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necessária para o tema em análise. São, assim, apresentados os métodos e técnicas utilizados e as respetivas justificações pelas suas escolhas, fundamentadas segundo os quadros teóricos existentes e que melhor se adaptam à obtenção de uma resposta para a questão a investigar.

Sabendo que existe em Portugal a perceção de que cada pessoa pode contribuir voluntariamente para um mundo melhor mas que o número de voluntários, comparativamente com outros países da Europa, é mais reduzido, pretendo perceber como podem as empresas alterar esta realidade, ou seja, se a sua ajuda passa por promover o voluntariado empresarial, com vista a estimular a participação individual. Assim, pretendo responder à seguinte questão: De que forma podem as empresas influenciar a prática individual de voluntariado?

O objetivo principal deste trabalho será perceber se existe uma relação entre voluntariado empresarial e a prática individual de voluntariado, ou seja, analisar se a participação de uma pessoa em programas de voluntariado desenvolvido por empresas pode ou não influenciar a sua participação noutras atividades voluntárias fora da empresa (decorrentes de instituições). Posteriormente, pretendo resumir as potencialidades e limitações do voluntariado empresarial para compreender se este poderá incentivar uma maior participação das pessoas em atividades de voluntariado e, de que forma as empresas deverão atuar.

Tendo por base a ideia de que “O objectivo da investigação científica é não só descobrir e descrever acontecimentos e fenómenos, mas também explicar e compreender por que razões tais fenómenos ocorrem.” (Silva & Pinto, 1986, p. 125) colocam-se as seguintes hipóteses:

1. A maior parte dos colaboradores que teve uma experiência de voluntariado individual antes de participar nas ações de voluntariado empresarial, continua a praticar voluntariado tanto a nível individual como através da empresa.

2. Os colaboradores que nunca foram voluntários, depois de participarem nas ações promovidas pela empresa, continuam a praticar voluntariado empresarial e iniciam-se, também, a título individual.

Sabendo que “Os factos sociais são complexos e é indispensável estudá-los sob perspectivas diferentes, se se pretende obter uma visão global; por outro lado, os instrumentos de análise devem ser correctamente usados, por forma a adequarem-se à realidade.” (Lima, 2000, p. 25) e que “No caso de domínios mal conhecidos, por exemplo, a observação qualitativa intensiva permite explorar pistas de pesquisa e revelar hipóteses, que poderão depois ser verificadas por meio de um inquérito quantitativo sobre amostra representativa…” (Lima, 2000, p. 18) a metodologia adotada neste trabalho combina a análise intensiva com a análise extensiva, tornando possível descrever a realidade em estudo e comparar também as informações obtidas14.

No que se refere à técnica de recolha de informação incidiu sobre: análise documental (estudos estrangeiros e nacionais; e, dados das instituições e das empresas); entrevistas individuais; e, inquérito por questionário. A análise documental, em primeiro lugar, visou a compreensão mais profunda da realidade do voluntariado, voluntariado empresarial e instituições que acolhem os voluntários, através da realização de uma pesquisa nacional e internacional sobre estes conceitos e a sua respetiva definição, para um melhor entendimento do objeto de estudo.

Posteriormente, foi feita uma descrição evolutiva de outras análises realizadas, assim como da divulgação de iniciativas relacionadas com estes conceitos, com vista a identificar desafios e pontos a melhorar no voluntariado. Por fim, foram recolhidas informações gerais sobre a prática do voluntariado nas instituições e empresas selecionadas, conforme o quadro que se segue:

Tabela 3-1: Dimensão de análise versus variáveis escolhidas

Instituições Empresas Voluntários

Caraterização geral Missão e atividades desenvolvidas Missão e atividades desenvolvidas

Idade, género, nº de dependentes, rendimento,

habilitações, duração da deslocação entre a habitação e o

trabalho, profissão/cargo, antiguidade, vínculo, local e horas de trabalho semanais

Consciência do

voluntariado Definição dos conceitos Definição dos conceitos Influência pessoal Importância do

voluntariado Prática atual - atividades desenvolvidas e sua duração/periodicidade Motivações para

a sua prática Vantagens e desvantagens do voluntariado Avaliação da prática

de voluntariado Exemplos de experiências

Tipo de apoio prestado às instituições e certificações

Divulgação e comparação com outras empresas

Fonte: A própria As entrevistas foram realizadas a:

seis instituições (selecionadas pelos seguintes critérios: reconhecimento nacional da sua atividade, experiência na área de voluntariado, credibilidade e população abrangida); e,

quatro empresas, o Grupo PT e três empresas suas parceiras, no âmbito do Programa de voluntariado Mão na Mão15.

