O coping religioso acontece quando as pessoas se voltam para a religião para lidar com o estresse, sendo definido como “o uso de crenças e comportamentos religiosos para facilitar a solução de problemas e prevenir ou aliviar as consequências emocionais negativas
de circunstancias de vida estressantes” (Panzini, 2004, p.23).
Encontram-se na literatura várias definições, de diferentes autores, para o coping religioso-espiritual (CRE). Gobatto & Araújo (2010) referem-se ao CRE como o uso de estratégias religiosas e/ou espirituais para manejar o estresse diário e/ou advindo das crises que ocorrem ao longo da vida e apontam o CRE como fonte de equilíbrio e fortalecimento, que promove serenidade e favorece a luta pela vida. Também é definido como o modo como as pessoas utilizam a fé em situações de estresse e dificuldade em suas vidas (Stroppa & Moreira-Almeida, 2009), como o uso das crenças religiosas para compreender e lidar com os agentes estressores da vida (Valcanti et al., 2012) e como a utilização da fé, religião ou espiritualidade no manejo das situações estressantes ou dos momentos de crise que ocorrem ao longo da vida (Veit & Castro, 2013). Schleder et al. (2013) definem o CRE como o uso de crenças e comportamentos religiosos que buscam facilitar a solução de problemas, prevenir ou aliviar as consequências emocionais negativas. Gobatto e Araújo (2013) simplificam a definição afirmando o CRE ocorre quando o indivíduo utiliza a religião ou a fé como estratégia de manejo de estresse.
Panzini (2004) aponta que os objetivos do coping religioso se coadunam com os cinco objetivos-chave da religião, que são: busca de significado, controle, conforto espiritual, intimidade com Deus e com outros membros da sociedade, transformação da vida e bem-estar físico, psicológico e emocional. Panzini (2004) afirma ainda que o CRE pode estar associado tanto a estratégias orientadas para o problema, quanto a estratégias orientadas para a emoção.
Os indivíduos tendem a desenvolver formas habituais de lidar com o estresse, chamadas estilos de coping, que podem influenciar suas reações em novas situações, sendo relacionadas a resultados de coping ou a características da personalidade (Panzini, 2004). Os estilos de coping não são definidos em termos de preferências, mas de tendência a usar uma reação de coping em maior ou menor grau frente a situações de estresse. A autora propõe cinco estilos de coping religioso que são: autodireção, delegação, colaboração, súplica e renúncia.
O estilo autodireção é um ponto de vista no qual Deus dá às pessoas a liberdade e os recursos para dirigirem suas próprias vidas, desta maneira, o indivíduo é considerado como ativamente responsável na resolução dos problemas, delegando a Deus um papel passivo. No estilo delegação, por sua vez, o indivíduo outorga a responsabilidade na solução dos problemas a Deus e assim, passivamente espera que Ele resolva tudo. O estilo colaboração prevê uma co-responsabilidade entre Deus e o indivíduo na resolução dos problemas. O indivíduo trabalha em ativa parceria com Deus no processo de coping. O estilo súplica é caracterizado pela tentativa do indivíduo de influenciar a vontade de Deus através de rogos e petições por sua divina intervenção. E, no estilo renúncia o indivíduo escolhe ativamente renunciar à sua vontade em favor de Deus. Ambos (Deus e o indivíduo) são ativos na solução dos problemas (Panzini, 2004).
Taunay et al. (2012) refere-se ao CRE como as diversas estratégias cognitivas utilizadas por indivíduos para lidar com adversidades dentro da perspectiva da religiosidade/ espiritualidade, podendo ser estratégias adaptativas (positivas) ou mal-adaptativas (negativas). As estratégias do CRE positivo (CREP) congregam medidas que proporcionam efeito benéfico ao indivíduo, enquanto estratégias do CRE negativo (CREN) estão relacionadas a medidas que geram consequências prejudiciais ao indivíduo (Valcanti et al., 2012; Mesquita et al., 2013).
Panzini e Bandeira (2007) afirmam que os estilos Autodireção, Colaboração e Renúncia constituem-se em estratégias de CREP, e o estilo Delegação em estratégia de CREN. O estilo súplica pode apresentar-se como estratégia positiva, quando o indivíduo suplica pelo apoio de Deus, respeitando a Sua vontade, em detrimento da vontade individual; ou como estratégia negativa, quando pede pelo apoio de Deus, tentando modificar a vontade Dele conforme sua própria.
Panzini (2004) aponta os métodos/estratégias de CREP como sendo: Reavaliação Religiosa Benevolente, Coping religioso colaboração, Foco Religioso, Ajuda através da religião, Apoio Espiritual, Apoio de membros e/ou freqüentadores da instituição religiosa, Perdão religioso, Conexão Espiritual; e as CREN: Reavaliação de Deus como punitivo, Reavaliação demoníaca ou malévola, Reavaliação dos poderes de Deus, Coping religioso delegação, Descontentamento espiritual, Descontentamento religioso interpessoal, Descontentamento religioso interpessoal e Intervenção Divina.
Através dos métodos/estratégias de CREP o indivíduo busca redefinir o estressor através da religião como benevolente e potencialmente benéfico (Reavaliação Religiosa Benevolente), tenta controlar e resolver os problemas em parceria com Deus (Coping religioso colaboração), busca alívio da situação estressante focando-se na religião (Foco Religioso), esforça-se para promover conforto e suporte espiritual a outros (Ajuda através da religião), procura por conforto e segurança renovada através do amor e do cuidado de Deus (Apoio Espiritual), procura por conforto e renovação da confiança através do amor e cuidado dos membros e frequentadores da instituição religiosa (Apoio de membros e/ou frequentadores da instituição religiosa), busca ajuda na religião para mudar os sentimentos de raiva, mágoa e medo associados a uma ofensa para a paz (Perdão religioso) e busca conexão com forças transcendentais (Conexão Espiritual) (Panzini, 2004).
Por outro lado, através dos métodos/estratégias de CREN o indivíduo redefine o estressor como punição divina aos pecados individuais (Reavaliação de Deus como punitivo), redefine o estressor como fenômeno do mal ou atos do demônio (Reavaliação demoníaca ou malévola), redefine os poderes de Deus para influenciar a situação estressante (Reavaliação dos poderes de Deus), espera passivamente que Deus resolva seus problemas (Coping religioso delegação), expressa confusão e descontentamento com Deus (Descontentamento espiritual), expressa de confusão e descontentamento com membros e freqüentadores da instituição religiosa (Descontentamento religioso interpessoal) e súplica por intervenção divina (Intervenção Divina) (Panzini, 2004).