Para definir o método de recuperação a ser adotado para as áreas ciliares de Bocaina de Minas, elaborou-se um fluxograma de decisão (Figura 5). Neste diagrama, encontram-se os principais passos para a tomada de decisão das ações a serem realizadas nos diferentes tipos de alterações encontrados nas APPs da região das cabeceiras do rio Grande.
Nas áreas onde a ação antrópica não foi muito severa e ainda existe resiliência no local, apenas o isolamento destas áreas e a eliminação dos fatores de degradação podem ser suficientes para que o processo de sucessão evolua com ingresso e desenvolvimento das novas espécies. No entanto, isso só será possível nos locais onde existam remanescentes nas proximidades. A regeneração natural é o procedimento mais econômico para recuperar áreas alteradas. No entanto, deve-se considerar que o processo de regeneração natural transcorrerá de forma mais lenta, quando comparado com a implantação pelo plantio de mudas. A velocidade da regeneração de uma determinada área após distúrbio não está condicionada apenas ao tipo de impacto inicial, mas também a outros fatores determinantes, como presença de plântulas e ou brotações, banco de sementes remanescente no solo e das sementes introduzidas na área, provenientes de áreas vizinhas (Harper 1977; UHL et al., 1982; Whitmore, 1984).
proteção, o ponto principal a ser considerado se refere ao conhecimento das condições básicas para que o processo ocorra. A regeneração pode ser favorecida por meio de operações silviculturais que propiciem melhores condições do sítio, favoreçam o ambiente para que as sementes existentes no banco de sementes e recém-chegadas por meio da chuva de sementes germinem, e as plântulas se estabeleçam. Vale salientar que práticas simples, como a construção de cercas nos locais onde haja presença de gado e a construção de aceiros nas regiões onde se constuma utilizar o fogo como prática agrícola e ou silvicultural, são muito importantes para o sucesso da recuperação de uma área por meio da regeneração natural.
Nas áreas de agricultura ou pastagem abandonadas sem alterações na estrutura do solo, onde há ausência de plantas colonizadoras, mas existem remanescentes nas proximidades, recomenda-se o plantio de espécies dos grupos I, II, III, V e VI (Figura 5). Neste caso, deve-se dar ênfase às espécies ativadoras do processo de sucessão, uma vez que existem remanescentes nas proximidades e, a partir do estabelecimento destas espécies, outras, mais exigentes em solo e que necessitam de sombra, podem se estabelecer por meio da dispersão de propágulos vindos dos remanescentes existentes nas proximidades. Caso não exista remanescente nas proximidades deve-se realizar o plantio de mudas de espécies de todos os grupos com máxima diversidade.
O plantio de mudas ainda é o método mais comum de reflorestamento no Brasil. Segundo Santarelli (2001), a grande dificuldade dos reflorestamentos com espécies nativas tem sido a obtenção de mudas com a qualidade e na quantidade desejadas, assim como na diversidade de espécies. Segundo Botelho & Davide (2002), o plantio de mudas pode ser realizado tanto para plantios em área total, nos locais onde não existe mais vegetação arbórea, como dentro do
Para as áreas com presença de plantas colonizadoras onde for detectada a ocorrência de espécies com antibiose, como Pteridium sp. e Gleichenia sp., que chegam a formar verdadeiros maciços, dificultando o processo de regeneração, deve-se realizar o controle populacional destas espécies. O objetivo é minimizar a competição com a regeneração das espécies arbóreas, possibilitando o avanço sucessional e, em seguida, realizar o enriquecimento da área com espécies dos grupos IV e VI, quando existirem remanescentes nas proximidades, e dos grupos IV, VI e VII, quando não tiver outras fontes de propágulos nas proximidades. Por outro lado, se for detectada a presença de indivíduos regenerantes e não houver dominância de espécies com antibiose, recomenda-se o enriquecimento da área com espécies dos grupos III, VI, e VII (Figura 5). Neste caso, deve-se priorizar as espécies atrativas à fauna dispersora e aquelas de estágios mais avançado de sucessão ecológica, pois, já existem espécies colonizadoras no local, que melhoram o solo e proporcionam o sombreamento necessário para aquelas espécies dos estágios mais avançados.
Enriquecer uma área secundária (capoeiras) significa adicionar espécies arbóreas que não estão presentes na área e ou aumentar sua densidade, contribuindo para o incremento da biodiversidade e para a aceleração na regeneração da floresta. Portnto, o enriquecimento deve ser adotado para as áreas que já possuem uma cobertura vegetal composta por arbustos e ou árvores de estágios iniciais de sucessão já estabelecidas.
Nas áreas com alterações na estrutura física, química e biológica do solo, nos sítios onde o plantio é inevitável, pois a área perdeu parte e ou toda a resiliência, recomenda-se o uso de espécies adaptadas a solos pobres e que geralmente se estabelecerem em ambientes alterados e que proporcionem condições favoráveis para os mecanismos de regeneração natural. Nestes sítios,
ao plantio espécies ativadoras da sucessão, visando melhorar as condições de solo do local e, a partir destas melhorias, outras espécies mais exigentes em solo podem ser disseminadas e se desenvolverem nesta área. Quando não houver remanescente próximo, recomenda-se o plantio com espécies de todos os grupos, com o máximo de diversidade, sendo recomendado o uso de um maior número de mudas das espécies dos grupos II, III, IV e VI, que têm a função de ativar o processo de sucessão e atrair a fauna de dispersores que, vindos de outras áreas, podem incorporar outras espécies.
Para as áreas situadas ao longo dos cursos d´água sobre solos aluviais sujeitos a inundações periódicas, recomenda-se o uso de espécies que tolere encharcamento, principalmente aquelas que serão plantadas na faixa mais próxima do curso d´água. A relação destas espécies pode ser obtida nas Tabelas 2 e 3. de
4 CONCLUSÕES
Com base nos dados obtidos no presente estudo, pôde-se concluir que: • a análise de correspondência retificada (DCA) mostrou uma tendência de separação dos sítios em grupos distintos, o que evidencia a necessidade de analisar as áreas a serem recuperadas em relação aos diferentes sítios, no caso das matas ciliares, principalmente em relação ao efeito da influência da umidade, em dependência da declividade e tipo de solo;
• houve diferença significativa na composição das espécies em relação aos diferentes tipos de sítio avaliados, com a formação de três grupos, representados pelos sítios aluvião com inundação periódica, aluvião com inundação rápida e encosta, representando o sítio mésico.