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A prévia avaliação econômica das decisões de investimento é considerada uma tarefa imprescindível no ambiente empresarial. As decisões de investimento são importantes para a empresa porque envolvem valores significativos e [...] de longo prazo (SANTOS, 2010 p.128). Sob esta perspectiva, Braga (2011, p.34) salienta que “investimentos em novos ativos fixos têm efeitos prolongados sobre a vida da empresa e uma decisão inadequada poderá comprometer irremediavelmente o seu futuro”.

Assaf Neto e Silva (2011, p. 39) afirmam que “o fluxo de caixa é de fundamental importância para as empresas, constituindo-se numa indispensável sinalização dos rumos financeiros do negócio”. Ao se referir aos fluxos de caixa, Braga (2011, p.279) aborda “ a estimativa dos fluxos de pagamentos e de recebimentos, distribuídos durante a vida útil do projeto, constitui o ponto de partida do orçamento de capital”. Para Ribeiro et. al (2016, p. 514) “o fluxo de caixa é utilizado por muitas empresas com o intuito de quantificar e identificar o processo de circulação do dinheiro decorrente das atividades empresariais”. Esses fluxos serão avaliados por aplicação de técnicas simples como prazo de retorno; ou de métodos sofisticados como a taxa interna de retorno (BRAGA, 2011). Ribeiro et al (2016) salientam que a organização que tem por objetivo realizar algum tipo de investimento deve analisá-lo adequadamente por meio de medições do fluxo de caixa, avaliando por atividade e período contábil, visualizando o impacto dessas atividades na posição financeira da empresa e no montante de caixa, validando desta forma a importância da demonstração do fluxo de caixa para a tomada de decisão, inclusive a de investimentos e financiamentos.

A decisão de se fazer investimento de capital é a parte de um processo que envolve a geração e avaliação das diversas alternativas que atendam às especificações técnicas dos investimentos. É preciso analisar a viabilidade, considerando os aspectos econômicos do investimento, avaliar a rentabilidade para saber como aplicar o dinheiro de maneira a obter um retorno maior. Após, se deve identificar a disponibilidade de recursos próprios, ou a de financiar o necessário para o projeto. A decisão da implantação de um novo projeto deve considerar os critérios econômicos, financeiros e imponderáveis, bem como os fatores não quantificáveis

como restrições ou os próprios objetivos e políticas gerais da empresa (CASAROTTO e KOPITTKE, 2010).

Destaca-se a importância de considerar o retorno do investimento proposto, conforme salientam Neves et. al (2017, p.1407), “um projeto de investimento será atrativo se o fluxo esperado de benefícios futuros superar o valor do investimento inicial, que é o valor que originou este fluxo”. Algumas etapas tornam-se importantes para o desenvolvimento da análise de investimentos e formam um roteiro a ser seguido. Sob esta perspectiva Gitmam (2010, p. 327) apresenta o processo definido por ele como orçamento de capital, que contemplam 5 etapas:

1. Geração de proposta: são feitas em todos os níveis organizacionais e revistas pela área financeira;

2. Revisão e análise: realizadas para avaliar a adequação e a viabilidade econômica das propostas;

3. Tomada de decisão: geralmente as decisões são delegadas com base no teto de valor. A autorização para o dispêndio de recursos será feita pelo conselho de administração; 4. Implementação: depois da aprovação, os investimentos são realizados e os projetos

implementados;

5. Acompanhamento: os resultados são monitorados e os custos e benefícios efetivos serão comparados com as expectativas.

Para Santos (2010) é importante considerar:

1. Projeto de investimento: uma aplicação de capital com o objetivo de obter benefício econômico na forma de lucro ou redução de custos. Exemplo: expansão de um empreendimento já existente;

2. Fluxo de caixa: é a partir do fluxo de caixa líquido que são efetuados os cálculos para a análise de investimento;

3. Vida útil de um ativo: para ativos não sujeitos a manutenção, a sua vida útil é a própria duração. Já para os ativos sujeitos a manutenção, sua vida útil é representada pelo tempo que é vantajoso mantê-lo em uso.

4. Valor residual de um ativo: é o valor estimado de um ativo no final de sua vida útil. 5. Período de análise: é necessário para calcular a rentabilidade de um projeto de

investimento. É definido a partir da vida útil dos ativos, ou pelo mínimo múltiplo comum das vidas úteis dos seus ativos, quando as vidas úteis não forem iguais.

Os investimentos a longo prazo são também denominados gastos de capital, sendo que os mesmos correspondem a desembolsos ou comprometimento de recursos, que perdurarão por mais de um ano. As propostas de investimento devem abordar especificações técnicas, cronograma, justificativas e todos os valores envolvidos para a sua implementação. Conforme sua natureza, podem ser classificadas como: propostas independentes, propostas mutuamente excludentes, colidentes e contingentes (BRAGA, 2011). Na visão de Ribeiro et. al (2016, p.513) “os gastos de capital são realizados por vários motivos, sendo os principais os de ampliação, os de substituição ou renovação de ativos imobilizados”.

