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De acordo com as observações extraídas do estudo de caso, sugerimos alguns itens a serem discutidos, como resultado das análises dos dados, que são os seguintes tópicos:

a) O uso de metodologias ágeis em desenvolvimento de software distribuído intensifica os problemas de comunicação: neste estudo de caso o processo de desenvolvimento é

Question 5: Do you consider the documentation generated during software development processess is

updated?

Yes 7%

No 93%

Question 7: When do you need to obtain some knowledge, what do you

consult first? Document ation 73% People 27%

caracterizado como Desenvolvimento Distribuído de Software (DDS), onde as equipes estão localizadas em dois sites. Foram percebidos por meio de entrevistas e do acompanhamento das reuniões (daily Scrum), alguns problemas de comunicação entre os grupos distribuídos. A comunicação em DSD é, naturalmente, identificada como uma grande dificuldade [Pik08]. No contexto de projetos ágeis a comunicação se torna ainda mais relevante porque nesse tipo de projeto a comunicação com base em discussões é priorizada em relação a outras formas de intercâmbio de conhecimento. Korkala e Abrahamsson [Kor07] destacam que o desenvolvimento ágil de software envolve requisitos altamente voláteis, que são geridos através de uma comunicação verbal eficiente. Como a comunicação é um fator importante a ser observado, no nosso estudo de caso verificou-se que cada grupo tem seu próprio repositório de documentos e artefatos que não funcionam em sincronia. Não há uma prática estabelecida para o acesso e compartilhamento de artefatos nos repositórios. Isso levou os membros das equipes a intensificar a comunicação direta entre os integrantes dos dois sites. Se existissem mecanismos de compartilhamento de conhecimento (repositórios) que funcionassem de modo planejado e coordenado entre os grupos, a necessidade de comunicação através de conversações tenderia a diminuir. Isso diminuiria o impacto do fator comunicação, como um problema neste tipo de projeto, ágil em DSD. É importante ressaltar que não estamos sugerindo uma maior utilização dos repositórios e artefatos, em conflito com alguns pressupostos das metodologias ágeis, mas os artefatos que já estão disponíveis para os grupos devem ser devidamente compartilhados, reduzindo a necessidade de conversações sobre a informação que já está disponível em um dos sites.

b) O uso intenso de comunicação informal em projetos ágeis cria problemas de aquisição de conhecimento e de armazenamento. Outro aspecto percebido sobre a comunicação entre os membros da equipe e os clientes é que a maioria das negociações realizadas durante o projeto é informal. Este formato torna a comunicação mais ágil, mas em compensação o conhecimento gerado durante as conversações só se mantém na forma tácita quando, mesmo em projetos ágeis, muitos detalhes devem ser registrados e armazenados para consultas posteriores ou confirmações [Rup03]. Um exemplo desta situação percebida no estudo de caso foi em relação aos requisitos levantados junto aos clientes. Muitos entrevistados (53%) relataram que é importante registrar as conversas com os clientes, de acordo com as constantes mudanças e atualizações nos

requisitos. Muitas vezes as conversas não são gravadas ou registradas criando um conflito de informações e interesses entre as partes envolvidas no processo. Esta questão suscita um dos principais pontos discutidos neste trabalho, que é a necessidade de uma nova perspectiva para uma metodologia de gestão do conhecimento a ser empregada nos processos de desenvolvimento ágeis. Esta metodologia deve ser centrada no conhecimento tácito que circula nos projetos. Como o objetivo não é tornar o processo de comunicação entre as partes interessadas burocrático, uma sugestão é usar mecanismos de reconhecimento automático de voz para organizar e resumir as conversações. Em outras palavras, haveria um esforço mínimo da equipe, com quase nenhuma interferência na forma como as negociações são realizadas, mas que poderia resultar na captura e registro do conhecimento em um formato que pode ser utilizado em conjunto com mecanismos de indexação e classificação, facilitando as consultas e o compartilhamento deste conhecimento. c) Apesar da documentação ser reduzida e ultrapassada, a equipe a usa como fonte de

conhecimento para extrair o contexto do domínio e reduzir a comunicação direta. Durante o processo de entrevistas foi observado que os entrevistados fizeram algumas críticas sobre a documentação disponível por ser insuficiente e muitas vezes desatualizada. Em um primeiro momento, poderíamos imaginar que os respondentes não utilizavam a documentação por considerá-la ultrapassada e inadequada. No entanto, apesar desta situação, os entrevistados utilizam a documentação. Eles explicaram que, pelo menos, os documentos fornecem o contexto do conhecimento que procuram. Eles também os utilizavam para reduzir o tempo de comunicação direta. Isto é, quando eles precisavam obter algum conhecimento, se eles já haviam consultado os documentos, eles acreditavam que isso iria diminuir o tempo das conversações com os colegas e clientes. A maioria dos entrevistados comentou que os documentos no início do projeto são atualizados, mas no decorrer do projeto vão se tornando desatualizados. Os documentos de requisitos são os mais citados entre os que estão desatualizados durante o projeto.

d) Problemas de comunicação com o cliente ao utilizar uma metodologia híbrida. Muitos entrevistados comentaram sobre a dificuldade de contato com o cliente. Quando eles consultavam os documentos com os requisitos e estes estavam desatualizados, eles precisavam então entrar em contato com o cliente que não estava sempre disponível. A forma como os requisitos foram tratados neste projeto não se encaixa corretamente,

nem com os princípios de metodologias ágeis, nem das metodologias tradicionais. Se o projeto segue os princípios ágeis, o cliente deve estar mais acessível e disponível para toda a equipe. Se ele segue os princípios de metodologias tradicionais, então, existe a exigência dos documentos serem atualizados durante todo o projeto. Sob o enfoque da gestão do conhecimento, quando se adota uma metodologia ágil, a escolha é pelo aumento de comunicação entre a equipe em si e entre esta e o cliente. Quando se adota uma abordagem tradicional, a escolha é por priorizar o conhecimento explícito, dando mais ênfase ao uso de artefatos e documentos, que devem ser atualizadas ao longo do ciclo de vida do projeto [Cha03]. Portanto, quando se utiliza uma metodologia híbrida, deve-se tomar cuidado para evitar que estas questões de comunicação e documentação acabem não sendo atendidas do ponto de vista das metodologias ágeis, nem das metodologias tradicionais, como foi o caso dos requisitos neste projeto. Há uma falta de definição do que é uma metodologia híbrida. Qumer e Henderson-Sellers [Qum08] apresentam um framework para tentar determinar o grau de agilidade de algumas metodologias. A fronteira entre ser ágil e não ser híbrido, e ser tradicional e não ser híbrido é muito tênue e merece um melhor debate na comunidade.