Noves temàtiques per als problemes de química
6. Problemes experimentals
6.2. Conclusions de l’anàlisi i reformulació de la pràctica
Ao atuarem globalmente, as montadoras seguem o objetivo de criar um padrão de concorrência e estratégias eficazes com o intuito de ampliar seus lucros. Em termos de padrão de concorrência, considerada como um dos setores industriais mais dinâmicos, a indústria automobilística mundial é composta por um oligopólio global de empresas internacionalizadas em que são grandes as barreiras
econômicas e tecnológicas à entrada de novos competidores (CASOTTI; GOLDENSTEIN, 2008). Pode-se afirmar que a indústria está em permanente processo de consolidação, sendo freqüentes as incorporações, fusões, joint ventures e parcerias comerciais das mais diversas naturezas que, de uma forma geral, reafirmam o caráter oligopolista do setor.
O setor automobilístico sempre se caracterizou por envolver empresas de grande porte - considerando a estrutura industrial da economia - devido ao seu padrão tecnológico e à amplitude do mercado atendido (COSTA; HENKIN, 2012). Conforme Senhoras (2005), o setor automobilístico disseminou inovações na produção e nos produtos, que influenciaram muitos outros setores da economia e a organização dos espaços (destaque para o Fordismo e o Toyotismo). Na visão do autor, com o seu amplo capital empregado em inovações e adaptações informacionais, é um dos setores da economia mais característico do meio técnico-científico-informacional global.
Nesse sentido, dada a complexidade tecnológica no desenvolvimento de produtos e no processo de fabricação, o setor incorre em pesados custos fixos: P&D em novos produtos, propaganda, custos de setup (moldes, ajustamento de maquinário e outros), investimentos em máquinas e equipamentos, montagem da infra estrutura produtiva, dentre outros. Sendo assim, as empresas buscam abater esses custos através da obtenção de economias de escala e escopo, além de agregar valor aos produtos através de diferenciação (COSTA; HENKIN, 2012, p. 4). Portanto, para que uma empresa obtenha lucro nesse setor é necessária uma estrutura empresarial de porte razoável, ou a especialização em atender a um nicho de mercado específico de produtos de maior valor agregado. Conforme pode ser visualizado no Quadro 10, o setor automotivo caracteriza-se por produzir bens duráveis de consumo com economias de escala e de escopo. Pode se caracterizar como um oligopólio concentrado e diferenciado, o que permite defini-lo como um oligopólio misto. Isso porque é representado por um pequeno número de grandes grupos empresariais com alto volume de capital e
uma elevada gama de produtos diferenciados, aspectos que definem as estratégias concorrenciais.
A estrutura de mercado é relativamente estável, caracterizada por um processo de concentração técnica, cujo aspecto principal é a criação de descontinuidade tecnológica. A tecnologia tem papel fundamental, gerando custos decrescentes devido a maior eficiência produtiva. No Quadro 10 são explicitadas as características estruturais e concorrenciais da indústria automobilística na percepção de Senhoras (2012).
Quadro 10 - Características estruturais e concorrenciais do setor automotivo.
Oligopólio Concentrado + Diferenciado = Oligopólio Misto
Setor Bens duráveis de consumo, cujos insumos básicos e bens de capital padronizados requerem economias de escala e de escopo
Diferenciação do produto As economias de escopo são tão importantes quanto às economias de escala no valor final do produto.
Economia de escala Alta concentração técnica devido: 1) economia técnica de escala; b) elevado montante de capital inicial mínimo; e c) facilidade de acesso à tecnologia e insumo.
Formatos de estratégia concorrencial
Combina planejamento do excesso de capacidade com a busca de diferenciação e inovação do produto, como forma de ampliar o mercado. A concorrência via preço, embora não seja descartada, não é habitual, pois além de por em risco a estabilidade do mercado, a margem é rígida à faixa, por conta do esforço de vendas.
Estrutura de mercado Relativamente estável, em função de sua alta concentração e da existência de barreiras à entrada. Destinado a consumidores de média renda e dependente da conjuntura econômica. Fonte: Senhoras (2005, p. 2).
Em termos estratégicos, vale notar que a indústria automobilística demonstra estar constantemente reformulando suas estratégias, de acordo com os lugares onde atua, com novos acréscimos em ciência e tecnologias cada vez mais flexíveis e adaptáveis às oscilações do mercado competitivo. Como cada uma das etapas produtivas da indústria automotiva pode ser realizada sem que exista uma continuidade física entre elas, as fábricas são distribuídas mundialmente de tal forma que os recursos de cada país possam ser explorados estrategicamente, segundo custos e valor agregado.
