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Conclusions Manpower Planning

Dans le document Manpower planning revisited (Page 166-170)

A Rádio FM Esperança, como ficaria conhecida entre o público, é nome fantasia. Oficial e juridicamente, existe como Departamento de Radiodifusão dentro da Fundação Cultural Pastor José Romão Souza, que foi instituída, em 1988, para administrar a Rádio, visto que a Constituição Federal não permitia que igrejas fossem beneficiadas com concessões públicas de rádio e televisão no Brasil. Porém, a fundação não existe como estrutura física, embora na Escritura Pública de Constituição da Fundação, de 1988, essa fundação esteja com o endereço da Igreja; e, já no seu segundo Estatuto reformulado, de 2010, é mencionada

a localização, onde foi instalada a Rádio Esperança. Por esses meios e cumprindo as exigências legais estabelecidas, por assim dizer, a Igreja seria a beneficiária, mantenedora e dona da Fundação que, na época, foi fundada somente por causa da concessão da rádio, conforme apresenta o artigo 15, do primeiro Estatuto da Fundação, de 1988: “Na data da sua constituição faz parte integrante da Fundação Cultural Pastor José Romão de Souza o Departamento de Radiodifusão, simplesmente chamado „Rádio FM Esperança‟”.

Para isso, aconteceram várias reuniões, com convocações extraordinárias, com pastores e dirigentes de congregações para discutir a formação e nome da fundação, que é uma homenagem ao pai do pastor Estevam, ideia do deputado Costa Ferreira. O mesmo ocorreu para a escolha do nome da Rádio, que foi sugerida por Ezequias Lima de Souza, filho do pastor Estevam. Interessante que o FM vem antes do Esperança, ou seja, acreditamos que teve uma preocupação que consistiu em destacar qual seria a faixa que a Rádio entraria em operação. Também, além da Fundação e de uma ata que gerou o movimento de criação da Esperança, foi necessário resolver o processo burocrático da concessão da rádio, pois envolvia o Ministério das Comunicações e o Departamento Nacional de Telecomunicações, que se tornou a Agência Nacional de Telecomunicações; bem como as documentações jurídicas e os aportes financeiros.

Sobre esse momento, Estevam Ângelo de Souza (na sua autobiografia inacabada e não publicada devido ao seu falecimento) fez questão de lembrar e explica que:

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Começou a luta quando fui despertado no espírito a sonhar com o rádio, cobrindo a cidade de São Luís e arredores com a Palavra de Deus. Com a esperança da concessão, os trabalhos com a documentação para concorrer, à campanha para aquisição do fundo de um milhão de cruzados indispensável à concorrência, a compra do terreno adequado para a instalação da emissora, o esforço para a conclusão do prédio no tempo hábil, os 20 mutirões de que participamos de sol a sol, a compra de todos os equipamentos, com grande parte importados, etc. Mas isso foi o menor. O mais pesado foram os choques. O mais agradável foram as providências de Deus, que se mostrou interessado no projeto.

Quando soube da previsão dos custos de tudo, vi que era humanamente impossível, pois tudo tinha que ser feito dentro do prazo estipulado no edital de concorrência. Na minha apreensão, orei a Deus, e Ele respondeu-me assim: Eu estava morto e

ouvia, a toda hora a rádio anunciando a minha morte. A revelação iluminou todos os meus temores. Entendi tudo: A rádio iria ao ar antes de eu morrer (SOUZA, E., 1994, p. 26, grifos nosso).

Destaca-se ainda nessa fala que, como líder carismático, a questão da “revelação divina” é algo que marca a trajetória do pastor Estevam, na qual tem a convicção de que seus projetos e sonhos se realizarão; no caso aqui, mesmo diante dos desafios e dificuldades financeiras que a Igreja enfrentava para a construção e consolidação da Rádio Esperança, a manifestação em

nome de Deus, segundo o pastor Estevam, demonstrava que a Rádio Esperança que tanto sonhava entraria no ar.

Mas voltando à questão central, foi dada à Igreja dois anos para a instalação de toda estrutura da rádio. Na composição da Fundação, Benjamin tornou-se o primeiro diretor do Departamento de Radiodifusão ou simplesmente da Rádio FM Esperança, indicado pelo seu pai, o pastor Estevam. Foi escolhido para a direção da rádio, dentre um dos motivos, porque era o único com formação em Comunicação Social – Jornalismo. Como diretor, começou sua pesquisa sobre toda a disposição da emissora. Um desses momentos foi quando ele juntamente com seu irmão, Samuel Batista de Souza, em 1989, durante um mês, viajaram para Curitiba, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Essas cidades tinham emissoras evangélicas estabelecidas, a exemplo da Rádio Marumby, Rádio FM Evangélica, Rádio Melodia, Rádio Boas Novas e Rádio Trans Mundial.

