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APÊNDICE I – CURVAS PARA O AJUSTE DA VELOCIDADE ANGULAR 121 APÊNDICE II – RESULTADOS DOS TESTES DO ERGO1 131

CAPÍTULO I

INTRODUÇÃO

A atividade física, especialmente quando direcionada a algum esporte, é um dos meios de promover a integração social ao mesmo tempo em que proporciona uma melhora da saúde de seus praticantes, combatendo o sedentarismo e evitando complicações futuras relacionadas a um estilo de vida inativo.

Os indivíduos cadeirantes representam uma parcela da população que, devido a redução de sua mobilidade, sofrem de problemas como complicações cardíacas, obesidade, diabete, lesões nos ombros e pulsos, entre outras. Muitas vezes, alguns desses problemas são provenientes das próprias atividades desenvolvidas no dia a dia, como a transferência de um assento a outro, que fazem com que os membros superiores enfrentem sobrecargas para as quais não estão preparados.

Em 1989 a Lei Federal 7853 procurou delimitar normas gerais que assegurassem o pleno exercício dos direitos individuais e sociais dos cadeirantes por meio de programas de inclusão social e regulamentos. Esta medida, porém, não teve a resposta necessária para uma mudança efetiva. Em março de 2007, na sede da ONU na cidade de Nova York, a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo adotados pela ONU em 13 de dezembro de 2006 foram assinados. Através destes, os Estados participantes se comprometeram a assegurar e promover o pleno exercício de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais para todas as pessoas com deficiência, adotando medidas legislativas e administrativas necessárias para que isso ocorra. No ano de 2008, em agosto, o Decreto n° 6949, promulgou esta convenção assinada em Nova York e foi aprovada pelo governo brasileiro através do Decreto Legislativo n° 186. Embora aprovada e promulgada em 2008, os primeiros resultados da convenção só vieram

a começar a se concretizar em novembro de 2011, por meio do Decreto n° 7612 que instituiu o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência denominada de “Plano Viver sem Limites”. Este plano possui em suas diretrizes básicas, dentre outras ações, assegurar condições de saúde e todo tipo de inserção social de pessoas com deficiência através de ações conjuntas dos governos federais, estaduais e municipais.

Em relação à geração de oportunidades para as pessoas portadoras de deficiências, pode-se ressaltar uma grande carência de métodos e processos de medição de suas capacidades físicas, principalmente, no campo do esporte e em especial no esporte de alto rendimento. No entanto, na área do esporte, o Brasil tem-se mostrado promissor. Por exemplo, nas últimas edições das Paralimpíadas, a partir de Atlanta-1996 até Pequim-2008, o Brasil passou da 37ª posição, com 21 medalhas sendo duas de ouro, para a 9ª posição, com 47 medalhas conquistadas, sendo 16 destas de ouro. Já no Parapan de Guadalajara em 2011, o Brasil ocupou a primeira posição do quadro de medalhas com um total de 197 pódios, sendo 81 destes com medalhas de ouro. A partir deste quadro, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) firmou no início do ano uma parceria com professores universitários de diferentes partes do país para formação da Academia Paralímpica Brasileira, buscando estabelecer o elo que faltava entra a produção de conhecimento e sua aplicação. A sede do primeiro Centro de Formação do Esporte Paralímpico (CEFEP) foi a Universidade Federal de Uberlândia sendo sediado na Faculdade de Educação Física.

As medidas governamentais destinadas a melhorar a situação dos portadores de deficiência física devem necessariamente estar ligadas à prevenção, reabilitação e equiparação de oportunidades e, nesse contexto, o esporte sem dúvida alguma, exerce fundamental importância no conjunto de procedimentos interdependentes necessários a uma reabilitação global do indivíduo.