Sobre a ação estratégica das montadoras, Costa e Henkin (2012) avaliam que, a partir da década de 1990, as novas condições do ambiente mundial são impostas e exigem reavaliações estratégicas das montadoras: 1) buscam-se maiores reduções nos custos de produção para diminuir o preço de oferta dos veículos produzidos; 2) ocorre o encurtamento do ciclo de vida dos produtos ofertados, através da aceleração do processo de introdução de inovações tecnológicas, com o objetivo de se obter liderança em diferenciação. O lançamento de novos modelos com maior frequência também passa a fazer parte do arsenal de concorrência das empresas. Há ainda a necessidade de maior flexibilidade na fabricação dos veículos, de modo a atingir uma gama variada de perfis de consumidores.
Almeida et al. (2006) destacam, também, o investimento nos mercados emergentes como estratégia da indústria automobilística internacional. Essa estratégia inseriu-se no âmbito da nova configuração da estrutura produtiva mundial, em que empresas participam da cadeia global de produção e distribuição, impondo novos relacionamentos inter-empresas e inter-mercados.
Considerando as estratégias de localização e das funções de cada unidade da organização, Ferdows (1997), atualizado por Dias, Galina e Silva (2008) desenvolveram uma classificação para determinar o estabelecimento dos papéis de cada fábrica no exterior: 1) Offshore - produz itens específicos a baixo custo; não é inovativa; segue métodos preestabelecidos; 2) Source (Fonte) - objetivo primário é produzir a baixo custo, mas possui uma autonomia maior que das offshore, realizando, por exemplo, alterações de processos, planos de produção e escolha de fornecedores; 3) Server (Servidora) - Produz para mercados nacionais ou regionais específicos. Busca transpor barreiras tarifárias e diminuir custos logísticos, estando próximas do mercado consumidor; 4)
Contributor (Contribuidora) - também atende o mercado nacional/regional, mas possui engenharia de processo e produto, e também atua na escolha e desenvolvimento de fornecedores (inclusive para toda a companhia); 5) Outpost (Posto Avançado) - seu papel principal é coletar informações para a organização. Para tanto, essas fábricas localizam-se em áreas que possuem fornecedores, clientes, laboratórios de pesquisa e competidores avançados; 6)· Lead (Líder/Direcionadora) - Cria novos processos, produtos e tecnologias para toda a organização.
Essa classificação está baseada em 3 eixos principais na escolha dos papéis estratégicos das fábricas: acesso a baixo custo de produção (Offshore, Source); proximidade do mercado (Server, Contributor); acesso a habilidades e conhecimento (Outpost, Lead). É possível, ao longo do tempo, alterar esses papéis das fábricas estrangeiras (DIAS; GALINA, 2008). Nesse contexto, Sacomano Neto e Iemma (2004) destacam que, a partir da década de 1990, várias estratégias da indústria automobilística mundial estão sendo implementadas nos mercados emergentes. Um esboço dessas estratégias é apresentado no Quadro 11. Quadro 11 - Estratégias da indústria automotiva mundial.
Estratégias Aspectos básicos Simplificação dos
produtos
Estratégia para reduzir os custos de design. Nesse caso, a padronização pode possibilitar o projeto e a produção de um carro global, considerando-se as limitações das realidades locais;
Redução das plataformas:
Utilização da mesma plataforma para a produção de veículos, adquirindo vantagens da “comonalização” de componentes e plataformas;
Comunização Compartilhamento dos principais componentes, plataformas e políticas de relações de trabalho, sendo um elemento central da montagem modular e da internacionalização do setor. Seu grau é complexo devido à relação entre aspectos globais e/ou locais; Modularização É definida através de três áreas distintas: design, uso e
produção, indicando a montagem de subsistemas ou módulos. Reduz a rigidez, os custos e as limitações trazidas pela diversidade, indicando mais responsabilidades gerenciais dos fornecedores sobre a cadeia de fornecimento;
[...] Continuação do Quadro 11.
Hierarquização dos
fornecedores
Seleção de um número reduzido de fornecedores que devem atender a implantação de programas de qualidade, entregas
just in time, adaptar e homologar novos itens de
fornecimento. Esses são chamados sistemistas101, ou seja, os fornecedores de “auto sistemas”.