Os métodos para a análise de investimentos podem ser simplificados e analíticos. No entendimento de Santos (2010), o uso do método simplificado apresenta desvantagens, e pode afetar negativamente a qualidade das decisões a serem tomadas, pois utiliza somente o valor do investimento e seu lucro projetado para fazer a análise. São eles: tempo de retorno, tempo de retorno descontado e taxa de retorno contábil. Os métodos analíticos são mais precisos, em decorrência de sua metodologia de cálculos: taxa interna de retorno, valor presente líquido e o custo periódico equivalente.

Ao se analisar um investimento, o principio se dá quanto ao próprio objetivo da análise, o que se pretende investir, qual máquina ou equipamento tem a pretensão de comprar. Para isso são utilizados os seguintes indicadores: TMA, TIR, VPL e PAYBACK, o objetivo final deste conjunto é auxiliar no processo de tomada de decisão do administrador, empreendedor, proprietário, que precisa decidir se investe ou não (CASAROTTO e KOPITTKE, 2010). A partir desta análise, a decisão se torna mais segura impactando diretamente em uma gestão mais eficaz.

A proposta de investimento deve considerar o fato de se estar perdendo a oportunidade de auferir retornos pela aplicação do mesmo capital em outros projetos (CASAROTTO e

KOPITTKE, 2010, P.97), a este fato se dá o nome de Taxa Mínima de Atratividade (TMA). Corroborando, Neves et. al (2017, p. 1409) classifica a TMA como o mínimo que um investidor propõe a ganhar ao realizar um investimento ou o máximo que um tomador de dinheiro se propõe a pagar ao realizar um financiamento. A nova proposta para ser atrativa deve render, no mínimo, a taxa de juros equivalente a rentabilidade das aplicações correntes e de pouco risco (CASAROTTO e KOPITTKE, 2010, p.97).

A taxa mínima de atratividade é como um parâmetro para a análise da taxa interna de retorno (TIR), pois os “investimentos com TIR maior que a TMA são considerados rentáveis e são passíveis de análise” (CASAROTTO e KOPITTKE, 2010, p. 120).

Matematicamente, a TIR é a taxa de juros que iguala o valor presente das entradas de caixa ao valor presente das saídas de caixa e faz com que o VPL (valor presente líquido) de uma oportunidade de investimento seja igual a zero (já que o valor presente das entradas de caixa iguala-se ao investimento inicial) (SANTOS, GITMAN, 2010). Se a TMA for maior que o custo de capital da empresa a organização estará aumentando sua riqueza (RIBEIRO, 2016). O VPL éo valor presente do fluxo de caixa líquido, sendo, portanto, um valor monetário que representa a diferença entre as entradas e saídas de caixas trazidas a valor presente (SANTOS, 2010). É a técnica mais conhecida e utilizada na análise de investimentos (NEVES et. al, 2017). Apresenta certa superioridade em relação aos demais indicadores de viabilidade por considerar o valor do dinheiro no tempo e permitir a atualização monetária do balanço entre receitas e custos de cada período, ao longo da vida útil do projeto (CUNHA, HARBS, 2015). Segundo Buarque (1991 apud Cunha e Harbs 2015) a obtenção de um VPL maior do que zero indica que o projeto de investimento tem mérito positivo. E ao realizar um estudo comparativo entre projetos alternativos, deve-se optar por aquele que apresentar o maior VPL.

Outro método de análise utilizado é o Payback, definido por Gitman (2010, p. 366) como o tempo necessário para que a empresa recupere o investimento inicial em um projeto, calculado a partir das entradas de caixa. Braga (2011) chama a atenção para o fator de que quanto mais amplo o período maior a incerteza e quanto menor, maior a liquidez. Caso exista mais de um projeto e se eles forem mutuamente excludentes [...] o projeto que apresentar menor payback será levado adiante (RIBEIRO, 2016, p. 515). Uma variante utilizada para se calcular o payback é o critério do payback descontado. Este critério desconta os fluxos de caixa primeiramente e depois avalia quanto tempo será necessário para que os fluxos de caixa descontados sejam iguais ao investimento inicial (ROSS, WESTERFIELD, JAFFE 2011).

As fórmulas para calcular os indicadores estão apresentadas no Quadro 6: Quadro 6- Indicadores de análise de investimento e fórmulas

INDICADOR FÓRMULA

TMA a definir (pode ser a poupança)

TIR = FCt/(1+i)t

VPL =FCX1/ (1+i)

PAYBACK =investimento original/fluxo de caixa anual

Fonte: Elaborado pela autora a partir de Gitman; Santos; Casarotto e Kopittke (2010)

A partir da análise de investimento, a tomada de decisão se torna mais segura, concreta, pois investimentos em ativos fixos necessitam de uma avaliação e medições de fluxo de caixa a longo prazo, caso contrário poderá comprometer o futuro da organização.

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