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Conclusions

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O ponto de partida para a discussão dos resultados dessa pesquisa será o objetivo geral traçado para este trabalho. Determinou-se como objetivo geralanalisar as estratégias de ensino utilizadas na disciplina de cálculo diferencial e integral, com uma variável, adaptadas para discente com Transtorno do Espectro Autista e Discalculia a partir de seus conhecimentos prévios em matemática básica.

Com a finalidade de atingir a esse objetivo geral, definiu-se como objetivos específicos:

(1) Identificar conhecimentos de matemática básica (Pré-Cálculo), dominados pelo discente, indicando suas dificuldades e potencialidades;

(2) Apresentar as estratégias de ensino utilizadas na disciplina de Cálculo Diferencial e Integral (CDI), adaptadas para o sujeito do estudo;

(3) Indicar os pontos positivos observados nas estratégias de ensino usadas na disciplina de cálculo diferencial e integral (CDI), adaptadas para o discente pesquisado;

Para alcançar os objetivos determinados foram realizadas investigações com a utilização de instrumentos escritos e observação em campo. Os instrumentos escritos foram compostos por testes diagnósticos e atividades propostas (Ver Apêndices B, C e D). As observações em campo se deram por meio de acompanhamentos individualizados com observação em sala de aula, mediações de aprendizagem com o uso do site WolframAlpha.

Portanto, as análises dos dados coletados durante o processo deste trabalho foram exploradas neste capítulo e proporcionaram inferir resultados conforme o que foi almejado no objetivo geral deste estudo, os quais serão discutidos nesta seção.

Logo, a análise das informações coletadas nos instrumentais de investigação foram fundamentais para se obterem os resultados desta pesquisa. Dentre os instrumentais, destacam- se: os testes diagnósticos de conhecimentos prévios (Pré- Cálculo) e o diário de campo.

Ao objetivar organizar os resultados obtidos em relação ao diagnóstico dos conhecimentos prévios e a análise dasestratégias de ensino que possam facilitar a aprendizagem de cálculo diferencial e integral (CDI) com uma variável para discente com deficiência, em

127 específico, TEA e Discalculia, de forma mais compreensível, considerou-se as categorias e subcategorias elencadas nesse capítulo.

No Quadro 2, observam-se os resultados obtidos em relação ao diagnóstico dos conhecimentos matemáticos prévios (Pré-Cálculo) e das dificuldades do discente.

Quadro 2 – Resultados da análise do diagnóstico dos conhecimentos matemáticos prévios (Pré-Cálculo) e das dificuldades do discente referentes a categoria 1

Categoria 1 - Análise do diagnóstico dos conhecimentos matemáticos prévios (Pré- (Cálculo) e das dificuldades do discente

Subcategorias

Resultados de maior impacto para aprendizagem do CDI

Conhecimentos apresentados

Dificuldades

1.1 Análise dos conhecimentos básicos, referentes a unidade temática: NÚMEROS

Fluência em leitura dos números;

Identificação de valor posicional;

Domínio das regras de adição e subtração, quando nesta todos os algarismos do minuendo são maiores do que os do subtraendo. Interpretação de informações; Operações fundamentais: subtração, multiplicação e divisão.

1.2 Análise dos conhecimentos básicos, referentes a unidade temática: ÁLGEBRA.

Leitura e escrita das expressões algébricas.

Interpretação de situações problemas; substituir variáveis por valores numéricos, operacionalizar com equações e funções. 1.3 Análise dos conhecimentos

básicos, referentes a unidade temática: GEOMETRIA.

Identificação de figuras planas e seus elementos, tais como: lados e ângulos.

Resolução de problemas envolvendo trigonometria.

1.4 Análise dos conhecimentos básicos, referentes a unidade temática: GRANDEZAS E MEDIDAS.

Inferir respostas a partir de imagens ou figuras com dados explícitos.

Interpretar problemas para saber qual método de resolução utilizar para encontrar a resposta correta. Transformação de unidades de tempo e medidas.

1.5 Análise dos conhecimentos básicos, referentes a unidade temática: PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA. Ler, observar e explicitar respostas a partir de tabelas e gráficos.

Inferir repostas de tabelas ou gráficos com maior grau de complexidade.

128 Assim, o diagnóstico de conhecimentos matemáticos prévios permitiu identificar qual o nível de desenvolvimento real do discente, que se caracteriza como sendo um conceito espontâneo apresentado pelo estudante no início da pesquisa (VIGOTSKI, 2007).

Portanto, tais aspectos relacionados ao domínio de conhecimentos básicos foram observados a partir da análise do teste de diagnósticos, realizados antes das aulas da disciplina de CDI e das mediações cognitivas por meio do WolframAlpha. Nota-se que mesmo o educando estando no ensino superior, são muitas as lacunas na sua aprendizagem de matemáticas. No entanto, deve-se considerar que se trata de pessoa com deficiência com diagnóstico médico de Discalculia e Transtorno de Asperger e que pelo relato da mãe não teve o devido acompanhamento pedagógico adequando para que pudesse melhorar o seu desenvolvimento e elevar o seu nível de aprendizagem matemática.

Ademais, o CDI é uma disciplina que exige um conhecimento matemático consistente, por vezes abstrato e avançado. Uma boa base matemática é fundamental para que os estudantes consigam acompanhar de maneira satisfatória as aulas de CDI conseguindo internalizar os conceitos abordados e operacionalizar suas funções.

No entanto, foram observados por meio dos testes diagnósticos que o estudante apresentava muitas lacunas em relação ao domínio de conhecimentos matemáticos básicos e imprescindíveis para a aprendizagem do CDI. Tais dificuldades foram motivo para se pensar em estratégias de ensino que pudessem minimizar o efeito dessa defasagem e aproveitar as potencialidades identificadas no discente.

