Márcia Zakrzevski (PIBID/ CAPES - UNICENTRO) Cristiane Malinoski Pianaro Angelo (UNICENTRO)
Resumo: Cabe à escola atual desenvolver as competências de obtenção e utilização de
informações, por meio da internet, bem como sensibilizar os alunos para a utilização das novas tecnologias de forma crítica e responsável. Buscaremos, neste trabalho, discutir o ensino da produção escrita a partir de uma webquest, bem como apresentaremos uma sugestão de uma webquest, enfocando a produção escrita do gênero crônica a partir de uma abordagem interativa da escrita. Trata-se de um trabalho de natureza teórico-reflexiva e que se fundamenta na concepção sociointeracionista de linguagem, a partir das discussões de Bakhtin (1992), Antunes (2005, 2006), dentre outros autores.
Palavras-chave: concepção sociointeracionista de linguagem; produção escrita; webquest. Abtract: It is for the current school to develop the skills to obtain and use information
through the internet, as well as to sensitize students to the use of new technologies in a critical and responsible way. We seek to discuss the teaching of writing production from a webquest, and to present a suggestion of a webquest, focusing on the written production of the chronic gender from an interactive approach ofwriting. It is a work of theoretical- reflexive approach, which is based on socio-interacionist language conception, from Bakhtin (1992), Antunes (2005, 2006), among other authors discussions.
Keywords: socio-interacionist language conception, written production; webquest.
Concepção interacionista de linguagem e a produção escrita
A linguagem, mais do que favorecer a expressão do pensamento ou a transmissão de informações de um emissor a um receptor, precisa ser vista como construção humana e, portanto, não está pronta e acabada, mas se constitui no seio das relações sociais, possibilitando a ação/interação humana, pela qual o homem se constitui como sujeito, dando forma às suas experiências e construindo conhecimento.
Entender a natureza social da linguagem permite-nos compreender o seu caráter interlocutivo, visão inaugurada por Bakhtin (1992). Para esse teórico, “a interação verbal é a realidade fundamental da língua” (p.123), isto é, a palavra não é exclusiva do locutor, mas pertence também ao interlocutor. Ritter, partindo dos estudos bakhtinianos, afirma que:
É importante entendermos que a verdadeira substância da língua é a interação verbal, porque é na interação verbal, estabelecida pela língua como sujeito (denominado também como locutor) e com os enunciados (entendidos como textos orais e escritos, produzidos em determinadas condições sócio-históricas, denominados também gêneros
discursivos ou gêneros textuais, no Brasil) anteriores e posteriores, que a palavra (discurso social e ideológico) se torna real e ganha diferentes sentidos conforme o contexto (2010, p.89).
Nesse sentido, um trabalho escolar de produção escrita, alicerçado numa concepção interacionista, recupera o que existe de dialógico e interacional no trabalho de produção textual. O problema, segundo Geraldi (1993), é que na escola ocorre uma prática totalmente artificial: não se produzem textos, mas se escrevem redações. Quem escreve não é alguém preocupado em dizer, mas alguém que, a partir de um tema imposto e atormentado com os ameaçadores fins de correção e nota, tenta repetir a fala do professor ou do livro didático. Assim, o que o aluno acaba compondo, normalmente não é decorrência de suas reflexões, mas uma imitação dos discursos de outros.
Segundo Geraldi (1993, p.137), uma prática textual condizente com a concepção interacionista precisa prever as seguintes condições: a) se tenha o que dizer; b) se tenha uma razão para dizer o que se tem a dizer; c) se tenha para quem dizer o que se tem a dizer; d) o locutor se constitua como tal, como sujeito que diz o que diz e para quem diz; e) se escolham as estratégias (a), (b), (c) e (d).
Ter o que dizer refere-se às ideias a serem colocadas no papel e deve surgir não só do discurso do professor, como também de leituras, de debates com exposição de argumentos, de discussões em grupos, enfim, do diálogo, da interação. Ao escrever, o autor sempre tem em mente a pessoa a quem o texto se destina, mesmo que esta pessoa não seja real, mas virtual (ANGELO; FRACASSE, 2009). Por isso, é preciso estabelecer com os alunos o destinatário do texto que será produzido para que a atividade seja conduzida de modo satisfatório. Conforme Antunes:
Escrever é, como falar, uma atividade de interação, de intercâmbio verbal. Por isso é que não tem sentido escrever quando não se está procurando agir com outro, trocar com alguém alguma informação, alguma ideia, dizer-lhe algo, sob algum pretexto. Não tem sentido o vazio de uma escrita sem destinatário, sem alguém do outro lado da linha, sem uma intenção particular (2005, p. 28).
