Através do presente trabalho foi possível realizar o monitoramento do tempo
ores.
gistros diários do
mitiu apenas a compra dos termômetros e luviômetros, não sendo possível oferecer sequer algum prêmio. Tampouco as famílias, em momento algum, cobraram qualquer compensação pela ajuda, seja em prêmio ou em dinheiro, o que torna este trabalho ainda mais valoroso.
Desde o primeiro contato com cada família, foi ressaltado que aquela colaboração prestada por eles traria informações úteis sobre o tempo e o clima que lhes ajudariam a tomar decisões, em especial nas questões relativas à agricultura e à gestão dos recursos hídricos, o que, sem dúvida, favoreceu a predisposição destas pessoas a prestarem um serviço voluntário.
Programas de monitoramento ambiental intensivo, principalmente e clima durante um ano, entre junho de 2003 a maio de 2004, o que permite afirmar que é possível e viável monitorar o clima na microbacia do ribeirão Fruteira e formar uma base de dados, utilizando o trabalho voluntário de famílias de agricult
Para concretizar este objetivo, contou-se com o apoio inestimável da comunidade, em especial das sete famílias que participaram do programa durante um ano, de forma voluntária. Sem o aporte dessas pessoas, que diariamente dedicavam alguns minutos do seu dia para fazer os re
tempo, não teria sido possível o sucesso desta pesquisa, com o cumprimento dos objetivos estabelecidos inicialmente.
Cabe ressaltar a importância do caráter voluntário desta colaboração prestada por famílias residentes na bacia do Ribeirão Fruteira, uma vez que a verba disponível per
quando grandes áreas devem ser cobertas, tornam-se muitas vezes inviáveis pela impossibilidade de obter dados de alta freqüência de amostragem com coleta contínua. Desta forma, o sucesso deste trabalho de monitoramento voluntário do tempo abre enormes perspectivas para a gestão e monitoramento das bacias hidrográficas, em especial das questões ambientais, além de muitas outras possibilidades.
O que foi desenvolvido com sucesso em uma microbacia hidrográfica poderia ser expandido para muitas outras, criando-se uma rede de monitores voluntários para coletar dados climáticos e ambientais que poderiam ser utilizados para pesquisa por profissionais de várias áreas, bem como por órgãos públicos ou privados, auxiliando na melhor compreensão do clima, em controle de enchentes, na gestão de microbacias e das questões ambientais, entre outras.
Com a colaboração diária de cada monitor, foi possível elaborar um banco de dados sobre temperatura e pluviosidade durante o período de junho de 2003 a maio de 2004. Portanto, toda interpretação e análise sobre o mesoclima na bacia do Ribeirão Fruteira, bem como das condições de tempo, correspondem apenas ao período assinalado.
No tempo em que transcorreu a coleta de dados, foram detectados dois períodos de chuvas insuficientes, entre julho e agosto de 2003 e janeiro a abril de 2004. Nos últimos 20 anos, isso só aconteceu em 1995. Ressalta-se este dado pela importância que isto teve, pela coincidência de estar fazendo o monitoramento do clima numa comunidade agrícola do Alto Vale no momento em que toda a região sofreu com a estiagem prolongada.
chuva não caiu em quantidade No entanto, perceber que a
suficiente para deixar o clima úmido, ouvir da população que há muitas pessoas
ecto positivo é que o fato de poder mostrar os números para a comunidade e ressaltar que esta foi uma estiagem anormal, pelo menos nos e que algo de concreto necessitav ser feito para evitar que novas estiagens viessem a provocar tantos pro
balho de onitoramento e outros que foram desenvolvidos nesta comunidade não vessem se concretizado, não existiriam, portanto, os dados disponíveis para omprovar a estiagem, nem uma equipe de pesquisadores para alertar e mobilizar a comunidade quanto aos problemas do desmatamento e outros aspectos ligados ao ambiente? A comunidade, de forma espontânea, teria se alertado quando aos problemas? Teriam eles próprios se mobilizado para realizar mutirões comunitários para plantarem mudas nativas e, assim, proteger suas nascentes?
Como autor deste trabalho, e após ter convivido durante um ano com esta comunidade, é possível afirmar que pelos menos a comunidade do enfrentando problemas com estiagem, é muito diferente de ter números diários coletados sobre pluviosidade por sete monitores diferentes, para comprovar o quanto as chuvas foram insuficientes e o porquê desse fato. O outro asp
últimos 20 anos, que serviu para despertar o alerta d a
blemas.
