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Um aspecto metodológico que não foi modificado neste estudo, levando-se em consideração sua proposta inicial, está em seu delineamento enquanto pesquisa qualitativa. Desde o princípio nosso foco esteve em buscar uma aproximação junto aos jovens e à Organização Não-Governamental participante do estudo, conhecendo seu cotidiano, seus personagens, a dinâmica institucional, as relações que ali se construíam as histórias de vida dos jovens e seus projetos de vida, as expectativas e projetos dos educadores envolvidos neste contexto, os encontros e desencontros, os afetos e desafetos, as situações de leveza, de construção e também de tensionamentos e atritos que se dão no dia a dia. Entendemos que tais informações, que dizem respeito ao vivido e ao sentido, mais que ao declarado ou documentado, não seria acessível através de uma pesquisa de ordem quantitativa.

A opção pela abordagem qualitativa encontra ressonância também nas argumentações produzidas por Denzin e Lincoln (2006), que assim sintetizamos: 1) acreditamos em sua potencialidade de aproximação e conhecimento daquilo que nos é estrangeiro, tendo nascido de uma preocupação em entender o outro; 2) apostamos na riqueza das descrições do mundo social como meio para melhor compreendê-lo; 3) defendemos a preocupação por conhecer aspectos específicos de determinados casos, comprometendo-nos e desejando uma maior aproximação; 4) concordamos que a pesquisa qualitativa, através de técnicas como a observação e entrevista, favorece essa proximidade; 5) defendemos a competência da pesquisa qualitativa por ela incluir “o mundo da experiência vivida, pois é nele que a crença individual, a ação e a cultura se entrecruzam” (p. 22). E era justamente a experiência vivida, eram as interrelações, afetos e desafios entre jovens e educadores da Organização Não- Governamental os elementos que nos interessava pesquisar desde o princípio.

Outro aspecto que nos cabe ressaltar é o posicionamento ou inserção desta pesquisa no contexto dos estudos em Psicologia Política.

A Psicologia e a Política são, por vezes, discutidas segundo o pensamento crítico e científico através de um viés dicotômico que distingue e separa suas respectivas competências, provocando uma relação de dissociação entre ambas. Por um lado, à Psicologia enquanto profissão, compete que esteja atenta aos aspectos individuais do sujeito, limitando seus profissionais – em algumas circunstâncias – a espaços em que a militância não deve interferir ou se manifestar, caso contrário estaria supostamente comprometendo a neutralidade tida como necessária. Paralelamente, estaria o espaço da Política, preocupada com questões que se dão no âmbito coletivo, suspensas das experiências privadas dos sujeitos (HOLANDA; MENDONÇA, 2015). Reconhecemos, no entanto, o caráter nocivo desta separação ao compreender a relação inconteste e dinâmica que se estabelece entre indivíduo e sociedade, sujeito e política. Como bem reflete Benevides (2005, p. 22):

O efeito-despolitização neste tipo de análise é notório, posto que as práticas psi passam a se ocupar de sujeitos abstratos, abstraídos/alienados de seus contextos e tomam suas expressões existenciais como produtos/dados a serem reconhecidos em universais apriorísticos.

Também Prado (2001, p. 154) reflete o perigo de atomizar os sujeitos, tratando-os como indivíduos isolados, desvirtuados de um âmbito coletivo. Chama, assim, a atenção à necessidade de uma perspectiva política da Psicologia. Assim discute:

Os sujeitos coletivos foram se individualizando; o subjetivo tornou-se sinônimo de indivíduo, perdendo seu vínculo com o social, permitindo assim, que em diferentes

projetos científicos da Psicologia, o político estivesse sem sujeito, portanto reduzido a estruturas e objetividades, e que o subjetivo estivesse totalmente alienado do político tornando-se, nestes discursos, mônadas e essências auto-suficientes.

Assim é que, neste sentido, posicionar a discussão política situando-a fora das questões subjetivas e vice-versa é algo que buscamos romper, inclusive nos propondo a trabalhar, nesta tese, noções e expressões de subjetivação política, defendendo a imbricação desses dois elementos – subjetividade e política –, reconhecendo a presença de contextos políticos e culturais na construção subjetiva.

