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A avaliação é, por excelência, um vocábulo que para muitos de nós tem uma conotação puramente negativa, isto é, ou temos receio de avaliar outrem, ou manifestamos desconforto em sermos avaliados por não possuirmos a coragem suficiente para aceitar que as críticas alheias poderão ser úteis para o nosso autoconhecimento.

No entanto, a avaliação é algo que não exige uma complexidade de sentimentos tão sombrios. Na realidade, avaliar deveria ser interpretado como uma ação exclusivamente necessária para uma análise global dos conhecimentos obtidos e desprovida de emoções por parte do avaliador e do avaliado. Segundo Alaiz, Góis e Gonçalves (2003) “avaliar significa examinar o grau de adequação entre um conjunto de informações e um conjunto de critérios adequados ao objetivo fixado, com vista a tomar uma decisão.” (p. 10).

Contudo, este conceito não é de todo recente. A avaliação, para ser apreendida na sua globalidade, antes de ser definida, aprimoradamente, no âmbito escolar, deverá ser examinada com base na sua perspetiva histórica. Guba e Lincoln (1990), citado por Alaiz et al. (2003) classificam a avaliação em

177 determinam se o indivíduo (…) é ou não inteligente (…). O avaliador

é um técnico que deverá saber utilizar baterias de testes (…); na segunda geração, a avaliação centra-se nos objetivos. A medida deixa de ser o cerne da avaliação, passando a ser apenas um dos seus instrumentos. A finalidade é, então, descrever pontos fortes e fracos do que é avaliado, relativamente a um conjunto de objetivos. Assim, o avaliador, não deixando de ser um técnico, é, essencialmente, um especialista na definição de objetivos e um narrador; a terceira geração integra o julgamento no ato de avaliar. A finalidade da avaliação de terceira geração é emitir um juízo acerca do mérito (…) ou valor (…) de um objeto, sendo o avaliador o juiz, que também descreve e aplica ou constrói instrumentos, conservando assim, as facetas de narrador e técnico; a avaliação de quarta geração tem por finalidade conduzir a discursos consensuais sobre o objeto de avaliação, tendo o avaliador o papel de orquestrador de um processo de negociação (…). (p. 11)

Salientado a avaliação em meio educacional – escolar, porque é este o verdadeiro intuito do capítulo, a avaliação caracteriza-se como um processo de ensino-aprendizagem que visa, não só o desenvolvimento de conhecimentos e competências, mas também o de capacidades e atitudes dos alunos, proporcionando, desta feita, o desenvolvimento integral dos mesmos. Deste modo, está implícito, no atual conceito de avaliação, que ela se desenvolve de uma forma contínua, trazendo consigo uma maior individualização do ensino, exigindo-se, para tal, uma clareza de objetivos, uma programação adequada em cada disciplina, sistemas de avaliação eficazes e uma variedade de métodos a aplicar. Assim, no dizer de Luckesi (1999) o mais importante da avaliação prende-se com o conhecimento que o aluno dos seus progressos e recuos por forma a aumentar o seu conhecimento.

Consequentemente é imprescindível simplificar a avaliação por si só, como faz Villas Boas (2006) de um modo tão eficiente. Esta autora defende que avaliação pode ser dividida em dois tipos distintos, a avaliação formal e informal:

é muito conhecida a avaliação feita por meio de provas, exercícios e atividades quase sempre escritas, como produção de textos, relatórios, pesquisas, resolução de questões matemáticas, questionários, etc. Quando a avaliação é realizada dessa forma, todos ficam a saber que ela está a acontecer: alunos, professores e pais. Esse tipo de avaliação costuma receber nota, conceito ou menção. É o que chamamos formal. Mas há outro tipo de avaliação muito frequente, principalmente na educação infantil e nos anos iniciais da educação básica: é a aquela que se dá pela interação de

alunos com professores, com os demais profissionais que atuam na escola e até mesmo com os próprios alunos, em todos os momentos e espaços do trabalho escolar. Trata-se da chamada avaliação informal. Ela é importante porque dá hipóteses ao professor de conhecer mais amplamente cada aluno: as suas necessidades, os seus interesses, as suas capacidades. (p. 18)