É preciso considerar, no entanto, que nas situações de interação social, os textos passam por uma revisão, são apreciados por alguém, reescritos e só depois entregues ao destinatário certo. É esse processo que deve sempre ocorrer na escola. O professor pode fazer sugestões com vistas a melhorar o texto do aluno, observar se as condições de produção foram atendidas. Após a apreciação construtiva pelo professor, o aluno reescreve o seu texto e só então chega às mãos do destinatário. O texto, nessa perspectiva, não é visto como um produto acabado, perfeito, mas como um produto que sempre se oferece a várias versões (ANGELO et al. 2009).
Para a produção escrita, é necessário possibilitar aos alunos alternativas que contribuam para o aprendizado, pois se entende que a escrita é vital para a cidadania e que a escola exerce o papel fundamental para o aprimoramento dessa competência. Portanto, o melhor meio é fornecer caminhos para a realização do trabalho com a escrita, tornando esse espaço amplo e socialmente interativo.
Conceituando a webquest
Nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (BRASIL, 1999), ressalta-se que é papel da escola desenvolver as competências de obtenção e utilização de informações por meio da internet, bem como sensibilizar os alunos para o emprego das novas tecnologias de forma crítica e responsável. A webquest – metodologia que orienta o trabalho de pesquisa fazendo uso dos recursos provenientes da internet – surge como uma ferramenta eficaz no desenvolvimento dessas competências ao permitir ao aluno realizar pesquisas e buscas virtuais, aprendendo o conteúdo de forma dinâmica, interativa e crítica.
No site do Projeto Webquest – Escola do Futuro - USP, essa metodologia é definida como um:
[...] modelo extremamente simples e rico para dimensionar usos educacionais da Web, com fundamento em aprendizagem cooperativa e processos investigativos na construção do saber. Foi proposto por Bernie Dodge em 1995 e hoje já conta com mais de dez mil páginas na Web, com propostas de educadores de diversas partes do mundo (EUA, Canadá, Islândia, Austrália, Portugal, Brasil, Holanda, entre outros). Desse modo, a webquest é mais uma alternativa que vem somar às estratégias e metodologias de ensino, sendo seu atributo principal viabilizar a aprendizagem significativa, por meio da utilização dos recursos da internet. Trata-se, então, de uma metodologia que estimula a pesquisa, o pensamento crítico e a construção de conhecimentos por parte dos alunos. Como afirmam Barbosa e Recena.
a utilização das WebQuests como recurso didático para o ensino possibilita, além do acesso aos conteúdos a serem apreendidos, um momento de reflexão sobre a influência das TICs em nosso modo de vida. Essa ferramenta também propicia momentos de pesquisa para os educadores, já que estes precisam sugerir alguns links na atividade para a pesquisa de informações; e para os educandos, que farão uso da internet (2011, p.12).
Em linhas gerais, o planejamento de uma webquest abrange alguns elementos essenciais a sua estrutura: introdução, tarefa, processo, avaliação e conclusão. Lisbete e Celina (2008), partindo dos estudos de Dodge, explicitam os elementos constitutivos da
webquest: 1) introdução: apresenta o assunto de maneira breve, fornecendo pistas acerca do
que será desenvolvido e despertando a curiosidade dos alunos em relação ao tema trabalhado; 2) tarefa: evoca uma ação, o que é para fazer; 3) processo: determina os passos que os alunos devem seguir para desenvolver a tarefa; 4) avaliação: define claramente os critérios de como o aluno será avaliado; 5) conclusão: sintetiza os assuntos explorados na
Webquest e os objetivos supostamente atingidos. Faz-se um resumo do que foi feito, dos
conteúdos e dos assuntos que foram trabalhados.