Reconhecemos, ainda, a Psicologia Política como um campo de estudos e intervenções preocupado em adentrar e conhecer realidades com fins de questioná-las e de se implicar em possíveis transformações. Ao articular as reflexões da Psicologia com sujeitos e ações coletivas, este campo de estudos contribui na promoção de espaços emancipatórios, com participação de sujeitos que conhecem a si e à realidade ao redor, se posicionando criticamente, rejeitando qualquer legitimidade da naturalidade nas hierarquias sociais. A Psicologia Política se implica, pois, no “estudo das condições, sejam elas materiais, simbólicas, institucionais, psicossociais, éticas ou políticas, que são necessárias para a constituição de uma identidade coletiva – NÓS (PRADO, 2001, p. 154).

Quando decidimos dirigir nossa atenção a jovens envolvidos em projetos de formação política, entendemos ser este um grupo privilegiado no que se refere às suas possibilidades de transformação e emancipação política, uma vez que optaram, em suas trajetórias de vida, a se inserirem num contexto de formação, discussão e implicação em aspectos coletivos e públicos, numa perspectiva de vida que conecta o si-mesmo na relação com o outro, como expressões de subjetivação política, tal como refletem Menezes (2004) e Castro e Menezes (2002).

Com a pesquisa, intentamos provocar ainda mais os jovens participantes na direção de suas potencialidades como agentes de transformação política, na relação com o outro, do transformar-se para já não aceitar as realidades naturalizadas ao seu redor. Bem assim, temos também o objetivo de divulgar os resultados do estudo a fim de ampliar perspectivas no olhar à população jovem que se afirma militante, situando-a no universo da potencialidade, da inventividade, da agentividade, elementos estes que se identificam com o campo da Psicologia Política. Como discutem Castro e Bicalho (2013, p. 121): “Entender a prática psicológica como aposta da criação de processos de singularização é também entender tal prática como uma micropolítica pública, construída na experiência concreta de novas invenções subjetivas”.

Por fim, nossa escolha revela consonância com o referencial teórico adotado: a analítica do poder e a construção de modos de subjetivação, ambas inspiradas principalmente na obra do filósofo Michel Foucault, mas também levando-se em consideração construções reflexivas elaboradas por autores como Mouffe, Castro e Menezes. As questões institucionais e políticas que aparecem nas obras que nos inspiraram, assim como um olhar que busca compreender os agenciamentos de poder que mediam as relações humanas – entendendo os indivíduos simultaneamente como sujeitos e objetos do conhecimento e das práticas sociais – todos estes elementos nos inquietam e nos mobilizaram na condução desta pesquisa que, tal como a compreendemos, necessitava de instrumentos, procedimentos e condução analítica qualitativa.

Tendo, portanto, assumido a abordagem qualitativa neste estudo, cabe-nos ressaltar outro aspecto da proposta de investigação que não se modificou: nosso posicionamento como pesquisadoras nos afirma como parte integrante do processo de construção de conhecimento, conduzindo a pesquisa sob a perspectiva da reflexividade, tal como discutido por Spink (2004): numa abertura à revisão contínua de nossos fazeres – pela comunidade acadêmica e sociedade em geral – buscando superar a ciência como prática ensimesmada e, nesse sentido, cuidando para que os aspectos éticos da condução do estudo, das reflexões suscitadas e das problematizações construídas – aí incluindo-se a interferência e as implicações do pesquisador – fiquem ainda mais em evidência.

Nossa preocupação ética e política se presentifica na tentativa de diminuir as fronteiras entre a ciência e a sociedade, tomando os sujeitos participantes como colaboradores do estudo, bem como atentando-se às possibilidades de articulações e intervenções sociais futuras à medida que se constrói o estudo numa perspectiva de fomento de reflexões acerca das dinâmicas sociais observadas. Tem-se, nesse fazer científico, o intuito de contribuir com o público que se constituiu como nossos interlocutores, retornando a eles e assumindo nossas implicações como cientistas sociais, numa perspectiva ética e crítica.

