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Conclusion sur la stratégie de synthèse par protection régiosélective

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O- Ag Tétrasaccharide VIII (A’B’AB)

3. Conclusion sur la stratégie de synthèse par protection régiosélective

As participações disciplinares (um total de 23 até ao final do 2.º período), feitas pelos professores da turma, concentraram-se em cinco alunos, sendo que quatro deles mereceram cinco faltas disciplinares cada (A3,Quadro3). As participações registam comportamentos desafiadores da autoridade do professor, perturbação da aula, falta de colaboração na criação de um ambiente de aprendizagem, utilização de linguagem desadequada. Além das dificuldades na dimensão instrumental, verifica-se, portanto, que a dimensão expressiva está, igualmente, comprometida.

Durante o processo de escuta, em nenhum momento os alunos descreveram, em pormenor, os seus comportamentos nas aulas à excepção da referência a uma situação que consideraram injusta, apenas possível por serem alunos de um CEF: “Eu numa aula normal se

tivesse com calor, tirava a camisola e na aula de Matemática, a professora mandou para a rua”

(Bruno,A1,T1 e Carlos,A1,T3 e T4). Descobrimos, em algumas declarações, a justificação de mau comportamento como resposta ao desrespeito que sentem: “nós às vezes, até estamos sempre

um bocado a falar nas aulas, e às vezes até nem respeitamos os professores porque (…) não vamos ser assim tão maltratados, como os professores falam: Oh, monga…” (Carlos,A1,T3); “Nós pelo professor temos de ter respeito (…) e os professores podem nos faltar a nós?” (Tiago,A1,T1)24;

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Como atrás demos conta, os professores fazem uso de calão, porém, esse nível de linguagem usado pelos alunos, justificou a expulsão da sala de aula.

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“Nós temos um professor que é assim: Oferecer porrada! (…) sei como é que tá a minha situação

na escola mas se um professor me bater, eu não vou ficar assim.” (Tiago,A1,T1).

As atitudes tidas como “mau comportamento”, parecem ser uma forma de garantir a sua dignidade, uma forma de resistir ao ser menos que recebem no trato de alguns professores, verificando-se, aliás, que os autores das participações foram, maioritariamente, os docentes das disciplinas de Matemática (12), ICEI (5) e PEMEI (4) que englobam o leque daqueles, que, na voz dos alunos, são os que mais os desrespeitam.

2.1.1. Sinais de uma contracultura escolar

A associação da indisciplina e da violência aos alunos dos CEF tende a ser imediata. Encontrámos essa evidência em depoimentos veiculados na internet que defendem que, aos alunos dos CEFs “lhes dá prazer desafiar a autoridade e projectar a sua fúria, malvadez e ódio contra os professores e os colegas mais novos”25.

Um dos sujeitos dava conta da percepção que julga terem os outros alunos mais novos, em relação aos alunos dos CEFs: “Os outros alunos da escola têm medo.” (Rudi,A1,T3). Quando questionamos sobre a ideia que têm os professores, um dos alunos referiu que julgam que “só

querem é fazer asneiras” que “vêm para aqui estragar isto tudo.” (Rui,A1,T1). Há uma conotação

com atitudes desordeiras e indisciplinadas que compõem uma contracultura escolar, como explicámos no Capítulo I.

Julgamos que o tipo de comportamentos protagonizados por estes alunos reside numa identidade construída contra a escola e que tende a manifestar-se muito para além da defesa da dignidade de que falámos no ponto anterior. Há o reconhecimento de que os maus comportamentos acontecem, também, com os professores que os respeitam, embora, como sublinhámos, tendam, nesses casos, a compreender a atitude do professor.

Notámos que os nossos parceiros de investigação mostram facilidade em manter relações de amizade tanto fora como dentro do contexto escolar, conservando amigos que foram antigos colegas26. Parece-nos que partilham valores e âmbitos de convivência e interacção social com os seus pares. Esses valores, em alguns casos, parecem condizer com a contracultura que se demarca das referências de normalidade ditadas pela escola e, mesmo, das referências socialmente valorizadas: soubemos que alguns dos alunos consomem drogas27 e um dos alunos relatou-nos as suas actividades com o grupo de amigos mais velhos não só aludindo ao consumo de droga, como a situações de violência entre grupos rivais com intervenção policial. (A2,NC9 e A1,T4). Há, também, uma referência num dos Rios para uma situação em que a professora pretendia chamar a polícia (Tiago,A6), ainda durante o 2.º ciclo de estudos.

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http://www.profblog.org/2008/11/aluno-dos-cef-agride-professora-murro-e.html 26

Pudemos retirar esta conclusão da análise que fizemos aos Círculos de Amigos (A7). 27

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Pensamos que estes alunos constroem uma contracultura escolar fortalecida pelos pares que partilham histórias de fracassos escolares e sofrem as mesmas pressões dominadoras da escola, e têm, nessa identidade, a sua força de resistência. Esta contracultura tende a ultrapassar apenas as normas dentro da escola, estendendo-se à normalidade social. As suas competências dentro da contracultura escolar parecem permitir-lhes obter um grau de valor junto dos seus pares, uma forma de se mostrarem competentes, de ser mais, e é nessa identidade que – pensamos - tendem a inscrever as suas atitudes quotidianas.

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CAPÍTULO IV

67 Introdução

O percurso de investigação levou-nos de um ponto inicial, em que os alunos CEF eram um objecto de estudo, para um patamar em que se assumiram como sujeitos insubstituíveis e essenciais ao projecto, detentores de um saber feito de vida, manifestando necessidades específicas de mudança. O propósito educativo desta intervenção é que, fora de um horizonte de determinação, estes sujeitos criem possibilidades de acção e de influência do espaço social colectivo, como actores sociais.

Procuraremos reflectir sobre as marcas de mudança que este projecto nos parece ter incentivado, apresentando as duas actividades realizadas e esboçando possibilidades - fios soltos lançados no espaço social comum e, como tal, potenciadores de construção de futuro.

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