5.1 ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA
Segundo as informações coletadas no banco de dados do ITEP/Caicó, durante o período de 2000 a 2015, ocorreram 397 casos de suicídio na região do Seridó, destacando-se as cidades de Caicó, Currais Novos e Jucurutu, com 117, 38 e 29 casos absolutos, respectivamente.
Tabela 1: Número absoluto e porcentagem de casos de suicídio na Região do Seridó potiguar distribuídos por cidade e microrregiões, no período de 2000 a 2015.
CIDADE n %
Seridó Ocidental
Caicó 117 29,47%
Jardim de Piranhas 24 6,05% Serra Negra do Norte 3 0,76% São João do Sabugi 12 3,02%
São Fernando 6 1,51%
Timbaúba dos Batistas 0 0,00%
Ipueira 4 1,01%
Seridó Oriental
Acari 11 2,77%
Carnaúba dos Dantas 8 2,02%
Cruzeta 10 2,52%
Currais Novos 38 9,57%
Equador 3 0,76%
Parelhas 9 2,27%
Jardim do Seridó 22 5,54% São José do Seridó 11 2,77% Santana do Seridó 2 0,50% Ouro Branco 15 3,78% Serra de Santana Bodó 5 1,26% Cerro Corá 15 3,78% Florânia 14 3,53% Lagoa Nova 15 3,78%
Santana dos Matos 12 3,02%
São Vicente 10 2,52% Tenente Laurentino Cruz 2 0,50% Vale do Açu Jucurutu 29 7,30% Total 397 100
De modo geral, tais dados refletem a proporcionalidade do maior número de casos de suicídio nos municípios de maior porte da região do Seridó. Por outro lado, também explicitam Caicó na posição de destaque no contexto locu regional, a qual já ocupou a 3ª posição do ranking no coeficiente de suicídios do país em municípios de até 100.000 habitantes e representou quase 30% dos casos no nosso estudo.
Santos (2017), realizou um estudo ecológico sobre os casos de suicídio no Nordeste do Brasil, entre os anos de 2010 a 2014, dentre os dez municípios com maiores índices de suicídio do nordeste destacam-se São José do Seridó, em primeiro lugar, com 35,63 óbitos/100mil habitantes e Ouro Branco, em terceiro lugar, com 29,21 óbitos/100mil habitantes.
Apenas um município não apresentou casos de suicídio no período estudado, Timbaúba dos Batistas, o que mostra a problemática distribuída por toda região, com destaques para os municípios de pequeno porte como São José do Seridó e Ouro Branco que proporcionalmente apresentaram índices maiores que os de Caicó. Se, por um lado, tais dados demonstram a dificuldade de tratamento estatístico de números baixos em indicadores que se utilizam da base de 100.000 habitantes no cálculo do coeficiente, o que poderia superdimensionar a problemática em municípios de pequeno porte, por outro, também apontam para o perigo do chamado “Efeito Wherter”, caracterizado quando uma notícia de uma morte por suicídio é explicitada em seus métodos, divulgação de fotos e se difunde rapidamente na mídia, podendo atuar com efeito cascata incentivador e/ou motivador de outras tentativas de suicídio.
Tal notoriedade negativa alcançada pelo município de Caicó veio alertar, em âmbito nacional, aquilo que já era do conhecimento e vivência cotidiana de muitos moradores da região do Seridó: a convivência com a presença perene do comportamento suicida em amigos, familiares e desconhecidos, explicitado em honras nas mídias e blogs locais.
Aqui, faz-se necessário salientar que Caicó e Currais Novos contam com os hospitais de maior porte, bem como os serviços de saúde mental de maior complexidade da região. Diante disso, pondera-se a importância de aprofundar o conhecimento sobre o grau e o circuito de notificação dos casos no contexto locu regional, bem como a atribuição do evento ao seu local de moradia ou onde de fato se deu a óbito.
O Gráfico 02 apresenta a distribuição absoluta do número de casos de suicídio no período pesquisado, destacando-se os anos de 2003 e 2015 como aqueles de maior incidência (n=33).
Gráfico 02: Número de mortes por suicídio x ano de ocorrência no período de 2000 a 2015.
Fonte: Dados da pesquisa
Conforme pode-se observar no gráfico sobre a mortalidade por suicídio no sertão potiguar nas duas últimas décadas, constata-se que não há uma distribuição homogênea e/ou equitativa ao longo dos anos. Ressaltam-se períodos de pico, percebidos em 2003, 2005,2012 e 2015, assim como anos de acentuado declínio no número de casos, constatados nos subsequentes, como se revela nos períodos de 2004 e 2013.
Santos (2017), realizou um estudo sobre os casos de suicídio no Rio Grande do Norte, no mesmo período que o nosso, utilizando dados do DATASUS, onde verificou um cluster de suicídio na região do Seridó, principalmente em áreas rurais.
Baseado nisso, aponta-se para a importância de maiores estudos e reflexões acerca desses indicadores, buscando novas correlações com fatores históricos, econômicos, sociais, ambientais e culturais, que poderiam estar incidindo de forma padrão sazonal no número de casos.
Nesse sentido, ressalta-se que é possível reconhecer o comportamento suicida em seus vários desdobramentos e repercussões no imaginário coletivo, fortemente sedimentado num padrão comportamental que tem se intensificado e complexificado nos últimos tempos. Observa-se a dinâmica histórico-cultural do suicídio na região, a qual podemos ilustrar com
personalidades históricas que cometeram suicídio no passado, e que dão nomes às maiores e mais importantes avenidas nos municípios de Caicó e Currais Novos.
Tabela 2: Caracterização da mortalidade por suicídio, na região do Seridó / RN, segundo sexo, faixa etária, etnia e estado civil, no período de 2000 a 2015.
Ao serem avaliadas as características sociodemográficas (Tabela 02), predominou o sexo masculino (82,1%), cor branca (48%), solteiros (48%), com idade média de 43,7 anos (desvio padrão ± 18,9), sendo o enforcamento o método mais utilizado (79%). Estes dados corroboram o que já é de conhecimento da literatura científica sobre o assunto, quando se analisam as características sociodemográficas que emolduram o perfil do suicida, o qual tem
VARIÁVEIS