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Conclusion du projet MNESIS

Dans le document INTERACTION HOMME-MACHINE ADAPTATIVE (Page 125-137)

4.3 Evaluation des effets psychosociaux de systèmes interactifs adaptatifs

4.3.3 Conclusion du projet MNESIS

A autoavaliação do ciclo de workshops permitiu que fossem retiradas conclusões em três eixos fundamentais: a gestão do tempo, a replanificação das atividades ou alteração da ordem da sessão e a reconstrução das práticas formativas.

Torna-se imperativo abordar a questão do tempo, ou melhor, a necessidade de gestão dele. Pois, “tenho consciência que não dei tempo para um debate intergrupal alargado” (RC 1). Embora na planificação dos workshops se tenha feito uma estimativa do tempo necessário para refletir e debater as questões que seria levantadas com cada atividade, muitas vezes, o tempo que se considera ser necessário, acaba por se revelar insuficiente. Assim, do I workshop para o II workshop, tinha consciência da necessidade de melhorar as práticas formativas, tal como refleti: “irei dar todo o tempo necessário para a realização das tarefas” (RC 1). Por isso, é necessário estar sempre preparado/a para ajustar a formação, para além de no decorrer da própria ação se controlar o tempo, não descurando a importância de se ser flexível. A evolução sentiu-se no II workshop em que “deixei que os dois grupos discutissem as suas objeções de forma aprofundada sem pressões de tempo” (RC 2).

No ciclo de workshops, considerou-se necessário manter intacta a planificação da sessão de introdução (conhecimento interpessoal, criação de um clima de trabalho agradável e de abertura) e a sessão de encerramento (reflexão sobre o que foi apre(e)ndido). Por isso, no decorrer da sessão foi sempre considerada a possibilidade de reduzir as atividades planeadas, muito embora nem todas as decisões tenham sido tomadas na ação, pois na planificação dos workshops já tinha sido pensado o que poderia ser cortado, caso se considerasse necessário. Assim, “a experiência que adquiri (…) foi que mais vale uma atividade a menos e mais tempo de reflexão” (RC 2). No mesmo sentido, ao longo das sessões foi possível verificar a replanificação de atividades, pois “soube ‘ler’ que a forma como tinha preparado a atividade (…) poderia constranger os/as participantes e, optei por replanificar a atividade” (RC 2), concluindo que “a reflexão na ação realizada para a alteração da atividade planeada correspondeu às minhas expetativas” (RC 2). Por outro lado, porque “não quis que se estabelecesse nenhuma situação de poder” (RC 1) foi proporcionada aos/às participantes a liberdade para alterar o desenvolvimento das atividades, visto que “conseguiram reelaborar a atividade na ação” (RC 2) e, no III

workshop “devolveu-se a tomada de decisão para os/as participantes”, sendo que foram eles/elas que decidiram o desenrolar da ação.

O tempo e o espaço em que decorrem estas sessões são reflexo de uma sociedade frutívora em conhecimento. A tarefa de fazer do conhecimento uma competência em ação não é fácil, principalmente, quando o tempo domina a ânsia de se querer obter resultados, ao sentir “que tinha condicionado as respostas dos/as participantes” (RC 1). Por isso, é notória a reconstrução das práticas formativas, que ao serem refletidas “com certeza que me trouxeram uma postura mais crítica face ao trabalho desenvolvido” (RC 3), requerendo após cada sessão “uma reflexão profícua” (RC 3).

Por último, não é possível, de forma alguma, deixar de frisar que, mais do que formadora que dinamiza as sessões, tentei ser a inquietude da problemática. Isto significa, que tentei sempre impulsionar o debate, questionando as posições assumidas pelos/as participantes, para que numa primeira instância tivessem noção das suas próprias ideologias, para desmistifica-las em prol de um pensamento que, muitas vezes, se confunde com um pensamento padronizado socialmente.

Assim, para além da desmistificação das ideologias, verificou-se a importância de questionar a postura dos/as participantes face a diversas situações relacionadas com a problemática, assumindo-a como relevante no sentido de libertar os/as participantes para a própria noção que têm de si.

