5.2 Study of cinchona alkaloids
5.2.1 Intermolecular reaction between diazo derivatives and cinchona alkaloids
Pensar em Educação de Jovens e Adultos é refletir sobre a vida, sobre um vasto campo de experiências, adquiridas sob a alternância de momentos ora venturosos, ora tristes. Assim, mesmo que constituída por momentos tão dissonantes, esse público possui muito conhecimento de mundo que precisa e deve ser levado em consideração em sua jornada estudantil.
Sempre que falamos de experiência de vida, somos remetidos ao universo do respeito às individualidades. Cada pessoa é única e sua história de vida deve ser utilizada como alicerce, objetivando a construção de procedimentos pedagógicos que visem à garantia do desenvolvimento integral, além da garantia de aprendizagem do alunado da EJA. Sobre isso Carvalho (2011) explica:
[...] os dados (fatos) que constituem a nossa história de vida, além de nos representar (presentificar) como ser que encarna personagens, devem mostrar que somos produtos de um processo de interações e mudanças constantes, que nos dão possibilidades de transformação, de nos superar e de vir a ser outro, notadamente um indivíduo autodeterminado ou que está em busca da sua emancipação como ser humano e como cidadão. (CARVALHO, 2011, p. 60).
O jovem ou o adulto que frequenta a EJA possui uma identidade, algo que o caracteriza e, mais que isso, o diferencia de todas e quaisquer outras pessoas de sua comunidade, de seu bairro, de seu país, do mundo. Essa identidade não veio do acaso, mas foi forjada. Forjada pelo convívio com os seus iguais (ou não), em suma, por sua atuação nos contextos sociocultural, familiar, político, dentre outros, nos quais está inserido:
O reconhecimento da existência de uma sabedoria no sujeito, proveniente de sua experiência de vida, de sua bagagem cultural, de suas habilidades profissionais, certamente, contribui para que ele resgate uma autoimagem positiva, ampliando sua auto-estima e fortalecendo sua autoconfiança. O bom acolhimento e a valorização do aluno, pelo(a) professor(a) de jovens e adultos possibilitam a abertura de um canal de aprendizagem com maiores garantias de êxito, porque parte dos conhecimentos prévios dos educandos para promover conhecimentos novos, porque fomenta o encontro dos saberes da vida vivida com os saberes escolares. (BRASIL, 2006a, p. 19).
Valorizar isso significa facultar ao aluno um caminho para o qual se desponta a perspectiva de construção de uma vida melhor e mais digna. Aqui lançaremos mão, novamente, do que afirma um documento oficial sobre a educação de jovens e adultos:
A aprendizagem escolar, ao promover um conhecimento legitimado pela sociedade, só se torna significativa para o (a) aluno(a) se fizer uso e valorizar seus conhecimentos anteriores, se produzir saberes novos que façam sentido na vida fora da escola, se possibilitar a inserção do jovem e adulto no mundo letrado. (BRASIL, 2006a, p. 8).
Cabe salientar que, ao procurar a escola, o jovem e/ou adulto, além de depositar nela sua confiança, o faz de modo ainda mais significativo, deposita também a esperança de não se sentir mais excluído das práticas sociais de um mundo letrado. Isso torna a responsabilidade dessa instituição ainda maior, pois precisa desenvolver propostas que atendam às reais necessidades desse público tão singular:
Sabemos que a procura de jovens e adultos pela escola não se dá de forma simples. Ao contrário, em muitos casos, trata-se de uma decisão que envolve as famílias, os patrões, as condições de acesso e as distâncias entre casa e escola, as possibilidades de custear os estudos e, muitas vezes, trata-se de um processo contínuo de idas e vindas, de ingressos e desistências. Ir à escola, para um jovem ou adulto, é antes de tudo, um desafio, um projeto de vida. (BRASIL, 2006a, p. 8).
Para o estudante da EJA, esse projeto de vida, na grande maioria das vezes, é entendido como uma possibilidade de conquistar novas e melhores oportunidades de trabalho, mudança de nível salarial, conquista de benefícios no trabalho, ou ainda oportunidade de interação e aumento da autoestima. Sim, pois há muitos que já não estão mais ativos no mercado de trabalho, porém como seres sociais sentem, por vezes na própria pele, o abandono e a solidão:
Grande parte dos alunos jovens e adultos, que buscam a escola, esperam dela um espaço que atenda às suas necessidades como pessoas e não apenas como alunos que ignoram o conhecimento escolar. (BRASIL, 2006a, p. 9).
