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5.5 Conclusions and perspectives

As transformações sociais se processam rapidamente e a mudança se tornou à regra. Nessa situação dinâmica, a educação é um processo contínuo de construção e reorganização dos conhecimentos, tendo como finalidade o desenvolvimento global e harmonioso da personalidade, para formar o indivíduo crítico num contexto histórico.(SANCHO,1998).

Considerando que é importante estimular a aprendizagem por descoberta, recriação dos conhecimentos e busca de atualização frente à revolução da informação, a introdução do computador na escola deve ser feita de modo contínuo, concretizando uma mudança efetiva diante dos recursos tecnológicos.

LÉVY (1998, p.29) afirma que “o uso dos computadores no ensino

prepara para uma nova cultura informatizada”.

Em relação aos efeitos de seu uso, afirma Nogueira (1996 p.101): “Os

efeitos do computador são determinados, não pelo computador, mas pelas características dos alunos e professores, pela metodologia de ensino, pela organização social da turma”.

Moran, Massetto e Behrens (2000) apresentam possíveis usos pedagógicos: (a) na divulgação do conhecimento; (b) na pesquisa; (c) no apoio ao ensino; e (d) na comunicação interpessoal.

Segundo Liguori, citado por Litwin, (1997, p. 90) a utilização dos computadores como recurso didático pode melhorar a aprendizagem sempre que se analise com critérios pedagógicos:

a) O aproveitamento que se faz das características próprias da ferramenta informática; a capacidade de interação aluno/informação; a capacidade de retroalimentar a aprendizagem dos alunos.

b) A contribuição para a aprendizagem desde uma perspectiva inovadora, isto é, que favoreça a participação solidária entre os alunos;

possibilite a pesquisa, a aprendizagem por descoberta e a recriação dos conhecimentos; apresente uma visão integradora em sua concepção, e propicie o tratamento interdisciplinar dos temas do currículo.

c) As modalidades de trabalho em aula.

É necessária a conscientização de que o computador é uma poderosa ferramenta, que apresenta um forte apoio no processo do desenvolvimento cognitivo, dependendo dos critérios pedagógicos.

O computador poderá ser o “novo” inovador que suscitará discussões importantes para o avanço da compreensão, do desenvolvimento e da aprendizagem sob vários aspectos, ou poderá ser o velho vestindo uma roupagem nova que mascara aspectos já superados no que concerne à alfabetização, conforme analisa Foucambert (1998, p.37).

Valente (1998), cita que o computador pode ser usado na educação como máquina de ensinar ou como máquina para ser ensinada. O uso do computador como máquina de ensinar consiste na informatização dos métodos de ensino tradicionais. Do ponto de vista pedagógico, esse é o paradigma instrucionista. Alguém implementa no computador uma série de informações e essas informações são passadas ao aluno na forma de um tutorial, exercício-e-prática ou jogo.

Em oposição a esse paradigma, Papert (1986) denominou de construcionista a abordagem pela qual o aprendiz constrói, por intermédio do computador, o seu próprio conhecimento. Ele usou esse termo para mostrar um outro nível de construção do conhecimento: a construção do conhecimento que acontece quando o aluno constrói um objeto de seu interesse, como uma obra de arte, um relato de experiência ou um programa de computador.

Construcionismo é um conceito educacional definido por Seymour Papert (1980), para designar o uso do computador para a representação, a reflexão e a

depuração de idéias, por meio de um processo interativo que propicia a construção do conhecimento.

Através da interação com o computador, o indivíduo visualiza suas construções mentais, estabelecendo uma relação dialética entre o concreto e o abstrato. O erro torna-se um objeto de análise dos equívocos cometidos, para que sejam identificados e reformulados em um processo de reflexão e depuração que promove a aprendizagem e o desenvolvimento (PIAGET,1972).

Na noção de construcionismo de Papert, o aprendiz constrói alguma coisa, ou seja, é o aprendizado por meio do fazer, do "colocar a mão na massa", e pelo fato de o aprendiz estar construindo algo do seu interesse e para o qual ele está bastante motivado, o envolvimento afetivo torna a aprendizagem mais significativa. Nesse caso, o computador oferece certas ações que são bastante efetivas no processo de construção do conhecimento (VALENTE, 1993).