As entrevistas às instituições foram divididas em dois grupos:

entrevistas em profundidade16 (CNPV e GRACE, com o objetivo de explorar e conhecer a opinião destas instituições, com um papel promotor do voluntariado, e que assumem uma visão alargada sobre esta temática); e,

entrevistas centradas17 (AMI, Banco Alimentar, Caritas e Comunidade Vida e Paz, desenvolvidas para obter a perceção das instituições beneficiárias do voluntariado empresarial e perceber a sua importância, conforme a dissertação O voluntariado empresarial na perspectiva dos colaboradores: avaliação das iniciativas e repercussões a nível pessoal (Egreja, 2009)).

15 Para mais detalhe consultar o Anexo J – Programa Mão na Mão 16 Para mais detalhe consultar o Anexo K – entrevista CNPV e GRACE

Para poder confrontar a opinião da perspetiva empresarial com a das instituições, as entrevistas às empresas foram igualmente centradas18.

O público-alvo dos inquéritos19 foram os colaboradores das quatro empresas escolhidas. Considerou- se como universo da amostra: todas as empresas que desde 2010 tiveram colaboradores a participar no programa Mão-na-Mão (15 empresas), tendo a amostra incidido sobre aquelas que tiveram 10 ou mais voluntários em pelo menos um desses anos (7 empresas).

Desse total de 7 empresas, 1 delas recusou-se a participar na investigação e foram excluídas outras 3, uma por já não ter representatividade de voluntários, outra por motivos de política interna e outra por ausência de resposta, o que fez reduzir o número de empresas em análise para 4.

Tabela 3-2: Detalhe, por ano, do nº de voluntários das empresas selecionadas

BNP Paribas Delta Cafés Grupo PT Xerox Total

2010 - 8 83 6 97

2011 24 24 106 11 165

2012 13 8 107 7 135

Média 19 13 99 8 132

Fonte: Grupo PT

Perante a informação da tabela anterior, e para definir o sucesso de respostas ao inquérito, o total de respostas objetivo foi calculado com base na relação entre o critério (1% dos trabalhadores são voluntários nas ações propostas pela empresa – número médio de voluntários) e a média real de voluntários entre 2010 e 2012 no programa Mão-na-Mão.

Previam-se cerca de 138 respostas, com um limite mínimo válido de 120 (calculado com base no mínimo entre o número médio de voluntários e o número objetivo de respostas).

Tabela 3-3: Nº de colaboradores, voluntários e respostas objetivo/previstas nas empresas selecionadas

BNP Paribas Delta Cafés Grupo PT Xerox Total

Nº médio de colaboradores 550 2550 10500 170 13770

Nº médio de voluntários 6 26 105 2 139

Nº objetivo de respostas 12 19 102 5 138

Nº previsto de respostas 6 13 99 2 120

Fonte: A própria

A distribuição do inquérito foi realizada através do envio de e-mail e ficou disponível via software Survs, durante os dias 23 de abril e 28 de maio de 2013, após a realização de um pré-teste a 20 pessoas (algumas delas pertencentes ao Grupo PT por ser a empresa selecionada com um maior número de colaboradores e voluntários).

18 Para mais detalhe consultar o Anexo M – entrevistas BNP Paribas, Delta Cafés, Grupo PT e Xerox 19 Para mais detalhe consultar o Anexo N – inquérito BNP Paribas, Delta Cafés, Grupo PT e Xerox

O número de respostas obtidas excedeu a previsão, tendo sido rececionadas 464 respostas, 379 completas mas apenas 370 válidas pois 9 delas não pertenciam às empresas selecionadas. Porém, por não terem sido garantidos os objetivos mínimos de resposta em cada empresa selecionada (0 do BNP Paribas, 5 da Delta Cafés, 304 do Grupo PT e 1 da Xerox) não será possível realizar uma análise comparativa realista. Mesmo assim, considera-se que pelo facto da taxa de sucesso das respostas ter ultrapassado os 250% as respostas obtidas irão permitir apresentar conclusões válidas.

Posteriormente, os dados obtidos na recolha de informação foram tratados com diferentes técnicas com o objetivo de facilitar a sua comparação. Assim, no caso específico das entrevistas foi utilizada a análise de conteúdo20 e para os inquéritos o software SPSS.

O tratamento da informação foi agrupado nos seguintes pontos21: Relação entre voluntariado empresarial e a prática individual; Potencialidades e limitações do voluntariado empresarial.

20 Para mais detalhe consultar o Anexo O – Informação teórica sobre análise de conteúdo 21 Para mais detalhe consultar o Anexo P – Questões associadas a cada ponto

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