No que diz respeito à avaliação informal, propriamente, não é aplicado nenhum planeamento, visto que é executada a todo o momento numa sala de aula em os principais atores são os alunos e o professor. Mas é necessário o docente ter em conta a incorporação dos registos desta avaliação com a formal, porque só assim, este terá a noção da evolução do aluno como continuo aprendiz (Villas Boas, 2006). Além disso, o professor precisa de muita precaução ao utilizar este tipo de avaliação. Segundo a mesma autora a avaliação informal:

(…) é uma faca de dois gumes, podendo servir propósitos positivos e negativos, dependendo da forma de interação do professor com os alunos. O uso da avaliação informal em benefício da aprendizagem dá-se quando por meio dela, ele recebe encorajamento. Isso pode acontecer quando o professor: dá ao aluno a orientação que ele necessita, no exato momento de necessidade; manifesta paciência, respeito e carinho ao atender as suas dúvidas; providencia os materiais necessários à aprendizagem: demonstra interesse pela aprendizagem de cada um; atende a todos com a mesma cortesia e o mesmo interesse, sem demonstrar preferência; elogia o alcance dos objetivos da aprendizagem, não penaliza o aluno pelas aprendizagens ainda não adquiridas, mas ao contrário, usa essas situações para dar mais atenção ao aluno, para que realmente aprenda; não usa rótulos nem apelidos que humilhem ou desprezem os alunos; não comenta em voz alta as suas fraquezas; não faz comparações; não usa gestos nem olhares de desagrado em relação à aprendizagem. (p. 20)

Com base nas referências anteriores acerca da avaliação é permissível, então, assimilar que na sua conceção mais generalizada, esta não é independente, por completo, de qualquer tipo de documentação. Aliás para uma avaliação ser bem elaborada é essencial utilizarmos várias formas de avaliar.

Começando pela avaliação formativa, utilizada ao longo do estágio, como já foi referido, esta possui um carácter sistemático e contínuo, sendo da responsabilidade conjunta do professor, em diálogo com os alunos e outros professores. É realizada com o propósito de informar o professor e o educando

179 denominada formativa, porque mostra como os educandos se vão modificando face aos objetivos propostos. Segundo Landsheere (1980), citado por Abrecht (1994):

a avaliação formativa deve criar uma situação de progresso, e reconhecer onde e em que é que o aluno tem dificuldades, e ajudá-lo a superá-las. Esta avaliação não se traduz em níveis e, muito menos em classificações numéricas. Trata-se de uma informação em feedback para o aluno e professor. (p. 31)

Tal como podemos perceber com esta citação, é o feedback, existente entre professor e aluno, o orientador desta avaliação. Para comprovação desta reflexão, Fernandes (2005) menciona que a avaliação formativa:

(…) só ocorre quando, num contexto mais ao menos interativo de aprendizagem , está associada a algum tipo de feedback que oriente clara e inequivocamente os alunos e que os ajude a ultrapassar as suas eventuais dificuldades, através da ativação dos seus processos cognitivos e metacognitivos. (p. 83)

Para reforçar, e concluir sobre esta forma de avaliação, é importante ter em conta que a avaliação formativa pode ser feita de maneira contínua e informal, no dia-a-dia em sala de aula e pode, também, ser feita em oportunidades regulares, incluindo o uso de instrumentos mais formais como testes, apresentações de relatórios, de trabalhos, etc. Realiza--se, diariamente, ao rever-se os cadernos dos alunos, os trabalhos de casa, ao promover-se o questionamento, enfim, a observar o desempenho dos alunos nas mais variadas atividades desenvolvidas. Abrecht (1994) afirma que a avaliação formativa:

(…) é dirigida ao aluno, a quem diz respeito em primeiro lugar; tornando-o consciente da sua própria aprendizagem, leva-o a implicar-se, cada vez mais, nela; não vem interromper, mas faz antes parte da própria aprendizagem; procura adaptar-se às situações individuais (…); revela-se tão interessada pelos processos como pelos resultados, naquilo que observa e nas informações que procura; não se limita a observar, mas liga a observação à ação (…); para tal, dá importância às dificuldades, procura situá-las para as atenuar, tentando descobrir-lhes as causas e não sancioná-las, como se de uma avaliação do tipo prova ou exame se tratasse; pode concluir-se, também, que se avaliação formativa se destina a ajudar o aluno, pode, igualmente, ser útil para levar os professores (…) a orientar o ensino com eficácia e flexibilidade (…). (pp. 32 e 33)