Para tanto, Bottentuit Junior menciona alguns atributos essenciais das webquests: devem ser desafiadoras; atrair a atenção dos alunos; possuir bons sites de pesquisa; proporcionar uma organização tanto das atividades como dos materiais a serem consultados e produzidos; desafiar os alunos a pensar e não apenas a reproduzir idéias; permitir o máximo de utilizações dos recursos da internet, para que a tarefa não
seja facilmente realizada em papel; sugerir tarefas interessantes, ou seja, que não sejam realizadas com grande freqüência; e, por fim, oferecer aos alunos os critérios quantitativos e qualitativos de avaliação, bem como possibilidades para exploração dos temas trabalhados em outros contextos ou em novas pesquisas (2009, p.107-108). No que se refere à disciplina de Língua Portuguesa, a webquest, desde que bem formulada pelo professor, pode orientar o aluno a buscar uma gama maior de bons textos e a lê-los com maior criticidade, a acessar de modo mais fácil as explicações acerca de fatos da língua, a despertar o interesse pela produção de textos criativos e que atendam a uma finalidade específica. Desse modo, é preciso que se forneça um objetivo para a leitura de textos a serem acessados na internet, que se envolva o aluno com propostas instigantes e que se observe atentamente as condições para a produção de um texto.
Webquest no ensino da produção escrita
Como se discutiu na segunda seção deste trabalho, a orientação da palavra em função do interlocutor exige que o professor exponha alternativas de leitores para o texto escolar, especificando um gênero e uma finalidade para a atividade de produção. Essas condições contribuem positivamente para que o aluno perceba funcionalidade no ato de escrever e consiga desenvolver um trabalho eficiente de produção textual.
No entanto, constata-se que na maioria das propostas de produção escrita encontradas nas webquests que circulam na internet, não se faz qualquer referência a respeito do interlocutor, muitas vezes não se indica um gênero textual e nem se propõe uma finalidade para a produção. Menciona-se somente a tipologia em que o texto deve ser produzido. Os exemplos a seguir ilustram essa constatação:
Exemplo 1: Webquest para 1º ano do Ensino Médio
Tarefas: Os alunos terão que pesquisar sobre Bullying e encontrar histórias relacionadas ao tema.Sendo que após a escolha de uma delas, os mesmos contarão esta história utilizando a literatura de cordel.
(Disponível em:
http://www.webquestbrasil.org/criador2/webquest/soporte_mondrian_w.php?id_actividad=410 8&id_pagina=1)
Exemplo 2: Webquest para o Ensino Médio.
Tarefas: A partir das leituras indicadas nos sites relacionados na aba "processo" e dos estudos realizados nas apostilas em sala de aula, redija um texto dissertativo-argumentativo com, no mínimo, 20 linhas e, no máximo, 30 linhas sobre o seguinte tema: Desenvolvimento Sustentável.
(Disponível em:
http://www.webquestbrasil.org/criador2/webquest/soporte_mondrian_w.php?id_actividad=5080&id_p agina=3)
Exemplo 3: webquest para 8ª série do Ensino Fundamental
Tarefas: Definir os elementos da narrativa: Fato ( temática), personagens, foco narrativo, tempo e espaço. Buscar imagens que caracterizem os personagens. Buscar imagens que caracterizem o ambiente. Abrir o editor de texto e escrever sua história. Elaborar um título. Produzir uma capa. Inserir as imagens. Editar sua história no e-book.
(Disponível em
http://www.webquestbrasil.org/criador2/webquest/soporte_tabbed_w2.php?id_actividad=2018&id_pa gina=2)
Percebe-se, nos três exemplos, a falta de discussão e alternativas que abordem as condições de produção do texto, o que tornam artificiais as propostas: não se fornece/ sugere previamente um interlocutor para quem o aluno irá escrever; não se propõe uma opção para a divulgação/circulação do texto a ser produzido; nos exemplos 2 e 3, não se aponta um gênero textual que circula em sociedade, mas apenas se menciona uma tipologia: redigir um texto dissertativo, escrever uma história.
Buscando superar a artificialidade presente em grande parte das atividades de produção escrita presentes nas webquests, sugerimos, a seguir, um encaminhamento de trabalho com o gênero crônica para os alunos do 3º ano do Ensino Médio, levando-se em consideração a reflexão sobre as características da interação na produção escrita.