Redução de custos
Importância vital em função da diminuição das margens de lucro dos montadores de veículos. A “guerra de preços”, os descontos e os financiamentos exercem pressão para a contínua redução dos custos. Nesse âmbito, as relações cooperativas podem ser uma forma de redução dos custos, investimentos e riscos para as montadoras;
Follow sourcing
O fornecedor acompanha a montadora para qualquer lugar onde o modelo em questão é produzido. Com isso, possui vantagens advindas de relações de longo prazo e riscos de perder os contratos nos países de origem caso não o fizerem. Essa estratégia foi muito desenvolvida no Brasil, em função do despreparo dos fornecedores nacionais em relação às demandas das montadoras;
Global sourcing Montadoras buscam as melhores condições de
fornecimento, tais como preço e qualidade, independente da localização geográfica. Isso porque, a possibilidade de importar peças passou a ser um dos mecanismos de pressão aos preços praticados pelos fornecedores locais;
Investimentos Os investimentos têm grande relação com as estratégias oligopolistas das montadoras que, por meio desse mecanismo, criam barreiras à entrada de novos competidores internacionais;
Super
capacidade de produção
Relacionada às estratégias oligopolistas das firmas, pois cria barreiras à entrada e dificulta a instalação de novas montadoras.
Fonte: Elaborado pela autora a partir de Sacomano Neto e Iemma (2004), e Dias, Galina e Silva (2008).
101
A diferença entre subsistemas e módulos é que o primeiro exerce uma função operacional em um sistema maior (ex: sistemas de freios, sistema de embreagens). O módulo não tem necessariamente o objetivo de ocupar uma posição funcional nos veículos, sendo que uma mudança em um dos módulos não necessariamente afetará outros módulos do produto.
Quanto a essas estratégias, Torres (2011, p. 55) complementa que "os maiores fornecedores, também com origem nos países centrais, tornaram-se "fornecedores globais", com operações em nível mundial e capacidade de oferecer bens e serviços para várias montadoras líderes do setor". A ascensão de fornecedores globais levou, ainda, à estratégia de assumir responsabilidade pelo desenvolvimento de autopeças, não só no que tange à produção, mas também na concepção, no desenho e na solução técnica para novos veículos.
Nesse contexto, as estratégias de concorrência em âmbito internacional se caracterizam por serem interligadas, conformando um conjunto coeso de decisões em diferentes esferas, notadamente na área de investimentos, produção, produto, desenvolvimento tecnológico e vendas. O Quadro 12 fornece um resumo sintético considerando as estratégicas concorrenciais nessas diferentes áreas.
Quadro 12 - Estratégias de concorrência na indústria automotiva mundial após 1990.
Estratégia de
Investimento
-Saturação do mercado nos países desenvolvidos. -As nações emergentes tornam-se plataformas regionais de produção e distribuição.
-Transição de um modelo doméstico para um modelo global de competição.
Estratégia de produção -Modernização das plantas existentes e inauguração de novas unidades pelas montadoras já estabelecidas e pelos novos entrantes.
-Foco na obtenção de economias de escala, por meio da especialização por plataforma de automóvel, e de economias de escopo, através da flexibilidade permitida por uma organização na forma modular. Estratégias de Produto e
de Desenvolvimento Tecnológico
-Redução do número de plataformas e elevação de sua padronização,
-Aceleração do ciclo de vida do produto.
-Gastos e incertezas (técnicas e de mercado) inerentes ao processo de introdução de inovações tecnológicas é dividida com os fornecedores de primeiro nível.
[...] Continuação do Quadro 12.
Estratégia de Esforço de Vendas
-O esforço de vendas é perseguido pelo fortalecimento da marca, de gastos em propaganda e em marketing, controle de canais de distribuição e oferta de serviços pós-vendas.
-Algumas empresas apresentam escopo amplo de produtos, visando atender mais de um segmento de mercado.
-Outras são focadas no atendimento de nichos específicos de mercado.
-Alianças estratégicas, fusões e aquisições têm sido a norma na indústria automobilística.
-Interessante para as montadoras ter disponível o serviço de financiamento para a aquisição dos veículos pelos consumidores.
Fonte: Elaborado pela autora, a partir de Costa e Henkin (2012).
3.3 ASPECTOS ECONÔMICOS DO MERCADO AUTOMOTIVO