O mutirão comunitário, que por iniciativa do pesquisador mobilizou membros da comunidade local, acadêmicos e alguns professores do Curso de Ecologia da UNIDAVI para o plantio de 400 mudas nativas, realizados em 30 de maio de 2004 e 13 de dezembro de 2004, na nascente do Ribeirão Fruteira, foi a primeira atitude concreta para amenizar o problema de futuras estiagens.
Um questionamento surge neste momento: caso este tra m
ti c
Ribeirão Fruteira não teria se mobilizado para realizar tais mutirões. Sequer teria como, sem o suporte técnico acadêmico, montar sozinhos, sem orientação, um banco de dados com validade científica como o que se conseguiu realizar.
Fica, pois, evidente que a comunidade necessita do apoio técnico e humano dos professores e acadêmicos da Universidade para lhes ajudar na organização e obtenção do conhecimento científico de que necessitam, no sentido de melhor compreender as questões ambientais. Da mesma forma, o mundo acadêmico necessita do apoio da comunidade para empreender os projetos de pesquisa que visem principalmente ao monitoramento ambiental, à gestão de microbacias, entre outros, formando-se assim uma dependência mútua, bastante saudável. Não há dúvidas: uma vez que sem o envolvimento de todos, em especial de pesquisadores, comunidades envolvidas e autoridades governamentais, não é possível resolver os problemas ambientais, tão abundantes na atualidade e carentes de soluções.
Quanto às informações expressas em números contidos no presente trabalho, sobre temperatura e pluviosidade, formam um banco de dados com validade científica que permite fazer uma leitura do que ocorreu na localidade em que foram realizadas as coletas, dentro do tempo abrangido pela pesquisa, das características do mesoclima e das condições do tempo.
O que ocorreu na microbacia do Ribeirão Fruteira com relação aos índices pluviométricos, aconteceu em outras microbacias da região? E com a mesma intensidade? Estas perguntas ressaltam a importância de expandir este trabalho para outras microbacias do Rio Itajaí do Oeste ou até mesmo do Rio Itajaí-Açu, de forma que em cada microbacia passe a existir pelo menos três
monitores, fornecendo dados diários sobre monitoramento do tempo e clima e demais questões ambientais, como a vazão de rios e ribeirões, poluição, bioindicadores etc.
O sucesso deste trabalho de monitoramento do tempo e clima por um período definido numa microbacia, é, sem dúvida, um indicativo de que há possibilidade deste ser implantado, com êxito, de forma definitiva, um programa semelhante em todas as microbacias do Rio Itajaí-Açu. Claro que este deve ser executado em etapas que podem levar alguns anos, mas inegavelmente viável, ficando como sugestão para futuros trabalhos de pesquisa dentro desta temática.
Para compreender melhor a relação entre a pluviosidade, temperatura, insolação, evaporação e nível da água do ribeirão, teria sido mais completo caso tivesse sido incluído um estudo de monitoramento da vazão do ribeirão. Este item não foi realizado por não estar previsto dentro do projeto original, porém a prática mostrou que em projetos futuros deva-se incluir tal dado.
Com relação à percepção dos monitores, conclui-se que os que trabalham com a terra possuem maior facilidade de perceber os problemas relativos às questões ambientais, tais como, falta d’água, poluição etc, são também os que conhecem a linguagem da natureza, como a direção dos ventos e as mudanças que cada vento pode provocar nas condições do tempo. Entre os sete monitores, cinco demonstraram que a percepção está de acordo quanto à média de dias mensais que faz sol, igualmente possuem uma real noção quanto a médias de dias do mês em que chove.
através do sentimento manifestado pelo gosto de trabalhar com a terra, pelas preocupações com o futuro do lugar, pelo engajamento em atividades que ajudem a resolver os problemas de sua comunidade, como os que foram desenvolvidos pela equipe de professores e alunos da UNIDAVI, mas também ao observar a floração da mata, os animais selvagens que são vistos.
As novas sementes plantadas na terra e na consciência daquela comunidade não morrerão. Durante toda a execução desta pesquisa, procurou- se estimular a formação de lideranças locais que se encarregarão de dar continuidade ao trabalho iniciado.