Na verdade, a ideia de percorrer essas quatro diferentes cidades do Brasil foi obter informações sobre os aspectos de programação, produção, direção, locução e técnica, bem como os custos do funcionamento de rádio e dos equipamentos para montá-la, pois não se tinha conhecimento de como gerenciar e estruturar uma emissora. Ou ainda, a Igreja não tinha nenhuma experiência empresarial e produção profissional no ramo da comunicação; somente aquela adquirida na produção dos poucos programas quando eram comprados ou alugados espaços nas emissoras AM locais, geralmente, com horários curtos.

De volta a São Luís, foi montado grupos de trabalho coordenado por Benjamin. Um grupo discutiu toda a programação que seria transmitida pela emissora; outro tratou do processo de recrutamento e seleção do pessoal que culminaria numa contratação de profissionais e funcionários ideais para trabalharem na Rádio Esperança. Embora a prioridade fosse dada aos evangélicos, não foi fechada a quem não fazia parte do grupo. Porém, somente os diretores dos departamentos comercial, administrativo-financeiro e programação foram escolhidos pelo diretor geral Benjamin de Souza, pois, segundo ele, eram “cargos de confiança”.

Além disso, Benjamin, como diretor da Rádio, fez toda a pesquisa operacional de como instalar uma rádio, comprou alguns equipamentos de estúdio no Brasil, outros importou dos Estados Unidos. No mesmo período, também, prepararam um acervo de discos evangélicos, na qual houve várias doações dos fiéis da Igreja, dos funcionários contratados, como do próprio diretor e do pastor Estevam.

Sobre os trabalhos divididos para o andamento da instalação da Rádio Esperança, Nivaldo Ortiz, fiel da Igreja, ficou responsável pelos equipamentos pesados, a exemplo da

torre de transmissão, da antena, da parte elétrica e do transformador. Este último equipamento foi doado pela Companhia Energética do Maranhão, pois, nessa época, Nivaldo Ortiz, era engenheiro elétrico e possibilitou essa benesse, pois a Igreja não tinha condição financeira para comprá-lo.

Quanto ao pastor Estevam de Souza, então presidente da Fundação Cultural Pastor José Romão de Souza, encarregou-se da compra do terreno e da construção do prédio. De modo estratégico, o ponto mais alto de São Luís, que é o Parque Pindorama, foi o local escolhido para a disposição da rádio. O terreno fica 36 metros acima do nível do mar. Nessa época, era uma região praticamente desabitada, com poucas casas construídas no local.

Para o levantamento da obra, utilizaram-se do mesmo procedimento ou meio que as igrejas da Ilha de São Luís, que consistia em mobilizações coletivas, ou mutirões, liderados pelo pastor Estevam, com pedreiros, engenheiros de obras, que eram fiéis da Igreja. A movimentação desses mutirões se alternava, por vezes, eram realizados durante toda semana, outras vezes, a cada 15 dias; de modo que, a estrutura foi concluída, em menos de um ano. Geralmente, o grupo formado por praticamente 300 fiéis das diferentes congregações da Ilha, dividiam-se numa equipe que se dedicava na construção do prédio, e outra, na preparação da alimentação e lanches desses trabalhadores.

Todo o trabalho dos fiéis para a construção, montagem e organização da Rádio Esperança pode ser definido como trabalho voluntário, que tem por base a crença, a fé. As atividades realizadas pelos fiéis com dedicação e boa vontade, sem qualquer remuneração é uma das marcas do corpo de fiéis da Igreja, que se estende até mesmo na recepção deles quando são procurados para saber informações sobre a Igreja e a Rádio.

De modo geral, havia um esforço, um entusiasmo, um comprometimento e uma expectativa de toda a Igreja para com o cumprimento dos prazos de dois anos que foram

Figura 3 – O pastor Estevam e os fiéis na construção do prédio da Esperança

Fonte: PASTOR Estevam: 10 anos de despedida. O Estado do Maranhão. São Luís, 14 fev. 2006. Edição

determinados para colocar em funcionamento a emissora. Como decorrência disso, a Rádio Esperança entrou no ar, em caráter experimental, no dia 09 de fevereiro de 1990, às 18h, antes do programa a Voz do Brasil. Sobre esse período da Rádio Esperança, Benjamin de Souza destaca que:

