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Conclusion

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 66-70)

As ferramentas de redes sociais são definidas por Boyd e Ellison (2007) como serviços baseados na web que permitem aos indivíduos: (1) construir um perfil público ou semi-público dentro de um sistema limitado, (2) articular uma lista de outros usuários com quem eles compartilham uma conexão, e (3) ver e percorrer a sua lista de conexões e aquelas feitas por outras pessoas no sistema.

Para este trabalho, entende-se que as ferramentas de redes sociais, além dos atributos definidos por Boyd e Ellison, possuem também o atributo de ser um sistema sociotécnico, isto é, media a relação entre as pessoas.

Dentre as ferramentas de redes sociais que serão abordadas, dar- se-á ênfase ao primeiro site de rede social, o SixDegrees, pois entende- se que foi a partir desta primeira idealização que pode-se perceber como os criadores do site perceberam a oportunidade e a formularam em um sistema.

Também dar-se-á ênfase ao site que mais cresce em adesão no mundo e no Brasil, o Facebook, conforme pesquisa do analista Nick Burcher, divulgada em janeiro de 2012. Embora o Orkut ainda seja a ferramenta de rede social líder no Brasil, o Facebook tem crescido espantosamente. A ilustração 16 apresenta um comparativo entre o crescimento dos dois sites no Brasil e no mundo entre os anos de 2009 e 2010, segundo a comScore (2010). Sobre o Facebook, o analista diz que o Brasil foi o país que mais cresceu em número de usuários em 2011, saltando de 8,8 milhões em dezembro de 2010 para mais de 35 milhões de usuários no mesmo mês de 2011, um crescimento de 298%.

Ilustração 16 - Comparativo de crescimento do Orkut e Facebook no Brasil e no mundo

O primeiro site de rede social, segundo Boyd; Ellison (2007) surgiu em 1998 e seu nome de domínio era SixDegrees.com. O modelo do SixDegrees era simples: adicionar amigos, enviar mensagens para sua rede e ampliar conexões. Foi a base para o tipo de rede social que vemos hoje na internet. Separadamente estes recursos existiam de alguma forma antes do site SixDegrees, mas foi com ele que esses recursos foram combinados.

O SixDegrees se promoveu como uma ferramenta para ajudar as pessoas a se conectarem e enviarem mensagens. Embora o SixDegrees tenha atraído milhões de usuários, ele não se tornou um negócio sustentável e, em 2000, o serviço do site foi fechado com a queixa de que havia pouco para se fazer depois de aceitar pedidos de amigos. Naquele momento, a maioria das pessoas não estava interessada em conhecer estranhos. Porém, na citação de Boyd e Ellison (2007), eles entendiam que isso aconteceria, isto é, as redes iriam se constituir em espaços de trocas e interação e é esse o primeiro uso dessas ferramentas, conectar pessoas.

A ilustração 17 apresenta a linha do tempo dos sites das principais redes sociais.

Barabási (2009) cita que o desejo inato dos seres humanos de encontrar e conhecer outras pessoas inevitavelmente os reúne. Essa afirmação é comprovada com o Facebook. O site começou com a revolta de seu criador, Mark Zuckerberg contra a falta de disposição da universidade de Harvard de criar um “álbum de fotografias” on-line dos alunos.

David Kirkpatrick (2011, p. 18) conta no livro, “O efeito facebook”, que Zuckerberg procurou com a ferramenta Facebook aumentar a eficiência com que as pessoas compreendem o seu mundo. Kirkpatrick (2011, p. 20) complementa com as palavras de Zuckerberg:

O Facebook nunca pretendeu substituir a comunicação face a face. Mas sim utilizá-la como uma ferramenta para melhorar os relacionamentos com as pessoas que você conhece pessoalmente - seus amigos no mundo real, conhecidos, colegas de classe ou de trabalho. É um novo tipo de ferramenta de comunicação baseada em relações reais entre os indivíduos e proporciona fundamentalmente novos tipos de interações. (KIRKPATRICK, 2010, p. 20)

É a conexão que contém grande parte do apelo dessas ferramentas. Ou seja, a internet auxiliava na forma de manter as conexões sociais das pessoas, como forma de amplificar o alcance dos contatos.

A ausência de restrições físicas e temporais, como alega Shirky (2003), pode ser um dos fatores que contribui para o sucesso das plataformas de redes sociais, instrumentos de comunicação que se multiplicam no ciberespaço, conquistando cada vez mais novos adeptos.

Assim, as ferramentas de comunicação mediadas pelo computador não criam redes sociais desconectadas, distantes do mundo concreto de um determinado indivíduo. Ao contrário, expressam e complexificam as relações sociais já existentes, a partir do momento em que parte dos espaços sociais vai desaparecendo do mundo contemporâneo.

Fatos marcantes da história recente também foram afetados pelas ferramentas de redes sociais. Pode-se destacar o movimento popular na Tunísia, que culminou na queda do ditador Ben Ali, no dia 14 de janeiro de 2011, depois de 23 anos no poder. Essa manifestação se propagou pelo Facebook e ganhou força graças à interação massiva dos jovens na

rede. Sobre esses fatos, pode-se atribuir às ferramentas de rede social um papel de destaque. Porém, sabe-se que elas não são necessárias e suficientes para se fazer uma revolução. A única contribuição das ferramentas de redes sociais foi a de disponibilizar ferramentas tecnológicas que atendessem a este fato em maior amplitude de repercussão. Foram as pessoas que se encarregaram do movimento de contestação.

Nesse contexto envolvendo as redes sociais, as suas ferramentas e as interações entre as pessoas é que podem ocorrer as buscas das organizações pela identificação de oportunidades de negócios. Assim como as ferramentas de redes sociais possibilitaram às pessoas manifestarem os seus pensamentos sobre a ordem social de um país, elas também permitem aos usuários criarem vastos conteúdos de manifestações de tendências, pedidos, anseios, angústias e de reclamações. Nesse sentido, as subseções seguintes abordarão o conceito de oportunidades e como elas podem ser identificadas em seus diversos meios.

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