Piscitelli (1997) ressalta que uma mudança importante introduzida pela presença das redes de computadores, quanto à produção de conhecimento, é que ele não mais se constrói apenas indutiva ou dedutivamente, mas de forma interativa. Destacando o potencial das redes eletrônicas para a educação, o computador é, na escola, mais um recurso didático disponível para possibilitar o desenvolvimento de habilidades necessárias para formação de aluno crítico, criativo e agente de transformação.

4.2.1 Modalidades de Uso do Computador

Os programas educacionais e as diferentes modalidades de uso do computador mostram que esta tecnologia pode ser útil no processo de ensino- aprendizagem. (SANDHOLTZ,1997).

O ensino através da informática tem suas raízes no ensino através das máquinas. Suppes (1972) justifica esta idéia na figura do Dr. Sidney Pressey que, em 1924, inventou uma máquina para corrigir testes de múltipla escolha.

Suppes (1972) aponta, num percurso histórico, que B.F. Skinner posteriormente reelaborou este processo, no início de 1950, como professor de Harvard, propondo uma máquina para ensinar através de instrução programada, que consistia em dividir o material a ser ensinado em pequenos segmentos logicamente encadeados e denominados módulos, e cujo objetivo era remediar o processo de ensino.

A proposta de Skinner decorre do fato de, à época, atividades de instrução programada serem apresentadas na forma impressa, e por isso, de difícil a produção do material instrucional, além dos materiais existentes não possuírem nenhuma padronização, o que dificultava a sua disseminação. (SUPPES,1972).

Com o advento do computador, notou-se que os módulos do material instrucional poderiam ser apresentados pelo computador com grande flexibilidade. Assim, durante o início dos anos 60, diversos programas de instrução programada foram implementados no computador — nascia à instrução auxiliada por computador ou "computer-aided instruction", também conhecida como CAI. Na versão brasileira, estes programas são conhecidos como PEC - Programas Educacionais por Computador (VALENTE,1988).

Em 1963, a Universidade de Stanford na Califórnia, através do Institute for Mathematical Studies in the Social Sciences, desenvolveu diversos cursos como matemática e leitura para alunos do 1º grau (SUPPES, 1972). Posteriormente, diversos cursos da Universidade de Stanford foram ministrados através do computador.

O professor Patrick Suppes, desta Universidade, apresentava -se como o professor que ministrava mais cursos e que tinha o maior número de estudantes

do que qualquer outro professor universitário nos Estados Unidos da América. Todos os seus cursos eram do tipo CAI (SUPPES, SMITH e BEAR, 1975).

A disseminação das instruções programadas nas escolas somente aconteceu com os microcomputadores. Isto permitiu uma enorme produção de cursos e uma diversificação de tipos de CAI, como tutoriais, programas de demonstração, exercício-e-prática, avaliação do aprendizado, jogos educacionais e simulação.(VALENTE,1988).

A idéia de ensino pelo computador passa, a partir de então, a permitir a elaboração de outras abordagens, em que o computador é usado como ferramenta no auxílio de resolução de problemas, na produção de textos, manipulação de banco de dados e controle de processos em tempo real. (VALENTE,1991).

Valente (1991) aborda que, atualmente, as novas modalidades de uso do computador na educação apontam para uma nova direção: o uso desta tecnologia não como "máquina de ensinar" mas, como uma nova mídia educacional: o computador passa a ser uma ferramenta educacional, uma ferramenta de complementação, de aperfeiçoamento e de possíveis mudanças na qualidade do ensino.

Estas mudanças podem ser introduzidas com a presença do computador que deve propiciar as condições para os estudantes exercitarem a capacidade de procurar e selecionar informação, resolver problemas e aprender independentemente (VALENTE,1991).

As novas tendências de uso do computador na educação mostram que ele pode ser um importante aliado à verdadeira função do aparato educacional, que não deve ser a de ensinar, mas sim a de criar condições de aprendizagem. Valente (1993) apresenta diferentes usos do computador na Educação.

O quadro 1 sintetiza estes usos:

QUADRO 1 - DIFERENTES USOS DO COMPUTADOR NA EDUCAÇÃO

USO CARACTERIZAÇÃO VANTAGENS E/OU DESVANTAGENS