Chapitre I : Matériaux bio-composites
I.7 Conclusion
De modo a existir uma maior compreensão da razão pela qual as empresas optam pela internacionalização, surgiram várias teorias que ajudam na explicação de como e por que razão as corporações seguem este caminho. Estas teorias e modelos abordam também
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algumas condicionantes e barreiras que poderão possivelmente existir no processo de internacionalização.
3.1.1. Modelo Uppsala
O modelo Uppsala, desenvolvido por Johanson e Wiedersheim-Paul (1975) e Johanson e Vahlne (1977), refere-se ao processo de aquisição de conhecimento por parte das organizações empresariais. Isto é, exemplifica o modo como a organização aprende e como esta aprendizagem afeta e influencia o seu comportamento investidor. De acordo com o estudo de Johanson e Wiedersheim-Paul (1975), a empresa desenvolve as suas atividades primeiramente no mercado doméstico e, apenas depois do fortalecimento destas atividades em território nacional, se internacionaliza e expande os seus negócios para outros países, sendo estes normalmente vizinhos ou possuidores de culturas e costumes semelhantes. Isto acontece dado que a principal barreira para a concretização da internacionalização reconhecida pelo modelo Uppsala é a falta de conhecimento do mercado estrangeiro. Desta forma, o modelo admite também que qualquer decisão relacionada com os investimentos externos deverá ser realizada de forma gradual devido à incerteza do mercado no qual a mesma é implementada (Forsgren, 2002).
Sendo assim, a teoria pressupõe dois aspetos: um país, ao investir, deverá começar por um dos países vizinhos ao invés de investir em vários mercados simultaneamente e todos os investimentos deverão ser efetuados de forma cautelosa e incremental. O pressuposto sobre o qual o modelo assenta é, então, a aprendizagem através da experiência e a importância do conhecimento dos mercados externos. Para que tal aconteça, Johanson e Wiedersheim-Paul (1975) referiram uma cadeia de estabelecimento em que estão inseridos quatros estádios. A primeira forma de adquirir conhecimento seria através de exportações esporádicas e irregulares, passando para, numa segunda fase, exportações mais assíduas através de representantes ou agentes de vendas independentes. Na terceira etapa, a empresa abriria uma subsidiária comercial no país anfitrião, sendo complementada, no último estádio, e não tão comum, pela implantação duma unidade de produção e manufaturação nesse país.
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Ao longo deste processo é esperado que a empresa do país de origem acumule alguma aprendizagem sobre o mercado externo e que esta seja benéfica para a coordenação de investimentos futuros, aliando-se a um aumento gradual do compromisso com o mesmo mercado.
Apesar de fornecer uma explicação para o processo de evolução de uma multinacional (Vahlne e Johanson, 2013), o modelo também tem algumas limitações. De acordo com Forsgren (2002), o modelo depende, em grande parte, da estabilidade de pessoal na empresa ao longo do tempo, não examinando as mudanças rápidas que ocorrem no cenário empresarial a nível global. Além disso, também falha em explicar as circunstâncias através das quais se inicia o processo de internacionalização, assim como em clarificar as razões para o mesmo. Outros autores (Angué e Mayrhofer, 2010; Evans e Mavondo, 2002; Ojala e Tyrväinen, 2006), referidos no estudo de Dominguez e Mayrhofer (p. 1052, 2017) consideram que o modelo falha ao não considerar as redes de negócios ou empresariais, mas também os fatores específicos da indústria e as varáveis específicas da empresa.
Depois do modelo revisto em 2013 por Vahlne e Johanson (2013), o mesmo começou a considerar a importância de redes de negócios e estratégias para o processo de internacionalização. Incluiu, também, dois tipos de variáveis – de condição e de mudança – que explicam como o conhecimento, aprendizagem e oportunidades podem influenciar as decisões empresariais na integração numa rede de negócios e vice-versa.
