Tabela 8 - Métodos utilizados para resolver os partos distócicos
Neste estudo, para resolver as distócias, foram utilizados dois métodos: os bezerros nasceram ou por via vaginal usando manobras obstétricas, ou por cesariana; foram realizadas 9 cesarianas e 15 manobras tocológicas/obstétricas.
Após a chegada ao local onde a vaca/novilha se encontrava e antes de se proceder a qualquer tipo de correção da distócia, foram efetuados os métodos de contenção necessários para que o exame vaginal fosse realizado com a maior segurança, tanto para o veterinário e estagiários, como para a vaca e o bezerro que iria nascer. Também foi realizada a higiene necessária para evitar infeções (lavagem da vulva com água e solução antisséptica).
Resolução da Distocia Nº
Manobras Obstétricas 15
Cesariana 9
A contenção foi sempre muito bem feita, para que não houvesse qualquer risco. Por vezes pensa- se que, para uma vaca estar bem contida durante o parto, esta tem de estar numa manga de contenção, de forma a ninguém se magoar. No entanto isto não é verdade, pois durante os 6 meses de estágio da autora desta dissertação, foram realizados mais de 100 partos e nenhum deles foi realizado dentro de uma manga. Em algumas situações, o exame vaginal foi feito com a vaca na manga, mas os partos nunca, pois há vários riscos. Por vezes, as vacas deitam-se durante as manobras obstétricas e, quando tal acontece dentro de uma manga, torna-se muito difícil conseguir levantar essas fêmeas se parte do bezerro como por exemplo, os membros e a cabeça, já tiverem passado a vulva e a vaca cair, o bezerro pode partir os membros ou mesmo morrer, pois pode bater nos ferros ou nos paus que se colocam na manga; há ainda o risco para o médico veterinário, se o mesmo estiver a realizar as manobras obstétricas e a vaca cair de repente, ele poderá não ter tempo de retirar os braços do canal obstétrico e magoar-se. Estas são algumas das razões porque nunca foi assistido um parto dentro uma manga. Quantos às cesarianas, as do presente estudo e praticamente todas as cesarianas realizadas durante os 6 meses de estágio foram realizadas com a vaca/novilha em pé.
Num parto, antes de se proceder à correção é muito importante ter-se a certeza que o método escolhido é realmente o mais indicado. Para isso deve avaliar-se bem, no seu conjunto, o canal do parto, as coordenadas fetais, ter a certeza que houve dilatação completa do canal obstétrico, ter a certeza se é só um bezerro ou se são gémeos, avaliar a vitalidade do bezerro para saber se o mesmo suporta a força de tração, mas principalmente, avaliar se o canal do parto, mole e duro/ósseo tem campo suficiente para a passagem do bezerro, sem que haja dano para ele ou para a vaca. Nunca se devem fazer tentativas, pois pode correr mal e o bezerro pode ficar preso havendo risco de vida para o mesmo e até para a mãe. Um exemplo disso, é quando é feita a tração a um bezerro com desproporção feto-materna, este pode ficar preso pelas ancas e não aguentar as forcas de tração, já a progenitora pode ficar com paralisias do parto. Por isso, na dúvida, é preferível seguir para cesarina.
0 5 10 15
Manobras Obstétricas Cesarianas
15 9 8 8 7 1 N º de ani m ai s
Total Machos Fêmeas
No gráfico 4 é possível verificar que, dos 15 partos resolvidos por meio de manobras obstétricas, 8 foram a machos e 7 a fêmeas, não havendo grande diferença no que respeita ao sexo. Já das 9 cesarianas realizadas neste estudo, 8 delas (88.9%), foram realizadas a machos e apenas uma foi realizada num parto onde a cria era uma fêmea, o que mostra uma vez mais a importância do sexo. Todas estas cesarianas, foram realizadas devido a desproporção feto-materna total, ou seja, nestes casos houve uma total incompatibilidade entre o tamanho do feto e o tamanho da pélvis materna. Porém, tal não significa que todas as cesarianas realizadas em bovinos sejam única e exclusivamente devidas a desproporções feto-maternas. Realizam-se cesarianas por muitos outros motivos, tais como, incompleta dilatação do canal mole do parto, anomalias no mesmo, torções uterinas graves ou incapazes de se resolverem, anomalias fetais, entre outros.
Das 15 manobras obstétricas realizadas, 6 (40%) foram em novilhas e as restantes 9 (60%), foram realizadas em vacas multíparas. Quanto às 9 cesarianas executadas, 6 (66,7%) foram em primíparas e 3 (33,3%) em multíparas. Estes dados parecem demonstrar que, a maior parte das cesarianas realizadas foram em fêmeas primíparas, tendo como causa principal a desproporção feto-materna. Estes resultados só vêm realçar melhor o que já foi referido nesta dissertação. A desproporção feto- materna é a causa mais comum de distócia em bovinos especialmente em primíparas (Noakes, 1991; Youngquist & Threlfall, 2007; Haskell & Barrier, 2014; Silva, 2015; Noakes et al., 2019).
Podemos interpretar o gráfico 5 de outra forma, ou seja, dos 12 partos realizados a novilhas, metade (50%) foram resolvidos por manobras obstétricas e a outra metade por cesariana. Quanto aos 12 partos das vacas multíparas, 9 (75%) foram resolvidos por meio de manobras obstétricas e apenas 3 (25%) por cesariana. Apesar de um destes três partos ser também uma distócia de causa fetal (alteração nas coordenadas fetais), todos eles tinham um elevado grau de desproporção feto-materna, daí terem sido realizadas as cesarianas.
0 5 10 15
Manobras Obstétricas Cesarianas
15 9 6 6 9 3 Nº d e A n im ais
Total Primíparas Multíparas