Outro aspecto ético-político da pesquisa esteve em nossa abertura ao porvir. Embora buscássemos, por um lado, uma clareza quanto ao que pesquisar e tenhamos, inclusive, nos debruçado previamente sobre um roteiro que nos serviria de tópico-guia, permitimo-nos, por outro lado, seguir a fluidez do que se apresentava numa proposta de “ir sem rima pronta para confeccionar novas rimas”, tal como sugerem Sant`Anna, Lima, Queiroz e Silva (2016, p. 37).

É assim também que não invocamos a chancela da neutralidade ou da objetividade científica, pois compreendemos e assumimos nossa presença em todas as etapas de construção

da pesquisa, que aliás se impôs desde o primeiro momento, na escolha do tema em que se dedicar a discutir considerando, ainda, os estudos e investimentos anteriores que já dialogavam com o campo-tema e as questões que foram e ainda estão sendo suscitadas. Então sabemos da nossa implicação e expectativas assumindo, portanto, um posicionamento distante daquele esperado aos pesquisadores que defendem uma abordagem positivista da ciência, sobre a qual assumimos um olhar crítico, tal como o refletido a seguir:

[...] ao encorajar a neutralidade e a isenção dos/as investigadores/as face a todo o processo de pesquisa e de interpretação dos resultados dele provenientes, perpetuaram a visão do/a cientista alheado/a do seu objeto de conhecimento e de

costas voltadas para a repercussão que a sua própria subjetividade causava no modo

como lia e analisava os elementos observados (NEVES; NOGUEIRA, 2005, p. 408, grifo das autoras).

Apesar de não focarmos nosso fazer na direção de tal imparcialidade, procuramos ser cautelosas no sentido de ter a atenção para que nossos próprios desejos e interpretações não se sobrepusessem às falas e sentimentos apresentados pelos jovens, aos sentidos que eles mesmos construíam sobre sua experiência de vida, acolhendo-os como colaboradores do estudo. Buscamos explicitar possíveis contradições de suas falas não com o intuito de desvalorizar seus pontos de vista, mas de evidenciar a dinamicidade de suas próprias reflexões. Apresentamos, na tese, trechos de seus discursos de modo situado, a fim de que não nos servíssemos livremente de determinada frase que nos tenha chamado a atenção, retirando- a de seu contexto de produção.

Intentamos, ainda, evidenciar e problematizar vozes juvenis que foram gentilmente partilhadas conosco, situando suas discursividades num contexto sócio-histórico que incluía não apenas a situação de pesquisa, mas também o estar diante de uma pesquisadora adulta, branca, de classe média, atentas ao que essa diferenciação poderia provocar. Buscamos, também, situar suas produções discursivas levando-se em consideração o espaço físico em que ela se dava – um evento voltado ao público jovem – além de tentarmos reconhecer e compreender as demais vozes, personagens e situações que eram evocadas em suas reflexões. Intencionamos, enfim, compreender em suas experiências partilhadas e observadas, indicativos do que viemos construindo como modos ou expressões de subjetivação política, a partir de seus posicionamentos na relação com o outro e consigo, na sua forma de lidar com o diferente e com o conflituoso, na abertura à revisão de si, no exercício crítico de suas escolhas na trajetória de vida. Assim é que os campos-tema juventude e subjetivação política são nosso mote de investigação e de construção de conhecimentos.

Mas voltando à reflexão entre o mantido e o alterado desde a proposta inicial desta pesquisa, o leitor já deve ter percebido que até aqui nos concentramos em apresentar o que se manteve em relação ao projeto inicialmente desenhado e articulado, contudo também houve mudanças nesse percurso. Elas dizem respeito a dois aspectos principais: as estratégias metodológicas adotadas e o enfoque dado à Organização Não-Governamental. Todas essas modificações foram se mostrando necessárias à medida que nos aproximávamos do campo de estudos, de modo que este será o nosso foco de apresentação agora para, em seguida, ser dada continuidade à narrativa que trata das justificativas e implicações das mudanças assumidas no decorrer da produção desta tese.

