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Conclusions of the Spécial Commission of January 1984

Paramahansa Yogananda foi o primeiro grande mestre da Índia a viver no Ocidente por um longo período (mais de 30 anos). Paramahansa Yogananda nasceu em 1893, em Gorakpur, na Índia, e morreu em 1952, durante uma apresentação pública nos Estados Unidos, em estado de Mahasamadhi, ou seja, em caminhão espiritual com Deus no momento da morte. Yogananda era de uma família de classe alta e obteve seus ensinamentos espirituais dos grandes mestres da época – entre eles, Sri Yukteswar Giri, por dez anos. Tornou-se monge da Ordem Swami quando tinha 22 anos e passou a ser chamado de Yogananda, cujo significado é: “em comunhão com a bem aventurança”. Dois anos após ter-se tornado monge, passou a dirigir uma escola em que procurava unir a espiritualidade aos modernos ensinamentos educacionais. Em 1920, Yogananda foi para os Estados Unidos participar de um congresso em Boston, no qual falou sobre os alicerces da sua “ciência da religião” e foi recebido com entusiasmo. Nesse mesmo ano, fundou a Self-Realization Fellowship (SRF) – Fraternidade da Auto-Realização –, cuja sede fica em Los Angeles, Califórnia (EUA), uma entidade criada para divulgar conceitos

sobre educação, ioga e meditação. Yogananda só se fixou na Califórnia em 1925, pois nos quatro anos anteriores fez uma série de palestras em várias cidades americanas.

No Brasil há 25 comunidades da Self-Realization Fellowship do Brasil. Para Yogananda, a comunhão profunda com Deus é o grande anseio do ser humano. Por isso, o pensamento desse mestre é profundamente marcado por um desejo de união entre todas as tradições espirituais. No altar de suas comunidades, observa-se que as imagens de Krishna e Cristo estão colocadas lado a lado, junto com outros enviados divinos (avatares). As práticas diárias nessas comunidades são a meditação, preces, técnicas corporais e repetição de mantras durante o dia.

Entre os livros que Yogananda escreveu, o mais famoso é com certeza

Autobiografia de um iogue, publicado pela primeira vez em 1946 pela Editora Self-

Realization Fellowship, tornando-se um perene sucesso de vendas, traduzido em 18 línguas e publicado em vários países do mundo, inclusive no Brasil. Esse livro foi ampliado por Paramahansa Yogananda em 1951 e é reimpresso permanentemente pela Self-Realization Fellowship, pois, por ser considerado um clássico espiritual moderno, é amplamente utilizado como livro de texto e de referência em escolas e universidades. Nesse livro, Yogananda explica com clareza as leis sutis, mas definidas, pelas quais os verdadeiros iogues realizam milagres e atingem o autodomínio.

O principal objetivo da SRF é divulgar pelo mundo inteiro o conhecimento de determinadas técnicas científicas que possibilitam ao ser humano comungar pessoalmente com Deus, ou seja, senti-lo pessoalmente, de maneira que saibam por experiência própria o que é Deus e não somente por meio das palavras das Escrituras Sagradas ou por um grande Mestre. Palavras, palestras e grossos livros não são suficientes, é preciso experimentar Deus. Como disse Gurudeva:

Eu posso descrever-lhes o gosto que uma fruta-pão tem; posso, à maneira dos cientistas, cortá-la, examiná-la e informar-lhes sobre os nutrientes que ela possui. Mas mesmo que levasse mais de mil anos explicando para vocês o que é uma fruta-pão, vocês não ficariam sabendo qual é o gosto dela. Mas se eu lhes desse um pedacinho para prová-la, vocês diriam com certeza: “Ah, sim! Agora eu sei como é” (SELF-REALIZATION FELLOWSHIP, 2004).

3. Considerações sobre o capítulo

A pesquisa realizada com as editoras e livrarias apresentada no primeiro capítulo demonstrou que a classificação de livros esotéricos engloba desde os livros esotéricos de iniciação até aqueles sobre budismo, os romances espíritas, de auto- ajuda, ioga etc. Esse cenário, que em princípio parecia indicar uma falta de compreensão ou mesmo uma confusão do mercado editorial esotérico, na verdade reflete a complexidade que é própria desse conjunto de realidades culturais e religiosas que formam o campo esotérico.

Nesse capítulo, cujo objetivo foi classificar algumas instituições e mestres espirituais que contribuíram para o movimento de expansão do esoterismo, pôde-se observar os intricados movimentos e relações seguidos pelas principais personalidades e organizações que, se divergem em alguns pontos, também se aproximam em outros: afinal, como constata Faivre (1997, p. 28), “um mesmo ar de família parece ligar o suficiente para nos autorizar a constituí-lo em campo de estudo”.

A Sociedade Teosófica e seus principais representantes, são exemplares para ilustrar essas intrincadas relações. Mme. Blavatski, no início de sua vida espiritual, treinou suas aptidões de médium nos círculos espíritas americanos, mas após fundar a Sociedade Teosófica voltou sua atenção para os ensinamentos budistas tentando fazer uma síntese entre o Oriente e Ocidente. Após a morte de Blavatski, a orientação da Sociedade Teosófica passou a ser mais orientalizada, devido ao interesse de sua sucessora, Annie Besant, pela filosofia hindu. Além dessas três influências, também aparecem os nomes dos teosofistas Jacob Böhme e Emanuel Swedenborg como grandes influenciadores do Movimento Teosófico. Rudolf Steiner, por sua vez, que também esteve envolvido durante um tempo com a Sociedade Teosófica, recebeu influência tanto da Teosofia quanto do Espiritismo, fontes das quais retirou as idéias de carma e reencarnação para formular sua própria filosofia que culminou na fundação da Sociedade Antroposófica. Veremos mais adiante que esse trânsito religioso, embrionário ainda no início do século, tornou-se atualmente uma das principais características dos seguidores das novas religiosidades que propagam a idéia do indivíduo ser o próprio lócus da experiência religiosa.

Dizer que há alguma homogeneidade entre as várias organizações e mestres espirituais aqui lembrados seria incorrer em erro, pois, aparentemente pelo menos, o sagrado mostra-se por meio de uma infinidade de formas, adequando-se à subjetividade de seus buscadores. Contudo, apesar da diversidade de métodos sugeridos e ensinados (meditação, mantras, danças, rituais etc.), há um consenso de que é por meio do auto-conhecimento que os discípulos, adeptos e seguidores têm alguma chance de comungar com Deus – ou, como afirmava Osho, é preciso desobstruir o acesso do homem ao seu mais alto direito, que é o de ser ele mesmo.

CAPÍTULO VI – IMPLICAÇÕES FILOSÓFICAS E TEOLÓGICAS DE UM

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