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ANALOGUES DU MBL-II-141

II.5. CONCLUSIONS DES ÉTUDES DE RELATIONS STRUCTURE- STRUCTURE-ACTIVITÉ

Conviver com uma condição crônica de saúde é um desafio diário na vida de qualquer pessoa, pois esta tarefa o acompanha 24 horas por dia, 7 dias por semana, 30 dias por mês e 365 dias por ano, durante toda sua vida, após o diagnóstico. Requer adaptação constante decorrente desta condição, que, em alguns momentos, pode ser referente ao distúrbio metabólico ou doença propriamente dita, bem como ter que passar e viver com limitações decorrentes desta condição crônica de saúde.

doença crônica é mais do que a soma de vários eventos específicos que ocorrem no curso de uma doença; ela é um relacionamento entre momentos específicos e esse curso crônico. É assimilada na vida da pessoa, contribuindo assim para o desenvolvimento de uma vida onde a doença torna-se inseparável de sua história de vida.

A aceitação de uma doença crônica é um processo de maturação, pelo qual as pessoas passam quando confrontadas com esta nova situação (LACROIX; ASSAL, 2000). Esses autores referem-se ao choque inicial e dizem que o conhecimento do diagnóstico afeta diferentemente as pessoas, em função da percepção que cada um tem da doença. Para estes autores, algumas pessoas parecem relativamente despreocupadas, uma vez que eles não percebem as implicações. Esta situação freqüentemente acontece para as pessoas com DM2, cujo diabetes é descoberto durante uma avaliação de rotina. Para outros, este diagnóstico pode acompanhar a presença de uma complicação crônica, como amputação ou cegueira, causando angústia severa, assim considerando o diabetes como uma catástrofe.

Quando o diagnóstico acontece logo após um sofrimento anterior, do qual se desconhece a causa, pode representar um alívio quanto às dúvidas sobre o futuro. Pode ser encarado de forma mais positiva, pois representa a possibilidade de tratamento (VERSTEGEN, 1997).

A situação que envolve o diagnóstico deve ser valorizada e o diálogo entre o profissional de saúde-cliente precisa considerar estas circunstâncias, pois muitas vezes, dependendo da situação, a pessoa pode sofrer bloqueios, dificultando a aderência ao tratamento (LACROIX; ASSAL, 2000).

Geralmente as pessoas com DM apresentam diferentes sentimentos no processo de aceitação da doença. Alguns autores têm utilizado as fases propostas por Kübler-Ross (1989), citados por Lacroix e Assal (2000); Assal (1996) e Ada (1998) para representar também o processo de aceitação do viver com uma doença crônica. Estas fases incluem: negação ou recusa, revolta ou raiva, barganha, tristeza ou depressão e aceitação. Apresentarei cada um desses sentimentos, separadamente, para descrever melhor suas características.

v Negação ou recusa

Encarar uma situação inesperada e desagradável invariavelmente, provoca uma reação de descrença. Por constituir-se uma situação transitória, esta descrença pode tornar-se um mecanismo de defesa real contra a ansiedade. Neste caso, as pessoas com diabetes

minimizam a situação, considerando que o diabetes não é um problema (LACROIX; ASSAL,2000).

De acordo com ADA (1998), a recusa contínua impede que a pessoa aprenda o que é necessário para se manter sadio. Algumas frases são características desta etapa, como: “Um pedacinho só não vai fazer mal”; “Essa ferida se curará sozinha”; “Mais tarde eu procuro o médico”; “Minha diabetes não é séria”; “Eu só tomo comprimidos, não injeções”.

v Revolta ou raiva

Para Lacroix e Assal (2000) ter que passar a conviver com uma doença crônica pode ser percebido como uma injustiça, levando a pessoa a fazer alguns questionamentos, tais como: “Por que comigo?”; “O que eu fiz de errado para ter que passar por isto?”

Este sentimento, geralmente pouco reconhecido pelos profissionais de saúde, passa a significar, entretanto, que a pessoa com diabetes ainda está pouco consciente de sua doença e que nesta fase as pessoas não conseguem compreender adequadamente as informações que recebem (ASSAL, 1996).

Quando esta fase é identificada na adolescência, à revolta contra a doença pode acrescentar-se uma crise emocional associada a seu grupo etário. Para o adolescente, a restrição do tratamento é considerada uma punição e este torna-se particularmente resistente a qualquer argumento (LACROIX; ASSAL, 2000).

v Barganha

Na fase de barganha, a pessoa reconhece a necessidade de mudanças de hábitos, porém impõe negociações quanto à sua realização, discutindo tratamento. Menos turbulenta que a revolta, esta reação corresponde ao desejo das pessoas com diabetes de conceder o menor tempo possível para assumir compromissos com o seu tratamento. reconhece a necessidade do tratamento, porém passa a utilizar de recursos para justificar seu comportamento (ASSAL, 1996; LACROIX; ASSAL, 2000).

v Depressão ou tristeza

Nesta fase, a pessoa pode mostrar interesse em aprender, o que nem sempre é satisfeito pelos profissionais de saúde. A pessoa está triste, porque está ciente do que terá que encarar (ASSAL, 1996). O futuro parece obscuro e sente por não poder mais viver da forma que fazia anteriormente (LACROIX; ASSAL, 2000). Ficar deprimido de vez em quando é considerado normal, mas sentir-se triste, duas semanas ou mais, pode ser sinal de séria depressão (ADA, 1998).

v Aceitação

Pessoas que conseguem conviver com sua doença passam a apresentar um equilíbrio emocional, tornando-se mais facilmente adaptadas ao tratamento, podendo contribuir e manejar sua vida pessoal, familiar e profissional. Uma das características desta etapa é o reconhecimento por estas pessoas de que a doença pode significar riscos para elas, dos quais elas estão cientes, porém podem ser evitados, dependendo da forma como é realizado o seu tratamento. A vigilância precisa ser parte de sua vida, sem ser uma obsessão (LACROIX; ASSAL, 2000). Para estes autores, o termo mais adequado seria encarar em vez de aceitar, adotando uma atitude realista e ativa.

Nesta fase, a pessoa passa a ser receptiva às informações, escuta com atenção, passa a realizar os cuidados para manter o controle de sua saúde, aceitando sugestões que possam melhorar sua vida (ASSAL, 1996). Ela se torna um parceiro no processo educativo, precisando ser ouvida e pode contribuir de forma positiva para que outras pessoas consigam atingir esta fase.

Com relação ao processo de viver com diabetes, quero destacar dois estudos feitos por enfermeiras que não limitam seus trabalhos nos aspectos relacionados apenas aos conhecimentos da biomedicina, para compreender o que é viver com diabetes, Silva (2000) desenvolveu um estudo com o objetivo de compreender como as pessoas com diabetes constroem a experiência de viver com DM e Francioni (2002) sobre o processo de aceitação de viver com diabetes.

O processo de aceitação foi estudado por Francioni (2002), que estabeleceu e denominou quatro etapas vivenciadas por pessoas com diabetes: a descoberta foi horrível; conviver é difícil; mas tem que acostumar; viver bem com diabetes é possível. Nas categorias

descritas pela autora não existe uma seqüência lógica para que elas ocorram durante as experiências destas pessoas de viver com diabetes.

Silva (2000), na pesquisa que desenvolveu com pessoas com diabetes com o objetivo de compreender como as pessoas constroem a experiência de viver com DM, identificou cinco diferentes narrativas, que evidenciam a maneira como elas convivem com a doença: viver sem prazer; viver mantendo o diabetes sob controle; viver na esperança de uma vida melhor; viver em conflito e viver como se não tivesse diabetes.