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Conclusion

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O LPD desempenha funções de suporte dos dentes, sensoras, de nutrição, assim como de formação e remodelação das suas células e tecidos envolventes. Ele também tem um papel preponderante no mecanismo de transmissão de forças funcionais para o osso alveolar.

As células do LPD que participam no processo de remodelação, tanto do cemento como do osso alveolar, são os fibroblastos que se podem diferenciar em cementoclastos, cementoblastos, osteoclastos e osteoblastos [34]. Embora possa existir reabsorção e remodelação da camada externa do dente na raiz, esta é sempre de curta duração e acompanhada da deposição de uma nova camada que promove a fixação das fibras de colagénio. Em contrapartida, o osso está continuamente sujeito ao processo de remodelação, permitindo assim a adaptação a diferentes estados de tensão externa. Na figura 5.6 é possível ver um osteóide não mineralizado (O) no LPD e o osso alvéolar (B), onde aparece um osteócito(OC), que corresponde a novo osso formado.

Figura 5.6: Fotografia de TEM, mostrando osteoblastos (OB)próximos da formação de uma nova camada de osso [32].

Existem estudos experimentais, in vivo, que demonstraram que as glicoproteínas, tais como a alcalino-fosfatase, estão envolvidas na formação de minerais durante o processo de calcificação de tecidos [34]. Nesse mesmo estudo, ficou ainda provado que os fibroblastos aumentam a actividade da alcalino-fosfatase.

5. Biomecânica do sistema osso-dente natural _______________________________________________________________________________________

forças funcionais (quer oclusais quer ortodonticas) e na reparação das estruturas dentárias sujeitas a injúrias. A remodelação do LPD tem como objectivo manter, ao longo do tempo, a sua largura. Embora se saiba que a aplicação de forças induz fenómenos de remodelação, pouco se sabe sobre os mecanismos de activação e regulação que elas produzem nas células. Por outro lado, é conhecido que a direcção e frequência das forças aplicadas, determinam a rapidez e extensão com que é feita a remodelação óssea. Por exemplo, quando se aplica uma força constante, isso vai causar a reabsorção óssea, enquanto que a aplicação de forças ietrmitentes levam à formação de novo tecido ósseo. Recentemente, existem estudos em que se evidencia a activação da resposta celular por mecanismos de sensores mecânicos, por iões e por alterações da sua estrutura citoplasmática. Estas alterações levam à criação dos chamados mensageiros intracelulares secundários, tais como o ião cálcio (Ca2+), fosfato inositol (IP3). Outros estudos

evidenciaram a existência de outros mediadores celulares, em resposta a forças aplicadas. Por exemplo, há um aumento da imuno-reactividade da prostaglandina em zonas onde o LPD esta sob tensão. Nestas zonas também há um aumento da produção da interleuquina-1β, que também está associada na regulação da remodelação óssea quando este está sujeito a carregamentos cíclicos. As respostas celulares a longo prazo a solicitações mecânicas, envolvem divisão celular, alteração da síntese de colagénio provocada pelo aumento da actividade da colagenase e estimulação da libertação do factor-β de crescimento [30]. As alterações da estrutura da membrana citoplasmática, quando as células aumentam o seu volume, podem também activar enzimas e substractos, tais como fosfolipases e fosfotidilinositol, que fazem variar internamente a libertação dos iões cálcio (Ca2+) e fosfato inositol (IP3).

Os sensores mecânicos do LPD são compostos pelas terminações nervosas do LPD, gengiva e periósteo do osso alveolar. Estas terminações nervosas podem ser desde simples e não mielinzadas, até estruturas de Meissnerlike e corpos encapsulados, com fibras com e sem mielina. Eses receptores também têm um papel importante em movimentos reflexos que afectam a mastigação e deglutição. Por exemplo, os receptores dos dentes caninos desempenham um papel importante nos movimentos mandibulares e são intervenientes na manutenção de uma boa oclusão, daí serem designados de guias caninas. Existem estudos onde se demonstra que estes receptores respondem de forma diferente para diferentes níveis de força e direção aplicada. Por exemplo, os dentes incisivos podem distinguir forças da ordem de 0,01N e os molares da ordem de 0,1 N, cerca de dez vezes maior. Por outro lado, os molares respondem principalmente a forças aplicadas na direcção incisal ou labial, enquanto os caninos respondem a forças na direcção medial. Duma forma geral os receptores do LPD respondem melhor para níveis baixos de força aplicada [29].

Uma outra função desempenhada pelo LPD é de suporte aos dentes. Embora este facto seja bem aceite, o mesmo já não acontece em relação ao mecanismo pelo qual tal acontece. Existem três mecanismos para descrever o fenómeno, são eles: o mecanismo tensional, o mecanismo

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viscoelástico e o mecanismo tixotrópico [29,30]. O segundo e terceiro mecanismos são mais aceites uma vez que conseguem explicar os resultados experimentais obtidos para o LPD.

No primeiro mecanismo crê-se que são as fibras principais as responsáveis pelo suporte do dente e transmissão das forças ao osso alveolar. Quando se aplica uma força na coroa do dente, as fibras do LPD começam a distender, transmitindo as forças ao osso alveolar. Assim que este atinge o seu limite, a força passa a ser transmitida ao osso basal da mandíbula/maxila. Este mecanismo não é muito bem aceite por alguns investigadores, dado que não consegue descrever e explicar muitas das observações realizadas.

No mecanismo viscoelástico de suporte considera-se que os deslocamentos dentários são controlados pelo movimento dos fluidos e as fibras desempenham um papel secundário, ou seja é como se os componentes do LPD funcionassem como um gel viscoelástico. Neste caso, quando se aplica uma força à coroa do dente, o líquido extracelular actua como um filme que é comprimido e passa do LPD para os espaços intersticiais do osso, através da foramina da camada cortical. Estes pequenos orifícios da lâmina dura estabelecem a ligação do LPD à camada esponjosa do osso alveolar. Estes orifícios são mais abundantes na região cervical do que no meio ou na região apical da raiz do dente. Depois do esvazeamento dos fluidos dos tecidos, as fibras vão estreitar e as veias vão inchar por causa da pressão existente e vai fazer com que haja a passagem de um ultrafiltrado de sangue para os tecidos, restabelecendo assim o líquido neles. No terceiro mecanismo, considera-se que o LPD funciona como um gel tixotrópico, que se torna mais fluido por acção de tensões mecânicas e volta ao seu estado inicial (mais viscoso) assim que essa tensão é removida. Alguns investigadores [29] acreditam que afinal o comportamento de fibra, observado em estudos histológicos, do colagénio, não é nada mais do que um artefacto e que na verdade ele apresenta um comportamento de gel. A resposta fisiológica do LPD pode ser explicada por alterações da viscosidade do sistema biológico.

5.2.3 Caracterização experimental do ligamento periodontal

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