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6 Conclusion and Future Work

Devido à procura que senti haver semanalmente de produtos veterinários na FSL e aliado ao facto de terem sido introduzidos nesta farmácia, durante a fase inicial do meu estágio, produtos da marca Patta, achei que devia aproveitar a oportunidade para um dos meus projetos ser relacionado com esta área.

Nos últimos anos, através da análise do mercado veterinário em alguns países incluindo Portugal, tem-se observado uma tendência crescente nos cuidados com os animais domésticos, desde preocupações básicas com a sua saúde e alimentação, mas também no âmbito do seu conforto, como a higiene e a cosmética.11

Em Portugal, no período entre julho de 2014 e junho de 2015, o mercado dos medicamentos de uso veterinário representou 0,6% do total das vendas nas farmácias comunitárias e com isso um total de 1,6 milhões de embalagens. Revelou-se assim um crescimento gradual ao longo dos anos e a sua importância no contexto da farmácia comunitária.12

Em 2007 foi criada a GlobalVet, empresa que ajudou no desenvolvimento da área dos MPUV nas farmácias através do projeto Espaço Animal (EA) que arrancou no mesmo ano. Porém, antes do arranque do projeto-piloto, houve necessidade de se fazer um ponto de situação das farmácias face a esta área de mercado. Foram detetados alguns aspetos que careciam de um cuidado extra, como a “inexistência de formação, a deficiência de informação e dificuldades de organização para explorar esta área de negócio”. Tendo percecionado estas lacunas, a GlobalVet interveio de forma a munir os profissionais com os meios necessários para implementarem o EA nas suas farmácias, através de ações de formação e fichas de aconselhamento como suporte à intervenção do farmacêutico. Assim, o EA é um espaço físico delimitado e identificado na farmácia. Antes da introdução deste projeto menos de 10% dos MPUV eram vendidos nas farmácias, tendo havido um claro crescimento de 32,7% no ano seguinte à introdução do EA.13 Um projeto que começou em 2007 com 50 farmácias piloto, em 2016 já contava

com 300 aderentes a nível nacional. Dados do final de maio desse mesmo ano mostram que farmácias que aderiram ao EA cresceram mais 70% do que as que não aderiram.11

O Espaço Animal na FSL foi introduzido há relativamente pouco tempo, mas tem vindo a crescer deste então e os utentes têm vindo a procurar não só MSRM prescritos pelo médico veterinário, mas também aconselhamento farmacêutico e produtos de venda livre.

Sendo que o cão e o gato são os animais de companhia mais frequentes nos domicílios, é natural que a atenção esteja predominantemente focada nestes. Apesar de terem muitos parasitas em comum, como pulgas e carraças a nível externo, o seu tratamento por vezes é diferencial. As substâncias mais usadas em desparasitantes externos, muitas vezes em combinação, são o Fipronilo, o (S)-Metopreno, Imidaclopride e Permetrina. Esta última, por ser da classe dos piretróides, não está presente em nenhum antiparasitário externo para gatos, devido à sua toxicidade para estes. A nível interno, tanto o cão como o gato, podem ser hospedeiros das clássicas lombrigas e ténias, mas também desenvolver outras parasitoses como toxoplasmose, giardiose, entre outras. As substâncias mais usadas como antiparasitários internos são o praziquantel e a milbemicina oxima, mas existem outras opções no mercado.

Na última década têm surgido alguns estudos que mostram que existem casos em que houve uma redução da eficácia de antiparasitários externos e internos e até mesmo a presença de algumas resistências por parte dos parasitas devido a mutações genéticas. Enquanto que em algumas espécies animais, o controlo da parasitose passa por mantê-la num nível baixo e controlado, nos animais de companhia isto não é tolerável, especialmente quando há o risco de zoonose - transmissão da doença para outros animais e humanos - e consequências a nível de saúde pública.14 Num inquérito

conduzido num hospital veterinário de Lisboa, apenas 35,2% dos donos de animais é que sabiam da possibilidade de haver transmissão de parasitas dos seus animais de estimação para eles próprios, evidenciando aqui a necessidade de educação da população para reduzir os riscos de exposição e alertar para esta possibilidade.15

Entre possíveis zoonoses encontram-se as lombrigas e ténias, conhecidas pelo público em geral, e outras menos conhecidas como a giardiose e toxoplasmose. Estas podem ser transmitidas através de arranhões, mordidas, contacto direto com a pele e mucosas, saliva, urina e outros fluídos corporais ou secreções, contacto com material fecal, inalação de aerossóis ou picadas de insetos.16 Assim, é aconselhado aos donos

de animais, para além de todos os cuidados de higiene, fazerem a si próprios uma desparasitação interna entre 1 a 2 vezes por ano com conhecimento do seu médico ou farmacêutico.

O farmacêutico para além de ter um papel importante no aconselhamento, tem também como missão tentar descodificar o que o utente pretende, pois existem situações em que o utente verbaliza que necessita de algo, mas na verdade para o efeito que ele quer tem de ser outro produto. Por exemplo, o utente refere que necessita de um antiparasitário interno e na verdade quer algo para se livrar de pulgas e carraças, ou seja, pretende um antiparasitário externo, mas que seja para administrar oralmente ao animal. Para isso é essencial educar o utente no sentido que um antiparasitário externo

elimina ectoparasitas - parasitas que se encontram na superfície do corpo do animal como pulgas, carraças, entre outros - e que um antiparasitário interno consegue erradicar endoparasitas - que se encontram dentro do organismo do animal, como lombrigas, ténias, etc.14

Para além disto, a obtenção de uma desparasitação externa eficaz não passa somente por administrar os antiparasitários aos animais. É necessário perceber se estes foram usados corretamente e quando existe a possibilidade de a falha do tratamento estar associada a resistência, é essencial investigar se houve cumprimento ou não de medidas adjuvantes que são imprescindíveis para o sucesso deste. Um inquérito feito em 2012 a donos de cães que desparasitam mensalmente o seu animal através de pipetas, mostrou que 56% não as estavam a usar como recomendado e quando eram tomadas medidas adicionais de controlo de forma consistente e correta, 92% dos casos conseguia resolver o problema que tinham com os ectoparasitas.17 É por isso essencial

o papel do farmacêutico aquando da dispensa do desparasitante externo, para poder instruir o utente de que forma pode aumentar a eficácia do produto através de medidas adjuvantes. Medidas estas que abordo de seguida, no tópico 1.2. Método.