3.1.2. Teoria da Internalização
A teoria da internalização, teorizada por Buckley e Casson (1976), explica a razão pela qual as empresas optam por internalizar além-fronteiras as suas operações no mercado, ou seja, exercendo a vantagem de propriedade total para melhor controlarem os seus investimentos nos mercados anfitriões.
Esta teoria baseia-se na ideia que as empresas tentam maximizar os seus lucros num mercado imperfeito, sendo que, por vezes, os custos de internalizar as suas operações noutros
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países provam ser menores do que os custos de transação prévios a essa mesma internalização. Ou seja, pressupõe que algumas transações são executadas de forma mais eficiente internamente, na empresa, do que através do mercado. Sendo assim, existe um controlo centralizado por parte da empresa-mãe em relação às suas subsidiárias existentes em países estrangeiros. De acordo com Rugman (2010), a teoria da internalização explica o investimento direto estrangeiro (IDE) ao nível da empresa, dado que se foca no processo de decisão da mesma e consegue demonstrar a heterogeneidade das diferentes organizações dentro de semelhante indústria. Com esta teoria, a empresa multinacional pode escolher expandir-se através de IDE ou outros modos de entrada, como licenciamento, joint ventures ou alianças estratégicas.
3.1.3. Paradigma Eclético
O Paradigma Eclético de Dunning (1988, 2000) pretende analisar e determinar a extensão e o padrão das operações de cadeias de valor, ou seja, é uma teoria explicativa da razão pela qual as empresas abrem subsidiárias no estrangeiro.
Esta teoria afirma que a razão pela qual as empresas optam por internacionalizar-se através de investimento direto estrangeiro (IDE) é influenciada por três variáveis ou condições. Estas são as vantagens de propriedade (ownership – O), as vantagens de localização (location – L) e as vantagens de internalização (internalization – I). O conjunto de vantagens de Dunning pode ser definido também como as vantagens de OLI ou paradigma OLI.
As vantagens de propriedade podem assumir-se em ativos tangíveis ou ativos intangíveis, isto é, na forma de propriedade intelectual ou propriedade física, por exemplo. Estas vantagens permitem à empresa um maior controlo das suas operações externas, na forma de joint ventures ou abertura de subsidiárias, mantendo os custos de produção também mais baixos, dado que as competências permanecem no seio da empresa-mãe. Em relação às vantagens de localização, a teoria de Dunning assume que o mercado anfitrião deverá possuir alguns critérios que o tornem vantajoso para o investimento efetuado pelo país de origem, como, por exemplo, o preço da mão-de-obra, poucas restrições governamentais, abertura da
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economia, entre outros. Sendo assim, estas vantagens poderão derivar de fatores económicos, sociais ou políticos. Dependendo das vantagens fornecidas pelos países, a empresa poderá decidir-se consoante aquele que será o mais benéfico para o desenvolvimento do negócio pretendido. A última variável, vantagens de internalização, refere-se ao facto de poder ser mais vantajoso para as empresas internalizarem a sua produção e funções, evitando os custos transação de operar no mercado.
De acordo com Dunning (1988) para que o investimento direto estrangeiro aconteça é necessária a existência destas três variáveis. Por outro lado, Dunning (2000) também afirma que existem setores mais prováveis de gerar IDE que outros, assim como o facto de alguns países serem mais propensos a internacionalizar-se do que outros com diferentes características históricas e económicas. Da mesma forma, também se verifica que diferentes empresas se empenham no investimento de modos dissimilares, normalmente devido ao seu tamanho ou estratégias.
Desta forma, pode-se afirmar que o Paradigma de OLI se afirma como uma das principais teorias de internacionalização, no entanto, nos seus primórdios, não foi aceite facilmente por outros autores (Eden, 2003). Esses autores (cf. Eden, 2003) criticavam o facto de as falhas de mercado nos produtos intermediários serem suficientes para explicar a existência de empresas multinacionais. Logo, as vantagens de propriedade de Dunning não seriam necessários e apenas a teoria da internalização funcionaria como a teoria explicativa da internacionalização. Eden (2003) também reconhece que está ainda em falta na teoria eclética um quarto fator: o estratégico.