LEARNING FROM OPERATIONAL EXPERIENCE (Technical Session 4)
ENFORCEMENT INSTITUTIONS - EXPERIENCE AND PROBLEMS IN LATVIA INGA LINDE, ANDREJS SALMINS
6. Conclusions and main activities for future
Na visão estruturalista não se concebe a variação, o sistema é composto de relações opositivas, instaurando-se então a questão Como observar a mudança
lingüística? A mudança lingüística teria que ser concluída para ser estudada.
Na perspectiva sociolingüística a mudança lingüística pressupõe variação, mas nem toda variação implica necessariamente mudança, pois duas formas podem co- ocorrer, sem que uma substitua a outra. E ainda assim para que ocorra o desaparecimento de uma variante é necessário que tenha existido um período de convivência, idéia que se opõe ao que postulou Bloomfield (apud WEINREICH, LABOV E HERZOG 2006). Vale ressaltar que há regras na língua que são categóricas ou invariantes às quais o falante não pode infringir.
Para que se possa analisar a mudança e a variação é pertinente buscar a definição de tempo aparente e tempo real. Estes recursos possibilitam a observação da mudança lingüística no momento em que esteja se processando.
No tempo aparente a língua é analisada por meio de um recorte num determinado momento do tempo utilizando, como instrumento, as faixas etárias dos falantes. Para exemplificar, poderíamos tomar o uso dos clíticos por um falante de 60 anos que refletiria uso de 45 anos atrás. Assim, poderíamos olhar o passado sem sair do presente. Se observarmos na fala dos mais jovens a implementação de uma variante inovadora, e um decréscimo desta mesma variante à proporção que a faixa etária sobe, pode estar ocorrendo uma mudança em curso, sendo que não se podem deixar de lado outros fatores sociais. Por outro lado, a variação estável pode ser constatada e representada de diferentes modos, como em gráfico, que mostre o equilíbrio no uso das variantes, entre as faixas etárias. Assim, pode ser que as variantes de uma língua estejam permanentemente em convivência, sem, necessariamente, uma substituir a outra, porém se houver a substituição completar-se-á a mudança lingüística na comunidade de fala.
No tempo real a análise é feita em diferentes momentos do tempo, tendo como base cartas, documentos, peças teatrais etc., uma vez que até pouco tempo não se tinha o recurso da gravação da fala. Toma-se, por exemplo, para esse tipo de análise, o confronto entre diferentes momentos da língua, representado por sincronias distintas.
À mudança lingüística, conforme Weinreich, Labov e Herzog (2006), se colocam cinco problemas com que os lingüistas terão de lidar, cuja explicitação se observa a seguir:
a) O problema das restrições [constraint problem] — ocupa-se em determinar que tipos de mudanças são universalmente possíveis, podendo-se formular a pergunta
Que mudanças são possíveis e que mudanças não são?
b) O problema da transição [trasition problem] — consiste em identificar a rota entre duas etapas da mudança, constitui um problema interno. Deste modo pode-se
perguntar, Como se dá a mudança? É de forma gradual ou abrupta? Seria observar a trilha pela qual uma variante lingüística passou para evoluir para outra.
c) O problema do encaixamento [embedding problem] — tende a identificar tanto a matriz social quanto a matriz lingüística em que se verifica a mudança lingüística. É na resolução deste problema que o conceito de variável lingüística e os estudos de variação encontram a sua mais valiosa contribuição. Deste modo, a pergunta a que se deve responder é Como a variável se encaixa no sistema lingüístico e social da
comunidade? É possível exemplificar como isso se aplicaria, tomando aqui nossa
variável dependente Objeto direto anafórico de 3ª pessoa na fala culta de Salvador: o
clítico em desuso, buscando analisar quais os fatores lingüísticos e sociais que
condicionam a substituição do clítico por outras possibilidades de uso.
d) O problema da avaliação [evaluation problem] — consiste em avaliar o comportamento subjetivo dos falantes de uma comunidade sobre a mudança em curso, podendo-se perguntar Como os membros de uma comunidade avaliam as variantes?. Este problema ilustra-se com um trabalho de Labov, conforme Tarallo (1985), sobre a centralização dos ditongos /ay/ e /aw/, na ilha de Martha´s Vineyard, no estado de Massachuster, nos Estados Unidos. Nesta pesquisa foram entrevistadas 69 pessoas, classificadas segundo distribuição geográfica, ocupação e faixa etária. Os resultados demonstraram que a zona rural, pescadores e de faixa etária de 31 a 45 anos, favoreceram a centralização do ditongo, ou seja a forma não-padrão; o que tornou evidente a primeira intuição do pesquisador de que os nativos da zona rural da ilha, pescadores e de faixa etária jovem reagem à invasão dos veranistas através da demarcação lingüística. Uma outra dimensão da avaliação lingüística foi incluída na análise de Labov: verificar se os sentimentos dos falantes em relação à ilha são responsáveis pelos altos índices de centralização dos ditongos. A avaliação foi
classificada em três níveis — positivo, negativo e neutro. Dos 65 falantes entrevistados, 40 expressaram-se positivamente em relação à ilha, 19 assumiram uma posição neutra, e 06 afirmaram que preferiam não residir na ilha. Sendo assim, as conclusões de Labov apontam para o fato de que os falantes que se expressam de modo positivo em relação ao meio social, centralizam mais; os que têm uma atitude neutra o fazem de forma intermediária e aqueles de atitude negativa em relação à ilha rejeitam a norma local.
Desta forma, é possível atentar para o fato de que as variantes lingüísticas podem adquirir prestígio social ou serem estigmatizadas. A variante inovadora, geralmente, é a que sofre estigma, por ser a não padrão. Por outro lado, a variante conservadora é aquela prestigiada socialmente e a que figura no padrão gramatical. Estas afirmações podem não ser completamente verdadeiras, se atentarmos, por exemplo, para o uso do clítico, no português brasileiro atual, visto que, a depender da situação de fala, uma construção como Onde está o livro? Pu-lo sobre a mesa, embora seja conservadora e prescrita nas gramáticas tradicionais, não parece ser de prestígio na comunidade de fala brasileira.
e) O problema da implementação [actuation problem] — consiste em identificar os fatores lingüísticos e sociais que motivam a mudança. A complexidade dos fatores que intervêm na mudança lingüística faz com que este seja um problema de difícil solução, levantando as questões Por quê, quando e onde uma determinada mudança
ocorreu? Este problema, busca de certa forma, encontrar uma causa para a mudança.
Vale registrar aqui, dentre os princípios com os quais Weinreich, Labov e Herzog (2006, p. 125-126) sintetizam sua proposta sobre o estudo da mudança lingüística, o 2 e o 7 que refletem, de certo modo, o que se vem tentando explicitar com o desenvolvimento dos estudos sociolingüísticos:
2. A associação entre estrutura e homogeneidade é uma ilusão. A estrutura inclui a diferenciação ordenada dos falantes e dos estilos através de regras que governam a variação na comunidade de fala; o domínio do falante nativo sobre a língua inclui o controle destas estruturas heterogêneas. 7. Fatores lingüísticos e sociais estão intimamente inter-relacionados no desenvolvimento da mudança lingüística. Explicações confinadas a um ou outro aspecto, não importa quão bem construídas, falharão em explicar o rico volume de regularidades que pode ser observado nos estudos empíricos do comportamento lingüístico.