[...] Assim, às 18h, a gente estava na Rádio, às 18h mexendo. Aí, bota, não bota. O sinal já estava disponível na frequência. Os irmãos da Igreja todos esperavam lá. Estava lá o pontinho vermelho só o chiado. E, então, no dia 09 de fevereiro 1990, às 19h. Perdão, às 19h era a “Voz do Brasil”. Às 18h, às 18h, no dia 9 de fevereiro de 1990, às 18h, nós começamos. O sinal da Rádio começou em caráter experimental. E aí, a primeira pessoa que falou naemissora fui eu. Eu saudei os irmãos com a paz do Senhor e disse: está no ar a partir de agora, em caráter experimental, a Rádio FM Esperança na frequência 100,9 mega-hertz; e a partir de hoje ela é sua companhia e a voz de Deus na sua vida. Vamos abençoar sua vida. Eu falei um discurso breve. E, o primeiro hino que tocou na Rádio, nesse dia, foi o hino “Graças dou”, de Luiz Carvalho. [...] E aí, nós ficamos mais ou menos uns 15 minutos tentando ajustar quando terminou esse hino de Luiz de Carvalho, nós tentamos colocar outro, mas a Rádio entrou com problema de RF (rádio frequência), muita zoada. E aí, nós tiramos do ar. Voltamos outra vez no dia seguinte, no sábado dia 10 de fevereiro de 1990. Nós entramos às 17h da tarde. E aí, quem estava comigo nesse momento era Gisele Carvalho e, depois que, eu saudei de novo a cidade, aí Gisele entrou, falou alguma coisa e colocou um outro hino que eu não me lembro agora qual foi esse hino, mas eu lembro do primeiro. [...] Ficamos assim, 09, 10, 11, 11 ficamos um pouquinho mais, 12. [...] Aí, quando foi no dia 15 de fevereiro de fato ela entrou no ar definitivamente em caráter experimental. Ela não estava mais entrando e saindo do ar toda hora, já havíamos corrigido essas situações de RF, ficou um pouco, mas dava para manter no ar [...].30

Benjamin de Souza foi a figura central na estruturação da Rádio Esperança e o responsável por colocá-la em funcionamento, nesse período experimental. Embora na história oficial da Igreja não seja explicitado, pois além de não citá-lo como primeiro diretor, pouco se fala de sua administração e direção. Sua contribuição se restringe a uma “boa administração como os demais diretores, permanecendo por três anos” (SILVA, R., 2012, p. 73), sendo isto, na segunda vez que assume a direção da emissora. Ao que parece, houve um trabalho para “apagar a memória”, pois é esquecido todo o trabalho e planejamento, no primeiro momento, que realizou com suas esquipes de trabalho para colocá-la no ar.

Depois do seu funcionamento, em período experimental, a Rádio Esperança entrou no ar, em caráter permanente, no dia 11 de abril de 1990, com a direção do Sérgio Fernando Campos Lima. Isso porque, depois ter colocado na fase experimental, Benjamin de Souza renunciou o cargo de diretor para assumir um novo ministério na cidade de Fortaleza. Mais tarde, ele retorna e assume a direção da Rádio Esperança pela segunda vez.

Na época, o funcionamento da Esperança foi o “assunto” da cidade e uma novidade que despertava a atenção e o interesse de inúmeras pessoas que desejavam ver e conhecer como funcionava. Isso porque, “nunca tinha tido nada igual para os evangélicos. [...] Naquela época não tinha nenhuma [emissora evangélica], nem AM, nem FM. Então, foi um boom”.31Esse momento é ressaltado pelo Jonas Vianna, da seguinte forma:

Uma coisa que acontece nesse primeiro momento de efervescência é uma, uma explosão geral, quando a gente fala assim na aceitação da emissora por parte do público, sobretudo o público assembleiano e o público não assembleiano, porque se via representado naquela categoria de programação, [...]. Mas o que eu quero dizer é que a empolgação foi geral e audiência da emissora foi assim retumbante para os padrões da época e por uma emissora que havia acabado de chegar.32

A recepção da Rádio Esperança foi efusiva, manifestada pelo sentimento de entusiasmo e alegria das pessoas. Sua introdução no mercado radiofônico, como única emissora evangélica, fez com que tivesse vantagem frente às demais emissoras seculares existentes. Também, havia um incentivo da liderança da Igreja para as pessoas ouvir a Rádio e os fiéis acolhiam esses estímulos com “obediência”. Essa realidade fez com quem a emissora, que começou somente com os equipamentos mínimos, apresentasse um “público cativo” e uma “audiência cativa” na Ilha de São Luís. Hoje, no prédio que foi construído, a Rádio Esperança continua instalada no mesmo local.

Dans le document Manpower planning revisited (Page 166-170)