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Nesta seção será descrita a teoria da Gramática Gerativa, a qual estuda as estruturas sintáticas a partir dos agrupamentos dos constituintes morfológicos que, por sua vez, formam os sintagmas. Também serão abordadas a extração automática de SNs, algumas ferramentas de extração automática desses termos, algumas metodologias de seleção de SNs e metodologias de avaliação de extração automática de SNs.

2.3.1 Gramática Gerativa

Em 1957, Noam Chomsky, professor do Instituto de Tecnologia de Massachussets publica o livro Estruturas

Sintáticas8 que traz uma nova percepção de como a

linguagem deve ser analisada, ocorrendo o foco no cognitivo do falante e percebendo a linguagem como componente criativo do ser humano. Nessa concepção, a natureza da linguagem está ligada a estrutura biológica humana, assim, a experiência com outros indivíduos estimula a faculdade da linguagem, ou seja, como diz Martelotta (2012, p. 58), a linguagem é vista pelos gerativistas como “reflexo de um conjunto de princípios inatos – e, portanto universais – referentes à estrutura gramatical das línguas”.

Em Kenedy (2012), percebe-se que o gerativismo passou por várias modificações e reformulações ao longo desses 50 anos, no intuito de elaborar um modelo teórico formal que, por sua vez, é inspirado nos modelos matemáticos, assim, é-se capaz de descrever e explicar, de maneira abstrata, o que é e como funciona a linguagem humana.

Como toda corrente ou movimento teórico vem criticar os modelos vigentes, a gramática gerativa rejeita o modelo behaviorista que dominava as ciências em geral, que dentro da linguística estava relacionado ao estruturalismo. A linguagem era vista como um condicionante social, ou seja, a linguagem era produzida mediante os estímulos recebidos da interação social9.

8

CHOMSKY, Noam. Syntact Structures. Haia: Mouton, 1957. 9

Pode parecer meio contraditório o fato dessa pesquisa se desenvolver no âmbito de uma ciência social e usar uma corrente que vê essa questão em segundo plano. Isso pode ser explicado quando se vê que aplicação das

Para Borges Neto (2011), Chomsky percebe a necessidade de se supor a existência de algo que antecede à língua dos estruturalistas, em outras palavras, as regras que regem os corpora representativos, “a capacidade que os falantes têm de produzir exatamente os enunciados que

podem ser feitos” (BORGES NETO, p. 99). [destaque do

autor].

O gerativismo pretende construir um mecanismo computacional que formalize e transforme representações e que, segundo Borges Neto (2011, p.97), “‘simule’ o conhecimento linguístico de um falante de uma língua natural, ‘registrado’ em sua mente/cérebro”. Sistema computacional é visto como hipóteses explicativas e suas consequências empíricas que, por sua vez, devem ser observadas de maneira dedutiva.

Pode-se conceituar a gramática gerativa como um programa de investigação que pretende construir um modelo para perceber como se constrói esse conhecimento linguístico.

Chomsky (1965) precisava de uma ferramenta que descrevesse os fenômenos das línguas naturais e explicasse as suas formações estruturais, o sistema computacional é visto por esse teórico como a implementação da gramática gerativa que deve dar conta de boa formação de uma língua

regras do objeto de pesquisa em um sistema automatizado depende de meios exatos para que funcione, e a percepção da linguagem baseada no cognitivismo expresso por modelos matemáticos torna o desenvolvimento da reprodução da linguagem natural pela máquina mais palpável.

qualquer. Assim, ele reconhece seis níveis de descrição linguística: fonemas, morfemas, palavras, categorias sintáticas, estrutura frasal e transformações.

Na teoria do gerativismo, a semântica e a fonologia são componentes interpretativos, enquanto a sintaxe é o componente que gera representações. Dessa maneira, a sentença é formada inicialmente pelos componentes sintáticos que são constituídos de uma base responsável pela geração das estruturas profundas e pelos componentes transformacionais que convertem essas estruturas profundas em superficiais.

A base é construída a partir de componentes categoriais, os quais quando aplicados ao axioma, no primeiro momento, geram estruturas arbóreas etiquetadas. A base também contém um léxico que insere itens lexicais nos terminais das árvores. Assim, a entrada e saída da base são as estruturas profundas.

No processo de mutação, o componente transformacional recebe as estruturas profundas, como entrada, e as converte em superficiais através de leis transformacionais, como podem ser vistas na Figura 2, em que EP é estrutura profunda (voz ativa do verbo) e ES é estrutura superficial (voz passiva do verbo), focalizando-se no componente sintático. A estrutura superficial está relacionada à forma física de realização concreta da oração e à interpretação fonológica (SILVA; KOCH, 2009), enquanto a estrutura profunda se relaciona a representação da frase abstratamente, na qual se observa as relações semânticas existentes entre os itens lexicais (HOUAISS, 2001).

Figura 2 - Transformação de uma EP em ES

Fonte: Borges Neto (2011, p. 112)

Na Figura 3, há o esquema completo de geração de sentença, a EP recebe as relações das interpretações quanto ao componente semântico, já a ES associa as interpretações quanto ao componente fonológico.

Figura 3 - Esquema do Processo de Geração de Sentença

Assim,

O componente sintático gera pares ordenados <EP, ES> e os dois componentes interpretativos associam representações aos elementos dos pares: o componente semântico associa interpretações semânticas às EPs, e o componente fonológico associa interpretações fonéticas às ESs. [...] A EP deve conter todos os elementos necessários para interpretação semântica de sentença enquanto a ES deve conter as transformações para a sua leitura fonética. (BORGES NETO, 2011, p. 112)

Essas eram as ideias inicias acerca da gramática transformacional dentro do gerativismo. A descrição de como os constituintes das sentenças se formavam e como eles se transformavam em outros, por meio de aplicação de regras, era o intuito da gramática transformacional. Nas palavras de Kenedy (2012), tem-se a concepção do que vem a ser essa gramática, assim como seu contexto de formação:

Os gerativistas perceberam que as infinitas sentenças de uma língua eram formadas a partir da aplicação de um infinito sistema de regras (a gramática) que transformava uma estrutura em outra (sentença ativa em sentença passiva, declarativa em interrogativa, afirmativa em negativa, etc.) – e é precisamente esse sistema de regras que, então, se assumia como o conhecimento linguístico existente na mente do falante de uma língua, o qual deveria ser descrito e explicado pelo linguista gerativista. (KENEDY, p. 131)

Na Figura 4, há uma representação da transformação de

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