No Quadro 3, indicaremos os resultados da análise das estratégias adaptadas para o ensino do CDI para o sujeito do estudo.

129 Quadro 3 – Resultados da análise das estratégias adaptadas para o ensino do CDI para o sujeito do estudo

Categoria 2 - Análise das estratégias adaptadas para o ensino do CDI para o sujeito do estudo

Subcategorias Resultados

2.1 Utilização de problemas de otimização e análise de gráficos.

✓ Possibilitou a aproximação do conteúdo trabalhado a situações de práticas cotidianas. ✓ Aproveitou a potencialidade do discente em

analisar gráficos.

2.2 Uso do site de inteligência computacional WolframAlpha.

✓ Permitiu a realização de cálculos algébricos que o estudante não conseguiria realizar.

✓ Oportunizou ao discente a obtenção de um novo conhecimento tecnológico e de uma linguagem matemática computacional.

✓ Forneceu informações que propiciaram ao estudante fazer comparações e inferir conclusões em resoluções de problemas.

2.3 Suporte pedagógico por meio do

WhatsApp e da plataforma SIGAA.

✓ O WhatsApp serviu para encaminhamento de orientações, imagens de explicações em sala e esclarecimento de dúvidas, promovendo o contato prático e rápido.

✓ A plataforma SIGAA favoreceu a postagem de material de apoio, aplicação de atividades avaliativas e troca de informações entre discentes e docente, além de ser um ambiente virtual possível de ser acessado em qualquer lugar, com acesso à internet.

2.4 Métodos avaliativos. ✓ Diversificados. Oportunizaram ao estudante

mostrar seus conhecimentos, por meio da realização de avaliações individuais, em grupo, presenciais e a distância.

Fonte: Autora.

Pensar, planejar e aplicar métodos de ensino de CDI adaptados para pessoas com deficiência é um trabalho desafiador. Para Mantoan e Prieto (2006, p. 60):

Uma das competências prevista para os professores manejarem suas classes é considerar as diferenças individuais dos alunos e suas implicações pedagógicas como condição indispensável para a elaboração do planejamento e para a implantação de proposta de ensino e avalição da aprendizagem, condizentes e responsivas às suas características.

130 Em princípio, pensa-se que para o professor ter essa competência indicada pelas autoras é necessário, antes da ação, ter conhecimento de causa. Quando se trata de deficiências que afetam de algum modo o cognitivo do estudante é imprescindível ter acesso a informações, tais como relatórios de aprendizagem em series anteriores para que seja possível promover um ensino que contemple as necessidades e características do educando. Existe a necessidade de mergulhar nas leituras sobre a deficiência para conhecê-la e assim poder buscar recursos que favoreçam a aprendizagem com adaptações nos métodos de ensino.

Além disso, considera-se que os procedimentos utilizados para o ensino de CDI foram favoráveis à sua assimilação, destacando-se o uso do site WolframAlpha. Matos (2013), em sua pesquisa enfatizou que esse site tem uma sintaxe mais flexível do que outros softwares de matemáticas, pois interpreta de forma correta termos em português, é possível de ser acessado de aparelhos fixos ou móveis que tenham acesso à internet sem precisar fazer download ou instalar um software.

Como também é um site de inteligência computacional livre, ou seja, pode ser usado sem precisar de licença, exceto para algumas funções específicas. Porém, apresenta algumas especificidades que podem dificultar sua utilização, tais como: necessidade de termos específicos para certas expressões matemáticas, os comandos e o site, de modo geral, são em inglês, só funciona com acesso à internet e às vezes pode não calcular o valor de uma função por considerar que se trata de comparação de expressões.

Por isso, como não se encontrou outros trabalhos de pesquisa semelhantes a este nos principais bancos de dissertações e teses brasileiras, não será possível comprar estratégias de ensino para analisar o grau de eficiência e eficácia com os que foram mencionados neste estudo.

Dessa forma, notou-se por meio das observações em sala que houve dinamismo nas estratégias de ensino, diversificação nas abordagens dos temas de CDI em estudo e uma busca frequente em atender e aproveitar da melhor maneira as habilidades dos estudantes, em específico, do sujeito desta investigação.

Vale ressaltar que o sujeito dessa pesquisa não possuía calculadora científica e nem sabia como usar uma. Ao longo do processo, entrou-se em contato com a mãe dele e solicitou- se, que se possível, ela comprasse uma calculadora científica para ele. Ela comprou, e foi possível ensiná-lo a usar. Portanto, esse foi um avanço muito significativo desenvolvido por meio do acompanhamento individualizado.

Portanto, abre-se um parêntese aqui para relatar um fato importante ocorrido durante o processo de investigação em campo. Ao se realizar o acompanhamento

131 individualizado em sala de aula, descobriu-se que na turma tinham mais dois estudantes com necessidade específica. Um com baixa visão e outro com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC). No percurso dessa investigação esses discentes ao observar o acompanhamento realizado ao sujeito da pesquisa, acabaram se aproximando dessa pesquisadora e inclusive pedindo apoio pedagógico no estudo do CDI.

Por sua vez, essa pesquisadora sensibilizada e com objetivo de ajudar, aceitou trabalhar com esses estudantes a resolução de atividades do CDI ao fazer a mediação por meio do site WolframAlpha. O estudante com TOC apresentava estado de paralisação de raciocínio e por vezes não conseguia nem concluir a leitura de uma situação problema. No entanto, conseguiu evoluir bastante em termos de aprendizagem. O outro estudante conseguia acompanhar bem as explicações e também apresentou progresso.

A seguir, tem-se o capítulo em que serão apresentadas as considerações finais deste estudo.

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