Assim este projeto teve como objetivo educar os utentes da FSL para uma desparasitação correta e mais eficaz e dar a conhecer alguns produtos de venda livre que poderiam ajudar na saúde e bem-estar dos seus animais domésticos.

1.2.

Método

Decidi criar um panfleto (Anexo 5) que fosse de fácil leitura e que focasse alguns pontos principais que podiam ser desconhecidos para os utentes, de forma a otimizar a desparasitação externa e publicitar produtos da marca Patta. Mal propus a realização deste projeto na FSL tive imediata aceitação e especial interesse pois é uma área em crescimento na farmácia. Deste modo, no panfleto referi também algumas zoonoses e a importância dos donos de animais domésticos se desparasitarem internamente anualmente. Para além disso mencionei algumas formas de aumentar a eficácia do tratamento nos animais de estimação, nomeadamente:

a) Não dar banho nos 2 dias antes nem depois - Dar banho ou nadar reduz a eficácia dos desparasitantes tópicos, como as pipetas, que são dos mais usados na desparasitação externa;18

b) Desparasitar 1 vez por mês - A maior parte dos produtos tem uma duração de atividade entre 4 a 6 semanas, logo é necessário voltar a fazer o tratamento mensalmente;19

c) Controlar o ambiente doméstico - É importante aspirar as carpetes de casa e sofás, lavar os cobertores ou camas onde os animais dormem e para além disso desinfestar quimicamente locais que o animal frequente, como o carro da família e mesmo soalhos, rodapés, etc. Isto é particularmente importante no caso de pulgas, visto que estas colocam em média 20 a 30 ovos por dia em locais escuros que podem eclodir vários dias depois e em alguns estados larvares podem sobreviver até 6 meses;19

d) Desparasitar todos os animais ao mesmo tempo - O sucesso da desparasitação também recai em que todos os animais da mesma habitação sejam desparasitados simultaneamente para que um não passe parasitas novamente para o que recebeu tratamento;14

e) Administrar em cada espécie o seu tratamento - Alguns desparasitantes externos para cães têm na sua composição piretróides, que são extremamente tóxicos para gatos. É por isso importante garantir que um dono de cães e gatos simultaneamente, não utiliza o mesmo produto para ambas as espécies e que garanta que estas não interagem muito nos primeiros dias depois da aplicação do produto.20

Quanto aos produtos da marca Patta resumi para cada um deles as suas indicações terapêuticas, com linguagem acessível para os utentes. Tive como base uma formação presencial que tive na FSL sobre estes produtos, ministrada por uma veterinária que era simultaneamente delegada da GlobalVet e o guia dos produtos que nos foi disponibilizado pela mesma empresa.

1.3.

Resultados e discussão

A forma de panfleto pareceu-me uma boa solução visto que as pessoas enquanto aguardavam a sua vez podiam tirar um de forma voluntária e ir lendo, ou então podiam ser também distribuídos durante o aconselhamento quando o utente apresentava uma situação sobre o seu animal de estimação que podia ser melhorada com os produtos presentes ou quando iria comprar algo de uso veterinário. Assim, estes ficaram expostos junto à entrada e junto aos lineares do espaço animal para serem distribuídos aos utentes pela equipa (Anexo 6).

Quando apresentei o panfleto na farmácia tive muito bom feedback por parte da equipa, que se traduziu na sua distribuição frequente aos utentes. Inicialmente, no fim do mês julho, imprimiram-se 20 panfletos, porém no início do mês de setembro houve necessidade de se imprimirem mais 20 cópias, pois os panfletos tinham acabado e a equipa da FSL quis continuar a distribuir aos utentes. Algo que a equipa referiu ser a

primeira vez que panfletos feitos por estagiários acabavam e que queriam continuar a distribuí-los porque sentiram que eram uma mais-valia no atendimento.

Como a realização e distribuição do panfleto praticamente coincidiu com a introdução dos produtos da marca Patta na FSL, não consegui avaliar o impacto que teve nas vendas destes produtos, porém houve utentes que levaram o panfleto para casa e depois adquiriram um desses.

1.4.

Conclusão

A veterinária sempre foi uma área do meu interesse e perceber que na FSL havia uma necessidade de contribuir para a melhoria desta, só fez com que fosse muito mais agradável a realização deste projeto.

Com a distribuição deste panfleto senti que houve um contributo positivo nos atendimentos relacionados com esta temática. Isto traduziu-se num melhor aconselhamento de cuidados a ter na desparasitação e uma ajuda na divulgação dos produtos de venda livre da marca Patta, fazendo com que a equipa estivesse mais confortável em aconselhá-los. Considero também que é um panfleto que vão continuar a distribuir aos utentes pois beneficia tanto a informação dada ao utente como nas vendas dos produtos.

2. Projeto 2 – Formação interna sobre vigilância de dispositivos