Embora o termo “campo” aqui empregado se apresente em sintonia com uma noção geralmente empregada na Psicologia Social para descrever um tipo de pesquisa feita nos lugares da vida cotidiana e fora do laboratório, gostaríamos de frisar que nosso posicionamento diante da noção de campo segue uma proposição de campo-tema. Nesta perspectiva, o campo não é mais um lugar específico, mas se refere à processualidade de temas situados, quando não é mais o campo que tem o assunto, mas é o assunto que tem um campo, como discute Peter Spink (2003). Assim é que, também, nos referiremos ao campo- tema como um grande cenário no qual nosso tema está imerso, enquanto a cena da pesquisa dirá respeito mais diretamente ao contexto específico de produção de informações: o local, as estratégias metodológicas, os sujeitos, todos estes que serão apresentados logo mais.

O nosso campo-tema está nos modos de subjetivação política que se constroem e se reconstroem na dinâmica da vida de jovens que participam das ações e projetos de formação política de uma Organização Não-Governamental. Tendo este campo-tema como ponto de partida, a etapa seguinte esteve em definir o perfil da Organização Não-Governamental (ONG) com que estabeleceríamos contato, ficando a busca assim desenhada:

Quadro 1 - Perfil da ONG a participar da pesquisa

CARACTERÍSTICA JUSTIFICATIVA

Público: Jovens entre 15 e 29 anos de idade

Jovens (nossos sujeitos de interesse desde a construção do projeto) na faixa etária regulamentada como sendo jovens pelo

Estatuto da Juventude

Foco de trabalho: formação política de jovens

Com o intuito de problematizar a idéia de subjetivação política, interessava-nos dialogar

com jovens que vinham participando de uma instituição que trabalhava com foco

em formação política Tempo de atuação:

mínimo de 10 anos

Gostaríamos de acessar jovens com tempos de participação distintos na ONG, de modo que

pudéssemos perceber diferentes modos de implicação por serem recentes ou por terem

acúmulo de experiência na caminhada de formação política

Local: Recife ou

Região Metropolitana Facilidade de acesso da pesquisadora Desejável: trabalho com

foco na arte e cultura

Expectativa prévia das pesquisadoras acerca do lugar ocupado pela arte e pela cultura como

estratégias de participação política

Fonte: própria autora

Em seguida, o percurso se deu na busca por Organizações Não-Governamentais com o perfil supracitado e, para tanto, recorreu-se a pessoas por nós identificadas como informantes privilegiados: gestores de ONGs, educadores populares, jovens integrantes de movimentos sociais, docentes e pesquisadores que trabalhassem com o tema da juventude e participação política ou acerca de projetos sociais de Organizações Não-Governamentais, e que pudessem fazer indicações de ONGs com o perfil definido.

Daí, seguiu-se a uma estratégia denominada “Bola de Neve”, método que se baseia não numa lista de referências, mas numa rede de relações entre membros da amostra, quando há a indicação de um ou mais indivíduos, sendo também conhecido como método de cadeia de referências:

O processo começa com um certo número de sementes, pessoas selecionadas de alguma forma pelo pesquisador e que fazem parte da população-alvo. Essas pessoas, por sua vez, são incumbidas de indicar, a partir de seus contatos, outros indivíduos para a amostra (DEWES, 2013, p. 7).

Assim é que aqueles por nós considerados informantes privilegiados (nossas sementes) – pessoas com forte inserção no contexto das Organizações Não-Governamentais – indicavam outros que poderiam nos ajudar nesta tarefa e, assim, contatando esses novos informantes, fomos mapeando organizações que respondessem ao perfil requerido. Três delas foram citadas por quase todos os informantes-sementes e, desse modo, entendemos que qualquer uma delas – atendendo realmente ao perfil requerido – e anuindo à realização da pesquisa, poderia ser o nosso campo de pesquisa.

Compreendíamos estar adentrando numa etapa delicada, que era aproximar-se da ONG e explicar-lhe o tema de pesquisa sem, com isso, deixar evidenciado o problema de pesquisa que nos conduzia. O intuito era evitar uma interferência na qual os gestores da ONG nos concedessem informações que supostamente acreditavam que “gostaríamos” de escutar gerando, com isso, expectativas e direcionamentos em suas respostas e encaminhamentos – seja de aceitação da pesquisa, seja dos caminhos e jovens que indicariam a participar. Essa fase de aproximação do campo teve, portanto, um caráter de apreensão e expectativa, uma vez

que estávamos a todo tempo alertas quanto à condução ética de nada omitir, mas cuidadosas na transmissão das informações.

