhece que estas pessoas são muito móveis. No entanto, crê que houve algum resultado, apesar de reconhecer que, no centro da cidade, é uma “catástrofe”, uma “desgraça”.

Apesar da divergência de opiniões entre os responsáveis/parceiros e os parceiros, todos foram unânimes em reconhecer que o grave problema da toxicodependência e das doenças que, em muitos casos, a ela estão associadas, não é um problema de resolução fácil e exige grande coragem. Há recaídas, há fracassos, mas também há sucesso, o que mostra que não há situações irrecuperáveis, exigindo um esforço mais qualitativo do que quantitativo, com unidades próximas das pessoas em recuperação.

9. O Projecto Porto Feliz

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