Escolheu-se para essa proposta o gênero crônica, que se caracteriza por ser uma história curta, baseada em acontecimentos do dia a dia das pessoas e da realidade nacional, normalmente contendo uma crítica. Segundo Nélo (2009, p.04), a crônica constitui-se como um lugar de representação dos fatos cotidianos; “é quase um registro historiográfico do olhar aguçado do cronista que passa a flagrar a cidade, os costumes e os usos do povo brasileiro, e revela ao seu leitor os casos mais inusitados e em suas interpretações sensíveis”. Acredita-se, então, que o trabalho com a crônica em sala de aula permite ao aluno dialogar com a realidade circundante, julgar fatos e situações, posicionar-se frente ao mundo, desenvolvendo-lhe a competência crítica.
Proposta de Webquest ancorada em pressupostos sociointeracionistas
34Crônicas: uma leitura do mundo
1) Introdução
“O pomar da literatura, vocês sabem, é composto de diferentes espécies: a poesia, que, pela sua delicadeza, compara à uva; o romance, que, pela sua densidade, me lembra uma jaca (não dá para comer toda de uma vez e se presta muito para fazer doces e filmes); o conto, que, para ter qualidade, precisa ser redondo como uma lima; a novela, que, a meio caminho entre o conto e o romance, poderia ser um melão; e a crônica, que, pela variedade e popularidade, equivale à laranja. O conto e a crônica, como se vê, são parecidos e às vezes até confundidos sob um olhar apressado. O conto, como a lima, tem a casca mais fina e pode ser mais agradável a um paladar delicado. A crônica, casca mais grossa, não requer tantos cuidados para frutificar. Cresce até em publicações periódicas, como jornais e revistas, mas nem por isso seu valor nutritivo é menor: contém todas as vitaminas necessárias à formação de um leitor. As crônicas, como as laranjas, podem ser doces ou azedas; consumidas em gomos ou pedaços, na poltrona de casa, ou virar suco, espremidas nas salas de aula”. (NOVAES, Carlos Eduardo. A cadeira do dentista e outras crônicas. São Paulo, Editora Ática, 1995.)
Criada por Marcia Zakrzevski – Disponível em:
http://www.webquestbrasil.org/criador2/webquest/soporte_horizontal_w.php?id_actividad=6695&id_pag ina=1
Nessa atividade, convidamos você e seus colegas a entrarem nesse pomar para saborear uma de suas frutas: a crônica.
A crônica é um texto curto que apresenta a visão pessoal do cronista a respeito de fatos corriqueiros ou noticiados em jornais e na televisão. Assim, a crônica é uma conversa do cronista com o leitor a respeito dos acontecimentos que os cercam.
Faço votos de que você e seus colegas envolvam-se com essa proposta, sintam-se motivados a saborear as crônicas e, dessa forma, a tecer reflexões acerca do mundo em que vivemos!
2) Tarefa:
Nesta webquest, você aprofundará seus conhecimentos sobre a crônica, se emocionará com uma belíssima crônica de Fernando Sabino e produzirá uma crônica, convocando o leitor a também pensar a respeito do mundo em que vivemos.
3) Processo:
PASSO 1: Leia um interessante conceito de crônica dado por Artur da Távola (conferir no link http://www.flaviaamazonas.com.br/contos.html) e compartilhe suas conclusões com os colegas da turma.
PASSO 2
2.1) Leia a crônica “Notícia de jornal”, de Fernando Sabino, com o objetivo de refletir sobre a condição de vida de muitos seres humanos em nosso mundo. Acesse o endereço:
http://www.flaviaamazonas.com.br/contos_noticia.html 2.2. A partir da leitura da crônica, responda em seu caderno.
a) O que podemos afirmar sobre a intenção comunicativa do texto? Com que objetivo essa crônica foi produzida?
b) O que você compreendeu da leitura do texto de Sabino?
c) Observe os recursos utilizados pelo cronista Fernando Sabino e comente: - Por que a expressão “morreu de fome” repete-se tantas vezes no texto? - O que predomina no texto: frases curtas ou extensas? Por quê?
- No texto, aparecem algumas frases nominais (sem verbo). Identifique-as e comente o efeito que elas causam no texto?
d) Por que “Notícia de jornal” é uma crônica?(Para responder, você pode acessar o site http://www.sitedeliteratura.com/Teoria/Caracteristicas.htm e aprender mais algumas características das crônicas.)
