D) Perspectives d’avenir
V) Conclusion
A primeira abordagem às escolas foi feita através das directoras, alguns meses antes de dar início à recolha de dados relativa a esta parte do trabalho. Nessa altura foi apenas referida a necessidade de vir a efectuar este estudo precisando da colaboração das duas escolas. O estudo começou com uma visita à escola, marcada com uns dias de antecedência, para conversar com a directora, explicando os objectivos e indicando os procedimentos que pretendíamos seguir, bem como a indicação das pessoas que seria necessário contactar. Em ambos os casos, as directoras deram-nos liberdade de movimento dentro da escola, sugerindo que fizéssemos os contactos directamente: no caso da Escola A foram indicadas as Irmãs
como elos de ligação com os professores e as turmas; na Escola B, a directora sugeriu que contactássemos, directamente, os professores e combinássemos com eles a forma de proceder. Esta fase de investigação decorreu no ano lectivo de 2001/02, simultaneamente nas duas escolas, com um ligeiro desfasamento no início: na Escola B as primeiras visitas foram realizadas ainda no 2.º Período e na Escola A a investigação decorreu já no 3.º Período. A Tabela 1 mostra a distribuição dos procedimentos no tempo.
Em ambas as escolas começámos pela recolha de documentos que foram solicitados directamente a uma Irmã responsável por uma das turmas, na Escola A, e à directora, na Escola B. Ao longo da investigação foram surgindo outros documentos, que fomos recolhendo e organizando para posterior análise.
A observação de aulas foi agendada directamente com os professores respectivos. Estes encarregaram-se de informar os alunos da presença da investigadora e do que se pretendia investigar. Apenas na turma do 5.º ano de escolaridade, na Escola A, esta informação foi dada aos alunos pela Irmã responsável antes das observações; nas outras turmas, o próprio professor explicou aos alunos o que estava a passar-se, já na presença da investigadora. A observação foi feita do fundo da sala, atrás dos alunos e os registos efectuados o mais detalhadamente possível e transcritos para suporte informático após a observação. Nas turmas de jardim de infância e nas de 1.º ciclo observámos duas aulas em cada uma das turmas. Nas turmas dos 5.º, 7.º e 10.º anos observámos duas aulas das disciplinas de Língua Portuguesa e Ciências. Observámos ainda duas situações de recreio em cada uma das escolas.
As entrevistas aos professores, directoras, funcionários e formador externo, foram marcadas, antecipadamente, com os próprios e, as dos alunos, com as Irmãs responsáveis ou com os professores respectivos.
A cada um dos entrevistados foi explicado – às directoras, aos professores, aos funcionários e ao formador, quando combinámos a data da entrevista e, aos alunos, imediatamente antes do início da entrevista – o objectivo da entrevista e o tipo de perguntas que iríamos fazer; omitiu- se, propositadamente, a última questão da entrevista relacionada com o conhecimento acerca de Teresa de Saldanha para evitar que alguns fossem, entretanto, documentar-se sobre o
assunto. Esta questão não fazia parte do guião elaborado para as entrevistas aos alunos (ver Anexo 1).
Tabela 1. Cronograma dos estudos de caso.
ESCOLA A Fev- 02 Mar -02 Ab r- 0 2 Mai -02 Jun -02 Mar -03 Ab r- 0 3 Mai -03 Jun -03 Jul -03 Ag o- 0 3 Set-03 Out -0 3
Primeiro contacto com a directora interina √ Contactos com as Irmãs e professores a envolver na
investigação √ √
Recolha de documentos √ √ √
Primeiras entrevistas à directora interina,
aos professores e aos funcionários √ √
Entrevistas aos alunos √ √
Segundas entrevistas a dois professores e a uma funcionária √
Entrevista à professora mais antiga √
Segunda entrevista à directora interina √
Entrevista à nova directora √
Observação de aulas, recreios e outras situações √ √
Entrega das transcrições das primeiras entrevistas √
ESCOLA B
Primeiro contacto com a directora √ Contactos com as Irmãs e professores a envolver na
investigação √
Recolha de documentos √ √ √ √ √
Primeira entrevista à directora √
Primeiras entrevistas aos professores e aos funcionários √ √
Entrevistas aos alunos √ √ √
Segundas entrevistas a dois professores e a uma funcionária √
Segunda entrevista à directora √
Observação de aulas, recreios e outras situações √ √ √ Entrega das transcrições das primeiras entrevistas
T ra n sc ri ç õ es d a s en tr ev is ta s √
A todos os participantes foi garantida a reserva de identidade na apresentação dos resultados (Creswell, 2007; Foster, 1996). O cumprimento deste compromisso obrigou a um cuidado especial na redacção do trabalho final, em que procurámos que a exigência de rigor e a consideração do modo como aquilo que escrevemos afecta aqueles acerca de quem escrevemos, constituíssem uma preocupação da investigadora (Bar-On, 1996; Chase, 1996; Josselson, 1996).