Conhecer outras pessoas, apropriar-se de elementos culturais diferentes dos seus, relacionar-se, são ações importantes para o crescimento pessoal de todos nós. É no contato com o outro e na vivência de relações e experiências diversas que enriquecemos nosso modo de ver e agir no mundo. Nesse sentido, a escola desempenha um papel importante: o de proporcionar esse encontro do(a) aluno(a) com as outras possibilidades de relação e de realização pessoal.
(BRASIL, 2006a, p. 24).
Sob esse viés, e considerando-se tudo o que até aqui foi apresentado, é que vemos como elemento fundamental que a escola se desponte como instituição promotora de inserção social e agência humanizadora.
De acordo com o que se constata, a situação dos jovens e adultos que acreditam que podem mudar o quadro de suas vidas através de seu (re)ingresso na escola, só se tornará melhor
[...] na medida em que a escola investir no acolhimento desse(a) aluno(a), que é alguém especialmente receptivo à aprendizagem, repleto de curiosidade e que vai para a sala de aula desejoso de novas experiências. (BRASIL, 2006a, p. 9).
Essa prerrogativa remete-nos a uma fala de um aluno da turma da EJA que participa da pesquisa, o qual fez a seguinte afirmação:
Durante muito tempo não pude frequenta a escola pra estuda porque precisava trabaiá e não tinha como assisti às aulas devido os horário de sirviço. Depois de muito tempo, quando surgiu a possibilidade do retorno, eu tô muito feliz. Desde que nóis entro, cada vez mais tamo aprendendo. A gente tem muita dificuldade, mas se os professor tiverem paciência com nóis, devagarzinho a gente aprende. (ALUNO R., 2017)8.
São palavras simples, mas que denotam contentamento por, apesar de tardio, poder vivenciar o retorno à escola e também desfrutar do aprendizado que outrora, na idade certa, lhe fora negligenciado. Trata-se de um fato bastante comum retratado na fala do aluno. Há algum tempo, em Estrela da Barra - MG, muitas famílias necessitavam da ajuda das crianças para
ampliar os ganhos destinados à manutenção da casa. Assim, desde muito pequenas as crianças acompanhavam os pais nos trabalhos braçais do cultivo de lavouras.
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A maioria das atividades constantes no desenvolvimento da pesquisa foram gravadas e transcritas com o objetivo de se materializarem como fonte de análise. Por conseguinte, as falas que serão apresentadas doravante constam da transcrição dessas fontes.
Muitas crianças não eram encaminhadas para a escola porque a família necessitava de seu trabalho para ajudar no sustento da casa. Assim, muitas delas não estudavam ou frequentavam a escola por muito pouco tempo, mesmo contra sua própria vontade.
Na medida em que se avança na busca pelo conhecimento, tem-se a certeza de que é essencial e urgente que a escola possibilite o estabelecimento de práticas pedagógicas que contemplem as necessidades/especificidades desses alunos. Recorremos, nesse ponto, ao pensamento defendido por Oliveira e Paiva (2004) que enfatizam:
Todos os processos de intervenção pedagógica realizados com sujeitos jovens e adultos, de qualquer nível de escolaridade, originados para fins diversos, partem da concepção de que a aprendizagem é a base do estar no mundo de sujeitos, que por esses processos educativos melhor respondem às exigências de: produzir a existência (pelo trabalho); produzir suas identidades (de gênero, de classe, de categoria profissional, etárias etc. tanto individuais quanto coletivas; exercer a democracia, constituindo práticas cotidianas de participação e de resistência, como formas de viver a cidadania; participar das redes culturais e sociais que envolvem o código escrito e que definem, em sociedades grafocêntricas, o ser cidadão e o exercer a cidadania. (OLIVEIRA e PAIVA, 2004, p. 9).
Fica claro e evidente que a escola, como agência formadora, deve sempre fomentar a utilização de práticas pedagógicas que potencializem/ampliem os conhecimentos dos sujeitos da EJA, de modo a garantir-lhes um aprendizado que possa conferir-lhes, de modo geral, qualidade de vida e de domínio de exercício pleno de seu papel de cidadão.
3.2.2 Participação e leitura de mundo: essência na construção dos sentidos e compreensão