PASSO 3
Imitando o estilo de Fernando Sabino produza uma crônica com a finalidade de fazer o leitor (seus colegas de classe) refletir a respeito de um grave problema em nossa sociedade: o envolvimento de adolescentes com o tráfico de drogas.
- Antes de produzir sua crônica, leia a notícia “Mãe de garoto morto em Salvador pagou dívida de tráfico” (acessando o link http://g1.globo.com/bahia/noticia/2011/05/mae-de-garoto-morto-em-salvador-pagou- divida-de-trafico-diz-policia.html) e discuta com o professor e os colegas sobre esse problema social.
- Lembre-se de que a crônica gira em torno de fatos corriqueiros da realidade social. O cronista, fazendo uso de sua criatividade, incrementa esses fatos com uma dose de humor, crítica e ironia, de modo a permitir que as pessoas tomem consciência das mazelas advindas da esfera social.
- Após escritas, as crônicas serão reescritas e compartilhadas com seus colegas.
- Você pode entregar a crônica pessoalmente a sua professora ou enviá-la por email: [email protected]
4) Avaliação:
As crônicas serão avaliadas de acordo com os seguintes critérios: - A crônica aborda o assunto proposto?
- Convoca o leitor a refletir sobre a problemática social? - Imita o estilo de Fernando Sabino?
- É criativa?
5) Conclusão:
Na conclusão do trabalho, será feita uma roda de leitura – momento em que você compartilhará seu texto com os demais colegas. Espera-se que todos se envolvam com a leitura das crônicas e, por meio delas, questionem e reflitam acerca da realidade social.
Observando os elementos constitutivos dessa webquest, intitulada “Crônicas: uma leitura do mundo”, verifica-se que na introdução busca-se despertar o interesse do aluno pela temática, ao retomar uma comparação bastante interessante, explorada por Novaes, entre a literatura e o pomar e apresentar um convite ao aluno: entrar nesse pomar para saborear uma de
suas frutas: a crônica. Na tarefa, explicita-se de forma estimulante o que de fato o aluno fará
na webquest: ampliar os conhecimentos sobre o gênero crônica, emocionar-se com a
belíssima crônica de Sabino e produzir uma crônica, convocando o leitor a também pensar a respeito do mundo em que vivemos. No processo, são estabelecidos os passos que devem ser seguidos pelo
aluno: desde a compreensão do conceito de gênero crônica, passando pela leitura da crônica de Fernando Sabino, com objetivo previamente definido: refletir sobre a condição vida
de muitos seres humanos em nosso mundo, o desenvolvimento de atividades a respeito do texto
lido e a proposta de escrita de texto, fazendo uso de recursos da internet (sites contendo os textos a serem lidos e as explicações acerca do gênero).
Percebe-se que a produção presente nessa webquest, reascende a natureza interativa da escrita, caracterizando-a como um espaço dialógico para a produção de sentidos: apresentam-se interlocutores efetivos (os colegas de classe), explora-se adequadamente a finalidade (fazer o leitor refletir a respeito de um grave problema social: o envolvimento de adolescentes com tráfico de drogas), delimita-se um gênero textual (a crônica) que possa orientar o trabalho do aluno, explora-se o assunto a ser abordado na produção (leitura e discussão da notícia de jornal) e a forma de abordá-lo (imitando o estilo de Fernando Sabino, explorado as atividades anteriores de leitura).
Na avaliação, deixam-se claro os critérios de avaliação, os quais não se limitam aos aspectos formais da escrita (ortografia, concordância...), mas retomam as condições da produção textual: finalidade, interlocutor, gênero. Finalmente, na conclusão, sugere-se uma forma de divulgação da produção realizada pelo aluno: a roda de leitura - momento em que o aluno compartilha seu texto com seus colegas.
Desse modo, ao levar em conta as condições de produção do texto, essa webquest não cumpre apenas um exercício escolar, mas oportuniza situações significativas de uso da
língua, em que o aluno participa ativamente de um diálogo com textos e com leitores efetivos, que são os colegas de classe.
Considerações finais
No que se refere à disciplina de Língua Portuguesa, acredita-se que a webquest pode ampliar as possibilidades de leitura crítica e pode favorecer uma prática de produção textual mais dialógica, mais fundamentada, portanto, mais significativa.
Sugere-se que o professor, ao pensar em formular e utilizar a webquest no ensino da