Cabe-nos ressaltar, contudo, que fomos muito bem recebidas pela primeira instituição visitada – e que acabou por ser a ONG participante do estudo. Seu nome será mantido em sigilo, conforme acordado no momento da assinatura da Carta de Anuência30 pelo representante desta instituição e nossos agradecimentos devem ficar uma vez mais registrados. Doravante, a ONG será chamada tão somente de “ONG Parceira”.

Logo no primeiro encontro deparamo-nos com um contexto altamente favorável e outro desfavorável (ou que não respondia às nossas expectativas) para a realização da pesquisa. O ponto desfavorável é que intencionávamos realizar uma pesquisa de campo participando efetivamente do cotidiano institucional em que se implicavam os jovens. Imaginávamos – a partir da experiência anterior junto a projetos sociais de Organizações Não- Governamentais realizados com adolescentes – que houvesse um conjunto de atividades que delineassem um cotidiano de ação. Nossa intenção, nesse sentido, era a de vivenciar as atividades diárias que ali acontecessem, conhecendo e experienciando seu dia a dia, as relações, as satisfações ou insatisfações, os posicionamentos, os movimentos de gestão de condutas de si e do outro, as relações de poder. Mas isso não seria possível, uma vez que embora a ONG Parceira tivesse um trabalho contínuo de formação política de jovens, este não era sistematizado e organizado em atividades diárias ou mesmo semanais. Suas ações se davam a partir de eventos formativos, reuniões virtuais ou presenciais, acompanhamento de projetos à distância, participação em eventos e audiências públicas, em movimentos coletivos de rede junto a outras instituições Parceiras ou outros movimentos sociais.

Apesar deste dado de realidade que nos parecia desfavorável – considerando-se nosso projeto e expectativa inicial – contamos com aspectos bem positivos: o já referido acolhimento e a abertura à realização da pesquisa, e também a informação acerca de dois eventos organizados pela ONG Parceira a serem realizados nos meses subsequentes: um encontro regional e um encontro nacional reunindo lideranças juvenis para discutir políticas públicas de juventude e participação política de jovens. A possibilidade de encontrar jovens lideranças vinculadas a diferentes grupos e regiões atuando politicamente e discutindo

30

Esse procedimento é um dos cuidados e também um requisito quanto aos procedimentos éticos na condução de pesquisas envolvendo seres humanos.

políticas públicas de juventude, pareceu-nos uma interessante oportunidade para reflexão sobre o problema de pesquisa que propúnhamos desenvolver31.

Assim é que elegemos a ONG Parceira como instituição participante do estudo. Pudemos, em seguida, submeter o projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco, cuja avaliação foi positiva, recomendando a realização do projeto através do CAAE número 32133414.0.0000.5208.

3.2 Cena da pesquisa

Eleita a ONG Parceira, nossa cena de pesquisa sofreu uma série de adaptações. A primeira delas esteve nas estratégias metodológicas a serem adotadas. Na proposta inicial, além de entrevistas com os jovens, estavam previstas a realização de oficinas e a observação participante do cotidiano das atividades da ONG, junto aos jovens e educadores. No entanto, à medida que não havia um cotidiano a acompanhar, nem espaço físico ou disponibilidade de tempo que permitisse reunir por horas um grupo de jovens com quem realizar diálogos coletivos e oficinas temáticas, alternativas precisaram ser viabilizadas.

Podemos considerar que houve duas grandes cenas de pesquisa: a primeira, a que chamaremos de Evento 1, se deu durante quatro dias e reuniu cerca de 60 lideranças juvenis atuantes na Região Nordeste. A segunda, a que chamaremos de Evento 2, se deu quatro meses após o primeiro Evento, e reuniu cerca de 100 lideranças juvenis atuantes em movimentos sociais de todas as regiões do Brasil. Nosso cenário de pesquisa, entretanto, foi ampliado para outros contextos de diálogo e de produção de informações, tanto com educadores quanto com os jovens participantes, presencialmente e via redes sociais, no diálogo informal, em textos publicados pela instituição, nos encontros preparatórios ao

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