Inerente à avaliação formativa, porque periodicamente esta utiliza testes no final de cada unidade, projeto, ou semestre, está a avaliação sumativa, que se define como uma decisão que leva em conta a soma de um ou mais resultados. É uma avaliação pontual, já que normalmente acontece nas escolas, no final dos períodos ou dos anos letivos, de um ciclo, de um semestre, ou de um curso e propõe, fazer um balanço somatório de uma ou várias sequências de um trabalho didático. Como tal, presta-se à classificação. Citando Alaiz, Góis e Gonçalves (2003) a avaliação sumativa “(…) informa acerca do sucesso de um determinado programa ou projeto quando ele já está terminado (faz-se a avaliação sumativa do Projeto Educativo de uma determinada escola no final do seu período de vigência) (…).” (p. 12).

Quanto às duas outras formas de avaliação, intrinsecamente ligadas à avaliação formativa e sumativa, pois nenhuma delas atua de forma dispersa e individual na vida escolar de um aluno, existe a avaliação diagnóstica que visa determinar nos alunos aptidões iniciais, necessidades, interesses e pré- -requisitos. É, antes de mais, um momento de detetar dificuldades nos discentes, para que o professor possa melhor conceber estratégias de ação para as solucionar. Leite (2002) afirma que esta avaliação:

(…) justifica-se sempre que se pretende identificar o ponto de partida, quer ele seja em relação às características do contexto e da comunidade em se insere a escola, quer às características da turma e dos seus alunos, quer aos conhecimentos que possuem sobre os assuntos relacionados com os conteúdos curriculares e às competências que desenvolveram. (p. 46)

Em relação à última forma de avaliação que descreverei, a

autoavaliação, e não menos importante que as outras, é uma avaliação em

que o docente e os alunos estão inteiramente incluídos, trabalhando em conjunto. Quero com isto dizer que não tem, necessariamente, de ser uma tarefa exclusiva dos professores, uma atividade solitária do docente como é comum na nossa tradição. Pode, com muitas vantagens, ser partilhada, quer com os alunos, com os pais, com outros professores ou com os serviços de apoio educativo. Neste sentido, a avaliação deve ser entendida como uma negociação entre participantes com responsabilidades particulares definidas,

181 comportamentos de indisciplina, através do envolvimento dos educandos em tarefas com sentido para eles, favorecendo-se a sua responsabilização sobre as suas próprias atividades, comportamentos e o desenvolvimento do seu autocontrolo. Um aluno que sabe autoavaliar-se, de forma pertinente, possui um dos instrumentos base para a sua aprendizagem.

Villas Boas (2006) refere esta perspetiva de autoavaliação por parte do aluno como:

(…) um processo pelo qual o próprio aluno analisa continuamente as atividades desenvolvidas e em desenvolvimento e regista as suas perceções e os sentimentos. Essa análise tem em conta o que ele já aprendeu, o que ainda não aprendeu, os aspetos facilitadores e os dificultadores do seu trabalho, tomando com referência os objetivos da aprendizagem e os critérios de avaliação. Dessa análise realizada por ele, novos objetivos podem surgir. (p. 50)

Em modo conclusivo, e pelo que já foi descrito, a avaliação deve ser interpretada apenas como um mediador que facilita ao professor e ao aluno o conhecimento das aprendizagens adquiridas e não, de modo algum, a transmissão de que qualquer tipo de juízo de valor por parte do avaliador e do avaliado. A avaliação é, assim, benéfica e inevitável no processo de ensino- -aprendizagem.

 Dispositivos de avaliação

Sendo a função nuclear da avaliação ajudar o aluno a aprender, e o professor a ensinar, utilizando-se para o efeito, instrumentos e procedimentos adequados serão, agora, apresentados os seis dispositivos de avaliação e as suas cotações, escolhidos por razões especiais que, passo a explicar: os três primeiros corresponderão ao Bibe Azul A, onde preparei uma manhã de aulas sobre o coelho, visto ser sempre um prazer enorme estar perto dos animais e em transmitir aos alunos, a partir desses espaços de aprendizagem, o mesmo respeito e dedicação por estes. Os três últimos dispositivos de avaliação dizem

respeito à turma do 4.º ano A. Ano este que, no início do estágio, sentia alguma apreensão em trabalhar, mas que se tornou no grupo mais cativante e que me permitiu concluir que aprecio, igualmente, lecionar nesta faixa etária.

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