As entrevistas foram gravadas em áudio e, no caso das crianças quer do jardim de infância quer do 1.º ciclo, em áudio e em vídeo, por nos parecer essencial, com crianças desta faixa etária, considerar a comunicação não-verbal. Em todos os casos se procurou obter, previamente, o consentimento dos entrevistados para a entrevista e para a sua gravação (Bar- On, 1996; Foster, 1996; Patton, 1990); em nenhum foi recusado. Quanto aos alunos, para além do consentimento de cada um deles, o consentimento foi, também, assumido pelas directoras (Foster, 1996), no lugar dos encarregados de educação. Três das entrevistas a professores tiveram de ser re-gravadas devido a um problema técnico ocorrido com a primeira gravação; qualquer dos três professores envolvidos se ofereceu, espontaneamente, para repetir a entrevista.
Depois das entrevistas, as gravações foram transcritas e de novo ouvidas e visionadas, uma e outra vez, relendo a transcrição, de forma a permitir uma compreensão mais aprofundada do que o entrevistado relatava, ou seja, o sentido das palavras – o que está para além das palavras (Cohen et al., 2000) – quer pela ênfase colocada em determinadas expressões quer pelas hesitações ou silêncios em alturas determinadas da entrevista. Daqui resultaram algumas anotações que foram tidas em conta na análise posterior. Para cada uma das transcrições foi elaborada uma ficha de entrevista em que se registaram as condições da entrevista: nome do entrevistado; data e local da entrevista; justificação da entrevista; dados conhecidos sobre o entrevistado; observações sobre a maneira como decorreu a entrevista; anotações sobre o que o entrevistado disse depois de desligado o gravador. Por vezes, a conversa continuou durante bastante tempo depois de terminada a entrevista e dela se fizeram registos importantes para a investigação. Nalguns casos, o próprio entrevistado pediu para desligar o gravador por alguns momentos, durante a entrevista, para dizer algo que não queria que ficasse gravado.
As transcrições das entrevistas realizadas às directoras, aos professores, aos funcionários e ao formador, sem as respectivas fichas, foram entregues aos entrevistados para que pudessem pronunciar-se acerca do que estava escrito: clarificar algum ponto ou acrescentar algum detalhe.
Finda esta fase do trabalho empírico, e após uma análise preliminar aos dados recolhidos, compreendemos não dispor, ainda, de informação suficiente para responder à questão inicial da investigação que pretendia reconhecer os processos que presidiriam à manutenção, ou não, dos princípios pedagógicos de Teresa de Saldanha nestas escolas, passado quase um século sobre a sua morte. Optámos, então, por entrevistar de novo as directoras, as bibliotecárias e alguns dos professores já entrevistados – dois em cada escola, tendo sido escolhidos, para este fim, o mais antigo e o mais recente. Nesta altura, entrevistámos também a professora mais antiga da Escola A, a que atrás nos referimos. Uma vez que a direcção da Escola A tinha, entretanto, mudado, havendo uma nova directora, em vez da situação anterior de direcção interina, entrevistámos também a nova directora. Estas entrevistas decorreram no final do ano lectivo de 2002/03 e para elas foram elaborados novos guiões (ver Anexo 1) e adoptados os mesmos procedimentos que descrevemos para as entrevistas anteriores.