Em suma, nunca se pretendeu que as sessões se pautassem pelo depósito de informação sobre a problemática, fazendo com que a própria problemática por vezes pareça carente de rostos. Mas sim, inquietar os/as participantes com interrogações face às suas respostas. Curiosamente, alguns/algumas frisavam, por entre sorrisos que se sentiam confusos/as. Assim, poderei afirmar, que sem confronto de ideias, não existirá mudança. E que, por vezes, o choque ideológico traz-nos um outro olhar sobre a mesma realidade.

5.3.5. Evidenciação dos resultados obtidos

As atividades desenvolvidas nos workshops foram idealizadas para no mínimo 6 e no máximo 15 participantes. Assim e, apesar dos registos de não comparência face ao número real de participantes por sessão, o objetivo foi conseguido. De referir que embora o número de participantes por workshop não seja igual, esta situação já tinha sido pensada à priori, daí o limite mínimo e máximo estabelecido.

O número de inscritos/as no ciclo de workshops ultrapassou o número limite de inscrições, sendo na maioria professores/as e estudantes universitários/as, o que vai de encontro aos destinatários/as idealizados/as. Apesar de nem todos/as os/as inscritos/as terem mostrado interesse

em participar nas 3 sessões que compunham o ciclo de workshops, grande parte dos/as inscritos/as (n = 12) mostrou interesse em participar nesse conjunto.

A análise das motivações e expetativas em participar nestas sessões permitiu a criação de três categorias: valorização pessoal e profissional, aumento de conhecimentos e interesse pelas temáticas em questão. Assim, os workshops foram planificados tentando dar respostas aos interesses demonstrados, ou seja, pretendeu-se transmitir conhecimentos pela partilha e debate dos temas em análise, construindo um espaço aberto ao diálogo e que permitisse a valorização pessoal e profissional de todos/as os/as envolvidos/as.

O ciclo de workshops contabilizou a participação de 22 pessoas, tendo-se revelado muito satisfeitas relativamente a cada uma das sessões. Em termos proporcionais, o II workshop foi aquele em que os/as participantes mais ficaram satisfeitos/as, seguindo-se o III workshop. As mesmas conclusões foram retiradas face à avaliação da formadora, que atingiu níveis de muita satisfação, em termos gerais, destacando-se a satisfação quanto à clareza e objetividade da apresentação e quanto à criação de condições de partilha/participação.

Estes resultados vão de encontro à avaliação qualitativa, pois todos/as referiram que as suas expetativas foram alcançadas independentemente do workshop. Destacando-se como aspetos positivos, as dinâmicas de grupo e o nível de reflexão proporcionado através das atividades e ambiente de partilha criado. Enquanto aqueles/as participantes que referiram a existência de aspetos negativos, apontaram ao pouco tempo, à pouca duração dos workshops como uma condicionante ao debate e reflexão.

A palestra contou com a participação de 16 pessoas excluindo os palestrantes e mostrou ter alcançado as expetativas dos/as participantes. A maioria dos/as participantes mostraram-se muito satisfeitos/as com a palestra, em geral, no entanto, os itens “relevância da palestra” e “contributo formativo” foram aqueles que revelaram um resultado mais satisfatório. Como aspetos positivos considerou-se a interação registada entre os/as palestrantes e os/as participantes, havendo desde o início uma enorme interação entre todos/as, não ficando as questões e opiniões cingidas ao espaço final de debate. Em termos de aspetos negativos evidenciou-se o pouco tempo para o debate das temáticas do interesse geral e o número reduzido de participantes.

Tal como era expetável, a auto-supervisão permitiu conduzir as práticas formativas e profissionais a uma melhoria significativa. Verificando-se que apesar da limitação de tempo e da necessidade da alteração da ordem das atividades planeadas ou replanificação das mesmas, a formadora soube estimular o “espírito de grupo” salvaguardando, no entanto, as características

individuais de cada elemento. Por isso, pelo envolvimento e pela participação de todos os elementos, o balanço final do projeto é bastante positivo. Considerando-se que o ambiente intimista criado na palestra apenas foi possível pelo número reduzido de participante, por isso, o ideal, talvez seja, querer atingir a universalidade pela singularidade.

5.3.6. Discussão dos resultados em articulação com os referenciais teóricos

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