Este grupo, segundo mostra a literatura, recebe pouca atenção no que diz respeito a técnicas e aparelhos voltados para melhorar sua qualidade de vida. Na verdade, no que se refere a aparelhos de exercício para condicionamento físico existem poucos equipamentos desenvolvidos especificamente para as necessidades de treinamento e/ou avaliação do condicionamento físico de cadeirantes. Geralmente, o que mais se observa são adaptações feitas a partir de aparelhos existentes para pessoas não deficientes. Estes equipamentos são em sua grande maioria baseados em ciclo-ergômetros de braço ou, no máximo, em cadeiras de rodas sobre esteiras ou sistemas de medição de torque por rolos. Os ciclo- ergômetros de braço por serem adaptados e não proporcionarem ao cadeirante o mesmo tipo de movimento executado no cotidiano, as avaliações e treinamentos executados neste aparelho podem ser equivocadas, pois exercitam os grupos musculares de forma diferente e

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podem não melhorar a resistência e capacidade física de acordo com necessidades específicas do cadeirante.

Deve-se destacar que existem ergômetros importados dedicados a cadeirantes, porém de custo elevado e de difícil acesso para a maioria dos centros de pesquisa ou treinamento das pessoas com deficiência no Brasil. Baseado nesta necessidade, o Laboratório de Projetos Mecânicos Prof. Henner A. Gomide (LPM) sediado na Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Uberlândia propôs em 2007 um projeto para construção de um protótipo de um ergômetro para cadeirantes. Este equipamento foi desenvolvido para a aplicação de testes de potência aeróbica e anaeróbica e possuía uma estrutura fixa projetada com diversos elementos adaptados ao assento do cadeirante visando à aplicação de força nos aros de impulsão que ficavam suspensos. A resistência era fornecida por um módulo separado utilizando um sistema eletromagnético que permitia variar a resistência em até 8 níveis de carga. A Figura 1.1 mostra o primeiro protótipo do ergômetro projetado no LPM.

Figura 1.1 – Primeiro ergômetro (ERG-CR09) para cadeirantes projetado e construído no LPM.

O protótipo projetado foi denominado de ERG-CR09 sendo que para efetuar o monitoramento e a avaliação dos testes físicos eram adquiridos por sensores específicos os sinais elétricos provenientes do torque e da rotação para alimentarem um aplicativo desenvolvido em LabVIEW. A estrutura da cadeira possuía dimensões ergonômicas similares a uma cadeira de rodas padrão, com capacidade operacional para deficientes com peso de até 180 Kg. A Figura 1.2 mostra o módulo de resistência eletromagnético do

protótipo ERG-CR09 e a Fig. 1.3 mostra uma das interfaces desenvolvidas no primeiro aplicativo desenvolvido em plataforma LabVIEW.

Figura 1.2 – Módulo de resistência eletromagnético do primeiro ergômetro projetado.

Figura 1.3 – Primeira interface do aplicativo desenvolvido em ambiente LabVIEW.

Durante a fase de testes deste novo equipamento, uma série de modificações estruturais e operacionais foi identificada visando tornar o equipamento mais efetivo para o monitoramento do condicionamento físico dos cadeirantes. Diante disto, o objetivo deste trabalho é reprojetar e construir um novo protótipo de ergômetro para cadeirantes que possibilite a avaliação do seu condicionamento físico.

Indiretamente, esta proposta está inserida dentro de uma linha de pesquisa do LPM voltada para tecnologias assistivas e que pretende gerar equipamentos, processos e

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metodologias destinados à melhoria da inclusão social de pessoas com deficiência através do esporte.

Os capítulos seguintes tratarão do desenvolvimento do protótipo e dos resultados obtidos portanto serão divididos da seguinte forma:

 Capítulo II – revisão da literatura sobre equipamentos disponíveis, problemas enfrentados pelos cadeirantes e protocolos de avaliação disponíveis;

 Capítulo III – metodologia utilizada para projeto da estrutura, sistemas eletrônicos, sistema de resistência eletromagnético, aplicativo de controle via computador e planejamento dos protocolos de avaliação a serem utilizados;

 Capítulo IV – resultados obtidos com o protótipo, partindo desde a construção até o resultado dos testes finais feitos com alguns voluntários para avaliação do funcionamento do equipamento;

 Capítulo V – conclusões feitas acerca do protótipo desenvolvido e sugestões para trabalhos futuros.

CAPÍTULO II